{"id":567,"date":"2005-05-05T00:00:00","date_gmt":"2005-05-05T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=567"},"modified":"2005-05-05T00:00:00","modified_gmt":"2005-05-05T00:00:00","slug":"desarmamento-esforos-para-frear-a-proliferao-nuclear","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/05\/mundo\/desarmamento-esforos-para-frear-a-proliferao-nuclear\/","title":{"rendered":"Desarmamento: Esfor&ccedil;os para frear a prolifera&ccedil;&atilde;o nuclear"},"content":{"rendered":"<p>Nova York, 05\/05\/2005 &ndash; Em 1970, quando as pot&ecirc;ncias mundiais adotaram o Tratado de N&atilde;o-prolifera&ccedil;&atilde;o de Armas Nucleares (TNP), muitos acalentaram a esperan&ccedil;a do desarmamento total, mas, milhares dessas armas s&atilde;o acumuladas e novas s&atilde;o constru&iacute;das, inclusive nos pa&iacute;ses signat&aacute;rios do acordo. A atual crise de prolifera&ccedil;&atilde;o &quot;&eacute; a pior da hist&oacute;ria. &Eacute; muito, muito grave e uma imensa amea&ccedil;a para a humanidade&quot;, afirmou Douglas Roche, ex-diplomata e parlamentar canadense e ex-presidente do comit&ecirc; de desarmamento da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, que fez um acompanhamento do TNP durante as duas &uacute;ltimas d&eacute;cadas. Segundo o especialistas, os Estados Unidos e outras pot&ecirc;ncias nucleares reconhecidas s&atilde;o respons&aacute;veis por esta crise, j&aacute; que &quot;estabeleceram um sistema mundial com duas classes, inaceit&aacute;vel para os pa&iacute;ses n&atilde;o-nucleares&quot;.<br \/> <!--more--> <br \/> Washington realizou redu&ccedil;&otilde;es em seus arsenais nucleares nos &uacute;ltimos anos, mas, continua com a constru&ccedil;&atilde;o de uma nova gera&ccedil;&atilde;o de armas nucleares, e seu or&ccedil;amento para esse tipo de armamento, incluindo sistemas de lan&ccedil;amento e comando, soma cerca de US$ 40 bilh&otilde;es, segundo o Comit&ecirc; de Advogados sobre Pol&iacute;tica Nuclear, uma organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental que defende o desarmamento, com sede em Nova York. Na segunda-feira, Roche se reuniu na sede da ONU com colegas que integram grupos da sociedade civil, com a inten&ccedil;&atilde;o de incidir em uma nova confer&ecirc;ncia q&uuml;inq&uuml;enal de revis&atilde;o do TNP, que durar&aacute; at&eacute; 27 deste m&ecirc;s e na qual representantes de 188 pa&iacute;ses discutir&atilde;o sobre as possibilidades de fortalecer esse acordo internacional. Ativistas pelo desarmamento informaram que trabalham com um grupo de &quot;pot&ecirc;ncias medianas&quot; para conseguir que as pot&ecirc;ncias nucleares adotem medidas imediatas para reduzir o perigo das armas que possuem e que iniciem conversa&ccedil;&otilde;es para elimin&aacute;-las completamente.<\/p>\n<p> Essas &quot;pot&ecirc;ncias medianas&quot;, que desde 1977 integram a Coaliz&atilde;o por uma Nova Agenda (CNA) s&atilde;o Brasil, Egito, Irlanda, M&eacute;xico, Nova Zel&acirc;ndia, &Aacute;frica do Sul e Su&eacute;cia, na&ccedil;&otilde;es pol&iacute;tica e economicamente significativas, internacionalmente respeitadas e que renunciaram &agrave; corrida armamentista nuclear, o que aumenta sua credibilidade, segundo ativistas e diplomatas. Em dezembro, esses pa&iacute;ses apresentaram &agrave; Assembl&eacute;ia Geral da ONU uma mo&ccedil;&atilde;o pedindo urg&ecirc;ncia no desarmamento e que foi aprovada por 151 votos contra seis e 24 absten&ccedil;&otilde;es. Os Estados Unidos votaram contra a resolu&ccedil;&atilde;o, que pediu aos Estados-membros o pleno cumprimento de seus compromissos de n&atilde;o-prolifera&ccedil;&atilde;o e desarmamento nuclear, e &quot;n&atilde;o agir de maneira alguma que possa implicar um detrimento&quot; na mat&eacute;ria &quot;ou conduzir a uma nova corrida armamentista nuclear&quot;.<\/p>\n<p> Observadores assinalam que a CNA recebe crescente apoio internacional, inclusive de tradicionais aliados de Washington. Por exemplo, B&eacute;lgica, Canad&aacute;, Holanda, Litu&acirc;nia, Luxemburgo, Noruega e Turquia, todos integrantes, junto com os Estados Unidos, da Organiza&ccedil;&atilde;o do Tratado do Atl&acirc;ntico Norte (Otan), votaram a proposta da CNA na Assembl&eacute;ia Geral, do mesmo modo que aliados muito pr&oacute;ximos dos Estados Unidos, como Cor&eacute;ia do Sul, e Jap&atilde;o. Em 1996, uma senten&ccedil;a do Tribunal Internacional de Justi&ccedil;a destacou a necessidade de negocia&ccedil;&otilde;es que levassem ao desarmamento nuclear, &quot;sob r&iacute;gido e efetivo controle internacional em todos seus aspectos&quot;. A &quot;ilegalidade das armas nucleares &eacute; evidente. O TNP foi criado para evitar a lei da selva&quot;, disse Christopher Weeramantry, vice-presidente desse tribunal.<\/p>\n<p> Enquanto pacifistas como Roche tentam levar adiante a agenda do desarmamento mediante reuni&otilde;es com diplomatas que participam da revis&atilde;o do TNP, uma coaliz&atilde;o de grupos antinucleares preferiu uma campanha de informa&ccedil;&atilde;o ao p&uacute;blico. No domingo, v&eacute;spera do in&iacute;cio da confer&ecirc;ncia de revis&atilde;o, milhares de pessoas se manifestaram diante da sede da ONU em Nova York pedindo o fim das armas nucleares. Entre elas havia mais de mil ativistas japoneses pela paz, incluindo os prefeitos das cidades de Hiroxima e Nagasaki, devastadas por bombas at&ocirc;micas lan&ccedil;adas pelos Estados Unidos em 1945, no primeiro ataque desse tipo na hist&oacute;ria, que precipitou o fim da Segunda Guerra Mundial. &quot;Chega de Hiroximas, chega de Nagasakis&quot;, estava escrito em um grande cartaz carregado por um manifestante japon&ecirc;s. Na segunda-feira, essas vozes de protesto encontraram eco na revis&atilde;o do TNP.<\/p>\n<p> &quot;O &uacute;nico modo de garantir que as armas nucleares nunca ser&atilde;o usadas &eacute; que nosso mundo fique livre dessas armas&quot;, afirmou o secret&aacute;rio-geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, Kofi Annan, perante os delegados. &quot;Se estamos realmente comprometidos com um mundo livre das armas nucleares, devemos deixar para tr&aacute;s o florescimento da ret&oacute;rica e as poses pol&iacute;ticas, para come&ccedil;ar a pensar seriamente em como conseguir esse mundo&quot;, enfatizou. Um grupo de alto n&iacute;vel formado por Annan pediu este ano, em um informe, o estabelecimento de uma morat&oacute;ria de testes nucleares, que seja acelerada a entrada em vigor do tratado que pro&iacute;be completamente tais testes e o desmantelamento de todas as ogivas nucleares que est&atilde;o prontas para serem lan&ccedil;adas. Por&eacute;m, diplomatas familiarizados com as negocia&ccedil;&otilde;es em torno do TNP concordam em n&atilde;o prever grandes avan&ccedil;os na confer&ecirc;ncia de revis&atilde;o. &quot;O n&uacute;cleo do problema &eacute; o papel que os Estados Unidos desempenham&quot;, ao qual &quot;pedimos que adote uma atitude positiva&quot; e &quot;n&atilde;o volte as costas &agrave;s suas pr&oacute;prias promessas&quot;, afirmou Roche. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova York, 05\/05\/2005 &ndash; Em 1970, quando as pot&ecirc;ncias mundiais adotaram o Tratado de N&atilde;o-prolifera&ccedil;&atilde;o de Armas Nucleares (TNP), muitos acalentaram a esperan&ccedil;a do desarmamento total, mas, milhares dessas armas s&atilde;o acumuladas e novas s&atilde;o constru&iacute;das, inclusive nos pa&iacute;ses signat&aacute;rios do acordo. A atual crise de prolifera&ccedil;&atilde;o &quot;&eacute; a pior da hist&oacute;ria. &Eacute; muito, muito grave e uma imensa amea&ccedil;a para a humanidade&quot;, afirmou Douglas Roche, ex-diplomata e parlamentar canadense e ex-presidente do comit&ecirc; de desarmamento da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, que fez um acompanhamento do TNP durante as duas &uacute;ltimas d&eacute;cadas. Segundo o especialistas, os Estados Unidos e outras pot&ecirc;ncias nucleares reconhecidas s&atilde;o respons&aacute;veis por esta crise, j&aacute; que &quot;estabeleceram um sistema mundial com duas classes, inaceit&aacute;vel para os pa&iacute;ses n&atilde;o-nucleares&quot;.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/05\/mundo\/desarmamento-esforos-para-frear-a-proliferao-nuclear\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":87,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-567","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/567","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/87"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=567"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/567\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=567"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=567"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=567"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}