{"id":5662,"date":"2009-10-13T14:23:55","date_gmt":"2009-10-13T14:23:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5662"},"modified":"2009-10-13T14:23:55","modified_gmt":"2009-10-13T14:23:55","slug":"energia-transicao-lenta-para-energias-renovaveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/10\/mundo\/energia-transicao-lenta-para-energias-renovaveis\/","title":{"rendered":"ENERG\u00cdA: Transi\u00e7\u00e3o lenta para energias renov\u00e1veis"},"content":{"rendered":"<p>Leon, M\u00e9xico, 13\/10\/2009 &ndash; Os pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina ter\u00e3o que dar mais \u00eanfase \u00e0s energias renov\u00e1veis, se um novo acordo internacional clim\u00e1tico determinar que as fontes alternativas devem crescer no cen\u00e1rio energ\u00e9tico mundial. <!--more--> O Brasil lidera o desenvolvimento de energias renov\u00e1veis na regi\u00e3o, enquanto na\u00e7\u00f5es como M\u00e9xico, Peru, Chile e Argentina d\u00e3o passos lentos para transformar sua matriz energ\u00e9tica.<\/p>\n<p>O processo de transi\u00e7\u00e3o para as energias renov\u00e1veis \u00e9 lento, porque enfrenta muitas barreiras. \u201cN\u00e3o \u00e9 o momento mais adequado para essas energias\u201d, disse \u00e0 IPS o argentino Daniel Buille, vice-presidente da n\u00e3o-governamental Funda\u00e7\u00e3o Bariloche, dedicada desde 1963 \u00e0 pesquisa cient\u00edfica em desenvolvimento humano, qualidade de vida, energia, filosofia e meio ambiente. Junto a delegados governamentais, de organismos internacionais e empres\u00e1rios de todo o mundo, Bouille participou do F\u00f3rum Global de Energias Renov\u00e1veis, organizado na cidade de Leon pelo governo do M\u00e9xico e pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Onudi).<\/p>\n<p>A reuni\u00e3o serviu para analisar os assuntos pol\u00edticos, financeiros e tecnol\u00f3gicos mais importantes do setor. Segundo o informe \u201cRenewables 2007 Global Status Report\u201d, em 2006 as fontes renov\u00e1veis responderam por 18% do consumo total de energia, incluindo a biomassa tradicional, as hidrel\u00e9tricas grandes e \u201cnovas\u201d energias renov\u00e1veis como a hidrel\u00e9trica pequena, a biomassa moderna, a e\u00f3lica, a solar, a geot\u00e9rmica e os biocombust\u00edveis.<\/p>\n<p>Mas a propor\u00e7\u00e3o das renov\u00e1veis \u201cnovas\u201d d\u00f3i de 2,4%, enquanto 13% do consumo total de energia em 2006 corresponderam \u00e0 biomassa tradicional, isto \u00e9, \u00e0 queima de madeira. \u201cTem de haver uma mudan\u00e7a nos padr\u00f5es de consumo e produ\u00e7\u00e3o de energia. Deve-se diversificar e investir. No Brasil, conseguimos uma matriz energ\u00e9tica limpa\u201d, disse \u00e0 IPS Andr\u00e9 Aranha, diretor do Departamento de Energia do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores.<\/p>\n<p>Na Confer\u00eancia Internacional sobre Energias Renov\u00e1veis, realizada na cidade alem\u00e3 de Bonn em 2004, a Am\u00e9rica Latina e o Caribe apresentaram a \u201cIniciativa Latino-americana e caribenha para o desenvolvimento sustent\u00e1vel\u201d, que at\u00e9 2010 ter 10% de toda a energia produzida a partir de fontes renov\u00e1veis, \u00edndice j\u00e1 superado pela regi\u00e3o. No ano passado, o investimento em energias renov\u00e1veis foi de US$ 155 bilh\u00f5es, segundo o Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). A Am\u00e9rica do Norte atraiu US$ 30,1 bilh\u00f5es e a Am\u00e9rica do Sul US$ 12,3 bilh\u00f5es, quase o dobro da quantidade de 2007, que foi de US$ 7,6 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas a atual recess\u00e3o econ\u00f4mica reduziu o valor global de investimentos do setor em 40% este ano, segundo a Onudi. Somente no M\u00e9xico, 25 projetos est\u00e3o parados por falta de financiamento. \u201cH\u00e1 uma aus\u00eancia de mecanismos espec\u00edficos de financiamento para pesquisa e desenvolvimento em energias renov\u00e1veis. J\u00e1 existe um contexto legal, mas fomos pegos por uma crise econ\u00f4mica muito forte\u201d, disse \u00e0 IPS a mexicana Isabel Garc\u00eda, diretora da Funda\u00e7\u00e3o Emisi\u00f3n, que trabalha em favor do uso de combust\u00edveis biol\u00f3gicos como o etanol de cana-de-a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<p>A recess\u00e3o e as baixas cota\u00e7\u00f5es internacionais do petr\u00f3leo parecem desmotivar os investimentos em energias renov\u00e1veis, apesar da necessidade de buscar mecanismos para reduzir a emiss\u00e3o de gases que provocam o efeito estufa na atmosfera, como o di\u00f3xido de carbono, que contribuem para o aumento da temperatura global. O Brasil gera 85% de sua eletricidade em centrais hidrel\u00e9tricas. O governo pretende construir outras sete na selva amaz\u00f4nica. A isso se soma a descoberta de grandes jazidas de petr\u00f3leo em \u00e1guas profundas do Atl\u00e2ntico, que poderiam frear o desenvolvimento de fontes limpas, embora sua explora\u00e7\u00e3o seja muito cara e demorar v\u00e1rios anos.<\/p>\n<p>Em outubro, o Congresso mexicano aprovou a Lei para o Aproveitamento de Energias Renov\u00e1veis, que regula sua produ\u00e7\u00e3o e seu uso final. Atualmente, 8% da energia produzida no pa\u00eds derivam de fontes diferentes do petr\u00f3leo, como vento, geotermia e recursos h\u00eddricos, e o objetivo \u00e9 chegar a 2012 com uma propor\u00e7\u00e3o de 26%. Na Argentina, h\u00e1 leis que regulam a gera\u00e7\u00e3o solar e e\u00f3lica par ao incentivo do uso de fontes renov\u00e1veis. O prop\u00f3sito \u00e9 que essas op\u00e7\u00f5es abaste\u00e7am 8% do total da demanda em 2016.<\/p>\n<p>No Chile, a Lei de Energia Renov\u00e1vel estabelece que as ge4radoras de eletricidade com capacidade superior a 200 megawatts dever\u00e3o chegar a 2014 com 10% de sua energia gerados de fontes renov\u00e1veis, em um esquema por etapas. No Peru, a lei respectiva, vigente desde 2008, determina que 5% da eletricidade gerada no pa\u00eds devem proceder de fontes renov\u00e1veis, no prazo de cinco anos. \u201cN\u00e3o h\u00e1 receitas. Cada pa\u00eds deve agir segundo suas capacidades\u201d, disse \u00e0 IPS o equato4riano Luis Sotelo, assessor do Minist\u00e9rio de Energia. O governo desse pa\u00eds executa um projeto para substituir a gera\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica por outras modalidades menos contaminantes.<\/p>\n<p>As energias renov\u00e1veis enfrentar\u00e3o um forte desafio na Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica, na cidade dinamarquesa de Copenhague em dezembro, da qual deve surgir um novo acordo internacional de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa com metas que entrariam em vigor em 2013, quando vencerem os prazos do Protocolo de Kyoto. Este instrumento, em vigor desde 2005, estabelece regime obrigat\u00f3rio de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es atmosf\u00e9ricas di\u00f3xido de carbono, metano, \u00f3xido nitroso, hexafluoreto de enxofre, hidrofluorocarbonetos e perfluorocarbonetos para os pa\u00edses industriais que o ratificaram. Essas 37 na\u00e7\u00f5es inclu\u00eddas em seu Anexo I est\u00e3o obrigadas a reduzir suas emiss\u00f5es em 5,2% at\u00e9 2012, em rela\u00e7\u00e3o aos n\u00edveis de 1990.<\/p>\n<p>O conte\u00fado referente \u00e0s fontes renov\u00e1veis seria muito expl\u00edcito no novo acordo, segundo os especialistas ouvidos. Para a confer\u00eancia na Dinamarca, a comunidade internacional chegar\u00e1 com a cria\u00e7\u00e3o da Ag\u00eancia Internacional de Energias Renov\u00e1veis (Irena), ocorrida na cidade alem\u00e3 de Bonn no dia 26 de janeiro e que j\u00e1 tem 137 membros. O M\u00e9xico ir\u00e1 incorporar-se em breve. \u201cO papel das renov\u00e1veis depender\u00e1 das decis\u00f5es pol\u00edticas dos Estados. Sou otimista quanto ao novo acordo fazer uma forte alus\u00e3o a elas\u201d, disse Bouille.<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica Latina, Brasil e M\u00e9xico lideram as emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono. Um dos pontos mais pol\u00eamicos das negocia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas refere-se a incluir estes e outros grandes pa\u00edses em desenvolvimento, como China, \u00cdndia e \u00c1frica do Sul, em um esquema de redu\u00e7\u00f5es obrigat\u00f3rias como o estabelecido at\u00e9 agora para as na\u00e7\u00f5es industriais.<\/p>\n<p>A reforma do setor petroleiro mexicano, aprovada em outubro de 2008, inclui a cria\u00e7\u00e3o de um fundo de promo\u00e7\u00e3o de fontes renov\u00e1veis no valor de US$ 200 milh\u00f5es e outro para pesquisa tecnol\u00f3gica e capacita\u00e7\u00e3o de US$ 300 milh\u00f5es, que, entretanto, ainda n\u00e3o est\u00e3o criados. \u201cCom as alternativas energ\u00e9ticas pode-se reduzir a depend\u00eancia dos combust\u00edveis f\u00f3sseis e diversificar as fontes limpas e sustent\u00e1veis\u201d, disse Garc\u00eda. A previs\u00e3o \u00e9 que o investimento mundial em renov\u00e1veis chegue a US$ 450 bilh\u00f5es em 2012 e a US$ 600 bilh\u00f5es em 2020. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leon, M\u00e9xico, 13\/10\/2009 &ndash; Os pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina ter\u00e3o que dar mais \u00eanfase \u00e0s energias renov\u00e1veis, se um novo acordo internacional clim\u00e1tico determinar que as fontes alternativas devem crescer no cen\u00e1rio energ\u00e9tico mundial. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/10\/mundo\/energia-transicao-lenta-para-energias-renovaveis\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":66,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,12,5,10,4],"tags":[21],"class_list":["post-5662","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-desenvolvimento","category-economia","category-energia","category-mundo","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5662","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/66"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5662"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5662\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5662"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5662"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5662"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}