{"id":5615,"date":"2009-10-01T18:42:29","date_gmt":"2009-10-01T18:42:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5615"},"modified":"2009-10-01T18:42:29","modified_gmt":"2009-10-01T18:42:29","slug":"europa-popularizacao-do-comercio-justo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/10\/economia\/europa-popularizacao-do-comercio-justo\/","title":{"rendered":"EUROPA: Populariza\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio justo"},"content":{"rendered":"<p>Bucareste, 01\/10\/2009 &ndash; O com\u00e9rcio justo est\u00e1 se popularizando na Europa central e oriental, na medida em que organiza\u00e7\u00f5es de ativistas criam consci\u00eancia sobre a responsabilidade de ajudar o Sul em desenvolvimento e abre cada vez mais neg\u00f3cios e cafeterias que aderem a esta pr\u00e1tica. <!--more--> \u201cA Europa central e oriental n\u00e3o considerava a si mesma pertencente \u2018\u00e0 parte industrializada do mundo\u2019. Por terem sido pa\u00edses fechados durante tanto tempo (no per\u00edodo do comunismo) tamb\u00e9m contribuiu para a limitada consci\u00eancia sobre os problemas que o Sul enfrenta\u201d, disse Justyna Szambelan, coordenadora da Coaliz\u00e3o para o Com\u00e9rcio Justo na Pol\u00f4nia.<\/p>\n<p>\u201cPor isso \u00e9 importante criar consci\u00eancia de que nossa regi\u00e3o agora figura entre os ricos e deve assumir a responsabilidade por outras regi\u00f5es do mundo\u201d, disse Szambelan \u00e0 IPS. \u201cA gera\u00e7\u00e3o jovem tem mais confian\u00e7a em si mesma e compreende melhor seu poder como consumidora. Est\u00e1 ansiosa por conseguir uma mudan\u00e7a, e o com\u00e9rcio justo \u00e9 uma ferramenta eficiente para esse fim\u201d, acrescentou. O com\u00e9rcio justo \u00e9 uma forma alternativa de interc\u00e2mbio comercial impulsionada por organiza\u00e7\u00f5es sociais e que promove uma rela\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria e justa entre consumidores e produtores, organizados em cooperativas.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o coordenada por Szambelan re\u00fane v\u00e1rios tipos de entidades locais em diferentes pontos da Pol\u00f4nia. Trata-se de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais de origem religiosa (como a Organiza\u00e7\u00e3o Polonesa de Com\u00e9rcio Justo, de Gdansk), outras vinculadas ao movimento contra a globaliza\u00e7\u00e3o (Funda\u00e7\u00e3o Alan Turing, da Bresl\u00e1via), ecol\u00f3gicas (Polska Zielona Sie, da Crac\u00f3via) e grupos estudantis (Grupo eFTe, de Vars\u00f3via).<\/p>\n<p>As entidades reunidas na Coaliz\u00e3o Polonesa para o Com\u00e9rcio Justo seguem duas linhas de a\u00e7\u00e3o: promovem esta pr\u00e1tica e comercializam produtos que aderem a ela. Mas, como explica Szambelan, no momento os produtos n\u00e3o s\u00e3o importados diretamente de pa\u00edses do Sul em desenvolvimento. S\u00e3o comprados de empresas da Europa ocidental dedicadas ao com\u00e9rcio justo, como a alem\u00e3 GEPA e a brit\u00e2nica Divine Chocolate. A situa\u00e7\u00e3o na Pol\u00f4nia \u00e9 representativa da toda Europa oriental e central. Cada vez mais pessoas est\u00e3o interessadas no com\u00e9rcio justo, e v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es conseguem educar o p\u00fablico sobre sua import\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Mas, de todo modo, a atividade apenas est\u00e1 come\u00e7ando, e ainda s\u00e3o poucos os contatos diretos com os produtores do Sul em desenvolvimento. A Sociedade para o Com\u00e9rcio Justo na Rep\u00fablica Checa, a mais ativa das organiza\u00e7\u00f5es que trabalham neste campo, administra dois \u201ccom\u00e9rcios mundiais\u201d e quatro pontos de venda especializada. Um ter\u00e7o dos produtos que vende procede da organiza\u00e7\u00e3o italiana Com\u00e9rcio Alternativo, e o restante \u00e9 importado de v\u00e1rias empresas de com\u00e9rcio justo da Europa ocidental, como na Pol\u00f4nia. Por\u00e9m, os ativistas trabalham para estabelecer contatos diretos com os produtores.<\/p>\n<p>Segundo Tomas Bily, presidente da Sociedade para o Com\u00e9rcio Justo, o grupo encomendou h\u00e1 pouco artesanatos diretamente da associa\u00e7\u00e3o indiana MESH, integrada por organiza\u00e7\u00e3o de pequenos produtores e integrante da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Com\u00e9rcio Justo. No passado importou pulseiras da cooperativa Hazomanga, de Madagascar, e bonecas pequenas da empresa brasileira \u00c9tica, enquanto membros da Sociedade para o Com\u00e9rcio Justo estabeleceram contatos diretos com cooperativas de produtores africanos.<\/p>\n<p>Bily se declara satisfeito com a atividade da Sociedade para o Com\u00e9rcio Justo desde que come\u00e7ou em 2003. \u201cExperimentamos todo tipo de questionamentos relacionados ao com\u00e9rcio, desenvolvemos materiais e programas educativos muito bons, e somos reconhecidos como uma institui\u00e7\u00e3o de capacita\u00e7\u00e3o na \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento mundial\u201d, afirmou. Dirigida principalmente por volunt\u00e1rios, a organiza\u00e7\u00e3o tem um papel importante para tornar a Rep\u00fablica Checa cada vez mais propensa a apoiar o com\u00e9rcio justo.<\/p>\n<p>Atualmente, a organiza\u00e7\u00e3o tem seu foco direcionado para fora das fronteiras nacionais. \u201cNestes meses estamos trabalhando na inicia\u00e7\u00e3o de uma nova plataforma para a reuni\u00e3o e a coopera\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es de com\u00e9rcio justo da Europa central, oriental e meridional\u201d, disse Bily \u00e0 IPS. Esta coopera\u00e7\u00e3o se identificar\u00e1 com as siglas em ingl\u00eas da Associa\u00e7\u00e3o de Com\u00e9rcio Justo da Europa Central e Oriental: CEEFTA, ressaltou.<\/p>\n<p>Os promotores h\u00fangaros do com\u00e9rcio justo tamb\u00e9m trabalham para criar redes em toda a regi\u00e3o. Assim, entraram em contato com grupos de ativistas da Europa oriental, de pa\u00edses como Rom\u00eania e Bulg\u00e1ria, onde o movimento \u00e9 incipiente. Segundo Gyorgyi Usjzaszi, da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental h\u00fangara Vedgylet (Proteger o futuro), as entidades que promovem o com\u00e9rcio justo na Hungria cooperam muito estreitamente entre si desde que come\u00e7ou o movimento nesse pa\u00eds, em 2000.<\/p>\n<p>Em 2006 foi criada a Associa\u00e7\u00e3o por um Mundo Justo, que hoje re\u00fane 11 grupos da sociedade civil da Hungria. Seus integrantes organizam eventos de consumo \u00e9tico, realizando programas educativos sobre este tema em v\u00e1rias cidades do pa\u00eds. O movimento pelo com\u00e9rcio justo se orgulha de fornecer caf\u00e9 aos escrit\u00f3rios do presidente h\u00fangaro e do Defensor do Povo sobre quest\u00f5es ambientais. Que fornece esse caf\u00e9 ao presidente \u00e9 Dan Swartz, propriet\u00e1rio da Livraria e Cafeteria Treehugger Dan, em Budapeste.<\/p>\n<p>Swartz, que se descreve \u201cprimeiro como ativista ambiental, depois como empres\u00e1rio\u201d, administra v\u00e1rias livrarias com cafeterias na capital h\u00fangara, onde vende livros usados em ingl\u00eas, caf\u00e9s e ch\u00e1s obtidos por meio do com\u00e9rcio justo. Swartz diz vender dois tipos de caf\u00e9s misturados, um procedente de Guatemala, Col\u00f4mbia, Peru e M\u00e9xico e outro de Peru e Tanz\u00e2nia. Ambos s\u00e3o importados pela Hungria da empresa Italiana Caff\u00e8 Agust.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio de algumas cafeterias e com\u00e9rcios que surgiram na regi\u00e3o e que s\u00e3o populares na Europa ocidental, que n\u00e3o t\u00eam fins lucrativos e s\u00e3o manejados por volunt\u00e1rios, Swartz usa um modelo que se baseia no lucro, e tem empregados em tempo integral. Seus estabelecimentos s\u00e3o parte importante das crescentes redes h\u00fangaras e regionais que promovem os produtos do com\u00e9rcio justo. A popularidade de seu negocio ajuda a conscientizar sobre esta pratica e sobre as atividades das ONGs que se dedicam a ela. E, o que \u00e9 crucial, contribui para mudar os padr\u00f5es de consumo no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Swartz abastece v\u00e1rios bares e caf\u00e9s de Budapeste com ch\u00e1 e chocolate quente derivados do com\u00e9rcio justo. E est\u00e1 associado a tr\u00eas restaurantes da capital que vendem exclusivamente seu caf\u00e9. Isto constitui um compromisso particularmente forte, j\u00e1 que \u201cos restaurantes compraram suas pr\u00f3prias m\u00e1quinas de caf\u00e9, para poder ter independ\u00eancia suficiente para vender apenas o comprado atrav\u00e9s do com\u00e9rcio justo\u201d, afirmou. \u201cAs m\u00e1quinas de caf\u00e9 s\u00e3o muito caras e frequentemente o estabelecimento fica preso em acordos de m\u00e1quinas \u2018gratuitas\u2019 com as empresas que vendem caf\u00e9\u201d, explicou Swarts. A armadilha \u00e9 que as cafeterias s\u00e3o obrigadas a continuar comprando caf\u00e9 caro da grande companhia que lhe fornece a m\u00e1quina.<\/p>\n<p>O sucesso do estabelecimento de Swartz \u00e9 um sinal de que nos mercados da Europa central e oriental existe muito espa\u00e7o para a pr\u00e1tica do com\u00e9rcio justo. \u201cNa Hungria existem 1.500 fazendas org\u00e2nicas, 150 ONGs ambientais e 80 estabelecimentos comerciais org\u00e2nicos, por isso \u00e9 obvio existirem suficientes clientes e suficiente conscientiza\u00e7\u00e3o para apoiar estas organiza\u00e7\u00f5es e empresas\u201d, afirmou Swartz. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bucareste, 01\/10\/2009 &ndash; O com\u00e9rcio justo est\u00e1 se popularizando na Europa central e oriental, na medida em que organiza\u00e7\u00f5es de ativistas criam consci\u00eancia sobre a responsabilidade de ajudar o Sul em desenvolvimento e abre cada vez mais neg\u00f3cios e cafeterias que aderem a esta pr\u00e1tica. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/10\/economia\/europa-popularizacao-do-comercio-justo\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":43,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,5],"tags":[18],"class_list":["post-5615","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-economia","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5615","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/43"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5615"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5615\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5615"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5615"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5615"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}