{"id":558,"date":"2005-05-03T00:00:00","date_gmt":"2005-05-03T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=558"},"modified":"2005-05-03T00:00:00","modified_gmt":"2005-05-03T00:00:00","slug":"jornalismo-o-imprio-da-propaganda-e-o-secretismo-dos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/05\/mundo\/jornalismo-o-imprio-da-propaganda-e-o-secretismo-dos-eua\/","title":{"rendered":"Jornalismo: O imp&eacute;rio da propaganda e o secretismo dos EUA"},"content":{"rendered":"<p>Nova York, 03\/05\/2005 &ndash; A liberdade de imprensa est&aacute; em baixa nos Estados Unidos, submersa por uma onda governamental de secretismo e propagada, advertem veteranos dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, analistas e ativistas. Apesar de cerca sabedoria convencional indicar que a m&iacute;dia norte-americana &eacute; a mais livre do mundo, este pa&iacute;s sofre &quot;destac&aacute;veis retrocessos&quot; nesse campo, a tal ponto que caiu na lista de pa&iacute;ses qualificados pela organiza&ccedil;&atilde;o especializada Freedom House. Esta institui&ccedil;&atilde;o com sede em Nova York indicou, em seu relat&oacute;rio anual divulgado &agrave;s v&eacute;speras do Dia Internacional da Liberdade de Imprensa, comemorada nesta ter&ccedil;a-feira, que os jornalistas que em 2004 trabalharam com menos obst&aacute;culos foram os da Finl&acirc;ndia, Isl&acirc;ndia e Su&eacute;cia.<br \/> <!--more--> <br \/> Por outro lado, as piores restri&ccedil;&otilde;es se registraram na Cor&eacute;ia do Norte, Birm&acirc;nia, Cuba e Turcominist&atilde;o. Os Estados Unidos ficaram, junto com Barbados, Canad&aacute;, Dominica, Est&ocirc;nia e Let&ocirc;nia, no 25&ordm; lugar entre os 194 pa&iacute;ses analisados no informe. As na&ccedil;&otilde;es foram qualificadas de acordo com a observa&ccedil;&atilde;o de tr&ecirc;s par&acirc;metros: o &acirc;mbito legal em que operam os meios de comunica&ccedil;&atilde;o, as influ&ecirc;ncias pol&iacute;ticas sobre a reportagem jornal&iacute;stica e o acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o, e as press&otilde;es econ&ocirc;micas para determinar o conte&uacute;do e a divulga&ccedil;&atilde;o de not&iacute;cias. A Freedom House considerou que a qualifica&ccedil;&atilde;o dos Estados Unidos caiu, em parte, devido a &quot;v&aacute;rios casos legais em que os promotores procuraram obrigar os jornalistas a revelarem suas fontes ou entregar suas notas ou outros materiais obtidos por eles durante a investiga&ccedil;&atilde;o&quot;.<\/p>\n<p> Judith Miller, do jornal The Nova York Times, e Matthew Cooper, da revista Time, por exemplo, se arriscaram a penas de pris&atilde;o por se negarem a identificar suas fontes de reportagens que levaram &agrave; identifica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica de uma agente secreta da Ag&ecirc;ncia Central de Intelig&ecirc;ncia (CIA). Nem Miller nem Cooper escreveram mat&eacute;rias para suas publica&ccedil;&otilde;es pelo caso, mas o colunista Robert Novak identificou a agente. De todo modo, o governo exige desses dois jornalistas que entreguem toda informa&ccedil;&atilde;o que possuam. Ambos perderam seus casos nos tribunais de primeira inst&acirc;ncia, e agora apelar&atilde;o para a Suprema Corte de Justi&ccedil;a.<\/p>\n<p> Por outro lado, as d&uacute;vidas a respeito da influ&ecirc;ncia governamental sobre a m&iacute;dia aumentaram quando se soube que o governo de George W. Bush pagava a jornalistas para que apoiassem desde seus espa&ccedil;os posi&ccedil;&otilde;es oficiais sem esclarecer que eram subalternos de Washington. Em um caso, o governo pagou US$ 240 mil ao colunista negro Armstrong Williams para que promovesse um plano educacional oficial em seu programa de televis&atilde;o, transmitido para todo o pa&iacute;s, e em sua coluna publicada por uma rede de jornais. Williams, que pediu desculpas publicamente por n&atilde;o ter percebido o conflito de interesses, tamb&eacute;m teve a miss&atilde;o de convencer outros jornalistas negros a participarem da cruzada.<\/p>\n<p> Outros dois jornalistas conhecidos em todo o pa&iacute;s, Maggie Gallagher e Michael McManus, tamb&eacute;m admitiram que aceitaram milhares de d&oacute;lares para manifestarem em seus meios de comunica&ccedil;&atilde;o ades&atilde;o a diversos programas governamentais. Outros jornalistas conhecidos em todo o pa&iacute;s confessaram ter aceito milhares de d&oacute;lares para se mostrarem favor&aacute;veis aos programas de governo. Steven Aftergood, do Projeto sobre Secretismo Governamental da Federa&ccedil;&atilde;o de Cientistas dos Estados Unidos, considerou que &quot;o apoio clandestino de comentaristas&quot; e a divulga&ccedil;&atilde;o de pacotes de not&iacute;cias em v&iacute;deo &quot;refor&ccedil;a as suspeitas de que o que ocorre com a not&iacute;cia hoje &eacute;, na realidade, comprado e pago. Pagar jornalistas para que escrevam not&iacute;cias positivas &eacute; parte do padr&atilde;o governamental de secretismo e manipula&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica que amea&ccedil;a nossa seguran&ccedil;a e nossa democracia&quot;, disse Aftergood &aacute; IPS.<\/p>\n<p> Por outro lado, mais de 20 diferentes ag&ecirc;ncias federais utilizaram fundos fiscais para produzir segmentos televisivos promovendo as pol&iacute;ticas do governo Bush. Esses v&iacute;deos foram transmitidos por centenas de emissoras locais que n&atilde;o revelaram suas fontes, o que incentiva os telespectadores a acreditarem que assistem not&iacute;cias verdadeiras, segundo a Freedom House. A Controladora Geral dos Estados Unidos, ag&ecirc;ncia que opera independentemente dentro do Poder Legislativo, considerou que os chamados &quot;pacotes de not&iacute;cias&quot; produzidos por organismos do governo constitu&iacute;am &quot;propaganda encoberta?. O presidente Bush respondeu que a pr&aacute;tica era legal e que n&atilde;o tinha planos de acabar com ela.<\/p>\n<p> &quot;As ag&ecirc;ncias do Poder Executivo n&atilde;o est&atilde;o obrigadas&quot; a cumprir &quot;as normas legais&quot; da Controladora, afirmou o governo em um comunicado. Porta-vozes da Casa Branca costumam responder &agrave;s cr&iacute;ticas afirmando que a pol&iacute;tica em rela&ccedil;&atilde;o aos meios de comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; honesta e transparente. Mesmo assim, Jack Behrman, ex-subsecret&aacute;rio de Com&eacute;rcio, acusou o governo de hipocrisia. &quot;Nosso governo promove, nas declara&ccedil;&otilde;es, a liberdade no estrangeiro, mas tenta com &ecirc;xito limit&aacute;-la nos eu atrav&eacute;s do secretismo e da manipula&ccedil;&atilde;o dos meios&quot;, disse Behrman &agrave; IPS. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova York, 03\/05\/2005 &ndash; A liberdade de imprensa est&aacute; em baixa nos Estados Unidos, submersa por uma onda governamental de secretismo e propagada, advertem veteranos dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, analistas e ativistas. Apesar de cerca sabedoria convencional indicar que a m&iacute;dia norte-americana &eacute; a mais livre do mundo, este pa&iacute;s sofre &quot;destac&aacute;veis retrocessos&quot; nesse campo, a tal ponto que caiu na lista de pa&iacute;ses qualificados pela organiza&ccedil;&atilde;o especializada Freedom House. Esta institui&ccedil;&atilde;o com sede em Nova York indicou, em seu relat&oacute;rio anual divulgado &agrave;s v&eacute;speras do Dia Internacional da Liberdade de Imprensa, comemorada nesta ter&ccedil;a-feira, que os jornalistas que em 2004 trabalharam com menos obst&aacute;culos foram os da Finl&acirc;ndia, Isl&acirc;ndia e Su&eacute;cia.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/05\/mundo\/jornalismo-o-imprio-da-propaganda-e-o-secretismo-dos-eua\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":454,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-558","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/558","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/454"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=558"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/558\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=558"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=558"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=558"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}