{"id":5656,"date":"2009-10-13T14:03:51","date_gmt":"2009-10-13T14:03:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5656"},"modified":"2009-10-13T14:03:51","modified_gmt":"2009-10-13T14:03:51","slug":"mulheres-namibia-aborto-ilegal-e-seus-perigos-persistem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/10\/africa\/mulheres-namibia-aborto-ilegal-e-seus-perigos-persistem\/","title":{"rendered":"MULHERES-NAM\u00cdBIA: Aborto ilegal e seus perigos persistem"},"content":{"rendered":"<p>Windhoek, 13\/10\/2009 &ndash; Devido \u00e0 impopularidade dos anticoncepcionais na Nam\u00edbia, o aborto volunt\u00e1rio \u00e9 moeda corrente neste pa\u00eds, onde h\u00e1 10 anos fracassou uma iniciativa governamental para despenaliz\u00e1-lo. <!--more--> O misoprostol, um rem\u00e9dio contra ulcera conhecido aqui pela marca comercial Cytotec, se converteu no m\u00e9todo favorito para induzir o aborto. Cada p\u00edlula \u00e9 vendida nas farm\u00e1cias a US$ 14, mas tamb\u00e9m podem ser compradas nas ruas de Windhoek, m\u00e9dicos que realizam abortos ilegais empregando este medicamento cobram entre US$ 140 e US$ 200.<\/p>\n<p>Monisha, uma estudante da Universidade da Nam\u00edbia que pediu para usar esse nome fict\u00edcio, decidiu fazer um aborto. Seu companheiro sexual era casado. \u201cMeus pa\u00eds me matariam se soubessem que estava gr\u00e1vida de um homem casado. E eu tampouco estava pronta para ser m\u00e3e&#8230; ainda sou uma estudante\u201d, disse Monisha, de 22 anos. Em seu segundo m\u00eas de gravidez, com ajuda de uma amiga, comprou cinco comprimidos de Cytotec de um vendedor ambulante do bairro de Khomasdal, na capital, pagando o equivalente a US$ 113.<\/p>\n<p>O vendedor a orientou a colocar tr\u00eas pastilhas na vagina e ingerir as outras duas, recordou a jovem. Tamb\u00e9m disse para evitar ir a um centro m\u00e9dico em caso de complica\u00e7\u00e3o, pois ele mesmo poderia ajud\u00e1-la nesse caso. N\u00e3o necess\u00e1rio. Monisha interrompeu sua gravidez sem maiores problemas. \u201cFoi como um per\u00edodo ruim. Claro que senti alguma dor, mas tomei rem\u00e9dios\u201d, contou a jovem. O Cytotec s\u00f3 pode ser vendido com receita medica, segundo as leis nam\u00edbias, mas h\u00e1 farm\u00e1cias que os vendem mesmo sem prescri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma farmac\u00eautica da capital que pediu para ser chamada de Merja disse que s\u00f3 vende esse medicamento para clientes recomendados por amigos. \u201cN\u00e3o se pode vender para qualquer um porque n\u00e3o se sabe quem \u00e9 policia e quem n\u00e3o \u00e9. \u00c9 um negocio bastante perigoso, mas, o que posso fazer? Precisamos de dinheiro extra e, ao mesmo tempo, prestamos um servi\u00e7o a mulheres que necessitam dele com desespero\u201d, afirmou. \u201cN\u00e3o matamos beb\u00eas. Vendemos Cytotec apenas para mulheres com menos de tr\u00eas meses de gravidez, para minimizar o risco de complica\u00e7\u00f5es\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Merja disse que compra um pacote de Cytotec, com 56 p\u00edlulas, por US$ 50 e que vende cada comprimido por US$ 14, o que lhe permite ganhar US$ 734 por pacote. Segundo ela, a maioria de seus clientes \u00e9 de estudantes da universidade de o Polit\u00e9cnico da Nam\u00edbia.<\/p>\n<p>Monisha n\u00e3o teve problemas, mas muitas mulheres sofrem consequ\u00eancias do aborto como hemorragias por desprendimento cervical e perfura\u00e7\u00e3o uterina, disse \u00e0 IPS um m\u00e9dico do hospital de Katutura que pediu para n\u00e3o ser identificado porque os profissionais da sa\u00fade s\u00e3o proibidos de dar informa\u00e7\u00e3o \u00e0 imprensa. Entre as complica\u00e7\u00f5es mais comuns atendidas em Katutura est\u00e3o as infec\u00e7\u00f5es quando ficam partes do feto no \u00fatero. \u201cUma infec\u00e7\u00e3o p\u00e9lvica pode derivar em febre persistente por v\u00e1rios dias levando a uma hospitaliza\u00e7\u00e3o prolongada, e deixar cicatrizes nos \u00f3rg\u00e3os da \u00e1rea\u201d, acrescentou. Em alguns casos graves, mulheres morrem por sangramento excessivo, disse o m\u00e9dico.<\/p>\n<p>O ministro da Sa\u00fade e de Servi\u00e7os Sociais, Richard Kamwi, disse que o aborto ilegal constitui um problema sanit\u00e1rio s\u00e9rio na Nam\u00edbia. As mortes por esta causa s\u00e3o muito mais comuns entre mulheres jovens. \u201cCinq\u00fcenta e nove por cento das que morrem por complica\u00e7\u00f5es relacionadas ao aborto t\u00eam menos de 25 anos. Isto \u00e9 consistente com outros informes segundo os quais mulheres cada vez mais jovens recorrem ao aborto inseguro ou mesmo cometem suic\u00eddio ap\u00f3s terem gravidez indesejada\u201d, disse Kamwi.<\/p>\n<p>Sam Ntelamo, diretor da Associa\u00e7\u00e3o de Paternidade Planejada da Nam\u00edbia, disse que o abandono de beb\u00eas e o infantic\u00eddio atualmente s\u00e3o motivo de preocupa\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, disse que a falta dados confi\u00e1veis e de registros tornam imposs\u00edvel estimar o alcance real do aborto inseguro. Mas \u201cas estat\u00edsticas policiais e a informa\u00e7\u00e3o emp\u00edrica sugerem que o problema \u00e9 significativo\u201d, acrescentou. \u201cFrequentemente ouvimos sobre corpos de rec\u00e9m-nascidos encontrados nos arredores de Windhoek. S\u00e3o fatos que causam como\u00e7\u00e3o\u201d, disse Ntelamo.<\/p>\n<p>O especialista atribui o aumento dos abortos \u00e0 falta de acesso das jovens a servi\u00e7os de sa\u00fade reprodutiva. Em 1999, o governo da Nam\u00edbia analisou a possibilidade dedespenalizar o aborto volunt\u00e1rio, mas deixou a ideia de lado ap\u00f3s constatar forte rejei\u00e7\u00e3o popular. O governo incentivaria a imoralidade se despenalizasse a interrup\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria da gravidez, segundo Ndawana Hausiku, cidad\u00e3o nam\u00edbio ouvido pela IPS. \u201cO aborto n\u00e3o deve ser legalizado nunca no pa\u00eds. As mulheres cometeriam assassinato a torto e \u00e0 direita. Matariam beb\u00eas inocentes. Se as nossas m\u00e3es pudessem escolher sobre nossa vida ou morte, muitos de n\u00f3s n\u00e3o estar\u00edamos aqui. \u00c9 muito pouco africano\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>As leis nam\u00edbias admitem o aborto volunt\u00e1rio somente em caso de incesto, viola\u00e7\u00e3o ou risco de morte elevado para a gravidez. \u201cO projeto de lei que h\u00e1 anos foi rejeitado pelo p\u00fablico deve ser retirado da gaveta\u201d, disse \u00e0 IPS a diretora da organiza\u00e7\u00e3o feminista Sister Nam\u00edbia, Liz Frank. \u201c\u00c9 necess\u00e1rio lan\u00e7ar uma campanha para explicar ao p\u00fablico as vantagens da despenaliza\u00e7\u00e3o. Atualmente, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade gasta enormes quantias com procedimentos praticados ap\u00f3s o aborto. Por outro lado, muitas mulheres morrem ou ficam com les\u00f5es que amea\u00e7am suas vidas ap\u00f3s praticarem aborto clandestino. As mulheres deveriam ter acesso a aborto seguro\u201d, acrescentou. Apenas quatro pa\u00edses africanos permitem o aborto at\u00e9 os primeiros tr\u00eas meses de gravidez: \u00c1frica do Sul, Guin\u00e9-Bissau, Cabo Verde e Tunis. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Windhoek, 13\/10\/2009 &ndash; Devido \u00e0 impopularidade dos anticoncepcionais na Nam\u00edbia, o aborto volunt\u00e1rio \u00e9 moeda corrente neste pa\u00eds, onde h\u00e1 10 anos fracassou uma iniciativa governamental para despenaliz\u00e1-lo. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/10\/africa\/mulheres-namibia-aborto-ilegal-e-seus-perigos-persistem\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":170,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,6,7],"tags":[21,24],"class_list":["post-5656","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-direitos-humanos","category-saude","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5656","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/170"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5656"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5656\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5656"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5656"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5656"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}