{"id":565,"date":"2005-05-05T00:00:00","date_gmt":"2005-05-05T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=565"},"modified":"2005-05-05T00:00:00","modified_gmt":"2005-05-05T00:00:00","slug":"direitos-humanos-suspeitos-mas-no-muito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/05\/mundo\/direitos-humanos-suspeitos-mas-no-muito\/","title":{"rendered":"Direitos Humanos: Suspeitos, mas n&atilde;o muito&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Nova York, 05\/05\/2005 &ndash; Policiais e promotores dos Estados Unidos utilizam um termo que n&atilde;o existe nos c&oacute;digos mas que, igualmente, pode arruinar vidas e carreiras, criando uma condi&ccedil;&atilde;o a meio caminho entre a inoc&ecirc;ncia e a suspeita: &quot;pessoa de interesse&quot;. Essa express&atilde;o foi cunhada na d&eacute;cada de 70 e, embora n&atilde;o haja estat&iacute;sticas dispon&iacute;veis, &eacute; comum sua utiliza&ccedil;&atilde;o em investiga&ccedil;&otilde;es policiais. Funcion&aacute;rios encarregados da aplica&ccedil;&atilde;o das leis afirmam que se trata de um adjetivo neutro, porque pode significar um suspeito potencial ou uma testemunha.<br \/> <!--more--> <br \/> &quot;Lamentavelmente, esta pr&aacute;tica continuar&aacute; enquanto beneficiar quase todos os envolvidos&quot;, disse Brian Foley, professor da faculdade de direito Florida Coastal School of Law, em Jacksonville, no Estado da Fl&oacute;rida. &quot;As autoridades ganham, porque aparentam progredir na investiga&ccedil;&atilde;o. O p&uacute;blico ganha, ao se sentir mais seguro, acreditando que algu&eacute;m foi identificado e &eacute; vigiado. E a imprensa ganha por ter uma pessoa, al&eacute;m de um fato, sobre quem escrever. S&oacute; perde a &quot;pessoa de interesse&quot;, disse Foley &agrave; IPS. Os resultados do uso desse termo s&atilde;o variados. No ano passado, dois cad&aacute;veres foram encontrados em uma estrada do condado de Hillsborough, na Fl&oacute;rida. Os detetives concentraram sua investiga&ccedil;&atilde;o em um ex-detento com in&uacute;meros antecedentes penais, que passaram a considerar &quot;pessoa de interesse&quot;, mas que logo foi inocentado.<\/p>\n<p> Outro caso &eacute; o de Steven Hatfill, ex-pesquisador de doen&ccedil;as infecciosas do ex&eacute;rcito, que esteve sob investiga&ccedil;&atilde;o do FBI desde os atentados com v&iacute;rus de antraz ou carbunco, em 2001, que mataram cinco pessoas e deixaram outras 17 enfermas. O ent&atilde;o promotor-geral, John Ashcroft, o chamou publicamente de &quot;pessoa de interesse&quot;, embora Hatfill nunca tenha sido formalmente acusado. O ex-pesquisador negou qualquer participa&ccedil;&atilde;o nos ataques, que consistiram no envio de espor&otilde;es de antraz por correio a funcion&aacute;rios de ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o e &oacute;rg&atilde;os governamentais, e afirmou que foi demitido de seu emprego devido &agrave; cobertura jornal&iacute;stica do caso.<\/p>\n<p> Seu apartamento e lixeiras foram vistoriados v&aacute;rias vezes, e esteve sob vigil&acirc;ncia as 24 horas do dia. Hatfill processou Ashcroft e o FBI pelo que chamou de uma &quot;campanha de persegui&ccedil;&atilde;o&quot; contra sua pessoa. Tamb&eacute;m processou a The Nova York Times Co. e o colunista Nicholas Kristof, argumentando que esse jornal o difamou em uma s&eacute;rie de artigos que o identificaram como o principal suspeito. At&eacute; agora, ningu&eacute;m foi acusado formalmente pelos atentados. No final de setembro de 2003, quase dois anos depois dos ataques, o novo chefe da investiga&ccedil;&atilde;o considerou preocupante que alguns funcion&aacute;rios tivessem chamado publicamente Hatfill de &quot;pessoa de interesse&quot;. A &quot;investiga&ccedil;&atilde;o sobre o antraz foi obstru&iacute;da por uma s&eacute;rie de vazamentos&quot;, lamentou. No entanto, Hatfill permanece desempregado.<\/p>\n<p> Os cr&iacute;ticos do uso oficial do termo &quot;pessoa de interesse&quot; citam outro caso not&oacute;rio como prova do dano que pode causar. Trata-se de Richard Jewell, que trabalhava como guarda de seguran&ccedil;a nos Jogos Ol&iacute;mpicos de 1996 em Atlanta, Estado da Ge&oacute;rgia. Jewell viu um objeto suspeito, que se verificou ser uma bomba, e chamou a pol&iacute;cia, que n&atilde;o chegou a desativ&aacute;-la. A bomba explodiu, causando a morte de um espectador e ferimentos em v&aacute;rios outros. Inicialmente, Jewell foi considerado um her&oacute;i por ter impedido danos maiores, mas, apenas tr&ecirc;s dias depois da explos&atilde;o, o jornal The Atlanta Journal-Constitution afirmou que a pol&iacute;cia investigava a possibilidade de o pr&oacute;prio guarda ter colocado a bomba.<\/p>\n<p> Agentes do FBI o interrogaram e revistaram seu apartamento, diante de rep&oacute;rteres e c&acirc;meras de televis&atilde;o. Jewell sempre defendeu sua inoc&ecirc;ncia. No m&ecirc;s de outubro seguinte, um juiz federal determinou que ele n&atilde;o era suspeito, e os promotores o informaram de que j&aacute; n&atilde;o estava mais sob investiga&ccedil;&atilde;o. Uma vez eximido de culpa, iniciou um processo com o argumento de que sua reputa&ccedil;&atilde;o foi arruinada e ganhou uma indeniza&ccedil;&atilde;o de centenas de milhares de d&oacute;lares (a quantia exata n&atilde;o foi revelada). Rotular algu&eacute;m com &quot;pessoa de interesse&quot; &eacute; &quot;enviar um sinal sem palavras&quot;, disse Kin Wood, advogado de Jewell. &quot;N&atilde;o se deveria discutir em p&uacute;blico o nome de uma pessoa simplesmente porque est&aacute; sendo investigada. Milh&otilde;es de pessoas inocentes s&atilde;o investigadas&quot;, afirmou. Mesmo assim, o pol&ecirc;mico termo come&ccedil;ou a ser mais usado a partir do caso de Jewell. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova York, 05\/05\/2005 &ndash; Policiais e promotores dos Estados Unidos utilizam um termo que n&atilde;o existe nos c&oacute;digos mas que, igualmente, pode arruinar vidas e carreiras, criando uma condi&ccedil;&atilde;o a meio caminho entre a inoc&ecirc;ncia e a suspeita: &quot;pessoa de interesse&quot;. Essa express&atilde;o foi cunhada na d&eacute;cada de 70 e, embora n&atilde;o haja estat&iacute;sticas dispon&iacute;veis, &eacute; comum sua utiliza&ccedil;&atilde;o em investiga&ccedil;&otilde;es policiais. 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