{"id":5789,"date":"2009-11-12T13:54:43","date_gmt":"2009-11-12T13:54:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5789"},"modified":"2009-11-12T13:54:43","modified_gmt":"2009-11-12T13:54:43","slug":"ambiente-eua-o-dilema-do-crescimento-zero-e-o-desemprego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/11\/ambiente\/ambiente-eua-o-dilema-do-crescimento-zero-e-o-desemprego\/","title":{"rendered":"AMBIENTE-EUA: o dilema do crescimento zero e o desemprego"},"content":{"rendered":"<p>Atlanta, EUA, 12\/11\/2009 &ndash; A possibilidade de uma cat\u00e1strofe ambiental leva muitos pol\u00edticos, acad\u00eamicos e cidad\u00e3os a reformular o modelo, antes inc\u00f3lume, de uma economia baseada no conhecimento constante. <!--more--> Isto ocorre porque para setores cada vez mais amplos da popula\u00e7\u00e3o, especialmente a da maior pot\u00eancia mundial, os Estados Unidos, fica claro que \u00e9 preciso consumir menos recursos naturais para minimizar os perigos que amea\u00e7am de morte o planeta.<\/p>\n<p>A grande pergunta \u00e9: como os Estados Unidos podem passar para uma economia de \u201ccrescimento zero\u201d que se sustente e na qual n\u00e3o aumente o desemprego? Se a popula\u00e7\u00e3o consome menos bens e servi\u00e7os, isso significar\u00e1 menos trabalho na ind\u00fastria manufatureira, na venda e no fornecimento de bens e servi\u00e7os? \u201c\u00c9 uma boa pergunta, porque neste momento enfrentamos n\u00edveis insustent\u00e1veis de consumo\u201d, disse \u00e0 IPS Johnm Talberth, presidente do Centro para a Economia sustent\u00e1vel. \u201cSe n\u00e3o consumirmos o suficiente, toda a economia entra em colapso e \u00e9 preciso mudar\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Nesse sentido, o governo de Barack Obama promove empregos \u201cverdes\u201d na produ\u00e7\u00e3o de energia de fontes renov\u00e1veis, com a e\u00f3lica e a solar, de maneira a garantir ao seu pa\u00eds a manuten\u00e7\u00e3o de sua compet\u00eancia econ\u00f4mica, ao mesmo tempo em que aborda problemas como a mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Mas, os empregos verdes avan\u00e7am apenas at\u00e9 certo ponto, principalmente substituindo os mais sujos nos setores do petr\u00f3leo, carv\u00e3o e reatores nucleares. Isto n\u00e3o basta para compensar a poss\u00edvel perda de trabalhos que implica a redu\u00e7\u00e3o do consumo geral neste pa\u00eds.<\/p>\n<p>Muitos cidad\u00e3os norte-americanos j\u00e1 come\u00e7am a reduzir seu consumo, embora n\u00e3o necessariamente por uma preocupa\u00e7\u00e3o ambiental, mas pelo terr\u00edvel estado da economia, mesma raz\u00e3o pela qual cada vez mais restaurantes e com\u00e9rcios fecham suas portas. Quando se compra menos, as autoridades das cidades, cujos or\u00e7amentos dependem de impostos sobre as vendas, reduzem servi\u00e7os com cuidados com os espa\u00e7os p\u00fablicos e os policiais.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas constatou-se uma tend\u00eancia mundial \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o, \u00e0 centraliza\u00e7\u00e3o, \u00e0 especializa\u00e7\u00e3o e \u00e0 produ\u00e7\u00e3o em massa. O argumento econ\u00f4mico para a centraliza\u00e7\u00e3o \u00e9 a efici\u00eancia: menos pessoas produzindo mais mercadorias. Essa pr\u00e1tica redundou em desemprego. \u201cA passagem de ind\u00fastrias pequenas para ind\u00fastrias grandes reduziu a demanda de m\u00e3o-de-obra\u201d, disse Talberth.<\/p>\n<p>\u201cSa\u00edmos de tr\u00eas d\u00e9cadas ou mais de concentra\u00e7\u00e3o em uma pol\u00edtica econ\u00f4mica de globaliza\u00e7\u00e3o. Como sabemos, isto levou a um grande desest\u00edmulo da base manufatureira norte-americana, e prejudicou comunidades de todo o mundo. Se deixarmos a globaliza\u00e7\u00e3o para passarmos \u00e0 \u2018localiza\u00e7\u00e3o\u2019, criaremos uma quantidade fant\u00e1stica de novos empregos\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Judy Wicks, fundadora da Alian\u00e7a Empresarial para as Economias Locais vivas, descreveu a vis\u00e3o de uma nova modalidade de produ\u00e7\u00e3o segundo a qual \u201cos postos dedicados \u00e0 fabrica\u00e7\u00e3o de bens desnecess\u00e1rios destinados a consumidores aut\u00f4matos ser\u00e3o substitu\u00eddos por empregos valiosos que ajudem a construir a autonomia local\u201d. Wicks acrescentou que \u201ca maioria de nossos alimentos \u00e9 importada e processada por grandes empresas de outros lugares. Necessitamos n\u00e3o s\u00f3 apoiar nossos agricultores locais mas tamb\u00e9m os trabalhos e as companhias que distribuem os produtos frescos e processam nossos alimentos, para que os enlatados de nossa loja procedam de nossa localidade\u201d.<\/p>\n<p>A massagista Gloria Tatum, de Decatur, no Estado da Ge\u00f3rgia, chegou a essa conclus\u00e3o no ano passado, quando a procura por seus servi\u00e7os diminuiu. Foi ent\u00e3o que decidiu cultivar verduras no jardim em frente sua casa. Em 208 colheu mais da metade dos alimentos que consumiu, e espera chegar a tr\u00eas quartos no pr\u00f3ximo ano. Segundo Wicks, \u201cisto significar\u00e1 mais empresas e muitos mais propriet\u00e1rios. A propriedade das empresas de distribuir\u00e1 de uma maneira muito mais ampla\u201d. Isto \u00e9, os benef\u00edcios do consumo comunit\u00e1rio chegar\u00e3o mais \u00e0s fam\u00edlias e menos a acionistas corporativos e institui\u00e7\u00f5es financeiras, explicou.<\/p>\n<p>\u201cA economia local coloca no mercado produtos realmente \u00fanicos e apoia a inova\u00e7\u00e3o local. As din\u00e2micas econ\u00f4micas locais apoiam seus artistas locais, seus m\u00fasicos, sua cultura local. Suas comunidades criam produtos \u00fanicos que expressam a cultura local\u201d, afirmou. \u201cPode ser um grande vinho, um grande queijo, uma nova moda, qualquer coisa em que uma comunidade acredita, para que sua economia crie coisas que celebrem o ser humano e n\u00e3o os produtos b\u00e1sicos\u201d, afirmou Wicks.<\/p>\n<p>\u201cNossa economia deve crescer, mas nossos investimentos deveriam ser verdes. Dever\u00edamos investir muito para melhorar a efici\u00eancia energ\u00e9tica dos edif\u00edcios e das ind\u00fastrias, em energia e\u00f3lica e solar, em transporte de massa\u201d, disse James Heintz, do Instituto de Pesquisas sobre Economia Pol\u00edtica da Universidade de Massachussets, em Amherst. \u201cUma parte disto seria a moderniza\u00e7\u00e3o da infraestrutura el\u00e9trica nacional. A rede est\u00e1 muito centralizada e \u00e9 muito velha. N\u00e3o pode ser adaptada \u00e0 energia solar e e\u00f3lica. Todos estes investimentos criar\u00e3o empregos e ajudar\u00e3o a mant\u00ea-los nas \u00e1reas da economia que j\u00e1 existem\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O presidente Barack Obama e o Congresso legislativo dos Estados Unidos aprovaram um pacote de est\u00edmulo inclu\u00eddo na Lei Norte-americana de Recupera\u00e7\u00e3o e Reinvestimento (Arra). A lei prev\u00ea investimento de US$ 100 bilh\u00f5es \u201cpara apoiar este tipo de investimento verde\u201d, disse Heinz. O especialista considera que essa lei \u201cn\u00e3o cria apenas investimentos em empregos verdes\u201d, mas tamb\u00e9m disp\u00f5e que certas instala\u00e7\u00f5es hoje em uso sejam abandonadas \u201cpara que a economia avance no futuro\u201d, disse Heintz. \u201cOs padr\u00f5es de efici\u00eancia energ\u00e9tica para os edif\u00edcios novos produzem retorno com muita rapidez, gra\u00e7as \u00e0 economia de energia. Em cinco anos se recupera o investimento\u201d, assegurou.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o dinheiro previsto pela Arra para edif\u00edcios energeticamente eficientes n\u00e3o bastar\u00e1 para todas as constru\u00e7\u00f5es nos Estados Unidos. Isso levar\u00e1 pelo menos 30 anos, disse Heintz. \u201c\u00c9 preciso criar incentivos agora para que a economia passe para um tipo de produ\u00e7\u00e3o e consumo que melhorem muito a efici\u00eancia no uso dos escassos recursos que temos, e exija menos do meio ambiente de modo que os ecossistemas possam assimilar a contamina\u00e7\u00e3o\u201d, acrescentou. A efici\u00eancia energ\u00e9tica tamb\u00e9m permitir\u00e1 que as fam\u00edlias economizem dinheiro, afirmou.<\/p>\n<p>Talberth, do Centro para a Economia Sustent\u00e1vel, afirmou que os Estados Unidos necessitam tamb\u00e9m de investimentos sociais. Alguns sugerem que no futuro a sociedade possa concluir que n\u00e3o \u00e9 preciso nem desej\u00e1vel que toda a popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa trabalhe tanto. Isto \u00e9, que se pode produzir coletivamente tudo o que \u00e9 preciso, com menos trabalho e menos empregados. \u201cSe temos toda a popula\u00e7\u00e3o a salvo da pobreza e da fome, recebendo cuidados m\u00e9dicos e educa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 motivos para todos trabalharem 40 ou 60 horas por semana. Tem de haver mais tempo para o lazer\u201d, disse Talberth. \u201cIsto significa trabalharmos menos\u201d, segundo Wicks. \u201cMuitas vezes as pessoas est\u00e3o desesperadas por dinheiro porque querem comprar todo esse lixo. Talvez, se mudarmos nossos valores, n\u00e3o necessitemos de tanto dinheiro e tampouco de trabalhar tanto\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>* Este artigo \u00e9 parte integrante de uma s\u00e9rie produzida pela IPS (Inter Press Service) e pela IFEJ (Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Jornalistas Ambientais) para a Alian\u00e7a de Comunicadores para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (www.complusalliance.org). (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Atlanta, EUA, 12\/11\/2009 &ndash; A possibilidade de uma cat\u00e1strofe ambiental leva muitos pol\u00edticos, acad\u00eamicos e cidad\u00e3os a reformular o modelo, antes inc\u00f3lume, de uma economia baseada no conhecimento constante. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/11\/ambiente\/ambiente-eua-o-dilema-do-crescimento-zero-e-o-desemprego\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":135,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,12],"tags":[14,21],"class_list":["post-5789","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-desenvolvimento","tag-america-do-norte","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5789","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/135"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5789"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5789\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5789"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5789"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5789"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}