{"id":5708,"date":"2009-10-23T16:35:54","date_gmt":"2009-10-23T16:35:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5708"},"modified":"2009-10-23T16:35:54","modified_gmt":"2009-10-23T16:35:54","slug":"china-muitos-graduados-para-poucos-empregos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/10\/economia\/china-muitos-graduados-para-poucos-empregos\/","title":{"rendered":"CHINA: Muitos graduados para poucos empregos"},"content":{"rendered":"<p>Pequim, 23\/10\/2009 &ndash; Feng Danya estudou v\u00e1rios idiomas. Esperava trabalhar em uma empresa chinesa em expans\u00e3o e crescer com ela, mas n\u00e3o era o momento adequado. <!--more--> Formou-se no \u00faltimo ver\u00e3o, em meio \u00e0 crise econ\u00f4mica mundial. \u201cAgora trabalho em uma loja de frios italiana vendendo carne e queijo&#8221;, disse abatida. \u201cTento manter o meu ingl\u00eas em dia com os estrangeiros que de vez em quando v\u00eam comprar aqui. Tentei a sorte em muitos outros lugares onde ao menos pudesse usar meu diploma, mas foi em v\u00e3o\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Ao menos Feng tem emprego. Com um modesto sal\u00e1rio mensal equivalente a US$ 205 e vivendo com seus pa\u00eds, pode continuar buscando algo melhor. Mas, muitos de seus colegas da universidade ainda sem trabalho lotam feiras profissionais e centros de recrutamento. Um informe apresentado em setembro pela Academia Chinesa de Ci\u00eancias Sociais diz que os sal\u00e1rios dos que t\u00eam diploma est\u00e3o hoje no mesmo n\u00edvel do que \u00e9 pago aos trabalhadores migrantes, e que chegam, inclusive, a ser menores.<\/p>\n<p>A not\u00edcia foi um golpe para muitos pa\u00eds e jovens com ambi\u00e7\u00f5es, em um pa\u00eds onde durante s\u00e9culos se orgulhou de cultivar uma intelectualidade de elite. \u201cQue sentido tem investir tanto esfor\u00e7o e tempo para conseguir um diplomauniversit\u00e1rio se no final de tudo o que se consegue \u00e9 o sal\u00e1rio de um trabalhador migrante?\u201d, perguntou Wang Lefu, que estudou administra\u00e7\u00e3o de empresas. \u201cN\u00e3o havia motivo para me preocupar com exames e toda a burocracia\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Sem poder encontra um trabalho ao seu gosto, Wang agora tenta prosseguir os estudos no exterior. Seus pa\u00eds administram sua pr\u00f3pria empresa e podem pagar-lhe curso na Gr\u00e3-Bretanha ou Austr\u00e1lia. \u201cA educa\u00e7\u00e3o daqui deveria servir para algo mais\u201d, afirmou Wang, que espera conseguir um emprego que lhe permita voltar a radicar-se na China mas ganhando um sal\u00e1rio estrangeiro. \u201cEm um ano a crise econ\u00f4mica dever\u00e1 ter terminado. Ent\u00e3o ser\u00e1 mais f\u00e1cil conseguir trabalho\u201d, disse.<\/p>\n<p>A recess\u00e3o mundial exacerbou na China uma s\u00e9ria crise do mercado de trabalho, gestada durante anos. Poucos acreditam que desaparecer\u00e1 com os primeiros sintomas da recupera\u00e7\u00e3o global. O desemprego oficial nesse pa\u00eds chega a cerca de 4% da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa. Mas, um grande grupo de trabalhadores (os 150 milh\u00f5es de oper\u00e1rios migrantes, normalmente chamados de popula\u00e7\u00e3o flutuante) n\u00e3o soa levados em conta no c\u00e1lculo desse indicador.<\/p>\n<p>Estima-se que quando a crise come\u00e7ou, no ano passado, diminuindo os fluxos comerciais e os pedidos de compra para as f\u00e1bricas chinesas, cerca de 20 milh\u00f5es de migrantes perderam seus empregos e voltaram aos seus lugares de origem. A press\u00e3o para resolver as tens\u00f5es do desemprego nas \u00e1reas rurais este ano deixou ainda mais dif\u00edcil as coisas para Pequim, onde cada vez significa mais esfor\u00e7o encontrar trabalho para a grande quantidade derec\u00e9m-formados. Cerca de 6,1 milh\u00f5es de graduados chegaram ao mercado de trabalho neste ver\u00e3o boreal, 540 mil a mais do que no ano passado.<\/p>\n<p>Em 2008, o emprego entre os graduados foi inferior a 70%. Prev\u00ea-se que quase dois milh\u00f5es entre eles, muitos com t\u00edtulo de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, estar\u00e3o fora do mercado de trabalho ao final deste ano. Estudantes da prov\u00edncia de Guangdong, a mais rica do pa\u00eds, est\u00e3o desesperados por trabalho. A tal ponto que muitas jovens se candidataram para trabalhar como bab\u00e1s e n\u00e3o foram aceitas, informou a imprensa local no come\u00e7o do ano. Empregadores ricos preferem mo\u00e7as camponesas com experi\u00eancia e n\u00e3o as que falam ingl\u00eas formadas em administra\u00e7\u00e3o de empresas, segundo moradores de Guangdong.<\/p>\n<p>Em seu \u201cLivro verde da popula\u00e7\u00e3o e o trabalho 2009\u201d, publicado em setembro, a Academia Chinesa de Ci\u00eancias Sociais avalia que a falta de oper\u00e1rios capacitados, em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 crescente quantidade de graduados, criou uma tend\u00eancia an\u00f4mala, pela qual os profissionais universit\u00e1rios recebem o mesmo, ou menos, do que os migrantes. Pequim, onde Feng consegue seus US$ 205 mensais, \u00e9 uma das cidades mais caras da China. Mas o informe conclui que os migrantes do meridional cintur\u00e3o regional da China podem ganhar at\u00e9 US$ 220 por m\u00eas.<\/p>\n<p>\u201cDefinitivamente, \u00e9 uma tend\u00eancia. Por um lado, isto ilustra como nosso mercado de trabalho ficou mais integrado. Por outro, preocupa o tanto que se tornou feroz a competi\u00e7\u00e3o pelo emprego\u201d, disse Cai Fang, do Instituto de Pesquisas sobre Popula\u00e7\u00e3o e Economia do Trabalho, vinculado \u00e0 Academia Chinesa de Ci\u00eancias sociais. Os graduados universit\u00e1rios sentem-se frustrados, e seus pa\u00eds tamb\u00e9m. Muitos deles investiram as economias de toda a vida para que seus filhos \u00fanicos conseguissem um diploma. Muitos acusam o governo de destacar a educa\u00e7\u00e3o superior entre os requisitos para que os jovens prosperem na China do s\u00e9culo XXI, sem lhes dar, ao mesmo tempo, oportunidades de emprego.<\/p>\n<p>A superoferta de graduados universit\u00e1rios come\u00e7ou em 1999, quando as autoridades chinesas decidiram enfrentar alguns dos efeitos da crise financeira asi\u00e1tica da \u00e9poca incentivando as matr\u00edculas nos centros de estudos terci\u00e1rios. Esperavam que uma gera\u00e7\u00e3o de habitantes urbanos endinheirados e educados estimularia o consumo interno e ajudaria a reduzir a depend\u00eancia das exporta\u00e7\u00f5es. As matr\u00edculas aumentaram rapidamente, de 3% dos estudantes em idadeuniversit\u00e1ria na d\u00e9cada de 80 para 20% atuais. A tend\u00eancia coincidiu com um esfor\u00e7o not\u00f3rio do governo para passar de uma economia manufatureira para uma baseada no conhecimento.<\/p>\n<p>Mas, mesmo em um per\u00edodo de auge econ\u00f4mico e cria\u00e7\u00e3o de empregos Pequim teve de fazer esfor\u00e7os extremos para colocar seu crescente ex\u00e9rcito de graduados no mercado de trabalho. Muitos profissionais universit\u00e1rios chineses se destacam em \u00e1reas como ci\u00eancias inform\u00e1ticas, direito e contabilidade, mas a demanda real se concentra em \u00e1reas t\u00e9cnicas espec\u00edficas. A situa\u00e7\u00e3o piorou ainda mais com a crise financeira mundial, que determinou um congelamento das contrata\u00e7\u00f5es e uma crise de liquidez que, por sua vez, freou o conhecimento das empresas.<\/p>\n<p>No come\u00e7o deste ano, o governo chin\u00eas lan\u00e7ou um chamado a todos os n\u00edveis da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica para combater o desemprego, particularmente entre osrec\u00e9m-formados. Este ano completaram 20 do massacre de estudantes pr\u00f3-democr\u00e1ticos na pra\u00e7a Tiananmen, em Pequim, e as autoridades temiam que o mal-estar dos graduados pela falta de trabalho causasse dist\u00farbios sociais. Enquanto a economia mundial d\u00e1 sinais de recupera\u00e7\u00e3o e ,os especialistas chineses j\u00e1 tracem estrat\u00e9gias de \u201csa\u00edda\u201d da crise, o desemprego continua sendo penoso.<\/p>\n<p>\u201cOs universit\u00e1rios rec\u00e9m-formados e os migrantes figuram entre os grupos sociais mais afetados pela crise\u201d, admitiu o ministro de Recursos Humanos e Assist\u00eancia Social, Yi Weimin, em uma confer\u00eancia no m\u00eas passado dedicada a analisar o informe da Academia. \u00c9 hora de os jovens diplomados reduzirem suas pretens\u00f5es e perceberem o potencial de empregos antes desatendidos, mas bem pagos, disse \u00e0 imprensa. \u201cComo consequ\u00eancia da crise haver\u00e1 uma mudan\u00e7a nos valores de nossos formandos\u201d, disse o ministro. IPS\/Envolverde<\/p>\n<p>* Este artigo foi elaborado pela IPS \u00c1sia-Pac\u00edfico como parte de uma s\u00e9rie sobre o impacto da crise econ\u00f4mica mundial em crian\u00e7as, e jovens, em associa\u00e7\u00e3o com o escrit\u00f3rio \u00c1sia-pac\u00edfico do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pequim, 23\/10\/2009 &ndash; Feng Danya estudou v\u00e1rios idiomas. Esperava trabalhar em uma empresa chinesa em expans\u00e3o e crescer com ela, mas n\u00e3o era o momento adequado. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/10\/economia\/china-muitos-graduados-para-poucos-empregos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":435,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,5],"tags":[17],"class_list":["post-5708","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-economia","tag-asia-e-pacifico"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5708","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/435"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5708"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5708\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5708"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5708"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5708"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}