{"id":5856,"date":"2009-11-27T14:03:20","date_gmt":"2009-11-27T14:03:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5856"},"modified":"2009-11-27T14:03:20","modified_gmt":"2009-11-27T14:03:20","slug":"ambiente-novo-pirata-do-caribe-chega-do-pacifico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/11\/america-latina\/ambiente-novo-pirata-do-caribe-chega-do-pacifico\/","title":{"rendered":"AMBIENTE: Novo pirata do Caribe chega do Pac\u00edfico"},"content":{"rendered":"<p>Caracas, 27\/11\/2009 &ndash; Venenoso, voraz e fecundo, o peixe-le\u00e3o (Pterois voligtans), origin\u00e1rio do oceano Pac\u00edfico, incursionou com for\u00e7a como esp\u00e9cie de fora nas \u00e1guas do mar do Caribe e do golfo do M\u00e9xico, amea\u00e7ando alterar ecossistemas, tradicionais bancos de pesca e \u00e1reas de mergulho mais al\u00e9m, no Atl\u00e2ntico norte e sul.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_5856\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/pezleon2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5856\" class=\"size-medium wp-image-5856\" title=\" - Juan Posada\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/pezleon2.jpg\" alt=\" - Juan Posada\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-5856\" class=\"wp-caption-text\"> - Juan Posada<\/p><\/div>  A hist\u00f3ria parece uma conta apresentada pela Natureza, pois em 1992, na passagem do furac\u00e3o Andrew pela pen\u00ednsula norte-americana da Fl\u00f3rida, se rompeu o aqu\u00e1rio de um restaurante na \u00e1rea dos cais onde havia seis exemplares do peixe de \u00e1guas distantes, que por seu aspecto feroz e arrogante foi batizado de \u201cle\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um peixe bonito, atraente, que chega a medir 45 cent\u00edmetros de comprimento, de corpo colorido com tons vermelhos e pardos com listas brancas, al\u00e9m de chamativas barbatanas dorsais junto \u00e0s quais possui, assim como na regi\u00e3o anal e p\u00e9lvica, perigosas espinhas venenosas\u201d, descreveu \u00e0 IPS o bi\u00f3logo Juan Posada, respons\u00e1vel pelo departamento de biologia de organismos da Universidade Simon Bol\u00edvar, de Caracas.<\/p>\n<p>Em 2004, fio encontrado nas Bahamas, em 2007 em Cuba e nas ilhas Turcas e Caicos, em 2008 no Haiti, Rep\u00fablica Dominicana, Porto Rico, Belize e na ilha colombiana de San Andr\u00e9s, e em 2009 no M\u00e9xico, Honduras, Costa Rica, Panam\u00e1 e, em setembro e outubro, nas ilhas holandesas de Aruba e Bonaire, diante da costa nordeste da Venezuela.<\/p>\n<p>\u201cPode ter chegado tamb\u00e9m vindo nas \u00e1guas de lastre de algum navio mercante, mas \u00e9 menos prov\u00e1vel. As popula\u00e7\u00f5es de peixe-le\u00e3o provavelmente descende dos que fugiram do aqu\u00e1rio e avan\u00e7am gra\u00e7as \u00e0s suas caracter\u00edsticas e porque no Atl\u00e2ntico n\u00e3o t\u00eam predadores naturais, como os grandes peixes do Pac\u00edfico\u201d, disse Posada.<\/p>\n<p>O peixe \u201c\u00e9 extremamente vers\u00e1til e sem predadores progride com facilidade diante de outras esp\u00e9cies. Em primeiro lugar \u00e9 cr\u00edptico, habita preferencialmente entre arrecifes de coral, onde espera outros animais que nem mesmo o reconhecem como um peixe, abre a boca e come tudo o que passa pela frente\u201d, disse \u00e0 IPS Oscar Lasso, icitiologista da Funda\u00e7\u00e3o de Ci\u00eancias Naturais La Salle, da Venezuela.<\/p>\n<p>Mas pode viver ainda a 175 metros de profundidade, e ao crescer \u00e9 praticamente imune por estar eri\u00e7ado de espinhos venenosos. De prefer\u00eancia come pequenos peixes, invertebrados, filhotes de lagosta, que s\u00e3o abundantes devido \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o de sua pesca em diversas \u00e1reas do Caribe, e \u00e9 particularmente voraz, amea\u00e7ando \u00e1reas de pesca inteiras. \u201cPode aumentar at\u00e9 30 vezes o tamanho de seu est\u00f4mago. Dentro de um exemplar capturado nas Bahamas foram encontrados 17 filhotes de pargo, de tr\u00eas cent\u00edmetros. Se no Pac\u00edfico um adulto chega a 38 cent\u00edmetros de comprimento, no Caribe s\u00e3o encontrados exemplares com 45 cent\u00edmetros, o que d\u00e1 uma ideia de seu \u00eaxito como esp\u00e9cie invasora\u201d, alertou Lasso.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, destacou o especialista, \u00e9 extremamente fecundo. Uma f\u00eamea, como ocorre com outras esp\u00e9cies, pode por um milh\u00e3o de ovos, e como em casos semelhantes, os ovos podem ser devorados, mas os do peixe-le\u00e3o t\u00eam mais oportunidade de sobreviver porque as f\u00eameas n\u00e3o desovam em temporadas, mas durante todo o ano. Os ovos, fecundados, flutuam e se espalham ajudando os filhotes a irem cada vez mais longe. \u201cPor experi\u00eancia, \u00e9 praticamente erradicar a esp\u00e9cie, chegou para ficar, ser\u00e1 preciso conviver com o problema e tentar manej\u00e1-lo\u201d, disse Posada.<\/p>\n<p>A dificuldade para seu manejo est\u00e1 nas fortalezas do peixe, inclu\u00eddo o veneno prot\u00e9ico que fica em uma esp\u00e9cie de c\u00e1psula entre as duas p\u00faas de cada espinho e que \u00e9 disparado ao simples contato com o mais longo deles. Embora o veneno n\u00e3o seja letal para humanos, produzi intensa dor na \u00e1rea afetada, e geralmente n\u00e1useas, vomito, enj\u00f4os, dor de cabe\u00e7a, ansiedade e, talvez, influa em arritmias, com efeito durante horas e at\u00e9 dias\u201d, explicou Posada.<\/p>\n<p>Entre os cuidados b\u00e1sicos para os afetados est\u00e3o limpar a ferida com soro salino para eliminar restos de espinhos e gl\u00e2ndulas venenosas, tomar um analg\u00e9sico e mergulhar a \u00e1rea afetada em \u00e1gua o mais quente poss\u00edvel durante 30 minutos, pois o veneno se desnaturaliza com o calor, aconselha Posada. \u201cO mesmo principio de desnaturalizar o veneno funciona para que captura um peixe e deseja com\u00ea-lo, pois \u00e9 comest\u00edvel, sua carne \u00e9 boa, mas n\u00e3o chega a substituir esp\u00e9cies pr\u00f3prias do Atl\u00e2ntico e do Caribe, que destr\u00f3i\u201d, acrescentou. Inclusive, Posada brincou dizendo que \u201cpensamos que uma maneira de propiciar sua redu\u00e7\u00e3o \u00e9 espalhar o boato de que sua carne \u00e9 um poderoso afrodis\u00edaco\u201d.<\/p>\n<p>Lasso chamou a aten\u00e7\u00e3o para a for\u00e7a destruidora de esp\u00e9cies estrangeiras introduzidas, de maneira acidental ou pelas \u00e1guas de lastre (usada para estabilizar os navios) das embarca\u00e7\u00f5es mercantis, tomadas no local de partida e descarregada sem maiores controles, no passado, nos portos de destino. Assim chegou, por exemplo, o blenio hocicudo (Omobranchus punctatus), possivelmente levado para Trinidade por cargueiros desde a \u00cdndia no s\u00e9culo XIX, detectado no golfo de Paria que separa essa ilha da Venezuela, h\u00e1 cerca de 80 anos e que compete pelo habitat, embora n\u00e3o com a voracidade do peixe-le\u00e3o, desde o litoral do M\u00e9xico ao do Brasil.<\/p>\n<p>Os ictiologistas apostam na informa\u00e7\u00e3o aos pescadores, para mergulhadores esportivos ou profissionais, para autoridades, navegantes, comunidades litor\u00e2neas e consumidores, sobre os riscos da introdu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies de fora. O exemplo, na Venezuela com em dezenas de outros pa\u00edses, \u00e9 o da til\u00e1pia, em sua variedade negra ou de Mo\u00e7ambique (Oreochromis mossambicus) ou h\u00eddrica de quatro variedades que a produz vermelha ourosada, e que teve impacto negativo na fauna aqu\u00e1tica de rios, lagoas, lagunas e estu\u00e1rios.<\/p>\n<p>Lasso recordou que quando h\u00e1 algumas d\u00e9cadas foram introduzidos 800 exemplares da variedade mo\u00e7ambicana na lagoa de Patos, no nordeste venezuelano, existam nesse pequeno corpo de \u00e1gua outras 30 esp\u00e9cies de fauna aqu\u00e1tica. Cinco anos depois, 80% delas haviam desaparecido.<\/p>\n<p>Os pesquisadores insistiram que \u201ca presen\u00e7a e introdu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies de fora, como mascotes, para contempla\u00e7\u00e3o, decorativas ou com prop\u00f3sito de fazer dinheiro rapidamente, como foi o caso da til\u00e1pia, costuma ter efeitos prejudiciais para o entorno e, lamentavelmente, o peixe-le\u00e3o seguramente ajuda nisso\u201d. Sobre quanto afetar\u00e1 o Caribe, sua pesca e seu turismo, ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel prever. Apenas acaba de aparecer um novo pirata neste mar povoado de historias de pirataria. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caracas, 27\/11\/2009 &ndash; Venenoso, voraz e fecundo, o peixe-le\u00e3o (Pterois voligtans), origin\u00e1rio do oceano Pac\u00edfico, incursionou com for\u00e7a como esp\u00e9cie de fora nas \u00e1guas do mar do Caribe e do golfo do M\u00e9xico, amea\u00e7ando alterar ecossistemas, tradicionais bancos de pesca e \u00e1reas de mergulho mais al\u00e9m, no Atl\u00e2ntico norte e sul. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/11\/america-latina\/ambiente-novo-pirata-do-caribe-chega-do-pacifico\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":90,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2],"tags":[],"class_list":["post-5856","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5856","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/90"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5856"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5856\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5856"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5856"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5856"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}