{"id":5649,"date":"2009-10-13T13:02:23","date_gmt":"2009-10-13T13:02:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5649"},"modified":"2009-10-13T13:02:23","modified_gmt":"2009-10-13T13:02:23","slug":"dialogues-mudanca-climatica-e-apenas-uma-causa-da-erosao-costeira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/10\/america-latina\/dialogues-mudanca-climatica-e-apenas-uma-causa-da-erosao-costeira\/","title":{"rendered":"DIALOGUES: Mudan\u00e7a clim\u00e1tica \u00e9 apenas uma causa da eros\u00e3o costeira"},"content":{"rendered":"<p>BUENOS AIRES, 13\/10\/2009 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- A complexidade do v\u00ednculo entre aquecimento global e eros\u00e3o costeira requer integrar de forma hol\u00edstica a especializa\u00e7\u00e3o reducionista ao contexto, alerta o cientista argentino Jorge Codignotto.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_5649\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/443_J_Codignotto_Gabriela_Cerio.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5649\" class=\"size-medium wp-image-5649\" title=\"Jorge Codignotto - Gabriela Cerioli\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/443_J_Codignotto_Gabriela_Cerio.jpg\" alt=\"Jorge Codignotto - Gabriela Cerioli\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-5649\" class=\"wp-caption-text\">Jorge Codignotto - Gabriela Cerioli\/IPS<\/p><\/div>  O delta formado na desembocadura do Rio Paran\u00e1, no leste da Argentina, \u00e9 o \u00fanico do mundo que n\u00e3o est\u00e1 em extin\u00e7\u00e3o, e isso se deve ao corte de floresta para plantar soja, explica nesta entrevista o ge\u00f3logo Jorge Codignotto, ex-membro do Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre a Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica (IPCC). \u201cTodos os deltas do mundo t\u00eam 7.500 anos e todos est\u00e3o em vias de destrui\u00e7\u00e3o\u201d, menos o formado entre os rios Paran\u00e1 e da Prata, disse Codignotto, que integrou o IPCC entre 1999 e 2007 e que, h\u00e1 v\u00e1rios anos, estuda a situa\u00e7\u00e3o das \u00e1reas costeiras deste pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cCom o desmatamento da Selva de Yungas, no noroeste, para cultivar soja, o Rio Bermejo proporciona ainda mais sedimentos que terminam no delta. Se esta vari\u00e1vel perdurar, em 2050 teremos o delta em frente \u00e0 cidade de Buenos Aires, e contaminado\u201d, afirmou o especialista. Este \u00e9 um exemplo dos fatores, al\u00e9m da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, que afetam quase cinco mil quil\u00f4metros de ribeiras \u2013 desde o estu\u00e1rio do Rio da Prata at\u00e9 o Canal de Beagle \u2013, que fazem da Argentina um dos 25 pa\u00edses com maior longitude de linha costeira.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio \u201cdiagnosticar\u201d de maneira \u201chol\u00edstica\u201d a eros\u00e3o costeira, e o Estado deve regulamentar a atividade humana nessas \u00e1reas, afirma Codignotto, doutor em Ci\u00eancias Geol\u00f3gicas da Universidade de Buenos Aires e pesquisador principal do Conselho Nacional de Pesquisas Cient\u00edficas e T\u00e9cnicas.<\/p>\n<p>TERRAM\u00c9RICA: Qual \u00e9 o panorama atual das zonas costeiras argentinas? JORGE CODIGNOTTO: A costa argentina est\u00e1 inclu\u00edda em um amplo fen\u00f4meno de eros\u00e3o que est\u00e1 aumentando desde os anos 70. Isto \u00e9 atribu\u00eddo ao aquecimento global, porque, quando o planeta esquenta (as causas est\u00e3o em discuss\u00e3o), os anticiclones se deslocam para os polos, o que implica mais tempestades em lugares mais austrais que antes n\u00e3o as tinham, e mais intensidade, fazendo com que nas \u00e1reas costeiras haja mais ondas, mais energia, mais corrente. Por\u00e9m, tamb\u00e9m h\u00e1 um aumento da eros\u00e3o por outras causas antr\u00f3picas.<\/p>\n<p>TERRAM\u00c9RICA: Como a eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar influi na eros\u00e3o da costa? JC: Na realidade, o n\u00edvel do mar sobe apenas tr\u00eas mil\u00edmetros por ano, mas o importante \u00e9 seu efeito domin\u00f3: h\u00e1 mais correntes costeiras que causam eros\u00e3o, chove mais em algumas zonas costeiras e isto leva terra para o mar, o que significa uma mudan\u00e7a nos ecossistemas. Calcula-se que, em 2025, haver\u00e1 no planeta um bilh\u00e3o de habitantes a mais e se notar\u00e1 escassez de alimentos, porque romperam-se ecossistemas-chave. Os ecossistemas podem migrar, mas precisam de um tempo. A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas calcula que, at\u00e9 2025, 85% da popula\u00e7\u00e3o estar\u00e1 assentada em \u00e1reas costeiras, fazendo com que essas zonas, que s\u00e3o inst\u00e1veis, sofram ainda mais a press\u00e3o humana. E h\u00e1 outro problema: a contamina\u00e7\u00e3o. Na costa do Rio da Prata, este pa\u00eds tem uma faixa contaminada de mil ou 1.200 metros com merc\u00fario, cianureto, cromo, detergentes, etc., que n\u00e3o s\u00e3o tratados porque \u00e9 muito caro. Temos 14 milh\u00f5es de habitantes que tomam \u00e1gua do Rio da Prata. Na velocidade com que vem avan\u00e7ando o delta, em 2050 o teremos diante da cidade de Buenos Aires, com todos seus canais contaminados.<\/p>\n<p>TERRAM\u00c9RICA: Como a eros\u00e3o atua na costa argentina? JC: A eros\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a mesma em cada regi\u00e3o. Na costa de Buenos Aires, ca\u00edram casas de concreto e houve rompimentos em avenidas costeiras. Isso significa dinheiro jogado no mar por ignor\u00e2ncia. As pessoas ocupam o territ\u00f3rio costeiro, mas desconhecem que a terra se move em todos os sentidos e mais nas margens costeiras. \u00c9 muito dif\u00edcil pensar que a costa pode mudar. Mas, quando os espanh\u00f3is chegaram ao Rio da Prata, navegavam at\u00e9 Escobar, 50 quil\u00f4metros ao norte da cidade de Buenos Aires. E, h\u00e1 19 mil anos, podia-se chegar \u00e0s ilhas Malvinas caminhando. Outro problema \u00e9 a inunda\u00e7\u00e3o. O povo de General Lavalle, na Ba\u00eda de Samboromb\u00f3n, em Buenos Aires, est\u00e1 praticamente no n\u00edvel do mar, tem canais de mar\u00e9 que se enchem de escombros. Isso, em um esquema de eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar, n\u00e3o tem sentido.<\/p>\n<p>TERRAM\u00c9RICA: Na cidade de Buenos Aires s\u00e3o acrescentados, em m\u00e9dia, 20 hectares de terreno por ano pelos aterros na costa desde 1925. O que diz destas a\u00e7\u00f5es que roubam espa\u00e7os do rio? JC: Gastemos dinheiro em algo que seja mais \u00fatil e econ\u00f4mico, como desestimular o povoamento da costa.<\/p>\n<p>TERRAM\u00c9RICA: \u00c9 poss\u00edvel educar a popula\u00e7\u00e3o? JC: Primeiro, se deve fazer uma legisla\u00e7\u00e3o que permita usar o territ\u00f3rio racionalmente. Nas cidades balne\u00e1rias da costa de Buenos Aires s\u00e3o frequentes as ruas perpendiculares \u00e0 costa. Quando chove e h\u00e1 sudestada (vento forte de sudeste) isso faz com que o fluxo pluvial n\u00e3o volte \u00e0 areia para evitar a eros\u00e3o da costa, mas que acabe no mar, deixando uma grande canaleta na praia, cen\u00e1rio que piora devido \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o das dunas para facilitar o acesso \u00e0s praias. Em Villa Ostende, 365 quil\u00f4metros ao sul da cidade de Buenos Aires, foram criadas alamedas muito largas e verdes que de trecho em trecho t\u00eam uma depress\u00e3o para acumular \u00e1gua de chuva que se infiltra na terra e volta a formar o ciclo.<\/p>\n<p>TERRAM\u00c9RICA: H\u00e1 solu\u00e7\u00f5es adequadas nos munic\u00edpios? JC: N\u00e3o, mas o que h\u00e1, e \u00e9 bom, \u00e9 o Decreto 3202 sobre manejo costeiro, que em novembro de 2006 foi sancionado pela prov\u00edncia de Buenos Aires. Temos a sorte de o nosso C\u00f3digo Civil para o assunto da costa estar baseado no crit\u00e9rio do \u201ccaminho de sirga\u201d dos romanos. Naquela \u00e9poca, os mares e os rios tinham uma faixa equivalente a 35 metros de uso p\u00fablico, para puxar com cavalos e cordas os navios que n\u00e3o podiam usar suas velas perto da costa. A costa da Argentina n\u00e3o pode ser privatizada, gra\u00e7as a Dalmacio V\u00e9lez Sarsfield, autor do C\u00f3digo. Embora, \u00e0s vezes, isto se prostitua.<\/p>\n<p>TERRAM\u00c9RICA: Existe alguma poss\u00edvel solu\u00e7\u00e3o de longo prazo? JC: \u00c9 fundamental a informa\u00e7\u00e3o com uma vis\u00e3o hol\u00edstica. H\u00e1 muitos especialistas, mas a especialidade \u00e9 reducionista. Os especialistas devem integrar suas pesquisas ao contexto. E que o Estado estabele\u00e7a normas.<\/p>\n<p>* Este artigo \u00e9 parte de uma s\u00e9rie produzida pela IPS (Inter Press Service) e pela IFEJ (Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Jornalistas Ambientais) para a Alian\u00e7a de Comunicadores para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (http:\/\/www.complusalliance.org).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BUENOS AIRES, 13\/10\/2009 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- A complexidade do v\u00ednculo entre aquecimento global e eros\u00e3o costeira requer integrar de forma hol\u00edstica a especializa\u00e7\u00e3o reducionista ao contexto, alerta o cientista argentino Jorge Codignotto. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/10\/america-latina\/dialogues-mudanca-climatica-e-apenas-uma-causa-da-erosao-costeira\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":974,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2],"tags":[21],"class_list":["post-5649","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5649","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/974"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5649"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5649\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5649"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5649"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5649"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}