{"id":5736,"date":"2009-10-30T15:18:45","date_gmt":"2009-10-30T15:18:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5736"},"modified":"2009-10-30T15:18:45","modified_gmt":"2009-10-30T15:18:45","slug":"economia-reformas-no-banco-mundial-e-fmi-sao-um-passo-pequeno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/10\/mundo\/economia-reformas-no-banco-mundial-e-fmi-sao-um-passo-pequeno\/","title":{"rendered":"ECONOM\u00cdA: Reformas no Banco Mundial e FMI s\u00e3o um passo pequeno"},"content":{"rendered":"<p>Johannesburgo, 30\/10\/2009 &ndash; O Fundo Monet\u00e1rio Internacional talvez atue melhor agora do que na crise do final da d\u00e9cada de 90, mas ainda tem \u201cum longo caminho a percorrer\u201d, disse Mark Weisbrot, codiretor do Centro para a Pesquisa Econ\u00f4mica e Pol\u00edtica (CEPR) <!--more--> Esta institui\u00e7\u00e3o de estudos independentes com sede em Washington alertou este m\u00eas que boa parte das na\u00e7\u00f5es que receberam dinheiro do FMI para amenizar a crise foi obrigada a implementar pol\u00edticas fiscais e monet\u00e1rias pr\u00f3-c\u00edclicas que resultaram ser prejudiciais.<\/p>\n<p>\u201cO FMI est\u00e1, definitivamente, agindo melhor do que durante a crise\u201d desatada no sudeste da \u00c1sia em 1997, \u201cmas creio que a base de compara\u00e7\u00e3o \u00e9 muito estreita\u201d, disse Weisbrot. A pergunta, para este economista \u00e9: \u201cEst\u00e3o fazendo o que devem fazer?\u201d. E ensaia uma resposta: \u201cAinda lhes resta um longo caminho pela frente\u201d. Weisbrot tamb\u00e9m se pergunta se as \u201cdecis\u00f5es de Istambul\u201d, como se denomina o plano de reformas estabelecido pelo Fundo e pelo Banco Mundial em sua reuni\u00e3o deste ano nessa cidade turca, beneficiar\u00e3o os pa\u00edses em desenvolvimento.<\/p>\n<p>O plano inclui a cria\u00e7\u00e3o de instrumentos como uma linha de credito flex\u00edvel \u2013 isto \u00e9, sem condicionamentos \u2013 em beneficio de pa\u00edses que re\u00fanem certos crit\u00e9rios, de modo a servirem como uma esp\u00e9cie de alavanca para os Estados que t\u00eam necessidade de acumular reservas para se resguardarem de ataques especulativos. O FMI tamb\u00e9m prop\u00f4s uma revis\u00e3o de seu mandato, e de suas pol\u00edticas macroecon\u00f4micas e para o setor financeiro. Depois, anunciou sua inten\u00e7\u00e3o de elevar o poder de decis\u00e3o das na\u00e7\u00f5es emergentes e em desenvolvimento mal representadas no Fundo e no Banco Mundial para janeiro de 2011.<\/p>\n<p>\u201cMesmo tendo outorgado esses 5% adicionais, os pa\u00edses ricos continuar\u00e3o tendo maioria\u201d, disse Weisbrot. \u201cA Europa quase nunca votou contra os Estados Unidos no FMI. Entre Estados Unidos, Jap\u00e3o e Europa, e talvez um ou dois pa\u00edses que os acompanhem, controlar\u00e3o tudo na institui\u00e7\u00e3o\u201d, acrescentou. A linha de cr\u00e9dito sens\u00edvel ser\u00e1, possivelmente, ben\u00e9fica, mas Weisbrot se mostrou c\u00e9ptico sobre o modo de implementa\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 uma boa id\u00e9ia. Permite aos pa\u00edses se salvarem de corridas banc\u00e1rias e de divisas, mas at\u00e9 agora foram concedidas a tr\u00eas na\u00e7\u00f5es com forte depend\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o aos Estados Unidos, como Col\u00f4mbia, M\u00e9xico e Pol\u00f4nia\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o podem ser os \u00fanicos Estados do mundo a se qualificarem para essa linha de cr\u00e9dito. De fato, a economia mexicana caiu 7% este ano, um dos piores rendimentos da Am\u00e9rica Latina. E seu crescimento nos \u00faltimos 36 anos foi t\u00e9trico. De acordo com quais crit\u00e9rios se pode chamar isso de governabilidade?\u201d. Weisbrot acredita que a participa\u00e7\u00e3o do FMI na supervis\u00e3o de pol\u00edticas econ\u00f4micas dificilmente influa nas decis\u00f5es do Grupo dos 20, que re\u00fane os paises mais ricos e as economias emergentes. \u201cO Fundo s\u00f3 pode influir sobre as na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento. N\u00e3o pode dizer aos pa\u00edses ricos o que fazer\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Em um informe de antes da reuni\u00e3o de Istambul o CEPR avaliou que 31 das 41 na\u00e7\u00f5es analisadas foram prejudicadas pelos acordos que fizeram com o FMI, os quais recomendavam pol\u00edticas monet\u00e1rias e fiscais pr\u00f3-c\u00edclicas. Essas recomenda\u00e7\u00f5es, alertou o CEPR, exacerbaram as consequ\u00eancias da crise nesses pa\u00edses. \u201cMais de uma d\u00e9cada depois de a crise econ\u00f4mica asi\u00e1tica deixar em evid\u00eancia grandes erros pol\u00edticos do FMI, a institui\u00e7\u00e3o est\u00e1 cometendo outros semelhantes em muitos pa\u00edses\u201d, segundo Weisbrot. \u201cO Fundo ap\u00f3ia os est\u00edmulos fiscais e as pol\u00edticas expansivas dos pa\u00edses ricos, mas tem uma atitude muito diferente com os pa\u00edses de baixa e m\u00e9dia renda\u201d, disse o especialista.<\/p>\n<p>O economista Stephen Gelb, diretor-executivo do The Edge Institute, uma organiza\u00e7\u00e3o de estudos econ\u00f4micos com sede em Johannesburgo, disse que \u201cos Burkina Faso do mundo n\u00e3o t\u00eam a capacidade de negocia\u00e7\u00e3o pol\u00edtica necess\u00e1ria para assumir uma posi\u00e7\u00e3o independente do FMI\u201d. Desde o come\u00e7o da crise econ\u00f4mica em 2008 o Fundo facilitou financiamento a na\u00e7\u00f5es de alta e m\u00e9dia renda, com Isl\u00e2ndia e Let\u00f4nia, que \u201cest\u00e3o em diferentes posi\u00e7\u00f5es\u201d, segundo Gelb. \u201cPor acaso o Fundo promove pol\u00edticas diferentes nesses pa\u00edses?\u201d, perguntou.<\/p>\n<p>Mas Weisbrot descreve as pol\u00edticas pr\u00f3-c\u00edclicas vinculadas com o acordo entre FMI e Let\u00f4nia como prejudiciais. \u201cO primeiro acordo foi no final do ano passado. Desde ent\u00e3o, a economia letoniana caiu 18%. Isto \u00e9 realmente incomum no mundo moderno\u201d, disse. O empr\u00e9stimo \u201cimpediu o colapso do sistema banc\u00e1rio nacional, mas expremeu a economia ao provocar uma queda na produ\u00e7\u00e3o. Teria sido melhor deixar cair a moeda letoniana e deixar que os bancos assumissem as perdas\u201d, acrescentou. Gelb p\u00f4s em d\u00favida que os especialistas do FMI tenham a experi\u00eancia necess\u00e1ria para promover as mudan\u00e7as imprescind\u00edveis para enfrentar a crise.<\/p>\n<p>\u201cDurante quase 30 anos, desde o come\u00e7o da d\u00e9cada de 80, quando um pa\u00eds ficava sem reservas em divisas estrangeiras e ia ao FMI em busca de ajuda, o que a institui\u00e7\u00e3o propunha era reduzir o gasto fiscal. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente agora\u201d, disse. \u201cAs na\u00e7\u00f5es ainda carecem de reservas estrangeiras, mas porque ca\u00edram as exporta\u00e7\u00f5es, pois n\u00e3o h\u00e1 crescimento nos mercados de consumo. O dinheiro que o Grupo dos 20 deu em abril ao FMI era para estimular o crescimento. Havia algu\u00e9m do FMI ouvindo o que diziam? Ningu\u00e9m: todos tinham ido embora\u201d, acrescentou Weisbrot. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Johannesburgo, 30\/10\/2009 &ndash; O Fundo Monet\u00e1rio Internacional talvez atue melhor agora do que na crise do final da d\u00e9cada de 90, mas ainda tem \u201cum longo caminho a percorrer\u201d, disse Mark Weisbrot, codiretor do Centro para a Pesquisa Econ\u00f4mica e Pol\u00edtica (CEPR) <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/10\/mundo\/economia-reformas-no-banco-mundial-e-fmi-sao-um-passo-pequeno\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":709,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,5,4],"tags":[],"class_list":["post-5736","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-economia","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5736","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/709"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5736"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5736\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5736"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5736"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5736"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}