{"id":551,"date":"2005-05-02T00:00:00","date_gmt":"2005-05-02T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=551"},"modified":"2005-05-02T00:00:00","modified_gmt":"2005-05-02T00:00:00","slug":"lbano-a-hora-da-catarse","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/05\/mundo\/lbano-a-hora-da-catarse\/","title":{"rendered":"L&iacute;bano: A hora da catarse"},"content":{"rendered":"<p>Beirute, 02\/05\/2005 &ndash; O fim na semana passada de quase tr&ecirc;s d&eacute;cadas de presen&ccedil;a militar s&iacute;ria no L&iacute;bano, sob intensa press&atilde;o internacional, marcou o in&iacute;cio de uma nova era e o come&ccedil;o de uma grande catarse neste pa&iacute;s devastado pela guerra. Pela primeira vez em 30 anos, o L&iacute;bano est&aacute; livre de conflito armado e ocupa&ccedil;&atilde;o estrangeira. Enquanto a na&ccedil;&atilde;o encara sua nova liberdade, aos poucos v&atilde;o caindo os tabus relacionados com o passado, e tanto jovens quanto idosos d&atilde;o r&eacute;dea solta a emo&ccedil;&otilde;es e recorda&ccedil;&otilde;es, cada um &agrave; sua maneira. &quot;Come&ccedil;amos a dan&ccedil;ar nas ruas antes que (os soldados e funcion&aacute;rios de intelig&ecirc;ncia s&iacute;rios) virassem a esquina&quot;, contou Mariam Majzoub, moradora do vale de Bekaa, na fronteira s&iacute;rio-libanesa. &quot;Finalmente pudemos nos expressar e n&atilde;o houve nada que eles pudessem ter feito para evitar isso&quot;, acrescentou.<br \/> <!--more--> <br \/> A voz de Mariam &eacute; uma das milhares que se fizeram ouvir nas ruas de Beirute desde o assassinato, em 14 de fevereiro, do ex-primeiro-ministro liban&ecirc;s Rafik Hariri, em mobiliza&ccedil;&otilde;es pela democracia e exigindo a retirada total das tropas s&iacute;rias. A S&iacute;ria ajudou a por fim &agrave; guerra civil do L&iacute;bano (1975-1990), mas deixou neste pa&iacute;s v&aacute;rios milhares de soldados uma vez terminado o conflito. O acordo de Taif, que p&ocirc;s fim &aacute; guerra, dava &agrave; S&iacute;ria prazo de dois anos para a retirada de suas tropas. Por&eacute;m, os soldados ficaram. Jornais libaneses publicavam diariamente den&uacute;ncias de torturas, deten&ccedil;&otilde;es, humilha&ccedil;&otilde;es ou confiscos de propriedades por focas s&iacute;rias.<\/p>\n<p> &quot;Podemos falar de uma catarse agora&quot;, disse o psiquiatra liban&ecirc;s Shawqi Azouri. &quot;A imprensa se refere ao assassinato de Hariri como a gota d?&aacute;gua que fez o copo transbordar, e &eacute; uma boa forma de descrev&ecirc;-lo. Sua morte desatou todas as emo&ccedil;&otilde;es que foram acumuladas desde 1965&quot;, acrescentou. &quot;Todo aquele que perdeu um ente querido na guerra e nunca soube o motivo, se viu chorando por Hariri e, por extens&atilde;o, por seus pr&oacute;prios mortos&quot;, explicou. Os anos de p&oacute;s-guerra do L&iacute;bano foram marcados por um silencioso rein&iacute;cio da vida cotidiana. Aconteceram debates sobre a reconstru&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica do pa&iacute;s, da qual Hariri foi protagonista, mas o estado psicol&oacute;gico da popula&ccedil;&atilde;o foi deixado de lado. N&atilde;o se formou nenhuma &quot;comiss&atilde;o da verdade&quot; como na &Aacute;frica do Sul, poucos respons&aacute;veis por crimes foram julgados e, menos ainda, ouviu-se pedidos p&uacute;blicos de desculpas.<\/p>\n<p> O f&eacute;rreo controle s&iacute;rio do pa&iacute;s, apoiado pela temida Mujabarat (servi&ccedil;o de intelig&ecirc;ncia), e uma lideran&ccedil;a pol&iacute;tica leal a Damasco criavam uma ambiente nada prop&iacute;cio para reparar injusti&ccedil;as do passado e do presente. &quot;Depois do acordo de Taif, ca&iacute;mos sob um regime de terror imposto pelo &quot;ditador s&iacute;rio&quot;, entendido como um conceito social, antropol&oacute;gico e pol&iacute;tico&quot;, recordou Azouri. Segundo o psiquiatra, n&atilde;o interessava a Damasco nenhum processo de reconcilia&ccedil;&atilde;o nacional, portanto, &quot;imp&ocirc;s-se uma censura interna e as pessoas n&atilde;o se atreviam a falar. Isto nos impediu de escrever uma hist&oacute;ria comum, virar a p&aacute;gina da guerra, debater sobre o que aconteceu. Pelo contr&aacute;rio, as pessoas reprimiram sua necessidade de falar, duas id&eacute;ias, seus traumas&quot;, e isto provocou uma depress&atilde;o coletiva, lamentou. Agora, &quot;devemos reconhecer o passado para que a hist&oacute;ria n&atilde;o se repita&quot;, ressaltou Azouri.<\/p>\n<p> A gera&ccedil;&atilde;o jovem concorda com essa atitude. &quot;N&atilde;o creio que tenha havido alguma concilia&ccedil;&atilde;o real entre os libaneses, portanto, devemos trabalhar nisto e fazer uma certa autocr&iacute;tica&quot;, disse Sami Gemayel, uma ativista pol&iacute;tica de 24 anos. &quot;Devemos ir mais al&eacute;m, analisar nossa hist&oacute;ria e tirar li&ccedil;&otilde;es do que aconteceu em nosso pa&iacute;s. se o fizermos, ajudaremos a construir um pa&iacute;s que n&atilde;o cair&aacute; na guerra novamente&quot;, acrescentou. Nassim Zeineddine, um jovem de 21 anos integrante do partido Amal, concorda. &quot;Devemos trabalhar para ter algo de bom para contarmos aos nossos filhos, e n&atilde;o permitir que eles tenham de corrigir nossos erros, como estamos fazendo com as a&ccedil;&otilde;es de gera&ccedil;&otilde;es anteriores&quot;, afirmou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Beirute, 02\/05\/2005 &ndash; O fim na semana passada de quase tr&ecirc;s d&eacute;cadas de presen&ccedil;a militar s&iacute;ria no L&iacute;bano, sob intensa press&atilde;o internacional, marcou o in&iacute;cio de uma nova era e o come&ccedil;o de uma grande catarse neste pa&iacute;s devastado pela guerra. Pela primeira vez em 30 anos, o L&iacute;bano est&aacute; livre de conflito armado e ocupa&ccedil;&atilde;o estrangeira. Enquanto a na&ccedil;&atilde;o encara sua nova liberdade, aos poucos v&atilde;o caindo os tabus relacionados com o passado, e tanto jovens quanto idosos d&atilde;o r&eacute;dea solta a emo&ccedil;&otilde;es e recorda&ccedil;&otilde;es, cada um &agrave; sua maneira. &quot;Come&ccedil;amos a dan&ccedil;ar nas ruas antes que (os soldados e funcion&aacute;rios de intelig&ecirc;ncia s&iacute;rios) virassem a esquina&quot;, contou Mariam Majzoub, moradora do vale de Bekaa, na fronteira s&iacute;rio-libanesa. &quot;Finalmente pudemos nos expressar e n&atilde;o houve nada que eles pudessem ter feito para evitar isso&quot;, acrescentou.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/05\/mundo\/lbano-a-hora-da-catarse\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-551","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/551","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=551"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/551\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=551"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=551"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=551"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}