{"id":5674,"date":"2009-10-16T14:54:08","date_gmt":"2009-10-16T14:54:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5674"},"modified":"2009-10-16T14:54:08","modified_gmt":"2009-10-16T14:54:08","slug":"america-latina-mulheres-negros-e-indigenas-ganham-menos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/10\/america-latina\/america-latina-mulheres-negros-e-indigenas-ganham-menos\/","title":{"rendered":"AM\u00c9RICA LATINA: Mulheres, negros e ind\u00edgenas ganham menos"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 16\/10\/2009 &ndash; Ind\u00edgenas, afrodescendentes e mulheres da Am\u00e9rica Latina recebem sal\u00e1rio muito menor do que os homens brancos da mesma faixa et\u00e1ria e n\u00edvel educacional, segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). <!--more--> O informe \u201cNovo s\u00e9culo, velhas disparidades: brechas de sal\u00e1rios por g\u00eanero e etnia na Am\u00e9rica Latina\u201d, apresentado esta semana em Washington, conclui que tais diferen\u00e7as tendem a ser mais pronunciadas no setor privado. O estudo baseou-se em pesquisas domiciliares feitas nos \u00faltimos 15 anos em 18 na\u00e7\u00f5es da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Em m\u00e9dia, as mulheres ganham 17% menos do que os homens de sua mesma idade e n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o, afirma o documento. Para as minorias \u2013 definidas como pessoas que nas pesquisas domiciliares descrevem a si mesmas como ind\u00edgenas, negras, mesti\u00e7as ou de uma l\u00edngua originaria \u2013 a brecha \u00e9 ainda maior: 18%, em m\u00e9dia. \u201cAs pol\u00edticas destinadas a reduzir estas desigualdades est\u00e3o ausentes. Superar essa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais do que um imperativo moral. \u00c9 uma estrat\u00e9gia essencial para reduzir a pobreza na regi\u00e3o\u201d, afirmou o autor principal do estudo, o economista do BID Hugo \u00d1opo.<\/p>\n<p>A pesquisa compara os sal\u00e1rios entre indiv\u00edduos das mesmas caracter\u00edsticas geogr\u00e1ficas e trabalhistas, tendo em conta idade, n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o, lugar de resid\u00eancia e tipo de emprego. Al\u00e9m de Brasil e Bol\u00edvia, o informe inclui estudos espec\u00edficos sobre Argentina, Chile, Col\u00f4mbia, Equador, M\u00e9xico, Paraguai, Peru, Rep\u00fablica Dominicana, Uruguai, Venezuela e os cinco pa\u00edses de l\u00edngua espanhola da Am\u00e9rica central.<\/p>\n<p>Para a elabora\u00e7\u00e3o do informe foi utilizado um novo m\u00e9todo criado para medir melhor quais estudos anteriores as caracter\u00edsticas e experi\u00eancias individuais ao explicar as brechas salariais, em um esfor\u00e7o para isolar os fatores espec\u00edficos que podem contribuir com estas desigualdades. \u00d1opo afirmou que os m\u00e9todos anteriores \u201ctendiam a exagerar o papel da discrimina\u00e7\u00e3o\u201d. Em m\u00e9dia, um quinto do total da brecha de g\u00eanero em mat\u00e9ria de sal\u00e1rios n\u00e3o pode ser explicado com base nas diferen\u00e7as das caracter\u00edsticas individuais ou trabalhistas passiveis de observa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesse sentido, o estudo detectou que os homens ganham mais do que as mulheres em qualquer idade, para cada n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o, tanto em empresas grandes quanto pequenas e sem importar se trabalham de maneira aut\u00f4noma, se s\u00e3o empregados ou empregadores. A \u00fanica exce\u00e7\u00e3o foi em \u00e1reas rurais, onde as mulheres tendem a ganhar, em m\u00e9dia, o mesmo que os homens. A brecha de g\u00eanero varia amplamente entre os pa\u00edses. O BID concluiu que os homens ganham 30% mais do que as mulheres de idade e forma\u00e7\u00e3o semelhantes no Brasil, enquanto no Uruguai este \u00edndice \u00e9 de 26%. Por outro lado, na Bol\u00edvia e Guatemala as diferen\u00e7as foram \u00ednfimas.<\/p>\n<p>A brecha de g\u00eanero menor aparece entre os mais jovens com titulo universit\u00e1rio. Isto pode ser explicado pela tend\u00eancia de mais mulheres educadas terem acesso a postos em empresas maiores, onde os gerentes disp\u00f5em de menos condi\u00e7\u00f5es para fixar sal\u00e1rios. De fato, encontrou-se que as brechas s\u00e3o menores entre trabalhadores da economia formal e maiores entre os que trabalham em firmas pequenas ou da economia informal. As maiores diferen\u00e7as foram registradas entre os trabalhadores de baixa renda que n\u00e3o terminaram o secund\u00e1rio e vivem em \u00e1reas rurais.<\/p>\n<p>O estudo tamb\u00e9m revela que as brechas de g\u00eanero aumentam com a idade, tend\u00eancia que pode ser explicada, ao menos em parte, pelo papel de cuidadoras que as mulheres assumem com os filhos, segundo \u00d1opo. Para o especialista, \u00e9 mais prov\u00e1vel que as mulheres sejam expulsas do mercado de trabalho ap\u00f3s darem \u00e0 luz. \u201cAs pol\u00edticas que lhes permitem voltar ao emprego, como uma melhor provis\u00e3o de servi\u00e7os de cuidados infantis, podem ajudar a reduzir as diferen\u00e7as salariais\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 condi\u00e7\u00e3o \u00e9tnica, dos 18 pa\u00edses o informe cobriu apenas sete (Brasil, Bol\u00edvia, Chile, Equador, Guatemala, Paraguai e Peru) porque estes foram os \u00fanicos onde as pesquisas domiciliares obtiveram informa\u00e7\u00e3o deste tipo. Em m\u00e9dia, os integrantes de comunidades n\u00e3o minorit\u00e1rias ganham quase 40% mais do que as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas \u2013 que s\u00e3o maiorias demogr\u00e1ficas em v\u00e1rios dos pa\u00edses \u2013 e os negros latino-americanos. Mas, quando se considera idade, g\u00eanero e n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o, a brecha cai para 28%. As maiores diferen\u00e7as foram encontradas em Brasil (30%), Guatemala (24%) e Paraguai (22%). E as menores no Equador (4%) e Chile (11%). Considerando a vari\u00e1vel \u00e9tnica, as diferen\u00e7as salariais mais amplas tamb\u00e9m est\u00e3o nos extremos da distribui\u00e7\u00e3o da renda. Al\u00e9m disso, a maior diferen\u00e7a se registra entre os homens, os trabalhadores mais adultos e os que vivem em zonas rurais.<\/p>\n<p>Ao isolar fatores espec\u00edficos que podem contribuir para a desigualdade, o estudo afirma que cerca da metade da diferen\u00e7a de sal\u00e1rios entre os homens brancos e as minorias pode ser fruto do n\u00edvel educacional e de uma combina\u00e7\u00e3o de outras caracter\u00edsticas individuais e trabalhistas. \u201cAs diferen\u00e7as salariais de origem \u00e9tnica est\u00e3o vinculadas a uma segrega\u00e7\u00e3o ocupacional, na medida em que as minorias se encontram sub-representadas em ocupa\u00e7\u00f5es de empregadores, onde os sal\u00e1rios s\u00e3o maiores\u201d, disse \u00d1opo. \u201cComo na brecha de g\u00eanero, \u00e9 dif\u00edcil, por exemplo, encontrar minorias empregadas com o perfil t\u00edpico de um gerente-geral\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Embora as pol\u00edticas sociais e de desenvolvimento incentivem a universaliza\u00e7\u00e3o da escola, as conclus\u00f5es do informe apresentam d\u00favidas sobre a qualidade e a relev\u00e2ncia da educa\u00e7\u00e3o que recebem as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas. \u201cA baixa qualidade do ensino pode ajudar a explicar o motivo de as minorias pobres terem um retorno menor para sua respectiva escolaridade\u201d, disse \u00d1opo. Al\u00e9m de aumentar a quantidade de creches infantis, o estudo sugere adotar outras pol\u00edticas que possam ajudar as minorias a superar os obst\u00e1culos existentes, entre eles maiores investimentos em educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e programas de a\u00e7\u00e3o afirmativa em mat\u00e9ria educacional e capacita\u00e7\u00e3o. O informe do BID tamb\u00e9m pede especial aten\u00e7\u00e3o \u00e0s meninas ind\u00edgenas, que s\u00e3o duplamente discriminadas: como mulheres e como integrantes de comunidades minorit\u00e1rias. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 16\/10\/2009 &ndash; Ind\u00edgenas, afrodescendentes e mulheres da Am\u00e9rica Latina recebem sal\u00e1rio muito menor do que os homens brancos da mesma faixa et\u00e1ria e n\u00edvel educacional, segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/10\/america-latina\/america-latina-mulheres-negros-e-indigenas-ganham-menos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":104,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12],"tags":[21,24],"class_list":["post-5674","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5674","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/104"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5674"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5674\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5674"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5674"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5674"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}