{"id":5836,"date":"2009-11-24T12:13:36","date_gmt":"2009-11-24T12:13:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5836"},"modified":"2009-11-24T12:13:36","modified_gmt":"2009-11-24T12:13:36","slug":"destaques-fazendas-de-esponjas-no-oceano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/11\/america-latina\/destaques-fazendas-de-esponjas-no-oceano\/","title":{"rendered":"DESTAQUES: Fazendas de esponjas no oceano"},"content":{"rendered":"<p>CARAHATAS, Cuba, 24\/11\/2009 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- Em uma aldeia cubana castigada pela agita\u00e7\u00e3o das ondas e dependente de uma pesca cada vez mais escassa, a cria\u00e7\u00e3o de esponjas desponta como alternativa de renda e desenvolvimento.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_5836\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/449_carahatas-0141.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5836\" class=\"size-medium wp-image-5836\" title=\"Neldys Vivero afirma que haver\u00e1 trabalho para as mulheres - Patricia Grogg\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/449_carahatas-0141.jpg\" alt=\"Neldys Vivero afirma que haver\u00e1 trabalho para as mulheres - Patricia Grogg\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-5836\" class=\"wp-caption-text\">Neldys Vivero afirma que haver\u00e1 trabalho para as mulheres - Patricia Grogg\/IPS<\/p><\/div>  O mar castiga Carahatas cada vez que um furac\u00e3o passa pela regi\u00e3o. As \u00e1guas se juntam com as de um rio pr\u00f3ximo, sobem metro e meio, ou mais, pelas paredes das casas e levam at\u00e9 as lembran\u00e7as. Por\u00e9m, os moradores deste povoado cubano o amam desmesuradamente. \u201cQuando estou v\u00e1rios dias sem ver o mar, me altero. Se vem um ciclone e derruba esta casa, enquanto restar uma parede e eu puder colocar nem que seja uma barraca, aqui ficarei. E como eu, muitos outros\u201d, disse ao Terram\u00e9rica Neldys Vivero, de 50 anos, nascida nesta localidade pesqueira da costa nordeste, na prov\u00edncia central de Villa Clara.<\/p>\n<p>Em 1985, o Furac\u00e3o Kate deixou sem casa seus pais e muitos outros habitantes de Carahatas, que foram levados para Lutgardita, comunidade constru\u00edda a cerca de quatro quil\u00f4metros. \u201cAgora vou v\u00ea-los e n\u00e3o posso ficar mais do que 20 minutos, \u00e9 t\u00e3o pequeno, n\u00e3o \u00e9 feito para mim\u201d, afirma. Para Estrella Machado, de 88 anos, a raz\u00e3o de tanta paix\u00e3o pelo mar \u00e9 simples. \u201c\u00c9 o que mais h\u00e1. Pelo menos em trabalho, o que mais h\u00e1 \u00e9 a pesca\u201d, afirma. \u201c\u00danica pescadora\u201d da comunidade at\u00e9 1985, quando deixou de trabalhar, esta senhora assegura que \u201cantes havia mais peixes\u201d.<\/p>\n<p>Vivero constata o mesmo. Come\u00e7ou a pescar ainda crian\u00e7a com Machado e seu marido. \u201cRecordo que carreg\u00e1vamos entre os tr\u00eas um cesto com 40, 50 e at\u00e9 70 livras (18, 23 e 32 quilos) de pargo (Pagrus pagrus). Hoje, voc\u00ea encontra no m\u00e1ximo cinco ou seis pargos em um cesto\u201d, disse. A maioria das 300 fam\u00edlias de Carahatas conhece algumas das causas dessa redu\u00e7\u00e3o da vida marinha. \u201cOs chinchorros (redes de arrasto) acabam com os filhotes. Nunca as usamos; pesc\u00e1vamos com cesto ou com pita (fios) e anz\u00f3is\u201d, afirma Machado.<\/p>\n<p>Segundo Vivero, esse tipo de pesca, de impacto negativo na vegeta\u00e7\u00e3o marinha e nas esp\u00e9cies (por capturar exemplares jovens) foi introduzido na regi\u00e3o na d\u00e9cada de 70. \u201cN\u00e3o t\u00ednhamos uma vis\u00e3o clara do dano que est\u00e1vamos causando\u201d, assegura. L\u00edder natural da comunidade, e reeleita v\u00e1rias vezes delegada do Poder Popular de uma das duas circunscri\u00e7\u00f5es da localidade, Vivero afirma que a maioria dos pescadores reconhece o efeito agressivo da pesca de arrasto, atualmente regulada, embora continue sendo usada em \u00e1guas mais profundas.<\/p>\n<p>Em \u00e9pocas de piracema, este tipo de pesca \u00e9 utilizado para capturar os peixes que se agrupam em canais e entre plantas marinhas para emigrarem em cardume at\u00e9 os locais de desova. O resultado \u00e9 que isso impede a reprodu\u00e7\u00e3o comprometendo as produ\u00e7\u00f5es pesqueiras futuras, explicam os especialistas. Por\u00e9m, esse n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico problema de Carahatas, vizinha do Ref\u00fagio de Fauna Las Picu\u00e1s-Cayo Cristo, uma \u00e1rea protegida de 40.250 hectares marinhos e 15.720 hectares terrestres.<\/p>\n<p>Os res\u00edduos l\u00edquidos e s\u00f3lidos que a popula\u00e7\u00e3o joga ao longo da costa, bem como o desmatamento, tamb\u00e9m afetam o habitat marinho e figuram entre os assuntos a serem corrigidos listados por um projeto financiado pelo Programa de Pequenas Doa\u00e7\u00f5es do Fundo para o Meio Ambiente Mundial. Canalizado pelo Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), o projeto para o \u201cUso alternativo dos recursos naturais na comunidade costeira de Carahatas\u201d apresenta, entre outras propostas, o cultivo de esponjas como op\u00e7\u00e3o de trabalho para os pescadores decididos a abandonar a pesca de arrasto.<\/p>\n<p>Felisberto Rodr\u00edguez, de 45 anos, primeiro a se convencer dos benef\u00edcios dessa alternativa, conta que os pescadores locais nunca pensaram que a esponja pudesse ser cultivada, mas agora que viram os primeiros resultados, esperam apenas que aumentem as fazendas para se integrarem ao plano. Rodr\u00edguez trabalhou na semeadura experimental de dois hectares na iniciativa a cargo de Angel Quir\u00f3s, especialista do grupo de Ecologia Marinha do governamental Centro de Estudos e Servi\u00e7os Ambientais (Cesam) de Santa Clara, a 276 quil\u00f4metros de Havana.<\/p>\n<p>O plano agora \u00e9 cultivar 12 hectares que em um ano render\u00e3o uma tonelada de esponjas, que tem cota\u00e7\u00e3o de mais de US$ 15 mil no mercado internacional. Segundo os c\u00e1lculos de Quir\u00f3s, a regi\u00e3o tem potencial para 15 fazendas, atendidas, cada uma, por duas pessoas. \u201cJ\u00e1 tenho semeadas tr\u00eas \u00e1reas de cem metros quadrados cada uma. O pr\u00f3prio mar fornece a semente. Cada esponja pode ser desfeita em at\u00e9 30 peda\u00e7os e isso deve ser feito na \u00e1gua. Gosto de estar nos fundos marinhos. O crescimento \u00e9 lento, mas quando come\u00e7arem as colheitas todos ver\u00e3o o resultado\u201d, afirma Rodr\u00edguez.<\/p>\n<p>Quir\u00f3s defende este cultivo como uma alternativa sustent\u00e1vel, barata e amig\u00e1vel com o meio ambiente, pois n\u00e3o contamina, nem altera o habitat e tampouco cria desperd\u00edcios, nem sofre o impacto da mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Al\u00e9m disso, assegura que estes invertebrados t\u00eam um mercado seguro, principalmente na Europa. \u201cAs esponjas permanecem submersas independente de subir ou baixar o n\u00edvel do mar. Como s\u00e3o criadas em \u00e1reas de muita circula\u00e7\u00e3o de \u00e1gua, tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o afetadas pelas oscila\u00e7\u00f5es de temperatura. Al\u00e9m disso, as fazendas criam ref\u00fagios para organismos pequenos e exemplares juvenis de organismos grandes\u201d, afirma o bi\u00f3logo marinho.<\/p>\n<p>Vivero admite que no come\u00e7o essa ideia n\u00e3o lhe causou \u201ctanto impacto\u201d. Agora se mostra convencida de que a regi\u00e3o costeira de Carahatas \u201c\u00e9 muito prop\u00edcia, com muitos lugares bons para esse cultivo\u201d, que dar\u00e3o emprego a um grupo consider\u00e1vel de homens e mulheres \u201cO interesse aumentar\u00e1 na medida em que se avan\u00e7ar e come\u00e7ar a comercializa\u00e7\u00e3o\u201d, acrescenta. Com produ\u00e7\u00e3o est\u00e1vel, o processo industrial da esponja marinha passa a ser uma boa fonte de emprego feminino. Das mulheres do local, 67% trabalham em suas casas e, delas, \u201c35% ou 36% est\u00e3o pedindo emprego\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A iniciativa, coordenada por Mar\u00eda Elena Perdomo, do Cesam, incluiu pain\u00e9is de educa\u00e7\u00e3o ambiental, reflorestamento e proposta para reduzir as descargas contaminantes, como instala\u00e7\u00e3o de um lix\u00e3o nos arredores do povoado. Tamb\u00e9m inclui um guia para o cultivo de esponjas marinhas e um manual de boas pr\u00e1ticas ambientais em \u00e1reas costeiras. \u201cConseguiu-se que as pessoas entendessem a import\u00e2ncia de cuidar dos recursos e como us\u00e1-los melhor. Tamb\u00e9m nos deu muita informa\u00e7\u00e3o. Agora, a gente se sente dona do que est\u00e1 fazendo\u201d, resume Vivero.<\/p>\n<p>* A autora \u00e9 correspondente da IPS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CARAHATAS, Cuba, 24\/11\/2009 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- Em uma aldeia cubana castigada pela agita\u00e7\u00e3o das ondas e dependente de uma pesca cada vez mais escassa, a cria\u00e7\u00e3o de esponjas desponta como alternativa de renda e desenvolvimento. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/11\/america-latina\/destaques-fazendas-de-esponjas-no-oceano\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":171,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2],"tags":[21,24],"class_list":["post-5836","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5836","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/171"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5836"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5836\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5836"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5836"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5836"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}