{"id":5826,"date":"2009-11-23T14:32:04","date_gmt":"2009-11-23T14:32:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5826"},"modified":"2009-11-23T14:32:04","modified_gmt":"2009-11-23T14:32:04","slug":"mudanca-climatica-chile-o-custo-de-nao-fazer-nada-pode-ser-alto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/11\/america-latina\/mudanca-climatica-chile-o-custo-de-nao-fazer-nada-pode-ser-alto\/","title":{"rendered":"MUDAN\u00c7A CLIM\u00c1TICA-CHILE: O custo de n\u00e3o fazer nada pode ser alto"},"content":{"rendered":"<p>Santiago, 23\/11\/2009 &ndash; O Chile poder\u00e1 perder mais de US$ 30 bilh\u00f5es, cerca de 1,1% de seu produto interno bruto, at\u00e9 2010, se ocorrer o pior cen\u00e1rio tra\u00e7ado na \u201cEconomia da mudan\u00e7a clim\u00e1tica no Chile\u201d, estudo apresentado sexta-feira em Santiago <!--more--> Nem todos os cen\u00e1rios avaliados no informe indicam custos econ\u00f4micos. Considerando uma emiss\u00e3o menor de gases que provocam o efeito estufa, o pa\u00eds poderia obter beneficio de US$ 25 bilh\u00f5es at\u00e9 2010, diz o informe elaborado por acad\u00eamicos das Universidades Cat\u00f3licas de Chile e de Valpara\u00edso, sob a dire\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (Cepal).<\/p>\n<p>\u201cO Chile, efetivamente, \u00e9 vulner\u00e1vel \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica, mas de maneira n\u00e3o catastr\u00f3fica, manej\u00e1vel e, fora isso, h\u00e1 os incentivos para agir, para conseguir reduzir os impactos. Essa \u00e9 uma das grandes conclus\u00f5es do ensino\u201d, disse \u00e0 IPS Sebasti\u00e1n Vicu\u00f1a, diretor do Centro de Mudan\u00e7a global da Universidade Cat\u00f3lica e Coordenador do informe. \u201cMas, tamb\u00e9m somos um pa\u00eds que contribui para que exista a mudan\u00e7a clim\u00e1tica. As emiss\u00f5es desses gases aumentaram na \u00faltima d\u00e9cada, e a previs\u00e3o e de que continuar\u00e3o aumentando. A raz\u00e3o principal \u00e9 que o desenvolvimento econ\u00f4mico traz consigo um crescimento no consumo de energia e, portanto, de emiss\u00f5es\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Entre 1984 e 2008, o Chile aumentou em 166% suas emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono, principal g\u00e1s-estufa, passando de 36 milh\u00f5es para 95 milh\u00f5es de toneladas. O setor energ\u00e9tico responde por 85% delas. No mesmo per\u00edodo, o pa\u00eds aumentou suas emiss\u00f5es por habitante de di\u00f3xido de carbono tr\u00eas toneladas anuais para 5,7 toneladas. At\u00e9 2030, se prev\u00ea que as emiss\u00f5es desse g\u00e1s ter\u00e3o aumentado 243%, chegando a 233 milh\u00f5es de toneladas, o que elevaria a contamina\u00e7\u00e3o por pessoa para 11,9 toneladas ao ano. O Chile tem \u201cum desafio importante em termos de continuar se desenvolvendo economicamente, mas ao mesmo tempo, precisa ser mais eficiente no uso e consumo de energia\u201d, disse Vicu\u00f1a.<\/p>\n<p>O documento divulgado na sexta-feira (20\/11) pela ministra do Meio Ambiente do Chile, Ana Lya Uriarte; pelo ministro de Energia, Marcelo Tokman, e pela secret\u00e1ria-executiva da Cepal, Alicia B\u00e1rcena, faz parte de um estudo latino-americano que inclui Argentina, Bol\u00edvia, equador, Col\u00f4mbia, Paraguai, Peru, Uruguai, Am\u00e9rica Central e Caribe. \u00c9 financiado por v\u00e1rios governos europeus, entre eles o brit\u00e2nico, e conta com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). No dia 16 de dezembro, a Cepal apresentar\u00e1 os resultados preliminares deste estudo regional na 15\u00aa Confer\u00eancia das Partes da Conven\u00e7\u00e3o Marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica, que acontecer\u00e1 em Copenhague entre 7 e 18 de dezembro.<\/p>\n<p>Na parte referente ao Chile, foi analisado o impacto econ\u00f4mico da mudan\u00e7a clim\u00e1tica nos setores de fruta, pecu\u00e1ria e florestal, na gera\u00e7\u00e3o hidrel\u00e9trica e no consumo de \u00e1gua pot\u00e1vel, em dois cen\u00e1rios, denominados A2 e B2. Do primeiro consta um mundo sem maior controle de emiss\u00f5es e o segundo com mitiga\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es. O Chile possui zonas costeiras baixas, al\u00e9m de \u00e1ridas e semi-\u00e1ridas, que o convertem em um pa\u00eds muito vulner\u00e1vel \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>Segundo o estudo, a temperatura m\u00e9dia aumentaria dois graus cent\u00edgrados no m\u00e9dio prazo e quatro graus entre 2070 e 2100, sobretudo na zona de cordilheira, o que afetaria a disponibilidade de \u00e1gua. Tamb\u00e9m haveria redu\u00e7\u00e3o das precipita\u00e7\u00f5es pr\u00f3xima de 30% na regi\u00e3o central do pa\u00eds, entre as \u00e1reas de Valpara\u00edso e Los Lagos. Isto implica mudan\u00e7as na disponibilidade de \u00e1gua para irriga\u00e7\u00e3o, gera\u00e7\u00e3o hidrel\u00e9trica, produ\u00e7\u00e3o mineira e consumo humano.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 mitiga\u00e7\u00e3o, Vicu\u00f1a elogiou as \u201ca\u00e7\u00f5es j\u00e1 tomadas\u201d pelo Chile para diminuir suas emiss\u00f5es, como a cria\u00e7\u00e3o do Programa Pa\u00eds Efici\u00eancia Energ\u00e9tica e a Lei de Incentivo de Energias Renov\u00e1veis N\u00e3o Convencionais (ERNC). \u201cPor sua matriz energ\u00e9tica, o Chile ter\u00e1 problemas para conter o ritmo de crescimento de suas emiss\u00f5es, e precisa explorar todas as suas oportunidades. Al\u00e9m disso, uma parte do pa\u00eds \u00e9 altamente vulner\u00e1vel \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica e isso vai ter custo para a economia chilena\u201d, disse Jos\u00e9 Luis Samaniego, diretor da Divis\u00e3o de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel e Assentamentos Humanos da Cepal.<\/p>\n<p>Entretanto, Samaniego disse que o pa\u00eds tomou a decis\u00e3o de tra\u00e7ar um \u201cmapa do caminho\u201d. O \u201cestudo mostra que o custo estimado no pior dos cen\u00e1rios ser\u00e1 aproximadamente de um ponto percentual ao ano (do PIB). \u00c9 uma quantia importante se comparada com o impacto que teve a crise econ\u00f4mica global sobre a economia chilena em 2008 e 2009, ou com o gasto p\u00fablico em mat\u00e9ria ambiental ou pesquisa e desenvolvimento\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A ministra Uriarte disse que \u201cnos f\u00f3runs internacionais apresentamos com muita for\u00e7a nossa posi\u00e7\u00e3o como pa\u00eds. Dizemos que os custos de adiar decis\u00f5es, tanto para o meio ambiente como para as economias mundiais, superar\u00e3o com juros o valor de adotar medidas agora\u201d. Uriarte exortou os pa\u00edses a acordarem na capital da Dinamarca no pr\u00f3ximo m\u00eas \u201cuma ambiciosa\u201d meta de redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es globais de gases-estufa de, pelo menos, 50% at\u00e9 2050.<\/p>\n<p>Para isso \u2013 disse a ministra \u2013 \u00e9 preciso um duplo compromisso dos pa\u00edses desenvolvidos: redu\u00e7\u00e3o em suas emiss\u00f5es e apoio financeiro \u201cp\u00fablico\u201d a na\u00e7\u00f5es em vias de desenvolvimento para transfer\u00eancia tecnol\u00f3gica, porque \u201co mercado n\u00e3o ser\u00e1 suficiente para esta tarefa\u201d. Os pa\u00edses em desenvolvimento, como o Chile, tamb\u00e9m podem avan\u00e7ar na redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es \u201ccom pol\u00edticas fortes e ordenadas\u201d, mas sempre de acordo com as realidades nacionais, enfatizou. Uriarte rejeitou eventuais imposi\u00e7\u00f5es dos pa\u00edses desenvolvidos, como um imposto ao transporte internacional, que afetaria as exporta\u00e7\u00f5es chilenas.<\/p>\n<p>A secret\u00e1ria-executiva da Cepal, Alicia B\u00e1rcena, afirmou que \u201cCopenhague \u00e9 o lugar onde se dever\u00e1 tra\u00e7ar um caminho claro de a\u00e7\u00e3o. Todos gostar\u00edamos de j\u00e1 chegar com as metas quantitativas. N\u00e3o chegaremos. Mas na capital dinamarquesa sim\u201d, pode-se desenhar um mapa com vistas \u00e0 confer\u00eancia ambiental que acontecer\u00e1 no M\u00e9xico em dezembro de 2010. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Santiago, 23\/11\/2009 &ndash; O Chile poder\u00e1 perder mais de US$ 30 bilh\u00f5es, cerca de 1,1% de seu produto interno bruto, at\u00e9 2010, se ocorrer o pior cen\u00e1rio tra\u00e7ado na \u201cEconomia da mudan\u00e7a clim\u00e1tica no Chile\u201d, estudo apresentado sexta-feira em Santiago <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/11\/america-latina\/mudanca-climatica-chile-o-custo-de-nao-fazer-nada-pode-ser-alto\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":50,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,5,11],"tags":[21],"class_list":["post-5826","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-economia","category-politica","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5826","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/50"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5826"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5826\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5826"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5826"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5826"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}