{"id":5623,"date":"2009-10-06T13:37:27","date_gmt":"2009-10-06T13:37:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5623"},"modified":"2009-10-06T13:37:27","modified_gmt":"2009-10-06T13:37:27","slug":"dialogues-desertificacao-e-aquecimento-seguem-de-maos-da","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/10\/america-latina\/dialogues-desertificacao-e-aquecimento-seguem-de-maos-da\/","title":{"rendered":"DIALOGUES: Desertifica\u00e7\u00e3o e aquecimento seguem de m\u00e3os da"},"content":{"rendered":"<p>BUENOS AIRES, 06\/10\/2009 &ndash; (Tierram\u00e9rica).  S\u00e3o necess\u00e1rios indicadores precisos para quantificar o problema da desertifica\u00e7\u00e3o e suas intera\u00e7\u00f5es com a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, afirma nesta entrevista exclusiva o especialista Massimo Candelori.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_5623\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/442_Massimo-Candelori1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5623\" class=\"size-medium wp-image-5623\" title=\"Massimo Candelori, funcion\u00e1rio da Conven\u00e7\u00e3o de Luta contra a Desertifica\u00e7\u00e3o. - Marcela Valente\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/442_Massimo-Candelori1.jpg\" alt=\"Massimo Candelori, funcion\u00e1rio da Conven\u00e7\u00e3o de Luta contra a Desertifica\u00e7\u00e3o. - Marcela Valente\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-5623\" class=\"wp-caption-text\">Massimo Candelori, funcion\u00e1rio da Conven\u00e7\u00e3o de Luta contra a Desertifica\u00e7\u00e3o. - Marcela Valente<\/p><\/div>  \u201cTodo o tecido social de uma \u00e1rea est\u00e1 comprometido quando os solos se esgotam\u201d, afirmou ao Terram\u00e9rica o italiano Massimo Candelori, cuja tarefa \u00e0s vezes \u00e9 t\u00e3o \u00e1rida quanto as terras que tenta preservar. Candelori \u00e9 secret\u00e1rio da Unidade de Facilita\u00e7\u00e3o, Coordena\u00e7\u00e3o e Monitoramento da Aplica\u00e7\u00e3o da Conven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas de Luta contra a Desertifica\u00e7\u00e3o, e, portanto, encarregado de velar para que os pa\u00edses preservem os solos, e isso quase sem recursos.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o latino-americana n\u00e3o escapa da amea\u00e7a do deserto. Segundo estudo de 2005 da Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (Cepal), 25% das terras regionais s\u00e3o \u00e1ridas, semi\u00e1ridas ou sub\u00famidas secas, e desse total, 75% sofrem s\u00e9rios problemas de eros\u00e3o.<\/p>\n<p>O Terram\u00e9rica conversou com Candelori durante sua visita de duas semanas a Buenos Aires, onde participou da Nona Sess\u00e3o da Confer\u00eancia das Partes dessa Conven\u00e7\u00e3o, entre 21 de setembro e 2 deste m\u00eas, com mais de 2.500 participantes de 193 pa\u00edses. Ele afirmou que, nessa oportunidade, se buscou conseguir maior incid\u00eancia na 15\u00aa Confer\u00eancia das Partes da Conven\u00e7\u00e3o Marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre a Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica, que acontecer\u00e1 em dezembro em Copenhague, capital da Dinamarca.<\/p>\n<p>TERRAM\u00c9RICA: Qual a diferen\u00e7a entre deserto e terra desertificada? MASSIMO CANDELORI: As terras desertificadas est\u00e3o sujeitas a fen\u00f4menos naturais e atividades humanas que as degradam. N\u00e3o foram desertos antes, mas est\u00e3o se transformando em desertos, e isso \u00e9 o que tentamos combater a partir da Conven\u00e7\u00e3o. Os desertos s\u00e3o lindos, fascinantes, misteriosos, mas est\u00e3o fora de nosso alcance.<\/p>\n<p>TERRAM\u00c9RICA: Qual \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina? MC: N\u00e3o temos dados atuais. Um dos temas da Nona Confer\u00eancia foi precisamente o de contar com indicadores que permitam compreender melhor a situa\u00e7\u00e3o. Os pa\u00edses devem poder medir a gravidade do problema. Os \u00faltimos dados s\u00e3o de dez anos atr\u00e1s. Algu\u00e9m pode pensar que o continente mais afetado seja a \u00c1frica, mas na Am\u00e9rica Latina h\u00e1 \u00e1reas desertificadas, inclusive em pa\u00edses como o Brasil. Tamb\u00e9m h\u00e1 problemas s\u00e9rios em Cuba, Argentina, Peru, M\u00e9xico e muitos pa\u00edses da Am\u00e9rica Central e do Caribe. Boa parte da migra\u00e7\u00e3o mexicana para os Estados Unidos se deve \u00e0 falta de produtividade dos solos.<\/p>\n<p>TERRAM\u00c9RICA: Quais s\u00e3o as principais causas dessa degrada\u00e7\u00e3o? MC: Primeiro, os fen\u00f4menos naturais vinculados \u00e0 varia\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica: as secas. Depois, o componente humano: o manejo n\u00e3o sustent\u00e1vel da terra, a frequ\u00eancia de cultivos sem assegurar uma rotatividade natural, e o uso de solos n\u00e3o aptos para determinados cultivos.<\/p>\n<p>TERRAM\u00c9RICA: E as consequ\u00eancias s\u00e3o apenas ambientais? MC: N\u00e3o. A eros\u00e3o resulta em colheitas menos abundantes. Significa tamb\u00e9m o deslocamento de popula\u00e7\u00f5es. Todo o tecido social de uma \u00e1rea est\u00e1 comprometido quando os solos se esgotam.<\/p>\n<p>TERRAM\u00c9RICA: A desertifica\u00e7\u00e3o pode ser revertida? MC: Custa muit\u00edssimo. A prioridade deveria ser proteger os solos, porque, quando a terra sofre desertifica\u00e7\u00e3o, custa dez vezes mais para recuper\u00e1-la.<\/p>\n<p>TERRAM\u00c9RICA: Poderia mencionar algum caso concreto em que tenha funcionado a reabilita\u00e7\u00e3o de solos degradados? MC: Na Argentina h\u00e1 o caso de Colonia El Simbolar, na prov\u00edncia de Santiago del Estero, no norte. Gra\u00e7as a pa\u00edses doadores, foram identificados locais nos tr\u00eas continentes mais afetados (\u00c1frica, \u00c1sia e Am\u00e9rica Latina), onde foram desenvolvidos projetos de sinergia entre as conven\u00e7\u00f5es de desertifica\u00e7\u00e3o, biodiversidade e mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Um deles \u00e9 o de Santiago, onde trabalhamos em uma \u00e1rea com mais de tr\u00eas mil hectares, muito deteriorada, mediante esp\u00e9cies aut\u00f3ctones. O crescimento dessas plantas \u00e9 lento, rende menos do que outras esp\u00e9cies, mas estamos recuperando a biodiversidade e os solos em uma \u00e1rea que os pequenos produtores haviam abandonado devido \u00e0 saliniza\u00e7\u00e3o. A experi\u00eancia \u00e9 t\u00e3o importante que estamos conversando com o governo provincial para us\u00e1-la como prot\u00f3tipo em outras regi\u00f5es. Os pequenos produtores aproximaram-se do projeto, mas no momento n\u00e3o est\u00e1 rendendo. Claro, existe o problema de at\u00e9 quando poder\u00e3o esperar sem uma renda pelo terreno que est\u00e3o recuperando.<\/p>\n<p>TERRAM\u00c9RICA: Como se relaciona a desertifica\u00e7\u00e3o com a mudan\u00e7a clim\u00e1tica? MC: Este \u00e9 um exemplo. Os cr\u00e9ditos de carbono s\u00e3o o terceiro componente do projeto de Santiago. Est\u00e1 sendo certificada a capacidade do projeto para absorver carbono por meio do MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo), do Protocolo de Kyoto. A desertifica\u00e7\u00e3o e a mudan\u00e7a clim\u00e1tica seguem juntas. Se deixarmos o solo sem cobertura vegetal, este se aquece mais rapidamente e favorece a mudan\u00e7a clim\u00e1tica. E, se a temperatura sobe e as chuvas diminuem, a cobertura se perder\u00e1 e todo o carbono capturado no solo, com o calor, ir\u00e1 para a atmosfera.<\/p>\n<p>TERRAM\u00c9RICA: Que papel deveriam ter as terras nas negocia\u00e7\u00f5es de Copenhague, para se chegar a um acordo obrigat\u00f3rio que suceda o Protocolo de Kyoto? MC: N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil quantificar o carbono sequestrado no solo, porque varia muito do Alasca \u00e0s zonas tropicais. Precisamos de dados. Talvez agora n\u00e3o seja poss\u00edvel incluir o solo nas negocia\u00e7\u00f5es, mas \u00e9 necess\u00e1rio come\u00e7ar. Espera-se que em Copenhague seja decidido, pelo menos, pela utiliza\u00e7\u00e3o do solo no mercado de carbono.<\/p>\n<p>TERRAM\u00c9RICA: Os pa\u00edses em desenvolvimento contam com recursos para enfrentar este problema? MC: Uns poucos pa\u00edses podem pagar os custos da desertifica\u00e7\u00e3o e s\u00e3o os industrializados, como It\u00e1lia, Espanha, Estados Unidos. Contudo, n\u00e3o est\u00e3o destinando o suficiente na luta contra a desertifica\u00e7\u00e3o. Outros, da Am\u00e9rica Latina e \u00c1frica, necessitam da coopera\u00e7\u00e3o internacional. Ainda deve ser discutido qual ser\u00e1 o mecanismo financeiro de nossa Conven\u00e7\u00e3o, que hoje n\u00e3o tem nenhum.<\/p>\n<p>* A autora \u00e9 correspondente da IPS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BUENOS AIRES, 06\/10\/2009 &ndash; (Tierram\u00e9rica).  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