{"id":5822,"date":"2009-11-23T14:23:09","date_gmt":"2009-11-23T14:23:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5822"},"modified":"2009-11-23T14:23:09","modified_gmt":"2009-11-23T14:23:09","slug":"mulheres-ambiente-protestam-contra-florestas-plantadas-na-argentina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/11\/america-latina\/mulheres-ambiente-protestam-contra-florestas-plantadas-na-argentina\/","title":{"rendered":"MULHERES-AMBIENTE: Protestam contra florestas plantadas, na Argentina"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 23\/11\/2009 &ndash; Promovidas como \u201cflorestas cultivadas\u201d, as planta\u00e7\u00f5es de monoculturas florestais avan\u00e7am sobre a floresta nativa e a pradaria de Brasil, Argentina e Uruguai, afetando o meio ambiente e a vida das comunidades, afirmam mulheres camponesas.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_5822\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/mujeres_brasil_wrm1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5822\" class=\"size-medium wp-image-5822\" title=\" - Cortes\u00eda WRM\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/mujeres_brasil_wrm1.jpg\" alt=\" - Cortes\u00eda WRM\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-5822\" class=\"wp-caption-text\"> - Cortes\u00eda WRM<\/p><\/div>  Com o objetivo de produzir madeira, celulose e papel em grande escala nestes pa\u00edses, grandes empresas desmatam florestas naturais ou ocupam pradarias para cultivar eucalipto, pinho e outras esp\u00e9cies estrangeiras de crescimento r\u00e1pido que consomem grandes quantidades de \u00e1gua e degradam o solo, segundo os cr\u00edticos.<\/p>\n<p>Entretanto, diante da pr\u00f3xima Confer\u00eancia das Partes da Conven\u00e7\u00e3o Marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica (COP 15), que acontecer\u00e1 em dezembro em Copenhague, as companhias florestais, com apoio de governos e organiza\u00e7\u00f5es internacionais, pretendem que as planta\u00e7\u00f5es sejam consideradas sorvedouros de carbono que podem mitigar o aquecimento global. Nas \u00faltimas semanas, organiza\u00e7\u00f5es de mulheres rurais e ambientalistas da regi\u00e3o tentaram, sem \u00eaxito, que sua voz fosse mais forte do que a das empresas florestais. Para isso, divulgaram uma declara\u00e7\u00e3o conjunta por ocasi\u00e3o do \u00faltimo Congresso Florestal Mundial, que aconteceu em outubro em Buenos Aires.<\/p>\n<p>O congresso, patrocinado pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Agricultura e a Alimenta\u00e7\u00e3o (FAO) e que teve participa\u00e7\u00f5es de empres\u00e1rios, funcion\u00e1rios governamentais, especialistas e estudantes, insistiu que as florestas \u2013 inclu\u00eddas as planta\u00e7\u00f5es \u2013 podem contribuir para reduzir as emiss\u00f5es de gases que provocam o efeito estufa. Em conversa com a IPS, Claudia Peirano, da Associa\u00e7\u00e3o Florestal Argentina (AFOA), que re\u00fane produtores do setor, argumentou que para atender a demanda pro madeira de uma popula\u00e7\u00e3o em crescimento j\u00e1 n\u00e3o se pode apelar para florestas nativas, sendo necess\u00e1rio expandir a superf\u00edcie cultivada.<\/p>\n<p>\u201cA perda de florestas nativas n\u00e3o \u00e9 responsabilidade dos cultivos florestais, mas da expans\u00e3o agr\u00edcola\u201d, disse Peirano, ressaltando que apenas 3% das florestas no mundo s\u00e3o cultivadas. Essa \u00e1rea, segundo as empresas, deveria aumentar para atender a demanda sem ocasionar desmatamento. \u201cO consenso do Congresso foi claro: zero de desmatamento at\u00e9 2020 e alternativas de maior produtividade para produzir madeira\u201d, concluiu. Mas elas n\u00e3o coincidem. \u201cN\u00f3s, mulheres do campo e da cidade, recha\u00e7amos a expans\u00e3o de projetos de monoculturas de \u00e1rvores, celulose e papel nos quais sofre especialmente o ecossistema de pradaria de Brasil, Argentina e Uruguai\u201d, disseram na declara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As mulheres consideram \u201cenganosa\u201d a promo\u00e7\u00e3o de planta\u00e7\u00f5es como sendo florestas e apontam os \u201cinumer\u00e1veis impactos negativos\u201d destes projetos na vida das fam\u00edlias rurais e particularmente nas mulheres, que sofrem a \u201cperda de poder\u201d na m\u00e9dia em que avan\u00e7am os cultivos homog\u00eaneos. Denunciaram, por exemplo, a press\u00e3o das empresas para que as fam\u00edlias vendam a terra, os poucos postos de trabalho que s\u00e3o criados para as mulheres, a escassez de \u00e1gua, e m\u00faltiplas situa\u00e7\u00f5es de medo, viol\u00eancia, assedio sexual devido ao modelo de desenvolvimento \u201cinsustent\u00e1vel\u201d promovido pelas planta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O documento, ignorado pelos presentes ao Congresso, leva a assinatura da Marcha Mundial das Mulheres (MMM), do Movimento de Mulheres Camponesas, do N\u00facleo de Amigos da Terra e do Centro de Estudos Ambientais, todos do Brasil. Pela Argentina, a declara\u00e7\u00e3o recebeu apoio da organiza\u00e7\u00e3o Grain, que centra sua luta contra a expans\u00e3o da monocultura da soja, e, pelo Uruguai, da Rede Amigos da Terra, Mulheres Rurais e Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais, cujo secretariado internacional tem sede em Montevid\u00e9u e \u00e9 conhecido pela sigla em ingl\u00eas WRM.<\/p>\n<p>Em conversa com a IPS, C\u00edntia Barenho, bi\u00f3loga, ambientalista e membro do MMM, disse que no Brasil os Estados mais afetados pelas monoculturas de eucalipto, pinho e ac\u00e1cia negra s\u00e3o Bahia, Esp\u00edrito Santo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paran\u00e1 e S\u00e3o Paulo. Embora n\u00e3o haja dados certos sobre sua expans\u00e3o, estima-se que no Brasil s\u00e3o mais de cinco milh\u00f5es de hectares dominados por estas planta\u00e7\u00f5es que cresceram \u00e0 custa de florestas, pradarias e tamb\u00e9m de fam\u00edlias rurais, povos origin\u00e1rios e quilombolas. Por exemplo, no Esp\u00edrito Santo, a Aracruz Celulose tem 128 mil hectares de eucalipto e todos em territ\u00f3rio ind\u00edgena e quilombola. De 40 aldeias que havia nessa regi\u00e3o, hoje restam sete, diz o livro \u201cImpacto da Monocultura do Eucalipto sobre as Mulheres Ind\u00edgenas e Quilombolas no Estado do Esp\u00edrito Santo\u201d.<\/p>\n<p>Nessa investiga\u00e7\u00e3o as mulheres afirmam que as planta\u00e7\u00f5es provocam uma forte seca, altera\u00e7\u00f5es bruscas da temperatura, perda de uma extraordin\u00e1ria biodiversidade, redu\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de alimentos, ressecamento de fontes h\u00eddricas e perda de fertilidade do solo. Neste aspecto, Peirano, representante da ind\u00fastria florestal, afirmou que \u201cqualquer interven\u00e7\u00e3o implica um impacto\u201d, mas disse que \u201ch\u00e1 muito mito\u201d sobre o excessivo consumo de \u00e1gua pelas esp\u00e9cies cultivadas. \u201cO eucalipto, se plantado onde a chuva chega a 800 mil\u00edmetros por ano, n\u00e3o precisa recorrer \u00e0 \u00e1gua subterr\u00e2nea\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>C\u00edntia Barenho ressalto que na zona rural desses Estados \u201ch\u00e1 uma forte press\u00e3o para as fam\u00edlias venderem suas terras para companhias de papel e celulose\u201d, o que implica um \u201caumento do \u00eaxodo rural\u201d para as cidades, aumento do desemprego, da pobreza e da viol\u00eancia. Disse, ainda, que esta situa\u00e7\u00e3o representa um retrocesso nos processos de reforma agr\u00e1ria e falta de incentivo ao desenvolvimento da agricultura familiar. Em contrapartida, as monoculturas \u201cgeram poucos empregos para as comunidades locais, e, para as mulheres, os n\u00fameros s\u00e3o \u00ednfimos\u201d.<\/p>\n<p>As condi\u00e7\u00f5es de trabalho s\u00e3o prec\u00e1rias, os contratos tempor\u00e1rios. As mulheres s\u00e3o exploradas nos viveiros e os homens se integram a grupos que s\u00e3o enviados para diferentes pontos das planta\u00e7\u00f5es, promovendo a desintegra\u00e7\u00e3o familiar, a prolifera\u00e7\u00e3o do assedio sexual e da prostitui\u00e7\u00e3o, explicou C\u00edntia. A bi\u00f3loga coordena um estudo cujo t\u00edtulo \u00e9 eloquente: \u201cA fun\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia na perda de poder das mulheres do sul atrav\u00e9s da convers\u00e3o de ecossistemas locais em planta\u00e7\u00f5es de \u00e1rvores\u201d.<\/p>\n<p>Raquel Gilmet, da organiza\u00e7\u00e3o Mulheres Rurais do Uruguai, falou \u00e0 IPS do impacto das culturas homog\u00eaneas em seu pa\u00eds. \u201cAs fam\u00edlias de pequenos produtores se veem cercadas e sem ter para onde ir. As \u00e1rvores v\u00e3o cercando as pessoas\u201d, disse, referindo-se \u00e0s planta\u00e7\u00f5es. No Uruguai estima-se que haja mais de um milh\u00e3o de hectares de planta\u00e7\u00f5es, extens\u00e3o que pode parecer escassa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 superf\u00edcie do pa\u00eds, mas que tem impacto quando se concentra em zonas com outros ecossistemas naturais, segundo os denunciantes.<\/p>\n<p>Gilmet tinha uma horta org\u00e2nica no departamento de Soriano, sudoeste uruguaio, mas agora \u201c\u00e9 imposs\u00edvel trabalhar limpo\u201d, porque, neste caso em particular, devido \u00e0 expans\u00e3o da monocultura de soja \u00e0 custa da pradaria. A leguminosa exige grandes aplica\u00e7\u00f5es de agroqu\u00edmicos contaminantes para seu desenvolvimento. Nos arredores de Mercedes, capital do departamento, as planta\u00e7\u00f5es florestais deixam os povoados com escassa \u00e1gua e solo degradado. \u201c\u00c9 tremendo como avan\u00e7aram ali as planta\u00e7\u00f5es. As fazendas v\u00e3o ficando abandonadas, desabando. O governo diz que o produtor optou, mas nada faz pelas consequ\u00eancias que isto tem para a \u00e1gua e o solo no longo prazo\u201d, denunciou.<\/p>\n<p>Segundo Gilmet, o reflorestamento surge como \u201cuma alternativa de trabalho\u201d e no come\u00e7o \u201cas pessoas se deslumbram\u201d, mas, depois se v\u00ea que uns poucos homens conseguem emprego. \u201cA mulher fica sozinha com os filhos, pouco dinheiro, e muitas acabam pobres tendo de migrar para as cidades\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m no Uruguai, Elizabeth D\u00edaz, da WRM, considerou \u201cum disparate\u201d as empresas florestais presentes ao Congresso de Buenos Aires pretenderem apresentar as planta\u00e7\u00f5es como sorvedouros de carbono. Para combater a mudan\u00e7a clim\u00e1tica \u201cdeve-se reduzir drasticamente as emiss\u00f5es em todos os pa\u00edses, buscar energias alternativas e conservar as florestas, e n\u00e3o pensar em como compensar o que se continua emitindo\u201d, disse \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Na Argentina, as monoculturas de \u00e1rvores se expandiram em mais de um milh\u00e3o de hectares e se projeta um grande aumento para os pr\u00f3ximos anos, incentivado pelas autoridades que aceitam a ideia de que as planta\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m contribuem para combater a mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>Segundo a FAO, por ano s\u00e3o cortados no mundo cerca de 13 milh\u00f5es de hectares. Esse desmatamento responde por 17% das emiss\u00f5es de gases que provocam o efeito estufa, respons\u00e1veis pelo aquecimento da atmosfera que leva \u00e0 altera\u00e7\u00e3o do clima. O Brasil \u00e9 um dos principais emissores de gases provenientes da perda de florestas e pradarias. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 23\/11\/2009 &ndash; Promovidas como \u201cflorestas cultivadas\u201d, as planta\u00e7\u00f5es de monoculturas florestais avan\u00e7am sobre a floresta nativa e a pradaria de Brasil, Argentina e Uruguai, afetando o meio ambiente e a vida das comunidades, afirmam mulheres camponesas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/11\/america-latina\/mulheres-ambiente-protestam-contra-florestas-plantadas-na-argentina\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2],"tags":[21,24],"class_list":["post-5822","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5822","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5822"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5822\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5822"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5822"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5822"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}