{"id":562,"date":"2005-05-04T00:00:00","date_gmt":"2005-05-04T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=562"},"modified":"2005-05-04T00:00:00","modified_gmt":"2005-05-04T00:00:00","slug":"direitos-humanos-argentina-sob-a-lupa-da-anistia-internacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/05\/mundo\/direitos-humanos-argentina-sob-a-lupa-da-anistia-internacional\/","title":{"rendered":"Direitos Humanos: Argentina sob a lupa da Anistia Internacional"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 04\/05\/2005 &ndash; As persistentes den&uacute;ncias de brutalidade policial e ataque aos direitos b&aacute;sicos nas pris&otilde;es de prov&iacute;ncias do noroeste da Argentina levou a organiza&ccedil;&atilde;o humanit&aacute;ria Anistia Internacional a iniciar nesta quarta-feira uma investiga&ccedil;&atilde;o na regi&atilde;o. &quot;Nos preocupa o fato de as autoridades conhecerem estas den&uacute;ncias h&aacute; v&aacute;rios anos e os problemas se agravarem sem que sejam tomadas medidas preventivas&quot;, disse &agrave; IPS a investigadora da AI para a Argentina, Virginia Shoppe, na v&eacute;spera de partir para as prov&iacute;ncias de Jujuy, Salta, Santiago del Estero e Mendoza.<br \/> <!--more--> <br \/> Shoppe informou que a organiza&ccedil;&atilde;o, que tem sede em Londres, recebeu entre 2000 e 2001 den&uacute;ncias de torturas contra pessoas detidas em raz&atilde;o de conflitos trabalhistas em Salta e Jujuy, e de ataques a advogados que defendiam os presos. Entretanto, n&atilde;o houve investiga&ccedil;&atilde;o e os casos de viol&ecirc;ncia policial se mantiveram constantes, afirmou. Ago semelhante ocorre em Santiago del Estero, onde s&atilde;o denunciados epis&oacute;dios de viol&ecirc;ncia policial e paramilitar contra camponeses. Os delegados da Anistia se reunir&atilde;o com os governadores das prov&iacute;ncias, advogados de organiza&ccedil;&otilde;es humanit&aacute;rias, dirigentes sociais e familiares das v&iacute;timas.<\/p>\n<p> Depois viajar&atilde;o a Mendoza, no limite oeste da Argentina, onde Shoppe manifestou a &quot;enorme preocupa&ccedil;&atilde;o&quot; da AI pela situa&ccedil;&atilde;o existente nas pris&otilde;es, onde se afirma que os detidos s&atilde;o alvo de viola&ccedil;&otilde;es de seus direitos humanos h&aacute; anos, uma situa&ccedil;&atilde;o que piora acentuadamente. &quot;No ano passado, a preocupa&ccedil;&atilde;o da organiza&ccedil;&atilde;o aumentou porque, apesar dos sinais que emitimos, 17 presos morreram em pris&otilde;es dessa prov&iacute;ncia&quot;, explicou. As autoridades dizem, a esse respeito, que muitos casos foram &quot;suic&iacute;dios&quot;, mas Shoppe acredita que n&atilde;o existe uma investiga&ccedil;&atilde;o que d&ecirc; credibilidade a essa afirma&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> A ativista se referiu ao ocorrido em La Penitenciar&iacute;a, uma pris&atilde;o de Mendoza que, para as organiza&ccedil;&otilde;es defensoras dos direitos humanos, &eacute; a pior da Argentina. O corpo de um dos presos mortos no ano passado foi encontrado em dezembro mutilado em oito partes. A Comiss&atilde;o Interamericana de Direitos Humanos da Organiza&ccedil;&atilde;o dos Estados Americanos j&aacute; realizou uma inspe&ccedil;&atilde;o direta nessa pris&atilde;o, fato incomum que derivou em um pedido ao Estado para que sejam adotadas medidas urgentes para melhorar a higiene e a salubridade da pris&atilde;o e preservar a vida dos detentos.<\/p>\n<p> Entretanto, as mortes continuaram ocorrendo nessa pris&atilde;o que abriga 2.400 presos, embora sua capacidade seja apenas para 800. Por isso, a comiss&atilde;o da OEA levou o caso ao Tribunal Interamericano de Direitos Humanos, que tamb&eacute;m funciona no sistema do f&oacute;rum americano. No entanto, mesmo assim as mortes por causas violentas continuaram sem que as autoridades tenham anunciado alguma medida para evit&aacute;-los. &quot;Em Mendoza, as condi&ccedil;&otilde;es de deten&ccedil;&atilde;o s&atilde;o sub humanas, s&atilde;o violados conv&ecirc;nios da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas que a Argentina subscreveu e que s&atilde;o de aplica&ccedil;&atilde;o para todos seus Estados federais&quot;, afirmou a investigadora da Anistia.<\/p>\n<p> Shoppe explicou que na Conven&ccedil;&atilde;o da ONU contra a Tortura, &agrave; qual o governo argentino aderiu, existem diretrizes de recomenda&ccedil;&otilde;es sobre as condi&ccedil;&otilde;es ideais de deten&ccedil;&atilde;o, e tamb&eacute;m a Constitui&ccedil;&atilde;o Argentina prev&ecirc; que as pris&otilde;es devem ser limpas e seguras, &quot;mas em Mendoza isto n&atilde;o &eacute; cumprido&quot;, insistiu. &quot;Os presos deixam a pris&atilde;o em pior situa&ccedil;&atilde;o do que estavam ao entrar&quot;, ressaltou Shoppe. A Anistia Internacional realiza uma visita a cada dois anos &aacute; Argentina e nesta oportunidade, por causa ao ac&uacute;mulo de graves den&uacute;ncias de viola&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos em diversas prov&iacute;ncias, a miss&atilde;o da AI resolveu se concentrar nos distritos de Salta, Jujuy, Santiago del Estero e Mendoza. <\/p>\n<p> Apesar disso, reconhecem que na prov&iacute;ncia de Buenos Aires, a mais povoada do pa&iacute;s, as condi&ccedil;&otilde;es de deten&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m s&atilde;o desumanas e j&aacute; foram alvo de diversas den&uacute;ncias de organiza&ccedil;&otilde;es humanit&aacute;rias nacionais. As entidades da sociedade civil assinalam que nessa prov&iacute;ncia, onde a popula&ccedil;&atilde;o carcer&aacute;ria aumentou 70% nos &uacute;ltimos seis anos, o sistema entrou em colapso pela superlota&ccedil;&atilde;o e pela conseq&uuml;ente viol&ecirc;ncia entre os presos. Nesse sentido, o n&uacute;mero de mortes violentas de presos e guardas triplicou desde 2002. A delega&ccedil;&atilde;o da Anistia tamb&eacute;m &eacute; integrada pelo representante junto &agrave; ONU, Renzo Pomi, e finalizar&aacute; no pr&oacute;ximo dia 15, quando seus membros dever&atilde;o se reunir como chanceler Rafael Bielsa. A miss&atilde;o terminar&aacute; seu trabalho com um relat&oacute;rio sobre os dados recolhidos nas entrevistas. <\/p>\n<p> A Shoppe evitou comparar a situa&ccedil;&atilde;o das pris&otilde;es argentinas com as de outros pa&iacute;ses latino-americanos, por considerar que cada caso deve ser analisado em seu contexto, mas destacou que nesta na&ccedil;&atilde;o as autoridades conhecem a situa&ccedil;&atilde;o h&aacute; tempos e n&atilde;o se tem conhecimento de medidas que tenham tomado para evitar as viola&ccedil;&otilde;es. &quot;Gostar&iacute;amos que os governadores nos explicassem quais medidas est&atilde;o tomando para proteger os cidad&atilde;os e para promover melhores condi&ccedil;&otilde;es de deten&ccedil;&atilde;o, e ver com eles, frente a frente, se &eacute; necess&aacute;rio mudar de programa para que as medidas sejam mais efetivas e produzam mudan&ccedil;as&quot;, ressaltou a representante da Anistia Internacional. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 04\/05\/2005 &ndash; As persistentes den&uacute;ncias de brutalidade policial e ataque aos direitos b&aacute;sicos nas pris&otilde;es de prov&iacute;ncias do noroeste da Argentina levou a organiza&ccedil;&atilde;o humanit&aacute;ria Anistia Internacional a iniciar nesta quarta-feira uma investiga&ccedil;&atilde;o na regi&atilde;o. &quot;Nos preocupa o fato de as autoridades conhecerem estas den&uacute;ncias h&aacute; v&aacute;rios anos e os problemas se agravarem sem que sejam tomadas medidas preventivas&quot;, disse &agrave; IPS a investigadora da AI para a Argentina, Virginia Shoppe, na v&eacute;spera de partir para as prov&iacute;ncias de Jujuy, Salta, Santiago del Estero e Mendoza.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/05\/mundo\/direitos-humanos-argentina-sob-a-lupa-da-anistia-internacional\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-562","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/562","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=562"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/562\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=562"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=562"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=562"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}