{"id":577,"date":"2005-05-09T00:00:00","date_gmt":"2005-05-09T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=577"},"modified":"2005-05-09T00:00:00","modified_gmt":"2005-05-09T00:00:00","slug":"desenvolvimento-aliana-de-civilizaes-contra-a-fome-e-a-pobreza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/05\/mundo\/desenvolvimento-aliana-de-civilizaes-contra-a-fome-e-a-pobreza\/","title":{"rendered":"Desenvolvimento: Alian&ccedil;a de civiliza&ccedil;&otilde;es contra a fome e a pobreza"},"content":{"rendered":"<p>Madri, 09\/05\/2005 &ndash; As metas do mil&ecirc;nio para reduzir a pobreza extrema e a fome no mundo deveriam fazer parte do contexto de uma grande alian&ccedil;a de civiliza&ccedil;&otilde;es, religi&otilde;es e culturas, segundo Juan Pablo de Laiglesia, secret&aacute;rio-geral da Ag&ecirc;ncia Espanhola de Coopera&ccedil;&atilde;o Internacional (AECI). De Laiglesia acredita que as grandes religi&otilde;es, mat&eacute;ria na qual reconhece n&atilde;o ser especialista, buscam dar respostas, embora a partir de diferentes vis&otilde;es, &agrave;s &acirc;nsias de esperan&ccedil;a, progresso e &agrave; busca de um futuro mais est&aacute;vel para toda a humanidade. A alian&ccedil;a de civiliza&ccedil;&otilde;es, recordou De Laiglesia &aacute; IPS, foi proposta pelo primeiro-ministro da Espanha, Jos&eacute; Luis Rodr&iacute;guez Zapatero, ao assumir o cargo h&aacute; um ano, quando o pa&iacute;s acabava de ser golpeado pelo atentado terrorista de 11 de mar&ccedil;o, em Madri. O terrorismo, acrescentou. &quot;Tem, entre outros elementos, algumas ra&iacute;zes na pobreza, na exclus&atilde;o e na intoler&acirc;ncia&quot;.<br \/> <!--more--> <br \/> Por essa raz&atilde;o considera que &quot;a coopera&ccedil;&atilde;o para o desenvolvimento contribui para afastar esse perigo, porque presta uma importante contribui&ccedil;&atilde;o para reduzir as exclus&otilde;es, melhorar as condi&ccedil;&otilde;es de vida dos cidad&atilde;os e favorecer a toler&acirc;ncia e o desenvolvimento&quot;. Entre as Metas de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio, aprovadas por todos os pa&iacute;ses-membros da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas na Assembl&eacute;ia Geral de 2000, consta reduzir at&eacute; 2015, pela metade, a popula&ccedil;&atilde;o em extrema pobreza e faminta do mundo, em rela&ccedil;&atilde;o a 1990, e conseguir o ensino prim&aacute;rio universal. Tamb&eacute;m foi adotado o compromisso de reduzir dois ter&ccedil;os da mortalidade de crian&ccedil;as menores de 5 anos e em tr&ecirc;s quartos a mortalidade materna, bem como promover a igualdade de g&ecirc;nero, reverter as epidemias de s&iacute;ndrome de defici&ecirc;ncia imunol&oacute;gica adquirida, mal&aacute;ria e outras doen&ccedil;as, garantir a sustentabilidade ambiental e fomentar a associa&ccedil;&atilde;o de pa&iacute;ses para o desenvolvimento.<\/p>\n<p> Diante da pergunta se a pobreza e a exclus&atilde;o justificam o terrorismo, De Laiglesia respondeu com contund&ecirc;ncia que n&atilde;o. &quot;N&atilde;o tem nenhuma justificativa, mas os respons&aacute;veis pol&iacute;ticos e administrativos t&ecirc;m a obriga&ccedil;&atilde;o de analisar no espectro mais amplo todas as poss&iacute;veis a&ccedil;&otilde;es para combat&ecirc;-lo&quot;, afirmou. Tamb&eacute;m esclareceu que &eacute; &quot;para entender, n&atilde;o para justificar, o motivo de ocorrerem esse tipo de a&ccedil;&atilde;o violenta e sem sentido. N&atilde;o &eacute; uma justificativa, mas uma explica&ccedil;&atilde;o de qual pode ser o caldo de cultivo no qual as organiza&ccedil;&otilde;es terroristas encontram um meio para se desenvolverem&quot;, acrescentou. Nesse panorama, &quot;a coopera&ccedil;&atilde;o ao desenvolvimento contra a pobreza e a exclus&atilde;o &eacute; um instrumento de seguran&ccedil;a coletiva&quot;, afirmou.<\/p>\n<p> &quot;A AECI se guia pelas necessidades objetivas dos setores desfavorecidos, sem exclus&otilde;es pol&iacute;ticas. O que for&ccedil;a a situa&ccedil;&atilde;o de alguns pa&iacute;ses &eacute; que recorramos a um ou outro instrumento, que estejamos presentes como cooperantes e volunt&aacute;rios ou tenhamos que recorrer a uma presen&ccedil;a diferente&quot;. Essa distin&ccedil;&atilde;o faz com que a Espanha, &quot;em sintonia com organismos internacionais, como no Haiti ou, dentro de alguns meses, no Afeganist&atilde;o, deva realizar uma a&ccedil;&atilde;o de desenvolvimento com uma cobertura avaliada pela comunidade internacional, especialmente pela ONU, com uma presen&ccedil;a militar que proporcione um contexto de seguran&ccedil;a para a a&ccedil;&atilde;o dos cooperantes&quot;. De Laiglesia assumiu seu cargo em julho de 2004, depois que Zapatero reiterou seu compromisso de aumentar a coopera&ccedil;&atilde;o para o desenvolvimento. O novo governo do Partido Socialista Oper&aacute;rio Espanhol (PSOE), destacou o secret&aacute;rio-geral da AECI, deu &ecirc;nfase no multinacionalismo que a coopera&ccedil;&atilde;o deve ter.<\/p>\n<p> &quot;No primeiro or&ccedil;amento (2005), a mudan&ccedil;a j&aacute; &eacute; substancial, pois mais do que duplicamos o aporte &agrave; coopera&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de organismos internacionais e passar&aacute; a faz&ecirc;-lo com tr&ecirc;s ou quatro at&eacute; mais de 20. Em nosso objetivo est&aacute; n&atilde;o apenas chegar a mais cen&aacute;rios e atender necessidades com um crit&eacute;rio mais aberto, mas tamb&eacute;m fortalecer uma estrutura multilateral que tem um papel fundamental no cen&aacute;rio internacional&quot;. Em princ&iacute;pio, o or&ccedil;amento anual para colaborar com esses organismos internacionais passou de 13 milh&otilde;es de euros (US$ 16,8 milh&otilde;es) a 32 milh&otilde;es de euros (US$ 41,5 milh&otilde;es). Mudou, ou deve mudar o papel das organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais na nova estrat&eacute;gia espanhola de coopera&ccedil;&atilde;o&quot;, lhe foi perguntado. A essa quest&atilde;o, De Laiglesia respondeu que a situa&ccedil;&atilde;o no governo de centro-direita de Jos&eacute; Maria Aznar (1996-2004) &quot;era de absoluta falta de comunica&ccedil;&atilde;o entre a administra&ccedil;&atilde;o, a AECI e a Secretaria de Estado (de coopera&ccedil;&atilde;o) e os grupos da sociedade civil.<\/p>\n<p> As organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais, segundo De Laiglesia e porta-vozes das mesmas, foram relegadas no per&iacute;odo de Aznar a um segundo plano nos &oacute;rg&atilde;os consultivos nos quais estavam integradas. &quot;Recuperamos esse di&aacute;logo com as organiza&ccedil;&otilde;es civis, integradas agora no Conselho de Coopera&ccedil;&atilde;o, cuja reforma para lhe dar mais autoridades foi feita com todos os participantes e demonstrou ser enormemente eficaz e instrumental na recupera&ccedil;&atilde;o do di&aacute;logo e na aprova&ccedil;&atilde;o do plano diretor de coopera&ccedil;&atilde;o&quot;, afirmou. Essa incorpora&ccedil;&atilde;o e debate foram apreciados positivamente pelas ONGs. Mas se manter&aacute; no futuro ou j&aacute; basta ter participado da elabora&ccedil;&atilde;o do plano?<\/p>\n<p> De Laiglesia afirmou que &quot;se manter&aacute;, porque &eacute; um sinal de identidade da nova equipe e as instru&ccedil;&otilde;es do governo s&atilde;o muito claras: tudo &eacute; suscept&iacute;vel de acordo, n&atilde;o cabe o unilateralismo, porque a pol&iacute;tica de coopera&ccedil;&atilde;o deve ser p&uacute;blica, de consenso ou na qual todos os atores a sintam como sua&quot;. Quando se fala de coopera&ccedil;&atilde;o costuma-se considerar como tal a assist&ecirc;ncia social. Por isso, sem deixar de lado essa assist&ecirc;ncia quando necess&aacute;ria, &eacute; preciso dar maior impulso aos programas que ap&oacute;iem verdadeiramente o desenvolvimento, criando e fortalecendo tecidos sociais. A Espanha somou-se ao grupo de boas pr&aacute;ticas de doadores e a&ccedil;&atilde;o humanit&aacute;ria, que deve se basear na confian&ccedil;a e na complementaridade. &quot;De maneira que ali onde a a&ccedil;&atilde;o do Estado se fa&ccedil;a sentir atrav&eacute;s de programas bilaterais possam complementados por outros desenvolvidos pela sociedade civil e pelos organismos internacionais em um contexto coerente&quot;.<\/p>\n<p> Nesse plano, a AECI est&aacute; apoiando os programas de microcr&eacute;ditos, acompanhando-os de assist&ecirc;ncias t&eacute;cnicas que permitam garantir a passagem desse tipo de financiamento e da microempresa &agrave; estabilidade, &agrave; formalidade desta atividade econ&ocirc;mica e &agrave; sustentabilidade em um tecido est&aacute;vel e auto-sustent&aacute;vel. O secret&aacute;rio-geral da AECI apresenta como um exemplo dessa tarefa que est&aacute; sendo realizada no Haiti, &quot;que n&atilde;o estava no horizonte da coopera&ccedil;&atilde;o espanhola&quot;. Agora, depois da crise que provocou a destitui&ccedil;&atilde;o em fevereiro de 2004 do presidente Jean Bertrand Aristide, a Comunidade Ibero-americana &quot;est&aacute; assumindo uma grande parte de responsabilidade, j&aacute; que a maioria das for&ccedil;as de pacifica&ccedil;&atilde;o &eacute; dos pa&iacute;ses desse bloco&quot;.<\/p>\n<p> &quot;No Haiti, encontramos todas as vulnerabilidades que se deve enfrentar para passar de uma situa&ccedil;&atilde;o de caos e instabilidade, de ser um dos pa&iacute;ses menos adiantados do mundo e com o &iacute;ndice de desenvolvimento humano mais baixo (153&ordm; lugar), para um em que n&atilde;o somente se impulsione o desenvolvimento econ&ocirc;mico, mas tamb&eacute;m o fortalecimento institucional&quot;, afirmou De Laiglesia. Um fortalecimento que inclui &quot;a cria&ccedil;&atilde;o das capacidades para desenvolver pol&iacute;ticas p&uacute;blicas em todos os campos, desde a seguran&ccedil;a at&eacute; a educa&ccedil;&atilde;o, passando pela sa&uacute;de e ordena&ccedil;&atilde;o territorial, com um amplo leque de atua&ccedil;&atilde;o e uma implica&ccedil;&atilde;o decisiva da sociedade civil&quot;.<\/p>\n<p> Por isso &quot;o Haiti &eacute; para n&oacute;s um pa&iacute;s, n&atilde;o apenas priorit&aacute;rio, mas s&iacute;mbolo de uma nova maneira de fazer coopera&ccedil;&atilde;o, e de cooperar entre os pa&iacute;ses ibero-americanos para garantir a seguran&ccedil;a e o desenvolvimento em nossa comunidade&quot;, afirmou De Laiglesia. Na &uacute;ltima C&uacute;pula Ibero-americana, realizada em novembro de 2004 em San Jos&eacute; da Costa Rica, foi aprovado um programa para a troca da d&iacute;vida por educa&ccedil;&atilde;o. Tamb&eacute;m a AECI subscreveu, no final de mar&ccedil;o, a ata final pela qual foram trocados US$ 50 milh&otilde;es da d&iacute;vida do Equador com a Espanha, para aplicar esse valor a projetos de educa&ccedil;&atilde;o nesse pa&iacute;s. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Madri, 09\/05\/2005 &ndash; As metas do mil&ecirc;nio para reduzir a pobreza extrema e a fome no mundo deveriam fazer parte do contexto de uma grande alian&ccedil;a de civiliza&ccedil;&otilde;es, religi&otilde;es e culturas, segundo Juan Pablo de Laiglesia, secret&aacute;rio-geral da Ag&ecirc;ncia Espanhola de Coopera&ccedil;&atilde;o Internacional (AECI). De Laiglesia acredita que as grandes religi&otilde;es, mat&eacute;ria na qual reconhece n&atilde;o ser especialista, buscam dar respostas, embora a partir de diferentes vis&otilde;es, &agrave;s &acirc;nsias de esperan&ccedil;a, progresso e &agrave; busca de um futuro mais est&aacute;vel para toda a humanidade. A alian&ccedil;a de civiliza&ccedil;&otilde;es, recordou De Laiglesia &aacute; IPS, foi proposta pelo primeiro-ministro da Espanha, Jos&eacute; Luis Rodr&iacute;guez Zapatero, ao assumir o cargo h&aacute; um ano, quando o pa&iacute;s acabava de ser golpeado pelo atentado terrorista de 11 de mar&ccedil;o, em Madri. O terrorismo, acrescentou. &quot;Tem, entre outros elementos, algumas ra&iacute;zes na pobreza, na exclus&atilde;o e na intoler&acirc;ncia&quot;.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/05\/mundo\/desenvolvimento-aliana-de-civilizaes-contra-a-fome-e-a-pobreza\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":205,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-577","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/577","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/205"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=577"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/577\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=577"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=577"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=577"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}