{"id":5842,"date":"2009-11-25T12:17:12","date_gmt":"2009-11-25T12:17:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5842"},"modified":"2009-11-25T12:17:12","modified_gmt":"2009-11-25T12:17:12","slug":"mudanca-climatica-o-modelo-dinamarques","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/11\/mundo\/mudanca-climatica-o-modelo-dinamarques\/","title":{"rendered":"MUDAN\u00c7A CLIM\u00c1TICA: O modelo dinamarqu\u00eas"},"content":{"rendered":"<p>Copenhague, 25\/11\/2009 &ndash; Ainda n\u00e3o \u00e9 um fato que em dezembro se chegar\u00e1 a um acordo internacionalmente vinculante para reduzir emiss\u00f5es de gases que provocam o efeito estufa. <!--more--> Mas est\u00e1 claro que, se existe um lugar no mundo que merece ser o cen\u00e1rio de sua assinatura, este \u00e9 Copenhague, a capital dinamarquesa. Gra\u00e7as a um esfor\u00e7o extraordin\u00e1rio do governo e da sociedade civil para melhorar a efici\u00eancia na gera\u00e7\u00e3o e no consumo de energia, e a enormes investimentos em fontes de energias renov\u00e1veis, a Dinamarca \u00e9 atualmente o \u00fanico pa\u00eds que consegue desvincular crescimento econ\u00f4mico das emiss\u00f5es de g\u00e1s-estufa.<\/p>\n<p>Estat\u00edsticas oficiais mostram que, entre 1980 e 2000, o produto interno bruto dinamarqu\u00eas cresceu 78%. No mesmo per\u00edodo, o consumo energ\u00e9tico do pa\u00eds foi praticamente o mesmo. Isto significa que a intensidade energ\u00e9tica \u2013 propor\u00e7\u00e3o de consumo de energia em rela\u00e7\u00e3o ao PIB \u2013 caiu 40%. As emiss\u00f5es dinamarquesas de g\u00e1s-estufa, especialmente o di\u00f3xido de carbono (CO\u00b2), tamb\u00e9m diminu\u00edram substancialmente, cerca de 20%. Segundo a Ag\u00eancia Internacional de Energia, a Dinamarca \u00e9 o terceiro pa\u00eds da Uni\u00e3o Europeia com menor rela\u00e7\u00e3o entre seu PIB e as emiss\u00f5es de carbono. Os dois que a antecedem s\u00e3o Su\u00e9cia e Fran\u00e7a. Ambos (especialmente, o segundo) dependem muito da gera\u00e7\u00e3o de energia nuclear, que se presume estar livre de carbono.<\/p>\n<p>O desenvolvimento exemplar da Dinamarca \u00e9 consequ\u00eancia do aumento da efici\u00eancia na gera\u00e7\u00e3o e no consumo de energia, mas tamb\u00e9m do crescimento de fontes energ\u00e9ticas renov\u00e1veis, em particular o vento, usadas para produzir eletricidade. Anne Grete Holmsgaard, parlamentar pelo Partido Popular Socialista, de oposi\u00e7\u00e3o, disse \u00e0 IPS que um dos fatores mais importantes no aumento da efici\u00eancia do consumo de energia no pa\u00eds \u00e9 a cogera\u00e7\u00e3o de eletricidade e calor. \u201cPraticamente todos os geradores dinamarqueses funcionam de modo dual\u201d, disse Holmsgaard, que tamb\u00e9m \u00e9 uma das principais legisladoras ambientais da Dinamarca.<\/p>\n<p>\u201cA cogera\u00e7\u00e3o de eletricidade e calor garante um uso mais eficiente dos combust\u00edveis na produ\u00e7\u00e3o. Nos geradores mais eficientes podemos atingir efici\u00eancia de at\u00e9 90%\u201d, acrescentou. Atualmente, os geradores combinados de calor e eletricidade constituem um dos m\u00e9todos mais comuns de reciclagem de energia. Enquanto as centrais el\u00e9tricas convencionais deixam que o calor que produzem como derivado da eletricidade flua para a natureza mediante torres de refrigera\u00e7\u00e3o, drenando a \u00e1gua quente para os rios ou por outros meios, os geradores combinados o capturam para us\u00e1-lo na calefa\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica ou industrial.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, nos anos 80 a Dinamarca introduziu elevados padr\u00f5es de efici\u00eancia para edif\u00edcios, programas de etiquetas para produtos el\u00e9tricos e campanhas p\u00fablicas para promover a economia dom\u00e9stica e industrial. Desde ent\u00e3o, estes padr\u00f5es s\u00e3o constantemente atualizados e melhorados. \u201cTamb\u00e9m pagamos impostos muito altos pelo consumo de energia\u201d, disse Holmsgaard \u00e0 IPS. A Dinamarca lan\u00e7ou seu programa de efici\u00eancia energ\u00e9tica na d\u00e9cada de 70, no final da primeira crise do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>\u201cNesse momento \u00e9ramos quase completamente dependentes do petr\u00f3leo e de outros combust\u00edveis f\u00f3sseis\u201d, disse \u00e0 IPS Steen Gade, presidente do Comit\u00ea Dinamarqu\u00eas de Meio Ambiente e Planejamento e do Trust de Economia de Energia Dinamarqu\u00eas. At\u00e9 meados da d\u00e9cada de 70, a Dinamarca gerou 90% de sua eletricidade queimando petr\u00f3leo importado. A queima de carv\u00e3o extra\u00eddo no pa\u00eds gerava os 10% restantes. \u201cO objetivo de nosso primeiro Plano Dinamarqu\u00eas de Energia consciente, de 1976, foi aumentar nossa seguran\u00e7a de fornecimento e reduzir nossa depend\u00eancia dos combust\u00edveis f\u00f3sseis\u201d, disse Gade.<\/p>\n<p>As preocupa\u00e7\u00f5es ambientais n\u00e3o tiveram nenhum papel na concep\u00e7\u00e3o desse plano. Na verdade, o principal objetivo foi melhorar primeiro a efici\u00eancia na gera\u00e7\u00e3o de eletricidade e calor, e converter os geradores do pa\u00eds de petr\u00f3leo para carv\u00e3o. \u201cA energia renov\u00e1vel somente teve um papel marginal no fornecimento de energia nesse momento\u201d, afirmou Gade. O plano seguinte, em 1981, deu \u00eanfase na intensifica\u00e7\u00e3o do desenvolvimento da recupera\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo e do g\u00e1s desde o mar do Norte. Mas, simultaneamente o plano lan\u00e7ou a constru\u00e7\u00e3o e opera\u00e7\u00e3o de turbinas e\u00f3licas e unidades de biomassa, iniciando a atual hist\u00f3ria de sucesso em mat\u00e9ria de gera\u00e7\u00e3o de energias renov\u00e1veis na Dinamarca.<\/p>\n<p>Para 1990, antes que o mundo industrializado come\u00e7asse a pensar em reduzir as emiss\u00f5es de g\u00e1s-estufa, um novo plano dinamarqu\u00eas de energia fixou o objetivo de reduzir em 20% as emiss\u00f5es de CO\u00b2 entre 1998 e 2005. \u201cOs instrumentos mais importantes do plano Energia 2000 foram aumentar o fornecimento de energia renov\u00e1vel, bem como a utiliza\u00e7\u00e3o dos geradores combinados de calor e eletricidade, e mais economia de energias\u201d, afirmou Gade \u00e0 IPS. Desde ent\u00e3o, a cota de energia renov\u00e1vel \u2013 e\u00f3lica, geot\u00e9rmica, solar, biog\u00e1s e de biomassa \u2013 aumentou de maneira constante na Dinamarca, e agora representa 28% do fornecimento el\u00e9trico total do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cPara este aumento da energia renov\u00e1vel foi essencial a decis\u00e3o adotada em 1985, de renunciar \u00e0 energia nuclear\u201d, disse Holmsgaard. \u201cSe a Dinamarca tivesse seguido o exemplo, digamos, da Fran\u00e7a, e come\u00e7ado a construir centrais nucleares, ter\u00edamos bloqueado o desenvolvimento de nosso setor de energia renov\u00e1vel\u201d, acrescentou. Segundo a legisladora, at\u00e9 2020 o pa\u00eds ter\u00e1 reduzido em pelo menos 4% seu consumo de energia, em rela\u00e7\u00e3o a 2006. \u201cMas, podemos ir mais longe e diminuir at\u00e9 45% o consumo de energia at\u00e9 2050. \u00c9 apenas uma decis\u00e3o pol\u00edtica\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p>Entretanto, apesar de sua efici\u00eancia exemplar, o sistema energ\u00e9tico dinamarqu\u00eas tem falhas. Dorthe Vinther, vice-presidente da Energinet, uma empresa p\u00fablica independente que possui as principais redes de eletricidade e g\u00e1s natural na Dinamarca, disse \u00e0 IPS que a rede dinamarquesa ainda \u201cn\u00e3o \u00e9 suficientemente inteligente para coordenar de maneira flex\u00edvel a oferta e a demanda, e nem para compensar as flutua\u00e7\u00f5es que dependem da meteorologia e que s\u00e3o t\u00edpicas das energias e\u00f3lica e solar\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Vinther, essas flutua\u00e7\u00f5es no abastecimento de energias renov\u00e1veis tornam dif\u00edcil atender a demanda b\u00e1sica. \u201cPara conseguir esse objetivo precisamos de melhor previs\u00e3o meteorol\u00f3gica, que nos permita melhorar nosso programa e manejo da oferta de energia e\u00f3lica ou solar\u201d, acrescentou. Al\u00e9m disso, \u201ca rede deve ser capaz de armazenar eletricidade em fases de maior fornecimento de energia e\u00f3lica e solar, e de distribu\u00ed-la em per\u00edodos de baixo fornecimento, para atender constantemente a demanda b\u00e1sica\u201d, afirmou. Vinther disse que essa rede e a previs\u00e3o s\u00e3o fatores a serem considerados na cria\u00e7\u00e3o de um futuro mercado internacional de energias renov\u00e1veis, especialmente a e\u00f3lica.<\/p>\n<p>\u201cA integra\u00e7\u00e3o de energia e\u00f3lica em grande escala exige uma forte rede internacional de transmiss\u00f5es e eficientes mercados el\u00e9tricos internacionais, para comercializar e equilibrar a energia e\u00f3lica em uma \u00e1rea geogr\u00e1fica ampla\u201d, disse Vinther. \u201cPara um projeto internacional dessas caracter\u00edsticas, tamb\u00e9m precisamos de sistemas energ\u00e9ticos coerentes, para aumentar a flexibilidade e a efici\u00eancia econ\u00f4mica, e reduzir o impacto ambiental. E necessitamos de redes inteligentes\u201d, enfatizou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p>* Este artigo \u00e9 parte integrante de uma s\u00e9rie produzida pela IPS (Inter Press Service) e pela IFEJ (Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Jornalistas Ambientais) para a Alian\u00e7a de Comunicadores para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (www.complusalliance.org).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Copenhague, 25\/11\/2009 &ndash; Ainda n\u00e3o \u00e9 um fato que em dezembro se chegar\u00e1 a um acordo internacionalmente vinculante para reduzir emiss\u00f5es de gases que provocam o efeito estufa. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/11\/mundo\/mudanca-climatica-o-modelo-dinamarques\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":109,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,10,4],"tags":[21],"class_list":["post-5842","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-energia","category-mundo","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5842","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/109"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5842"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5842\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5842"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5842"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5842"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}