{"id":5726,"date":"2009-10-28T15:32:34","date_gmt":"2009-10-28T15:32:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5726"},"modified":"2009-10-28T15:32:34","modified_gmt":"2009-10-28T15:32:34","slug":"tailandia-uma-suja-energia-limpa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/10\/ambiente\/tailandia-uma-suja-energia-limpa\/","title":{"rendered":"TAIL\u00c2NDIA: Uma suja energia limpa"},"content":{"rendered":"<p>Phichit, Tail\u00e2ndia, 28\/10\/2009 &ndash; A vista que se tem desde a janela da casa de Bhorn, uma moradora desta prov\u00edncia central tailandesa, \u00e9 t\u00e3o pitoresca quanto o que se pode encontrar nas zonas rurais do pa\u00eds.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_5726\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/PlantadeenergiaconarrozTailandia_NantiyaTangwisutijit_IPS.JPG\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5726\" class=\"size-medium wp-image-5726\" title=\" - Nantiya Tangwisutijit\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/PlantadeenergiaconarrozTailandia_NantiyaTangwisutijit_IPS.JPG\" alt=\" - Nantiya Tangwisutijit\/IPS\" width=\"200\" height=\"133\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-5726\" class=\"wp-caption-text\"> - Nantiya Tangwisutijit\/IPS<\/p><\/div>  O rio Nan flui majestoso atrav\u00e9s do Golfo da Tail\u00e2ndia, 300 quil\u00f4metros ao sul. As mangueiras e bananeiras alinhadas nas margens e mais adiante verdes arrozais. Infelizmente, h\u00e1 quatro anos Bhorn e seus vizinhos n\u00e3o podem desfrutar desta bela imagem. S\u00e3o obrigados a vedar suas casas, onde se fecham, para proteger suas fam\u00edlias das cinzas que, segundo afirmam, est\u00e3o causando problemas dermatol\u00f3gicos e respirat\u00f3rios.<\/p>\n<p>A menos de um quil\u00f4metro de suas casas fica a fonte de seus problemas, afirmam. Ali est\u00e1 a mais celebrada unidade de energia renov\u00e1vel da Tail\u00e2ndia. A central de 22 megawatts alimentada com biocombust\u00edvel elaborado a partir da casca de arroz, propriedade de A.T. Biopower e a primeira do pa\u00eds a ter certificado pelo Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), previsto no Protocolo de Kyoto (assinado em 1997 e em vigor desde 2005) para reduzir as emiss\u00f5es de carbono. O MDL \u00e9 um instrumento pelo qual os pa\u00edses ricos podem exceder suas cotas de emiss\u00f5es de gases causadores do efeito estufa desde que financiam projetos para reduzi-los nas na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento.<\/p>\n<p>Deste modo assume-se que a empresa exerce uma precau\u00e7\u00e3o extrema para garantir que sua central el\u00e9trica n\u00e3o cause nenhum dano \u00e0 sa\u00fade da comunidade. A casca de arroz cont\u00e9m sil\u00edcio, que causa silicose, a doen\u00e7a ocupacional mais comum entre os trabalhadores que n\u00e3o usam prote\u00e7\u00e3o. As concentra\u00e7\u00f5es de sil\u00edcio nas cinzas da casca de arroz podem variar de 85% a 90%.<\/p>\n<p>A A.T. Biopower \u00e9 apenas uma de muitas pequenas centrais el\u00e9tricas criadas na \u00faltima d\u00e9cada, enquanto a Tail\u00e2ndia responde ao chamado mundial para reduzir sua depend\u00eancia dos combust\u00edveis f\u00f3sseis, principal fonte de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa, respons\u00e1veis pelo aquecimento global. O objetivo atual do pa\u00eds \u00e9 gerar 20% da eletricidade a partir de fontes renov\u00e1veis at\u00e9 2022, meta semelhante \u00e0 fixada por Uni\u00e3o Europeia, Gr\u00e3-Bretanha e Austr\u00e1lia.<\/p>\n<p>Bhorn, que n\u00e3o quis dar seu sobrenome, disse n\u00e3o estar familiarizada com as novas pol\u00edticas energ\u00e9ticas, mas afirmou que cada vez mais est\u00e1 a par das mudan\u00e7as ambientais sofridas por sua comunidade logo depois que a central come\u00e7ou a operar na \u00e1rea em 2005. Esta agricultora de 51 anos queixou-se da redu\u00e7\u00e3o no rendimento de seu arroz, que teve in\u00edcio imediatamente ap\u00f3s a central entrar em opera\u00e7\u00e3o e uma invis\u00edvel camada de cinzas come\u00e7ou a cair sobre seu cultivo.<\/p>\n<p>\u201cEmbora minha colheita quase tenha voltado ao normal, os problemas de sa\u00fade gerados a partir das cinzas persistem. Os moradores do lugar, especialmente as crian\u00e7as, desenvolveram erup\u00e7\u00f5es na pele e t\u00eam dificuldades respirat\u00f3rias, que \u00e9 o motivo de fecharmos nossas janelas e portas\u201d, explicou Bhorn. Sua comunidade n\u00e3o est\u00e1 sozinha. Supakij Nantaworakarn, pesquisador sobre temas ligados a energias renov\u00e1veis na n\u00e3o-governamental Healthy Public Policy Foundation, disse que os protestos contra os projetos de biomassa se generalizaram em pelo menos 20 prov\u00edncias tailandesas, e muitos deles ainda continuam.<\/p>\n<p>A biomassa elaborada com base em dejetos agr\u00edcolas pode se converter em eletricidade, combust\u00edvel e calor. Como fonte de energia, \u00e9 considerada limpa e renov\u00e1vel. \u201c\u00c9 boa para a Tail\u00e2ndia, mas o governo tem de garantir que os investidores realizem seus projetos de modo respons\u00e1vel\u201d, disse Supakij. \u201cOs investidores constroem consistentemente usinas de 9,9 megawatts para evitar a avalia\u00e7\u00e3o de impacto ambiental exigida por lei para qualquer central el\u00e9trica que exceda os 10MW de capacidade\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Mas, completar um estudo de impacto ambiental n\u00e3o \u00e9 garantia de que n\u00e3o haver\u00e1 problemas futuros. Uma vez aprovadas, as centrais operam com pouco controle do governo, disse Supakij. O diretor-executivo da A. T. Bipower, Natee Sithiprasasana, afirmou n\u00e3o saber dos problemas de sa\u00fade causados pelas opera\u00e7\u00f5es de sua empresa. Acrescentou que a companhia mant\u00e9m um fundo de seguro ambiental e sanit\u00e1rio destinado \u00e0 comunidade. Segundo o site da empresa, o fundo \u00e9 de cinco milh\u00f5es de baht (US$ 149.397) e destinado \u00e0s \u201cpartes afetadas\u201d no caso de \u201ca central el\u00e9trica causar algum dano \u00e0 comunidade\u201d.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, Bhorn n\u00e3o sabe deste fundo. \u201cEmbora ele exista, n\u00e3o creio que seja acess\u00edvel para n\u00f3s. Somos alde\u00f5es pobres. N\u00e3o temos meios para que demonstrar nosso problema de sa\u00fade tem origem na cinza. Certa vez consultei um m\u00e9dico sobre isto, mas ele me disse que \u00e9 dif\u00edcil estabelecer o v\u00ednculo\u201d, afirmou a mulher. Entretanto, o subdiretor do Escrit\u00f3rio de Doen\u00e7as Ocupacionais e Ambientais do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade P\u00fablica, Somkiat Siriratanapruk, disse que isso \u00e9 poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Os alde\u00f5es simplesmente precisam apresentar queixas em seu escrit\u00f3rio, que depois medir\u00e1 as concentra\u00e7\u00f5es a\u00e9reas de sil\u00edcio e retirar\u00e3o amostras dos pulm\u00f5es dos moradores para determinar se seus sintomas respirat\u00f3rios s\u00e3o consistentes com os da silicose. Natee disse que sua empresa investiu em uma cara tecnologia norte-americana de incinera\u00e7\u00e3o como prova de seu compromisso ambiental e social. Com base no site da companhia, esta emprega \u201cuma t\u00e9cnica de combust\u00e3o completa e qualquer part\u00edcula resultante da queima vai para o precipitador eletrost\u00e1tico, que captura 99,53% da cinza antes de ser liberada da central\u201d.<\/p>\n<p>De todo modo, os moradores questionam a companhia que em 2005 foi reconhecida pelo Minist\u00e9rio da Energia pela \u201cexcel\u00eancia no manejo ambiental e comunit\u00e1rio\u201d. Em 2003, muitos habitantes de Hor Krai expressaram seria preocupa\u00e7\u00e3o pelos potenciais impactos da central da A. T. Biopower sobre sua comunidade. Por exemplo, o propriet\u00e1rio de um com\u00e9rcio recorda que foi lan\u00e7ado um protesto quando ouviu-se pela primeira vez sobre o projeto. O movimento se dissolveu rapidamente, contou. Segundo ele, os l\u00edderes \u201cdesapareceram. De fato, n\u00e3o sei o motivo de terem abandonado a luta\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A resposta est\u00e1 a 50 quil\u00f4metros, em Tambon Nam Song, na prov\u00edncia de Nakhon Sawan, onde a A. T. Biopower pretendia construir outra central movida a combust\u00edvel elaborado a partir da casca de arroz. Suraphol Pan-ngam, porta-voz do Clube de Conserva\u00e7\u00e3o de Nam Song, contr\u00e1rio \u00e0 central, recorda que um dos ex-l\u00edderes do protesto de Hor Krai certa vez lhe perguntou se alguma \u201ccompensa\u00e7\u00e3o\u201d poderia incentiv\u00e1-lo a parar com a oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 central. Os protestos de Nam Song persistiram, o que acabou levando a A.T. Biopower a retirar seu projeto, em outubro de 2007.<\/p>\n<p>As dificuldades geradas pela luta de sete anos de sua comunidade tornaram Suiraphol muito consciente dos esfor\u00e7os que outras fazem para enfrentar os perigos que representam projetos semelhantes. Um desses casos \u00e9 o da comunidade Khamasangsai, na prov\u00edncia de Ubon Rachathani, onde centenas de alde\u00f5es protestam contra uma central de 9,9MW alimentada com biocombust\u00edvel a partir da casca de arroz. A mesma casca cujas cinzas inunda lares, caindo sobre moveis e pisos, sem que seus habitantes consigam encontrar uma solu\u00e7\u00e3o concreta. IPS\/Envolverde<\/p>\n<p>* Este artigo \u00e9 parte integrante de uma s\u00e9rie produzida pela IPS (Inter Press Service) e pela IFEJ (Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Jornalistas Ambientais) para a Alian\u00e7a de Comunicadores para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (www.complusalliance.org).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Phichit, Tail\u00e2ndia, 28\/10\/2009 &ndash; A vista que se tem desde a janela da casa de Bhorn, uma moradora desta prov\u00edncia central tailandesa, \u00e9 t\u00e3o pitoresca quanto o que se pode encontrar nas zonas rurais do pa\u00eds. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/10\/ambiente\/tailandia-uma-suja-energia-limpa\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":960,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,12,10],"tags":[17,21],"class_list":["post-5726","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-desenvolvimento","category-energia","tag-asia-e-pacifico","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5726","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/960"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5726"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5726\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5726"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5726"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5726"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}