{"id":5505,"date":"2009-09-04T18:15:51","date_gmt":"2009-09-04T18:15:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5505"},"modified":"2009-09-04T18:15:51","modified_gmt":"2009-09-04T18:15:51","slug":"birmania-ditadura-ataca-etnia-rebelde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/09\/direitos-humanos\/birmania-ditadura-ataca-etnia-rebelde\/","title":{"rendered":"BIRM\u00c2NIA: Ditadura ataca etnia rebelde"},"content":{"rendered":"<p>Bangcoc, 04\/09\/2009 &ndash; O regime militar da Birm\u00e2nia recorre a uma conhecida estrat\u00e9gia: enviar tropas para impor sua vontade no nordeste, fronteiri\u00e7o com a China. <!--more--> A opera\u00e7\u00e3o joga por terra um acordo de paz assinado h\u00e1 20 anos com a organiza\u00e7\u00e3o rebelde da etnia kokang, que controla parte desse terreno montanhoso.<\/p>\n<p>Os kokang s\u00e3o uma das quatro etnias rebeldes que assinaram acordos de cessar-fogo entre 1988 e 1989. O recome\u00e7o das hostilidades tem muito a ver com as elei\u00e7\u00f5es gerais prometidas para o pr\u00f3ximo ano pelo regime militar. A junta quer que ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es de 2010 surja uma \u201cdemocracia que prospere na disciplina\u201d. Caso se concretize, este ato eleitoral ser\u00e1 o primeiro depois que os resultados do \u00faltimo, em 1990, foram anulados.<\/p>\n<p>Os enfrentamentos entre as for\u00e7as birmanesas e os kokang come\u00e7aram no in\u00edcio de agosto, e cresceram no final desse m\u00eas em uma \u00e1rea perto da fronteira chinesa. Ainda se desconhece a quantidade de v\u00edtimas. \u201cCerca de sete mil soldados com tanques, blindados e canh\u00f5es pesados tentam controlar a regi\u00e3o. A junta est\u00e1 enviando mais tr\u00eas mil efetivos\u201d, disseram representantes da Campanha dos Estados Unidos pela Birm\u00e2nia, uma organiza\u00e7\u00e3o de exilados pol\u00edticos birmaneses com sede em Washington.<\/p>\n<p>Ontem, uma tensa calma havia voltado a Laogai, capital da regi\u00e3o do Kokang, no Estado de Shan, agora nas m\u00e3os dos soldados, segundo uma trabalhadora de assist\u00eancia humanit\u00e1ria que pediu para n\u00e3o ser identificada. \u201cCerca de 40 mil pessoas que fugiram dos confrontos cruzando a fronteira para a China come\u00e7aram a voltar\u201d, afirmou. Ouviam-se sons espor\u00e1dicos de tiroteios, recordou, dizendo que os moradores do lugar n\u00e3o estavam certos de recorrerem a \u201cataques guerrilheiros\u201d contra as for\u00e7as do ex\u00e9rcito caso os rebeldes de Kokang sejam derrotados. Em Laogai h\u00e1 uma forte presen\u00e7a de empres\u00e1rios chineses que participam da economia fronteiri\u00e7a como minera\u00e7\u00e3o e cassinos.<\/p>\n<p>Os combates interromperam os programas agr\u00edcolas administrados pelo Programa Mundial de Alimentos, \u00fanica ag\u00eancia da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas com presen\u00e7a permanente nesta regi\u00e3o conhecida pro seus cultivos de papoulas, de onde se extrai o \u00f3pio, e pelo florescente com\u00e9rcio de narc\u00f3ticos. \u201cNossas opera\u00e7\u00f5es foram suspensas. A popula\u00e7\u00e3o da \u00e1rea \u00e9 pobre e depende de nossos programas como alternativa ao cultivo de papoula\u201d, disse Chris Kaye, chefe de opera\u00e7\u00f5es do PMA na Birm\u00e2nia, em entrevista por telefone desde Rangun. O trabalho desta ag\u00eancia da ONU implica ajudar os membros da etnia kokang a cultivar ch\u00e1, arroz e milho como fonte alternativa de renda, e tamb\u00e9m ajuda os moradores a superarem a inseguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n<p>Isto ocorreu depois que os l\u00edderes dos grupos \u00e9tnicos anunciaram o fim do cultivo de papoula em 2005, na \u00e1rea que fez parte do Tri\u00e2ngulo dourado, uma das maiores zonas produtoras de \u00f3pio da \u00c1sia. Por\u00e9m, preocupa o fato de o ataque dos soldados n\u00e3o ser um fato isolado, mas parte de um plano mais amplo da junta para perseguir outros grupos \u00e9tnicos armados ao longo da fronteira nordeste do pa\u00eds. Entre eles est\u00e3o os wa, os rebeldes mais armados, com uma for\u00e7a de aproximadamente 25 mil integrantes, e os kachin, um grupo menor. S\u00e3o preocupa\u00e7\u00f5es geradas pelos acontecimentos pol\u00edticos das \u00e1reas \u00e9tnicas do pa\u00eds, que nunca puderam controlar todas suas fronteiras desde que ficaram independentes da Gr\u00e3-Bretanha h\u00e1 seis d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>O pa\u00eds tem 135 grupos \u00e9tnicos registrados, dos quais o birmanes \u00e9 o maior. Dezenas de rebeldes iniciaram batalhas separatistas para criar Estados independentes. A paz voltou \u00e0 fronteira nordeste da Birm\u00e2nia no final dos anos 80, depois que os wa, os kachin e os kokang uniram-se a outros 14 movimentos \u00e9tnicos insurgentes para assinar acordos de cessar-fogo em troca de maior autonomia pol\u00edtica, liberdade para suas comunidades e mais independ\u00eancia econ\u00f4mica. \u201cO ataque contra os kokang \u00e9 uma tentativa de intimidar os outros grupos do cessar-fogo para que se alinhem com os planos do regime para as elei\u00e7\u00f5es do ano que vem\u201d, disse Win Min, especialista em seguran\u00e7a nacional da Universidade de Payap na localidade tailandesa de Chiang Mai. \u201cNegociar\u00e3o com eles, um a um, para impor o que a junta pensa que ser\u00e1 a unidade no pa\u00eds. Mas trata-se apenas de uma unidade imposta militarmente. O ex\u00e9rcito birman\u00eas n\u00e3o ter\u00e1 vida f\u00e1cil. Ir atr\u00e1s dos wa causar\u00e1 muitas v\u00edtimas, porque s\u00e3o o grupo \u00e9tnico armado mais forte do pa\u00eds\u201d, disse Min por telefone.<\/p>\n<p>Este ponto de vista \u00e9 reiterado por outras pessoas familiarizadas com esta regi\u00e3o birmanesa, parte do Estado de Shan e que abriga a grande comunidade de mesmo nome. \u201cSe o regime birman\u00eas pensa que poder\u00e1 submeter os grupos \u00e9tnicos rebeldes antes das elei\u00e7\u00f5es est\u00e1 sonhando. Haver\u00e1 uma escalada das lutas na fronteira\u201d, disse \u00e0 IPS Khuensai Jaiyen, editor da Shan Herald Agency for News.<\/p>\n<p>\u201cOs ataques s\u00e3o uma viola\u00e7\u00e3o do cessar-fogo e nos preocupa quem ser\u00e1 o pr\u00f3ximo alvo\u201d, disse o coronel James Lum Dau, subchefe de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores da Organiza\u00e7\u00e3o para a Independ\u00eancia Kachin. \u201cEles querem que mudemos militarmente e fiquemos sob completo controle birman\u00eas antes das elei\u00e7\u00f5es. Somos contra isso\u201d, ressaltou. \u201cIsso pode ser bom para eles, mas n\u00e3o para n\u00f3s. Esta \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o militar e n\u00e3o pol\u00edtica. Estamos prontos para apoiar as elei\u00e7\u00f5es que garantir\u00e3o nossa liberdade\u201d, afirmou por telefone.<\/p>\n<p>Sob a nova Constitui\u00e7\u00e3o, aprovada em 2008 num referendo fraudulento, na Birm\u00e2nia s\u00f3 pode haver um grupo armado, o ex\u00e9rcito. E para fazer com que muitos grupos \u00e9tnicos armados cumpram essa disposi\u00e7\u00e3o, o regime militar ordenou a todas as organiza\u00e7\u00f5es insurgentes que se convertam em parte de uma guarda fronteiri\u00e7a antes das elei\u00e7\u00f5es. Essa for\u00e7a, anunciada em abril, despojar\u00e1 os rebeldes de sua for\u00e7a militar e de sua independ\u00eancia neste sentido, j\u00e1 que cada um dos batalh\u00f5es lim\u00edtrofes ficar\u00e1 sob comando de um oficial birman\u00eas. Foi um plano de desarmamento recha\u00e7ado pelos kokang e pelos combatentes wa e kachin, entre outros. \u201c\u00c9 impens\u00e1vel esperar que os wa cumpram o plano da guarda fronteiri\u00e7a. Seu \u00f3dio pelos birmaneses est\u00e1 profundamente arraigado\u201d, disse \u00e0 IPS um diplomata europeu que visita a Birm\u00e2nia com regularidade e que pediu para n\u00e3o ser identificado. \u201cTamb\u00e9m h\u00e1 oposi\u00e7\u00e3o a esta nova for\u00e7a porque nenhum destes grupos \u00e9tnicos sabe quais concess\u00f5es pol\u00edticas ser\u00e3o feitas depois da vota\u00e7\u00e3o. As pr\u00f3ximas semanas revelar\u00e3o se os ataques contra os kokang obrigar\u00e3o os wa e outros a voltarem \u00e0 mesa de negocia\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 guarda de fronteira\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p> (Envolverde\/ )<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bangcoc, 04\/09\/2009 &ndash; O regime militar da Birm\u00e2nia recorre a uma conhecida estrat\u00e9gia: enviar tropas para impor sua vontade no nordeste, fronteiri\u00e7o com a China. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/09\/direitos-humanos\/birmania-ditadura-ataca-etnia-rebelde\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":133,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,11],"tags":[17],"class_list":["post-5505","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-politica","tag-asia-e-pacifico"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5505","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/133"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5505"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5505\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5505"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5505"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5505"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}