{"id":5658,"date":"2009-10-13T14:09:37","date_gmt":"2009-10-13T14:09:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5658"},"modified":"2009-10-13T14:09:37","modified_gmt":"2009-10-13T14:09:37","slug":"mulheres-colombia-violencia-sexual-uma-arma-de-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/10\/america-latina\/mulheres-colombia-violencia-sexual-uma-arma-de-guerra\/","title":{"rendered":"MULHERES-COL\u00d4MBIA: Viol\u00eancia sexual, uma arma de guerra"},"content":{"rendered":"<p>Bogot\u00e1, 13\/10\/2009 &ndash; A viol\u00eancia sexual \u00e9 uma arma de guerra na Col\u00f4mbia, utilizada por todos os atores do conflito e que tem mulheres e meninas como suas grandes vitimas, acaba de ratificar um informe da Interm\u00f3n Oxfam que avalia den\u00fancias de outros organismos nacionais e internacionais de direitos humanos.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_5658\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Colombia_3DSC_02301.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5658\" class=\"size-medium wp-image-5658\" title=\" - Interm\u00f3n Oxfam\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Colombia_3DSC_02301.jpg\" alt=\" - Interm\u00f3n Oxfam\" width=\"200\" height=\"134\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-5658\" class=\"wp-caption-text\"> - Interm\u00f3n Oxfam<\/p><\/div>  \u201cTodos os grupos armados da Col\u00f4mbia, for\u00e7as de seguran\u00e7a do Estado, paramilitares ou grupos guerrilheiros usam a viol\u00eancia sexual como arma de guerra, ao ponto de fazer parte integral do conflito\u201d, assegurou Paula San Pedro durante o lan\u00e7amento simult\u00e2neo do estudo em Bogot\u00e1 e Madri.<\/p>\n<p>O informe \u201cA viol\u00eancia sexual na Col\u00f4mbia: uma arma de guerra\u201d d\u00e1 uma renovava proje\u00e7\u00e3o ao que nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas reiteram organiza\u00e7\u00f5es de mulheres, de direitos humanos, de negritudes, de camponesas e de parlamentares, sem despertar a sensibilidade esperada nos \u00f3rg\u00e3os de decis\u00e3o do Estado, do governo e na sociedade.<\/p>\n<p>Com um conflito armado h\u00e1 mais de 40 anos, a dor \u00e9 suportada com muita solid\u00e3o e mais impot\u00eancia pelos grupos da popula\u00e7\u00e3o civil especialmente vulner\u00e1veis, como confirmaram depoimentos e material audiovisual apresentado durante a C\u00fapula Mundial de paz, realizada em Bogot\u00e1 de 1\u00ba a 4 deste m\u00eas.<\/p>\n<p>O deslocamento for\u00e7ado teria afetado mais de quatro milh\u00f5es de pessoas desde 1995 at\u00e9 abril deste ano, segundo dados de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais, entre elas a Consultoria para os Direitos Humanos e o Deslocamento (Codhes).<\/p>\n<p>Aproximadamente, 10% da popula\u00e7\u00e3o colombiana, de 42 milh\u00f5es de pessoas, tiveram de se deslocar em raz\u00e3o do conflito, segundo esta organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Majoritariamente trata-se de camponeses, negros ou ind\u00edgenas, obrigados a deixar suas terras de maneira for\u00e7ada e testemunhos frequentes do assassinato de familiares ou da viola\u00e7\u00e3o de mulheres.<\/p>\n<p>Em armas contra o Estado est\u00e3o as esquerdistas For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias da Col\u00f4mbia (Farc) e o, menor, Exercito de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional (ELN), enquanto continuam ativos setores paramilitares de extrema direita, embora entre 2002 e 2006 tenha sido anunciada a desmobiliza\u00e7\u00e3o de dezenas de milhares de seus efetivos.<\/p>\n<p>Marcas indel\u00e9veis<\/p>\n<p>Interm\u00f3n Oxfam e outras organiza\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias asseguram que do total de popula\u00e7\u00e3o deslocada 60% s\u00e3o mulheres, e destas duas em cada 10 se deslocam para fugir da viol\u00eancia sexual.<\/p>\n<p>Os dados n\u00e3o s\u00e3o verific\u00e1veis porque \u201cas mulheres, em muitos casos, n\u00e3o denunciam por medo ou vergonha\u201d, disse \u00e0 IPS Alexandra Quintero, coordenadora da \u00e1rea de pesquisas da n\u00e3o-governamental corpora\u00e7\u00e3o Sisma-Mulher, que realiza informes anuais sobre a viol\u00eancia cometida contra as mulheres em diferentes setores.<\/p>\n<p>Viol\u00eancias que conseguiram produzir dem\u00eancia tempor\u00e1ria ou definitiva nas vitimas, testemunharam participantes da C\u00fapula Mundial de Paz. \u201cOu, marcas indel\u00e9veis\u201d, como garantiu \u00e0 IPS uma mulher negra de 53 anos, natural do departamento de Choc\u00f3.<\/p>\n<p>Maria (nome fict\u00edcio) recordou que em Choc\u00f3, \u201cantes da chegada do conflito, viv\u00edamos tranquilos \u00e0 margem do rio Atrato. Isso foi at\u00e9 1988, mais ou menos, quando come\u00e7ou a guerra mais cruel. Ouv\u00edamos um motor e fic\u00e1vamos paralisados\u201d, recordou.<\/p>\n<p>Choc\u00f3 \u00e9 um departamento situado na costa colombiana do Pac\u00edfico, cuja popula\u00e7\u00e3o majoritariamente negra ou mesti\u00e7a suporta os maiores \u00edndices de pobreza do pa\u00eds e onde o transporte \u00e9 feito em quase sua totalidade por rios e plan\u00edcies estreitas entre montanhas.<\/p>\n<p>\u201cTiravam as pessoas \u00e0 meia-noite de suas camas, matavam os homens e abusavam das mulheres\u201d, continuou Mar\u00eda com um tom de voz que mesclava raiva e impot\u00eancia.<\/p>\n<p>Maria conheceu uma mulher violentada por v\u00e1rios guerrilheiros, mas, tamb\u00e9m foi testemunha da crueldade dos paramilitares e soube de fatos cometidos por soldados contra outras moradoras da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEsse \u00e9 um trauma do qual a pessoa nunca consegue se livrar por mais que se fale de repara\u00e7\u00e3o. Porque isso a mulher sente na carne, e mesmo sendo uma senhora idosa, o que uma mulher n\u00e3o quer permitir em seu corpo n\u00e3o deveria ocorrer\u201d, acrescentou Mar\u00eda. Por isso, agora integra o grupo de mulheres chocoanas que promove \u201corganizar-se, fazer plant\u00f5es de protesto e despertar\u201d. E assegurou que \u201cnecessitamos participar mais e nos fazermos vis\u00edveis porque somos muito assediadas\u201d.<\/p>\n<p>Cultura machista ganha de leis modernas<\/p>\n<p>A luta persistente das mulheres chegou aos setores jur\u00eddico e legislativo e conseguiu influir no conte\u00fado de algumas leis e na promulga\u00e7\u00e3o de outras, que incluem sua realidade de v\u00edtimas e seu direito de repara\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas, \u201cos avan\u00e7os legislativos parecem n\u00e3o ter efeito na realidade\u201d, disse Quintero.<\/p>\n<p>Deveria-se levar em conta que a moderniza\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o n\u00e3o mudou a ess\u00eancia cultural e de agress\u00f5es que \u201cse produzem em um pa\u00eds particularmente machista e patriarcal\u201d, explicou San Pedro, a especialista respons\u00e1vel pelo informe da Interm\u00f3n Oxfam, durante sua apresenta\u00e7\u00e3o em Madri.<\/p>\n<p>Em seu informe calcula que \u201c entre 60% e 70% das mulheres colombianas sofreram algum tipo de viol\u00eancia sexual, f\u00edsica, ps\u00edquica ou pol\u00edtica\u201d, em uma estat\u00edstica que vai al\u00e9m do conflito.<\/p>\n<p>E \u00e9 um fen\u00f4meno que aumentou nos \u00faltimos anos. As fontes ouvidas pela IPS concordam que a pol\u00edtica de seguran\u00e7a democr\u00e1tica imposta pelo governo direitista do presidente \u00c1lvaro Uribe incidiu no aumento da viol\u00eancia contra as mulheres.<\/p>\n<p>\u201cEssa pol\u00edtica representou maior inseguran\u00e7a para as mulheres, porque a m\u00e1 exorta\u00e7\u00e3o \u00e0 desmobiliza\u00e7\u00e3o de grupos paramilitares, que seguem com o controle em muitas regi\u00f5es, afeta especialmente mulheres, meninas e adolescentes\u201d, disse \u00e0 IPS Maria Eugenia Ram\u00edrez, da Mesa de Trabalho do Instituto Latino-americano de Direitos Alternativos, com sede em Bogot\u00e1.<\/p>\n<p>\u201cCom viol\u00eancia sexual, mutila\u00e7\u00e3o genital, ass\u00e9dio, recrutamento for\u00e7ado, entre outras express\u00f5es. Conclus\u00e3o: o conflito armado exacerba as viol\u00eancias que historicamente as mulheres viveram\u201d, acrescentou Ram\u00edrez.<\/p>\n<p>Quintero disse que esta conclus\u00e3o \u00e9 ratificada pelos resultados do informe que em novembro ir\u00e1 apresentar \u00e0 Rede Nacional de Mulheres e que foi coordenado por sua organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nele se confirmaria que o n\u00famero de viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos em geral, cometidos por integrantes da for\u00e7a p\u00fablica em particular, triplicou desde 2006.<\/p>\n<p>\u201cNesta se\u00e7\u00e3o inclu\u00edmos informa\u00e7\u00e3o da n\u00e3o-governamental Comiss\u00e3o Colombiana de Juristas (CCJ) e do Instituto de Medicina Legal\u201d, disse Quintero, ao afirmar que o estudo inclui a vulnera\u00e7\u00e3o de direitos humanos da popula\u00e7\u00e3o em geral.<\/p>\n<p>O informe, agora em fase de verifica\u00e7\u00e3o, confirmaria que nem a situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade geral, nem a que diz respeito exclusivamente a mulheres, meninas e adolescentes, teria melhorado em compara\u00e7\u00e3o com informes anteriores.<\/p>\n<p>O estudo correspondente a 2007 coletou um dado alarmante da CCJ. \u201cNo per\u00edodo janeiro 2002-junho 2006, em m\u00e9dia, na Col\u00f4mbia a cada dia morreu uma mulher de forma violenta\u201d, recordou.<\/p>\n<p> A Escola Nacional Sindical forneceu em 205 alguns detalhes. \u201cAs mulheres sindicalizadas sofreram 15 feminic\u00eddios, 102 amea\u00e7as de morte, 10 deten\u00e7oes arbitrarias, 15 hostilidades e persegui\u00e7\u00f5es por sua atividade sindical, dois atentados de morte, set deslocamentos for\u00e7ados e um sequestro\u201d, disse em um informe.<\/p>\n<p>Outra estat\u00edstica foi apresentada pelo Tribunal Constitucional no come\u00e7o deste ano, com base em dados fornecidos por organiza\u00e7\u00f5es de mulheres. De 518 v\u00edtimas desde 1993 foram registrados 183 testemunhos de agress\u00e3o sexual.<\/p>\n<p>O documento atribui 58% das agress\u00f5es aos paramilitares, 23 \u00e0 for\u00e7a p\u00fablica, 8% \u00e0 guerrilha e o restante a desconhecidos. Todos os informes t\u00eam vari\u00e1veis, mas, coincidem em uma agravante do drama coletivo: a impunidade. O informe a ser apresentado por Sisma-Mulher em novembro registra que \u201cesta se mant\u00e9m em 97%\u201d, disse Quintero.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 um espa\u00e7o geogr\u00e1fico no pa\u00eds onde as mulheres possam se sentir seguras\u201d, denunciou San Pedro, antes de destacar que \u201cas mulheres afrocolombianas e as ind\u00edgenas s\u00e3o as mais vulner\u00e1veis diante da viol\u00eancia sexual, devido \u00e0 tripla discrimina\u00e7\u00e3o que sofrem de g\u00eanero, etnia e pobreza\u201d. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bogot\u00e1, 13\/10\/2009 &ndash; A viol\u00eancia sexual \u00e9 uma arma de guerra na Col\u00f4mbia, utilizada por todos os atores do conflito e que tem mulheres e meninas como suas grandes vitimas, acaba de ratificar um informe da Interm\u00f3n Oxfam que avalia den\u00fancias de outros organismos nacionais e internacionais de direitos humanos. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/10\/america-latina\/mulheres-colombia-violencia-sexual-uma-arma-de-guerra\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":88,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,6,11],"tags":[21,24],"class_list":["post-5658","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-direitos-humanos","category-politica","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5658","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/88"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5658"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5658\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5658"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5658"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5658"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}