{"id":564,"date":"2005-05-04T00:00:00","date_gmt":"2005-05-04T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=564"},"modified":"2005-05-04T00:00:00","modified_gmt":"2005-05-04T00:00:00","slug":"unio-europia-os-obstculos-de-maio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/05\/mundo\/unio-europia-os-obstculos-de-maio\/","title":{"rendered":"Uni&atilde;o Europ&eacute;ia: Os obst&aacute;culos de maio"},"content":{"rendered":"<p>Miami, 04\/05\/2005 &ndash; A exist&ecirc;ncia da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia &eacute; um paradoxo. Durante alguns ciclos de sua vida esteve atormentada pelo que se chamou de euro-esclerose, superada pelo Tratado de Maastricht, o euro e a amplia&ccedil;&atilde;o para 25 membros. Mas o euro-ceticismo continuou latente e paira como inimigo formid&aacute;vel. O momento &eacute; s&eacute;rio. Entretanto o alarme n&atilde;o se centra nos dardos envenenados lan&ccedil;ados de Washington, onde a atual administra&ccedil;&atilde;o est&aacute; cuidadosa pela potencial autonomia exterior da UE. O c&acirc;ncer &eacute; interno. Embora n&atilde;o seja da mesma natureza que a raz&atilde;o original para a funda&ccedil;&atilde;o da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia (cessar as guerras europ&eacute;ias), o mal est&aacute; intimamente ligado &agrave; desconfian&ccedil;a europ&eacute;ia e ao sentimento de n&atilde;o pertencer a um projeto comum.<br \/> <!--more--> <br \/> Os europeus (e especialmente os que aparentemente nunca se adaptaram a s&ecirc;-lo plenamente) freq&uuml;entemente trope&ccedil;am na mesma pedra. A delicada conjuntura em que a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia est&aacute; imersa pode desembocar em uma das mais perigosas crises de seu longo meio s&eacute;culo de hist&oacute;ria. Os causadores ser&atilde;o dois (ou tr&ecirc;s, se a Holanda cair na armadilha) Estados-membros cruciais. Um &eacute; previs&iacute;vel, o reticente sempiterno: o Reino Unido. O outro &eacute;, insolitamente, o fundador insubstitu&iacute;vel com o qual sempre se conta e sem o qual a UE n&atilde;o tem sentido: a Fran&ccedil;a. Para completar, h&aacute; a amea&ccedil;a do veto holand&ecirc;s no dia 1&ordm; de junho. Este drama se desenvolver&aacute; em maio. <\/p>\n<p> Inicialmente, no dia 5, o primeiro-ministro brit&acirc;nico Tony Blair tentar&aacute; conseguir a reelei&ccedil;&atilde;o. Desgastado por sua pol&ecirc;mica alian&ccedil;a com Bush na guerra do Iraque e enfrentando a dupla pin&ccedil;a de conservadores e liberais, o poss&iacute;vel triunfo de Blair ser&aacute; uma revalida&ccedil;&atilde;o para a terceira via que transformou uma social-democracia irreconhec&iacute;vel, mas que ainda conta com a lealdade do n&uacute;cleo trabalhista. Por&eacute;m, depois da elei&ccedil;&atilde;o, o Reino Unido enfrentar&aacute; um duplo desafio: no segundo semestre de 2005 estar&aacute; presidindo a UE e no primeiro semestre de 2006 dever&aacute; cumprir a promessa de um referendo sobre a Constitui&ccedil;&atilde;o europ&eacute;ia. Em qualquer caso, estar&aacute; terminado o ciclo que come&ccedil;ou com os trabalhistas contr&aacute;rios &agrave; entrada na Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, os conservadores a favor do que sempre consideraram um projeto comercial, para depois mudar em uma opini&atilde;o dividida entre uma direita contr&aacute;ria a uma UE federalizante e alguns trabalhistas reciclados e vacilantes.<\/p>\n<p> Se, improvavelmente, ganhassem os conservadores, aproveitariam para frear o trem europeu e faz&ecirc;-lo regressar &agrave; esta&ccedil;&atilde;o do puro livre com&eacute;rcio, longe do caminho federalista. Se Blair vencer, dever&aacute; convencer os brit&acirc;nicos a ingressarem verdadeiramente na Europa. Em qualquer caso, se em 2006 a Constitui&ccedil;&atilde;o for vetada, n&atilde;o ser&aacute; o fim da UE, mas poder&aacute; ter chegado o momento de escolher: fora do euro, negando a Constitui&ccedil;&atilde;o, a sa&iacute;da deveria ser elegante. <\/p>\n<p> Problema diferente existe em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Fran&ccedil;a, se no dia 29 de maio rejeitar a Constitui&ccedil;&atilde;o. Nesse caso se tratar&aacute; do s&oacute;cio insubstitu&iacute;vel: a p&aacute;tria de Schuman e Monnet, que plasmaram compartilhar o a&ccedil;o e o carv&atilde;o com a Alemanha para selar a reconcilia&ccedil;&atilde;o, de Jacques Delors, o presidente da Comiss&atilde;o mais decisivo da hist&oacute;ria, e Valery Giscard d?Estaing, que dirigiu a Conven&ccedil;&atilde;o que aprovou o texto constitucional.<\/p>\n<p> Com mais fronteiras com outros pa&iacute;ses europeus do que qualquer outro Estado, a rejei&ccedil;&atilde;o do hex&aacute;gono gaul&ecirc;s desencadearia uma cascata de danos colaterais. Mau exemplo para os novos pa&iacute;ses, decep&ccedil;&atilde;o na Alemanha, eros&atilde;o lenta do euro e insignific&acirc;ncia &agrave; pol&iacute;tica externa. Nem mesmo se salvaria a alternativa da Europa econ&ocirc;mica, ligada aos compromissos pol&iacute;ticos.<\/p>\n<p> Sem a perspectiva de uma verdadeira Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, a justificativa da moeda comum cairia pelo seu pr&oacute;prio peso. Os pa&iacute;ses mais ricos, com a Alemanha &agrave; frente, n&atilde;o s&oacute; podem considerar o euro como um mecanismo tempor&aacute;rio, como tamb&eacute;m se opor a que sirva apenas para proteger os novos s&oacute;cios, mais pobres.<\/p>\n<p> E sem a Constitui&ccedil;&atilde;o, j&aacute; n&atilde;o ter&aacute; muito sentido uma pol&iacute;tica externa comum, e menos ainda uma defesa aut&ocirc;noma, independente da Otan. Para isso, que os Estados Unidos a paguem. Estranhamente, esta cat&aacute;strofe ter&aacute; sido causada por uma ins&oacute;lita coaliz&atilde;o francesa formada por uma direita xen&oacute;foba e uma esquerda dividida, mal freada por uma lideran&ccedil;a err&aacute;tica. Charles de Gaulle teria preferido agora uma grandeza sujeita &agrave; UE. Agora, a Fran&ccedil;a pode ficar sem uma e outra. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p> (*) Joaqu&iacute;n Roy &eacute; catedr&aacute;tico Jean Monnet e diretor do Centro da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia da Universidade de Miami (jroy@miami.edu).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miami, 04\/05\/2005 &ndash; A exist&ecirc;ncia da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia &eacute; um paradoxo. Durante alguns ciclos de sua vida esteve atormentada pelo que se chamou de euro-esclerose, superada pelo Tratado de Maastricht, o euro e a amplia&ccedil;&atilde;o para 25 membros. Mas o euro-ceticismo continuou latente e paira como inimigo formid&aacute;vel. O momento &eacute; s&eacute;rio. Entretanto o alarme n&atilde;o se centra nos dardos envenenados lan&ccedil;ados de Washington, onde a atual administra&ccedil;&atilde;o est&aacute; cuidadosa pela potencial autonomia exterior da UE. O c&acirc;ncer &eacute; interno. Embora n&atilde;o seja da mesma natureza que a raz&atilde;o original para a funda&ccedil;&atilde;o da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia (cessar as guerras europ&eacute;ias), o mal est&aacute; intimamente ligado &agrave; desconfian&ccedil;a europ&eacute;ia e ao sentimento de n&atilde;o pertencer a um projeto comum.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/05\/mundo\/unio-europia-os-obstculos-de-maio\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-564","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/564","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=564"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/564\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=564"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=564"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=564"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}