{"id":553,"date":"2005-05-02T00:00:00","date_gmt":"2005-05-02T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=553"},"modified":"2005-05-02T00:00:00","modified_gmt":"2005-05-02T00:00:00","slug":"trabalho-japo-abre-as-portas-para-trabalhador-estrangeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/05\/mundo\/trabalho-japo-abre-as-portas-para-trabalhador-estrangeiro\/","title":{"rendered":"Trabalho: Jap&atilde;o abre as portas para trabalhador estrangeiro"},"content":{"rendered":"<p>T&oacute;quio, 02\/05\/2005 &ndash; Enfrentando r&aacute;pido envelhecimento da popula&ccedil;&atilde;o e a conseq&uuml;ente redu&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a de trabalho, o governo do Jap&atilde;o abriu, a partir deste domingo, as portas para trabalhadores estrangeiros n&atilde;o qualificados. A medida representa uma importante mudan&ccedil;a pol&iacute;tica e social para esse pa&iacute;s, de sociedade fechada que at&eacute; agora se negava a receber m&atilde;o-de-obra n&atilde;o especializada e somente permitia, com certa retic&ecirc;ncia, a entrada de trabalhadores qualificados. Segundo a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, a popula&ccedil;&atilde;o japonesa diminuir&aacute; de 127 milh&otilde;es, em 2004, para 109 milh&otilde;es em 2050. Cada mulher tem, em m&eacute;dia, 1,4 filho. Se n&atilde;o forem adotadas medidas, uma for&ccedil;a de trabalho mais reduzida de ver&aacute; sustentar um n&uacute;mero maior de aposentados.<br \/> <!--more--> <br \/> &quot;Com a prevista redu&ccedil;&atilde;o de 10% da for&ccedil;a de trabalho nos pr&oacute;ximos 25 anos, o panorama econ&ocirc;mico esta longe de ser brilhante&quot;, advertiu Julian Chapple, catedr&aacute;tico da Universidade Sangyo, de Kyoto. &quot;Muito provavelmente, o mercado dom&eacute;stico se reduzir&aacute;, a produ&ccedil;&atilde;o sofrer&aacute; redu&ccedil;&atilde;o, a base de renda se contrair&aacute; e ser&aacute; dif&iacute;cil para o governo encontrar os recursos para enfrentar os gastos com sa&uacute;de e bem-estar social de um crescente n&uacute;mero de idosos&quot;, escreveu Chapple em um informe para a publica&ccedil;&atilde;o Electronic Journal of Contemporary Japanese Studies. Alguns estudos indicam que em1950 cada aposentado era sustentado por 12 trabalhadores. Em 2990, essa rela&ccedil;&atilde;o caiu para 5,5 trabalhadores por aposentado e, em 2020, estima-se que essa rela&ccedil;&atilde;o cair&aacute; para 2,3 por aposentado.<\/p>\n<p> &quot;Naturalmente, o governo est&aacute; preocupada com essa possibilidade. A quest&atilde;o &eacute; como controlar essa tend&ecirc;ncia, manter a popula&ccedil;&atilde;o e garantir a seguran&ccedil;a e prosperidade econ&ocirc;mica&quot;, escreveu o acad&ecirc;mico. Com esses objetivos, o governo divulgou no in&iacute;cio de abril um novo plano de imigra&ccedil;&atilde;o, depois de ser conhecido um informe do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a no qual solicitava ao gabinete que considerasse seriamente o ingresso de trabalhadores estrangeiros. &quot;Depois de anos ignorando o problema, o Jap&atilde;o se deu conta da import&acirc;ncia da imigra&ccedil;&atilde;o como m&atilde;o-de-obra barata e para estimular a economia nacional&quot;, disse Katsunori Yoshinari, diretor da Associa&ccedil;&atilde;o pela Amizade dos Povos da &Aacute;sia, uma organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental. Schoichiro Okabe, funcion&aacute;rio do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a, explicou que o plano atende &agrave; solicita&ccedil;&atilde;o de empresas nacionais.<\/p>\n<p> O novo programa suaviza os controles de imigra&ccedil;&atilde;o e estabelece novas condi&ccedil;&otilde;es para aceita&ccedil;&atilde;o de trabalhadores n&atilde;o qualificados, como a de dar prioridade ao conhecimento da l&iacute;ngua japonesa. Os setores agr&iacute;colas, pesqueiro e florestal ser&atilde;o os principais beneficiados pela nova pol&iacute;tica, que ter&aacute; vig&ecirc;ncia de cinco anos. Espera-se que logo sejam anunciados outros setores aos quais ser&aacute; permitido convidar trabalhadores estrangeiros. Especialistas em demografia assinalam que a r&iacute;gida pol&iacute;tica de imigra&ccedil;&atilde;o assegurou por longos anos a homogeneidade da sociedade japonesa. &quot;Abrir o pa&iacute;s aos estrangeiros n&atilde;o &aacute; tarefa f&aacute;cil, devido &agrave; arraigada suspeita sobre as influ&ecirc;ncias estrangeiras. Nesse contexto. A medida governamental revela uma importante mudan&ccedil;a de atitude&quot;, observou Yoshinari.<\/p>\n<p> Na cidade industrial de Ota, 60 quil&ocirc;metros ao norte de T&oacute;quio, existe um programa especial para apoiar os estrangeiros que trabalham na regi&atilde;o. Ota tem 200 mil habitantes e mais de 60% s&atilde;o maiores de 60 anos. Para sustentar as ind&uacute;strias eletr&ocirc;nica e automobil&iacute;stica, a cidade recebeu mais de 30 mil latino-americanos descendentes de japoneses que haviam emigrado para a Am&eacute;rica do Sul no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX em busca de um futuro melhor. No final da d&eacute;cada de 80, o Jap&atilde;o aprovou a entrada de latino-americanos de terceira e quarta gera&ccedil;&otilde;es de descendentes japoneses para compensar a escassez de m&atilde;o-de-obra em suas f&aacute;bricas, na &eacute;poca da bolha econ&ocirc;mica. Mais recentemente, tamb&eacute;m puderam entrar no pa&iacute;s asi&aacute;ticos, principalmente do sudeste da &Aacute;sia, para trabalharem nas f&aacute;bricas. Em Ota, somam 45 mil. Os trabalhadores estrangeiros s&atilde;o vitais para a sobreviv&ecirc;ncia da economia local, destacou Kimio Mtsudaira, funcion&aacute;rio da &aacute;rea do trabalho dessa cidade, na prefeitura de Gumma.<\/p>\n<p> &quot;Oferecemos a eles servi&ccedil;os de apoio como aula de japon&ecirc;s, cursos de motorista, moradia e assessoramento psicol&oacute;gico. O sistema funciona muito bem&quot;, disse &agrave; IPS. Estes servi&ccedil;os de apoio devem acompanhar a nova medida governamental, disse Hiroaki Watanabe, integrante do Instituto de Pesquisas Trabalhistas do Jap&atilde;o, um gabinete de especialistas. &quot;&Eacute; importante come&ccedil;ar por um n&uacute;mero pequeno de trabalhadores, para minimizar os problemas sociais em uma sociedade fechada&quot; que n&atilde;o est&aacute; pronta para uma imigra&ccedil;&atilde;o em massa, acrescentou. Uma pesquisa divulgada no ano passado mostrava que 31% dos japoneses rejeita a id&eacute;ia de que trabalhadores estrangeiros tomem os empregos que japon&ecirc;s nenhum quer, outros 31% n&atilde;o apresentaram obje&ccedil;&otilde;es e o restante se mostrou indeciso. As pesquisas tamb&eacute;m revelam que muitos tamb&eacute;m temem que uma onda de imigra&ccedil;&atilde;o provoque um aumento da criminalidade. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>T&oacute;quio, 02\/05\/2005 &ndash; Enfrentando r&aacute;pido envelhecimento da popula&ccedil;&atilde;o e a conseq&uuml;ente redu&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a de trabalho, o governo do Jap&atilde;o abriu, a partir deste domingo, as portas para trabalhadores estrangeiros n&atilde;o qualificados. A medida representa uma importante mudan&ccedil;a pol&iacute;tica e social para esse pa&iacute;s, de sociedade fechada que at&eacute; agora se negava a receber m&atilde;o-de-obra n&atilde;o especializada e somente permitia, com certa retic&ecirc;ncia, a entrada de trabalhadores qualificados. Segundo a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, a popula&ccedil;&atilde;o japonesa diminuir&aacute; de 127 milh&otilde;es, em 2004, para 109 milh&otilde;es em 2050. Cada mulher tem, em m&eacute;dia, 1,4 filho. 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