{"id":5572,"date":"2009-09-24T17:44:25","date_gmt":"2009-09-24T17:44:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5572"},"modified":"2009-09-24T17:44:25","modified_gmt":"2009-09-24T17:44:25","slug":"birmania-monges-continuam-sob-vigilancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/09\/economia\/birmania-monges-continuam-sob-vigilancia\/","title":{"rendered":"BIRM\u00c2NIA: Monges continuam sob vigil\u00e2ncia"},"content":{"rendered":"<p>Bancoc, 24\/09\/2009 &ndash; \u201cSou vigiado o tempo todo. Sou considerado um organizador.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_5572\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/HRWsobremonjesBirmania.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5572\" class=\"size-medium wp-image-5572\" title=\"Bertil Lintner y David Mathieson - Joel Chong\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/HRWsobremonjesBirmania.jpg\" alt=\"Bertil Lintner y David Mathieson - Joel Chong\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-5572\" class=\"wp-caption-text\">Bertil Lintner y David Mathieson - Joel Chong\/IPS<\/p><\/div>  Permitem que eu saia do monast\u00e9rio entre meio-dia e duas da tarde. Mas me seguem\u201d, contou o monge budista birman\u00eas U Manita. \u201cEstou preparado para voltar a marchar quando surgir a oportunidade. N\u00e3o queremos esta junta (militar que governa a Birm\u00e2nia). E \u00e9 isso o que pensam todos em meu monast\u00e9rio\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>\u201cTradicionalmente, sup\u00f5e-se que os monges n\u00e3o devem participar da pol\u00edtica. Os militares governam nosso pa\u00eds h\u00e1 mais de 40 anos, e n\u00e3o se importam com o bem-estar do povo. Apenas se preocupam com eles mesmos e seus familiares, e tamb\u00e9m em como permanecer no poder para sempre. Foi por essa raz\u00e3o que o povo se levantou contra eles\u201d, afirmou U Pannacara, um monge de 27 anos. \u201cNa Birm\u00e2nia existem tr\u00eas grupos poderosos: os sit-tha (filhos da guerra), isto \u00e9, os militares; os kyaung-tha (filhos da escola), que s\u00e3o os estudantes, e, por fim, os paya-tha (filhos de Buda), que somos n\u00f3s, os monges\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Estes s\u00e3o apenas dois dos monges cujas vozes se fazem ouvir. O informe \u201cA resist\u00eancia dos monges: budismo e ativismo na Birm\u00e2nia) foi apresentado ontem pela organiza\u00e7\u00e3o Human Rights Watch (HRW), com sede em Nova York, \u00e0s v\u00e9speras do segundo aniversario do levante de 2007 na Birm\u00e2nia. H\u00e1 dois anos, as ruas da ex-capital Rangun e a central cidade de Mandalay foram inundadas por t\u00fanicas vermelhas, quando milhares de monges marcharam desafiadores contra a junta militar birmanesa. Por onde passavam as pessoas formavam um escudo humano para proteger dos ataques os venerados religiosos. Mas, ap\u00f3s v\u00e1rias semanas de protestos, mais de mil monges estavam presos e detidos, segundo o informe da HRW. H\u00e1 informa\u00e7\u00e3o de que alguns dos detidos foram torturados depois que os militares lan\u00e7aram uma ofensiva contra as manifesta\u00e7\u00f5es, no dia 26 de setembro desse ano.<\/p>\n<p>Atualmente, os monges da Birm\u00e2nia continuam sendo alvo de suspeitas, restri\u00e7\u00f5es e infiltra\u00e7\u00e3o por parte de for\u00e7as armadas cautelosas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua influ\u00eancia e organiza\u00e7\u00e3o neste pa\u00eds essencialmente budista de 54 milh\u00f5es de habitantes. Um total de 237 monges est\u00e3o em 43 pris\u00f5es e 50 acampamentos no pa\u00eds, condenados a d\u00e9cadas de pris\u00e3o e trabalhos for\u00e7ados, segundo a Associa\u00e7\u00e3o de Assist\u00eancia a Prisioneiros Pol\u00edticos (AAPP), com sede na Tail\u00e2ndia. Muitos foram presos quando protestavam nas ruas ou durante violentas incurs\u00f5es noturnas contra monast\u00e9rios em toda a Birm\u00e2nia. \u201cQuando os monges come\u00e7aram a marchar pelas ruas foi um momento fundamental na historia birmanesa moderna\u201d, disse David Mathieson, assessor birmanes da HRW, durante a apresenta\u00e7\u00e3o do informe, no Clube de Correspondentes Estrangeiros da Tail\u00e2ndia, em Bancoc. \u201cOs monges budistas da Birm\u00e2nia n\u00e3o s\u00e3o apenas uma das institui\u00e7\u00f5es-chave do pa\u00eds. Em certo sentido constituem o bar\u00f4metro dos ideais sociais. Saem \u00e0s ruas, se convertem em atores pol\u00edticos, quando as coisas v\u00e3o muito mal e n\u00e3o podem ficar em sil\u00eancio\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Em um pa\u00eds onde os monges s\u00e3o reverenciados e exercem enorme influ\u00eancia, a historia da comunidade birmanesa Sangha est\u00e1 marcada por movimentos revolucion\u00e1rios e radicais que catalisaram acontecimentos de import\u00e2ncia nacional, como a luta da Birm\u00e2nia para ficar independente dos brit\u00e2nicos e os protestos contra os militares entre as d\u00e9cadas de 70 e 90. \u201cProvavelmente, eles sejam a institui\u00e7\u00e3o mais poderosa do pa\u00eds, depois dos militares\u201d, disse Mathieson.<\/p>\n<p>O que desatou os protestos de 2007 foi, principalmente, uma decis\u00e3o do Conselho de Estado para a Paz e o Desenvolvimento (SPDC), nome oficial da junta, de eliminar os subs\u00eddios aos combust\u00edveis, o que fez disparar os pre\u00e7os do diesel e da gasolina, as passagens de \u00f4nibus e outros itens. Isto somou-se \u00e0 situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 dura do ano anterior, quando os pre\u00e7os dos produtos b\u00e1sicos aumentaram 40%.<\/p>\n<p>Nos 45 mi monast\u00e9rios registrados na Birm\u00e2nia h\u00e1 cerca de 400 mil monges, segundo a HRW. Mas Bertil Lintner, autor do informe, disse que n\u00e3o se sabe \u201cexatamente quantos foram para casa\u201d depois dos protestos de setembro de 2007. \u201cMuitos fugiram, sem t\u00fanica, para esconderem o fato de que eram monges enquanto escapavam\u201d, acrescento. Com roupas civis, muitos fugiram para leste, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 fronteira tailandesa, ou para oeste, com destino \u00e0 \u00cdndia.<\/p>\n<p>Ao compilar o estudo da HRW Lintner, que informa desde a Birm\u00e2nia h\u00e1 tr\u00eas d\u00e9cadas, entrevistou perto da fronteira com a Tail\u00e2ndia monges que conseguiram evitar a pris\u00e3o. Um dos religiosos que entrevistou escapou entrando em um \u00f4nibus. \u201cNo posto de controle antes da fronteira abaixou-se e fingiu ser um ajudante, recebendo bilhetes e trocando engrenagens\u201d, contou Lintner. \u201cO motorista do veiculo estava consciente do que ocorria, mas fez o jogo. Motoristas e ajudantes n\u00e3o s\u00e3o revistados, e finalmente conseguiu cruzar a fronteira e viver ali\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos dias a junta intensificou seus controles. Meios de comunica\u00e7\u00e3o de exilados birmaneses informaram que no dia 22 de agosto a Liga Sangha divulgou um comunicado informando que estava trabalhando com outros 14 grupos pol\u00edticos para preparar um boicote contra os militares, semelhante ao levante de 2007. Tamb\u00e9m foi difundida a ideia dede que a junta coloca monges em monast\u00e9rios para conseguir informa\u00e7\u00e3o sobre sentimentos e planos de seus pares. \u201cEles querem mostrar que \u2018olhem, estamos aqui e os controlamos\u2019. Isso \u00e9 intimida\u00e7\u00e3o. Nos monast\u00e9rios h\u00e1 muitos informantes infiltrados\u201d, disse Lintner.<\/p>\n<p>Desde os protestos de 2007, as tentativas para enquadra os monges tamb\u00e9m se intensificaram. As medidas \u201cbasicamente alertam os monges para n\u00e3o se envolverem em nenhum tipo de atividade pol\u00edtica\u201d, disse Mathieson. Apenas tr\u00eas dos 7.114 prisioneiros aos quais na semana passada a junta anunciou que concederia anistia s\u00e3o monges, segundo Bo Kyi, da AAPP. De fato, apenas 122 dos que acabaram libertados eram prisioneiros pol\u00edticos, os outros s\u00e3o criminosos com antecedentes, segundo organiza\u00e7\u00f5es de exilados birmaneses.<\/p>\n<p>Para os monges libertados n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil voltar \u00e0 normalidade. \u201cAlguns acham muito dif\u00edcil regressar ao seu monast\u00e9rio, j\u00e1 que alguns desses locais evitam aceitar quem esteve na pris\u00e3o. Eles precisam averiguar por si mesmos onde podem ficar\u201d, disse Bo Kyi \u00e0 IPS. O an\u00fancio de anistia mais recente \u00e9 visto como uma medida coordenada com a viagem a Nova York do primeiro-ministro, general Thein Sein, para participar da Assembleia Geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, onde far\u00e1 um discurso na pr\u00f3xima segunda-feira.<\/p>\n<p>N\u00e3o est\u00e1 claro at\u00e9 onde chegar\u00e1 o ativismo dos monges contra o regime militar, mas os analistas dizem que a dissens\u00e3o certamente continua fermentando enquanto o pa\u00eds se prepara para as elei\u00e7\u00f5es de 2010. \u201cOs monges nunca podem ser os l\u00edderes de um movimento pol\u00edtico-social, mas, podem ser o catalisador. O que falta \u00e9 uma oposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica organizada. Eles mostraram isso muito claramente em setembro, quando se apresentaram na casa de Aung San Suu Kyi (l\u00edder pr\u00f3-democratica) e lhe disseram estamos aqui, mas voc\u00ea \u00e9 a l\u00edder\u201d, afirmou Lintner. \u201cN\u00e3o importa o que os militares fa\u00e7am aos monges. Eles continuam sendo monges em seus cora\u00e7\u00f5es. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bancoc, 24\/09\/2009 &ndash; \u201cSou vigiado o tempo todo. 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