{"id":5751,"date":"2009-11-04T15:29:36","date_gmt":"2009-11-04T15:29:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5751"},"modified":"2009-11-04T15:29:36","modified_gmt":"2009-11-04T15:29:36","slug":"saude-cientistas-do-sul-estudam-doencas-esquecidas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/11\/mundo\/saude-cientistas-do-sul-estudam-doencas-esquecidas\/","title":{"rendered":"SA\u00daDE: Cientistas do Sul estudam doen\u00e7as esquecidas"},"content":{"rendered":"<p>Cancun, M\u00e9xico, 04\/11\/2009 &ndash; Enquanto boa parte dos especialistas em sa\u00fade do mundo concentra sua aten\u00e7\u00e3o na aids, mal\u00e1ria e tuberculose, poucos recursos s\u00e3o destinados a doen\u00e7as tropicais esquecidas como dengue, ancilostom\u00edase e esquistossomose, que afetam um bilh\u00e3o de pessoas. <!--more--> Por\u00e9m, laborat\u00f3rios pequenos em pa\u00edses emergentes despertam hoje a esperan\u00e7a de serem desenvolvidos tratamentos inovadores e baratos, segundo o estudo \u201cBusiness Plan to Help the Global South in Its Fight Against Neglected Disease\u201d (Plano de neg\u00f3cios para ajudar o Sul global na luta contra doen\u00e7as esquecidas). O informe foi publicado ontem na edi\u00e7\u00e3o novembro-dezembro da revista especializada norte-americana Health Affairs.<\/p>\n<p>\u201cTodos pensam que os laborat\u00f3rios multinacionais podem proporcionar vacinas e diagn\u00f3sticos para as doen\u00e7as tropicais esquecidas\u201d, disse um dos autores do estudo, Peter Singer, do Centro McLaughlin-Rotman para a Sa\u00fade Global, pertencente \u00e0 canadense Universidade de Toronto. Mas a pesquisa rec\u00e9m-divulgada \u201cdemonstra que s\u00e3o as pequenas empresas biom\u00e9dicas do mundo em desenvolvimento que est\u00e3o fazendo isso\u201d, acrescentou. Singer e seus colegas documentaram pela primeira vez os produtos e as inova\u00e7\u00f5es de 78 pequenas e m\u00e9dias companhias biotecnol\u00f3gicas de alcance local no Brasil, na China, \u00cdndia e \u00c1frica do Sul.<\/p>\n<p>Coletivamente, estas empresas elaboraram 123 produtos, entre eles vacinas, rem\u00e9dios e an\u00e1lises de diagn\u00f3stico para todas as doen\u00e7as tropicais esquecidas, bem como para a mal\u00e1ria, a tuberculose e a aids. Aproximadamente metade das doen\u00e7as tropicais foi especificamente abordada por essas companhias, principalmente mediante novos produtos, sem serem vers\u00f5es gen\u00e9ricas, diz o estudo.<\/p>\n<p>\u201cEstas s\u00e3o enfermidades dos pobres, e estas empresas locais baseiam seu modelo empresarial em inova\u00e7\u00f5es baratas para atender as necessidades locais\u201d, disse Singer \u00e0 IPS. \u201cO dono de uma dessas empresas me disse: o que para voc\u00eas s\u00e3o doen\u00e7as de pobres, para n\u00f3s \u00e9 uma oportunidade de mercado\u201d, acrescentou. Entre as enfermidades tropicais esquecidas figuram tracoma, principal causa &#8211; pass\u00edvel de preven\u00e7\u00e3o &#8211; de cegueira no mundo, elefant\u00edase, lepra, dengue, ancilostom\u00edase e esquistossomose.<\/p>\n<p>Mas, o gasto mundial para combater esses males equivale a uma gota no oceano (apenas US$ 500 milh\u00f5es em 2007), ou cerca de 5% do total investido em novos medicamentos, vacinas e m\u00e9todos de diagn\u00f3stico. Estas enfermidades raramente ocupam as primeiras p\u00e1ginas dos jornais, mas prejudicam a produtividade econ\u00f4mica das comunidades afetadas e freiam o desenvolvimento nacional, diz o informe. Os laborat\u00f3rios multinacionais n\u00e3o podem, simplesmente, obter lucro desenvolvendo produtos para atender a esta necessidade, exceto se recorrerem \u00e0s doa\u00e7\u00f5es, acrescenta o estudo.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o exigimos a substitui\u00e7\u00e3o da caridade das multinacionais. Apenas destacamos que nos pr\u00f3prios pa\u00edses em desenvolvimento h\u00e1 uma fonte de inova\u00e7\u00e3o barata que n\u00e3o \u00e9 plenamente aproveitada\u201d, disse Singer. As empresas das economias emergentes agora preenchem esse vazio, desenvolvendo produtos inovadores contra enfermidades tropicais esquecidas. Muitas dessas companhias conseguem chegar aos mercados regionais. E isto \u00e9 como uma mina de ouro sem explorar localizada no Sul pobre, e cuja explora\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria, disse Singer. \u201cO que eles necessitam com urg\u00eancia \u00e9 ajuda para que esses produtos e seus benef\u00edcios cheguem a lugares distantes\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Os autores do estudo prop\u00f5em um servi\u00e7o sem fins lucrativos para proporcionar a per\u00edcia necess\u00e1ria a fim de ajudar as firmas do Sul em desenvolvimento para que seus produtos passem do laborat\u00f3rio a outras comunidades de todo o mundo. O projeto \u201cGlobal Health Accelerator\u201d (Acelador da Sa\u00fade Mundial) buscar\u00e1 concretizar este objetivo conectando uma diversa comunidade internacional de inovadores em biotecnologia, facilitando redes de associa\u00e7\u00f5es entre organismos do setor p\u00fablico e empresas e institui\u00e7\u00f5es privadas, proporcionando servi\u00e7os de apoio empresarial e operando como um centro independente que vincule firmas, investidores e partes interessadas.<\/p>\n<p>Este programa aproveitar\u00e1 o poder das redes para conectar ag\u00eancias doadoras, funda\u00e7\u00f5es, institui\u00e7\u00f5es de finan\u00e7as para o desenvolvimento, indiv\u00edduos particulares e capitalistas de risco compartilhado interessados em financiar inovadoras companhias de na\u00e7\u00f5es pobres, diz o informe. A proposta tamb\u00e9m inclui um pr\u00eamio anual (o global Health EnterPrize) para incentivar e reconhecer novos m\u00e9todos de diagn\u00f3stico, medicamentos, vacinas ou aparelhos com um impacto sanit\u00e1rio mundial desenvolvidos por empresas do Sul. \u201cPensamos no Global Health Accelerator como um FedEx (empresa de entregas) para novos medicamentos, vacinas e m\u00e9todos de diagn\u00f3stico para combater doen\u00e7as tropicais esquecidas\u201d, disse Singer.<\/p>\n<p>Sarah Frew, outra coautora do informe, considera que as empresas dos pa\u00edses emergentes veem oportunidades de neg\u00f3cios na cura de enfermidades, mas costumam carecer de conhecimentos em \u00e1reas como as regula\u00e7\u00f5es internacionais, avalia\u00e7\u00e3o de mercado e posicionamento dos produtos, o que inclui a fixa\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os, acesso ao cr\u00e9dito e identifica\u00e7\u00e3o de s\u00f3cios internacionais para a comercializa\u00e7\u00e3o. O potencial de pesquisa e desenvolvimento do Sul pobre \u00e9 muito maior do que o das 78 companhias documentadas no estudo.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 mais de 500 empresas de biotecnologia sanit\u00e1ria, e muitos mais institutos acad\u00eamicos e universit\u00e1rios em pa\u00edses como Mal\u00e1sia, Indon\u00e9sia e M\u00e9xico. O talento criativo est\u00e1 ali, mas os obst\u00e1culos, dos quais o financiamento \u00e9 apenas um elemento, impedem o progresso e frustram os esfor\u00e7os atuais\u201d, disse Frew \u00e0 IPS. Na mesma edi\u00e7\u00e3o da revista Health Affaris, o subeditor, Philip Musgrove, e o coautor Peter Hotez afirmam que os esfor\u00e7os concertados podem vencer muitas enfermidades esquecidas. \u201cAs doen\u00e7as esquecidas afetam milh\u00f5es de vidas, mas podem ser tratadas ou eliminadas a um custo relativamente baixo. \u00c9 hora de o mundo agir\u201d, disse Musgrove. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cancun, M\u00e9xico, 04\/11\/2009 &ndash; Enquanto boa parte dos especialistas em sa\u00fade do mundo concentra sua aten\u00e7\u00e3o na aids, mal\u00e1ria e tuberculose, poucos recursos s\u00e3o destinados a doen\u00e7as tropicais esquecidas como dengue, ancilostom\u00edase e esquistossomose, que afetam um bilh\u00e3o de pessoas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/11\/mundo\/saude-cientistas-do-sul-estudam-doencas-esquecidas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":194,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,6,4,7],"tags":[14,21],"class_list":["post-5751","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-direitos-humanos","category-mundo","category-saude","tag-america-do-norte","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5751","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/194"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5751"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5751\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5751"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5751"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5751"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}