{"id":5685,"date":"2009-10-20T14:27:58","date_gmt":"2009-10-20T14:27:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5685"},"modified":"2009-10-20T14:27:58","modified_gmt":"2009-10-20T14:27:58","slug":"mudanca-climatica-florestas-na-mira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/10\/mundo\/mudanca-climatica-florestas-na-mira\/","title":{"rendered":"MUDAN\u00c7A CLIM\u00c1TICA: Florestas na mira"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 20\/10\/2009 &ndash; Que papel podem ter as florestas na luta contra a mudan\u00e7a clim\u00e1tica? Que impacto t\u00eam as \u00e1rvores plantadas? Quais consequ\u00eancias ter\u00e1 a bioenergia para montanhas e selvas? <!--more--> S\u00e3o perguntas que especialistas, funcion\u00e1rios e empres\u00e1rios de todo o mundo reunidos na Argentina tentar\u00e3o responder. Com mais de quatro mil participantes procedentes dos cinco continentes, foi aberto ontem em Buenos Aires o XII Congresso Florestal Mundial, organizado pelo governo argentino com apoio da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Agricultura e a Alimenta\u00e7\u00e3o (FAO).<\/p>\n<p>O encontro internacional que acontece desde 1926, em geral a cada seis anos, coincide nesta oportunidade com um duplo desafio: o interesse no progresso de projetos florestais que permitam gerar novos empregos e oferecer uma resposta ao crescente aquecimento global. O congresso, que terminar\u00e1 na pr\u00f3xima sexta-feira, se atribui a fun\u00e7\u00e3o de \u201cdiagnosticar a situa\u00e7\u00e3o geral das florestas e do setor florestal para distinguir as capacidades, adaptar as pol\u00edticas e estimular a conscientiza\u00e7\u00e3o entre os grupos envolvidos e interessados na \u00e1rea florestal\u201d.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o queremos que isto seja mais uma feira florestal, mas desejamos abrir um novo ciclo de experi\u00eancias para os pa\u00edses em desenvolvimento, para fazer neg\u00f3cios e ter acesso a novos investimentos\u201d, disse \u00e0 IPS o secret\u00e1rio-geral do congresso, o bi\u00f3logo argentino Leopoldo Montes, sobre o principal vi\u00e9s da reuni\u00e3o. Segundo o programa, haver\u00e1 sess\u00f5es plen\u00e1rias para debater sobre florestas e biodiversidade, produ\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento florestal, conserva\u00e7\u00e3o e comunidades, entre outros. Tamb\u00e9m haver\u00e1 uma rodada de negocia\u00e7\u00f5es, um f\u00f3rum de investimentos e financiamento, outro de florestas e energia e um de florestas e mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Diante do crescente interesse pela bioenergia, os participantes analisar\u00e3o o uso da madeira para produzir calor e combust\u00edveis l\u00edquidos por meio de modernas t\u00e9cnicas desenvolvidas em na\u00e7\u00f5es industriais.<\/p>\n<p>Sobre mudan\u00e7a clim\u00e1tica, os organizadores do congresso afirmam que as atividades de reflorestamento podem ajudar a mitigar o aquecimento global, com o pressuposto de que, para realizar afotoss\u00edntese , os vegetais necessitam de di\u00f3xido de carbono. Este \u00e9 o principal g\u00e1s causador do efeito estufa, e esperam apresentar recomenda\u00e7\u00f5es \u00e0 XV Confer\u00eancia das Partes da Conven\u00e7\u00e3o Marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica que se reunir\u00e1 em dezembro na cidade de Copenhague. Sobre este ponto h\u00e1 posi\u00e7\u00f5es muito diferentes, inclusive contr\u00e1rias. Nem todos os especialistas concordam sobre o impacto de reflorestamento no combate \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica, sobretudo nos casos de monoculturas de r\u00e1pido crescimento com esp\u00e9cies voltadas ao uso da madeira e da celulose.<\/p>\n<p>Em conversa com a IPS, o secret\u00e1rio-geral adjunto do congresso, Olman Serrano, destacou que este \u201coferece uma oportunidade \u00fanica de interc\u00e2mbio de experi\u00eancias entre especialistas e uma base t\u00e9cnico-acad\u00eamica\u201d para governos, empresas e o restante da sociedade civil. Serrano, funcion\u00e1rio do Departamento Florestal da FAO, disse que o congresso produzir\u00e1 um documento de conclus\u00f5es gerais e outros \u2013 sob o t\u00edtulo \u201cRecomenda\u00e7\u00f5es para Copenhague\u201d \u2013 que conter\u00e1 propostas sobre pol\u00edticas que deveriam ser adotadas a partir de 2012, quando termina o primeiro per\u00edodo de compromissos do Protocolo de Kyoto.<\/p>\n<p>Para Serrano, \u201cas florestas deveriam ter um m\u00faltiplo papel no combate \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d n\u00e3o apenas como captores de carbono. Para a FAO, a quest\u00e3o \u201cficou um pouco desprezada\u201d nas discuss\u00f5es e nos acordos que desembocaram na assinatura do Protocolo de Kyoto em 1997, quando as florestas \u201cficaram fora da discuss\u00e3o\u201d. Nos \u201c\u00faltimos 10 anos, muito se lutou para que as florestas fossem consideradas n\u00e3o apenas captores de carbono, mas tamb\u00e9m parte dos planos de mitiga\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d, ressaltou o funcion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Neste aspecto, o embaixador argentino, Ra\u00fal Estrada Oyuela, que presidiu o comit\u00ea que elaborou o Protocolo de Kyoto, recordou \u00e0 IPS que o artigo tr\u00eas desse documento \u201cprev\u00ea o reflorestamento como uma via para reduzir emiss\u00f5es de gases de efeito estufa, ao apresentar o invent\u00e1rio\u201d. O diplomata se referia ao informe que deve ser apresentado periodicamente pelos pa\u00edses que integram a conven\u00e7\u00e3o marco (da qual o protocolo \u00e9 um instrumento subsidi\u00e1rio) sobre as fontes nacionais de gases de efeito estufa, que prov\u00eam, em diferente propor\u00e7\u00e3o, da ind\u00fastria, do transporte, do desmatamento e da atividade agropecu\u00e1ria.<\/p>\n<p>Oyuela destacou que, do mesmo modo, o reflorestamento \u201cpode ser mat\u00e9ria do mecanismo de desenvolvimento limpo (MDL)\u201d, um dos instrumentos de flexibilidade do protocolo para ajudar os pa\u00edses industriais a cumprirem suas obriga\u00e7\u00f5es financiando projetos sustent\u00e1veis em outras na\u00e7\u00f5es por meio da compra de b\u00f4nus de carbono. De todo modo, \u201co manejo de florestas nativas n\u00e3o foi incorporado oficialmente \u2013 no MDL \u2013 devido \u00e0s enormes dificuldades metodol\u00f3gicas que supunha estimar a captura de carbono que deveria ser atribu\u00edda \u00e0 a\u00e7\u00e3o do homem que maneja essas florestas\u201d, explicou Oyuela.<\/p>\n<p>Nesse aspecto, o engenheiro agr\u00f4nomo H\u00e9ctor Ginzo, especialista em fisiologia vegetal, membro do Instituto do Clima da Academia Argentina de Ci\u00eancias do Meio Ambiente, que assessorou Oyuela nas negocia\u00e7\u00f5es de Kyoto, explicou \u00e0 IPS porque as florestas n\u00e3o entraram nos mecanismos de mercado do protocolo. Ginzo lembrou que s\u00f3 em 2005, e depois de dois delibera\u00e7\u00f5es, os pa\u00edses da Conven\u00e7\u00e3o aceitaram que o reflorestamento fosse parte do MDL, mas o procedimento criado foi \u201ct\u00e3o complexo que ate agora foram aprovados apenas oito projetos\u201d em todo o mundo. \u201cO procedimento n\u00e3o convenceu ningu\u00e9m, \u00e9 muito caro e s\u00f3 pode ser aprovado em projetos de pequena escala apresentados por organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais ou pelos Estados\u201d, disse Ginzo. \u201cPor outro lado, as empresas destinat\u00e1rias do esquema n\u00e3o se interessaram em participar\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Por outro lado, Ginzo disse que o MDL \u201cnunca permitir\u00e1\u201d contemplar como projeto sustent\u00e1vel de reflorestamento uma planta\u00e7\u00e3o de eucaliptos ou de outras esp\u00e9cies de crescimento r\u00e1pido para produzir pasta de celulose ou madeira, porque favorecem a monocultura e porque ao cort\u00e1-la se perde o carbono capturado. O que o mecanismo pretende \u2013 destacou o agr\u00f4nomo \u2013 \u00e9 incentivar o cultivo de esp\u00e9cies de crescimento lento, como o quebracho (uma \u00e1rvore de madeira dura), que exige turnos de 70 e 80 anos, mas isso s\u00f3 pode atrair iniciativas financiadas pelo Estado, ressaltou. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 20\/10\/2009 &ndash; Que papel podem ter as florestas na luta contra a mudan\u00e7a clim\u00e1tica? Que impacto t\u00eam as \u00e1rvores plantadas? 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