{"id":550,"date":"2005-04-29T00:00:00","date_gmt":"2005-04-29T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=550"},"modified":"2005-04-29T00:00:00","modified_gmt":"2005-04-29T00:00:00","slug":"o-mundo-deve-decidir-segurana-armada-ou-segurana-humana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/04\/mundo\/o-mundo-deve-decidir-segurana-armada-ou-segurana-humana\/","title":{"rendered":"O mundo deve decidir: seguran&ccedil;a armada ou seguran&ccedil;a humana"},"content":{"rendered":"<p>Amsterd&atilde;, 29\/04\/2005 &ndash; O mundo atual &eacute; uma bomba de tempo e n&atilde;o temos muito tempo para desativ&aacute;-la. Estamos enfrentando uma escolha existencial entre a seguran&ccedil;a armada e a seguran&ccedil;a humana. A seguran&ccedil;a armada &eacute; a defesa dos privil&eacute;gios das elites mediante a utiliza&ccedil;&atilde;o de armas, barreiras e muros contra a grande maioria da popula&ccedil;&atilde;o mundial que vive na mis&eacute;ria. Tr&ecirc;s cifras nos d&atilde;o uma clara indica&ccedil;&atilde;o para onde nos dirigimos: US$ 50 bilh&otilde;es anuais s&atilde;o gastos em ajuda aos pa&iacute;ses pobres, US$ 350 bilh&otilde;es s&atilde;o utilizados em subs&iacute;dios agr&iacute;colas por parte dos pa&iacute;ses ricos e US$ 900 bilh&otilde;es ou mais em armas.<br \/> <!--more--> <br \/> Com apenas 3% desses subs&iacute;dios agr&iacute;colas ou 1% dos gastos com armas, 110 milh&otilde;es de crian&ccedil;as que nunca freq&uuml;entaram uma escola poderiam receber instru&ccedil;&atilde;o junto com outros 250 milh&otilde;es de crian&ccedil;as que n&atilde;o estudam por estarem trabalhando. O ac&uacute;mulo de gigantescas quantidades de armas n&atilde;o conduz a um mundo seguro, mas a um mundo polarizado onde aumentam o desespero e o &oacute;dio, onde os ataques terroristas s&atilde;o mais freq&uuml;entes e onde, em nome da guerra contra o terrorismo, os direitos humanos e as liberdades civis s&atilde;o crescentemente deixados de lado.<\/p>\n<p> A organiza&ccedil;&atilde;o holandesa pr&oacute;-desenvolvimento Novib &eacute; parte do grupo Oxfam, que trabalha com 13 mil organiza&ccedil;&otilde;es civis locais e nacionais em cem pa&iacute;ses com a finalidade de garantir cinco direitos interligados e internacionalmente estabelecidos:<\/p>\n<p> &#8211; O direito a meios de vida sustent&aacute;veis,<br \/> &#8211; O direito a servi&ccedil;os sociais b&aacute;sicos (educa&ccedil;&atilde;o e sa&uacute;de);<br \/> &#8211; O direito &agrave; seguran&ccedil;a (diante de conflitos e desastres naturais);<br \/> &#8211; O direito &agrave; participa&ccedil;&atilde;o s&oacute;cia e pol&iacute;tica;<br \/> &#8211; O direito &agrave; identidade.<\/p>\n<p> Para isso &eacute; necess&aacute;rio operar simultaneamente na constru&ccedil;&atilde;o de uma democracia mais profunda e de lideran&ccedil;as locais, e tamb&eacute;m na cria&ccedil;&atilde;o de sistemas nacionais de governo que criem um ambiente apto para o gozo desses direitos e forne&ccedil;am justi&ccedil;a, coer&ecirc;ncia e estabilidade globais. Em todos estes n&iacute;veis se deve contar com uma nova dire&ccedil;&atilde;o que inclua as mulheres e os jovens. A democracia &eacute; bem mais do que votar a cada dois ou quatro anos. Uma democracia mais profunda estimula as pessoas a constru&iacute;rem conjuntamente uma comunidade local sustent&aacute;vel que inclua estruturas de poder transparentes, bem como freios e equil&iacute;brios.<\/p>\n<p> As iniciativas locais geradas pelas pessoas que atuam para assumir o controle sobre suas pr&oacute;prias vidas permitem algo mais do que os mais otimistas progn&oacute;sticos de que tenho conhecimento hoje em dia, inclusive em um continente africano assolado pela aids e conflitos armados. O segundo n&iacute;vel de necessidades &eacute; um sistema nacional de exerc&iacute;cio do poder que crie um ambiente que permita que se desfrute dos direitos, inclua o direito dos governos de pa&iacute;ses em desenvolvimento de protegerem suas pr&oacute;prias e vulner&aacute;veis estruturas agr&iacute;cola e industrial e proporcione servi&ccedil;os de sa&uacute;de e educa&ccedil;&atilde;o adequados para seu pr&oacute;prio povo.<\/p>\n<p> Entretanto, muitos governos nacionais v&ecirc;em a sociedade civil como uma amea&ccedil;a, embora ao mesmo tempo deixem que o Fundo Monet&aacute;rio Internacional (FMI) e o Banco Mundial decidam seu futuro como na&ccedil;&atilde;o. E in&uacute;meros governos vendem tudo em benef&iacute;cio dos interesses das empresas multinacionais. Em conseq&uuml;&ecirc;ncia, h&aacute; uma crise de confian&ccedil;a na lideran&ccedil;a do mundo empresarial e pol&iacute;tico. O vazio em mat&eacute;ria de execu&ccedil;&atilde;o se converteu em um vazio de credibilidade. Em n&iacute;vel global, grande parte das reflex&otilde;es sobre como desativar a bomba de tempo j&aacute; &eacute; feita.<\/p>\n<p> As Metas para o Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio, estabelecidas por 191 na&ccedil;&otilde;es em 2000, podem realmente ser alcan&ccedil;adas e tamb&eacute;m superadas se as enfocarmos no contexto dos direitos humanos e da igualdade entre os sexos por meio dos seguintes passos:<\/p>\n<p> &#8211; Eliminar os subs&iacute;dios agr&iacute;colas;<br \/> &#8211; Liberar a d&iacute;vida dos pa&iacute;ses endividados;<br \/> &#8211; Incrementar a ajuda ao desenvolvimento em 0,7% do PIB dos pa&iacute;ses ricos;<br \/> &#8211; Tornar acess&iacute;veis os medicamentos contra aids e mal&aacute;ria;<br \/> &#8211; Fazer com que a educa&ccedil;&atilde;o esteja dispon&iacute;vel para todos;<br \/> &#8211; Conseguir que a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio estabele&ccedil;a normas justas para o com&eacute;rcio internacional;<br \/> &#8211; Projetar um sistema impositivo nacional para regular o movimento internacional de capitais;<br \/> &#8211; Responsabilizar o setor empresarial por seu comportamento social e ambiental;<br \/> &#8211; Controlar o com&eacute;rcio de armas. <\/p>\n<p> Para isso ser&aacute; preciso progredir em tr&ecirc;s dire&ccedil;&otilde;es. Primeiro, a energia defensiva posta na negocia&ccedil;&atilde;o de acordos minimalistas deveria ser transformada em energia positiva. Isso significa que as comunidades nacionais e locais devem se converter em atores e n&atilde;o em v&iacute;timas dos processos internacionais. Segundo, a justi&ccedil;a global deve ser assegurada, por exemplo, no Oriente M&eacute;dio, no Iraque e no Sud&atilde;o, bem como na &aacute;rea ambiental e quanto aos direitos trabalhistas (na &Iacute;ndia, Indon&eacute;sia, China etc). Terceiro, novas estruturas globais devem ser criadas e colocadas em funcionamento. &Eacute; um fato que o sistema das Na&ccedil;&otilde;es Unidas n&atilde;o resolve a situa&ccedil;&atilde;o, por exemplo, em Darfur, nem quanto &agrave; bomba ambiental sobre as quais estamos sentados. Nos faltam novas lideran&ccedil;as em n&iacute;vel global, nacional e local, mais lideran&ccedil;as diversas, transformadoras e includentes. E necessitamos j&aacute;. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p> (*) Sylvia Borren, diretora-executiva da Novib-Oxfam Holanda.<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Amsterd&atilde;, 29\/04\/2005 &ndash; O mundo atual &eacute; uma bomba de tempo e n&atilde;o temos muito tempo para desativ&aacute;-la. Estamos enfrentando uma escolha existencial entre a seguran&ccedil;a armada e a seguran&ccedil;a humana. A seguran&ccedil;a armada &eacute; a defesa dos privil&eacute;gios das elites mediante a utiliza&ccedil;&atilde;o de armas, barreiras e muros contra a grande maioria da popula&ccedil;&atilde;o mundial que vive na mis&eacute;ria. Tr&ecirc;s cifras nos d&atilde;o uma clara indica&ccedil;&atilde;o para onde nos dirigimos: US$ 50 bilh&otilde;es anuais s&atilde;o gastos em ajuda aos pa&iacute;ses pobres, US$ 350 bilh&otilde;es s&atilde;o utilizados em subs&iacute;dios agr&iacute;colas por parte dos pa&iacute;ses ricos e US$ 900 bilh&otilde;es ou mais em armas.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/04\/mundo\/o-mundo-deve-decidir-segurana-armada-ou-segurana-humana\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":244,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-550","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/550","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/244"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=550"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/550\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=550"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=550"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=550"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}