{"id":5863,"date":"2009-11-30T13:16:02","date_gmt":"2009-11-30T13:16:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5863"},"modified":"2009-11-30T13:16:02","modified_gmt":"2009-11-30T13:16:02","slug":"per-harmonizar-os-esforcos-dos-cientistas-africanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/11\/africa\/per-harmonizar-os-esforcos-dos-cientistas-africanos\/","title":{"rendered":"PeR: harmonizar os esfor\u00e7os dos cientistas africanos"},"content":{"rendered":"<p>ADIS ABEBA, 30\/11\/2009 &ndash; Cerca de 100 milh\u00f5es de pessoas em \u00c1frica sofrem de esquistossom\u00edase, uma doen\u00e7a cr\u00f3nica causada por um parasita associado a carac\u00f3is de \u00e1gua doce. O verme esquissoma causa uma doen\u00e7a debilitante que pode danificar os org\u00e3os internos e impedir o crescimento e o desenvolvimento cognitivo das crian\u00e7as. <!--more--> Os impactos s\u00f3cio-econ\u00f3micos negativos desta condi\u00e7\u00e3o s\u00f3 s\u00e3o ultrapassados pela mal\u00e1ria, apesar de poder ser controlado por uma \u00fanica dose anual do medicamento praziquantel. <\/p>\n<p>Sanaa Botros, professora de farmacologia no Minist\u00e9rio de Investiga\u00e7\u00e3o Cientifica eg\u00edpcio, \u00e9 uma das principais investigadoras do tratamento da esquistossom\u00edase e de outras doen\u00e7as tropicais. <\/p>\n<p>Foi uma das cinco mulheres recentemente reconhecidas pela Uni\u00e3o Africana pelos seus contributos cient\u00edficos.<\/p>\n<p>IPS: Quais s\u00e3o alguns dos resultados da sua pesquisa? <\/p>\n<p>SANAA BOTROS: (Durante muito tempo no Egipto), o \u00fanico medicamento dispon\u00edvel para tratar a esquistossom\u00edase era importado. Uma empresa local desenvolvou um medicamento para esta doen\u00e7a. Procedi \u00e0 compara\u00e7\u00e3o com o medicamento importado e demonstrei que ambos tinham um efeito curativo. Agora estamos a usar em todo o pa\u00eds o medicamento produzido localmente, o que poupou muito dinheiro ao pa\u00eds.<\/p>\n<p>Penso que, quando podemos dizer ao governo que o medicamento produzido em casa \u00e9 id\u00eantico ao importado para tratar a doen\u00e7a, \u00e9 um grande feito. <\/p>\n<p>Parte da minha outra pesquisa debru\u00e7ou-se sobre um dos medicamentos introduzidos recentemente para a esquistossom\u00edase, cujos fabricantes afirmavam que tinha uma taxa de cura de 98 a 100 por cento. <\/p>\n<p>Quando estudei o medicamento, verifiquei que n\u00e3o era eficaz. Com base no meu relat\u00f3rio, o governo suspendeu a distribui\u00e7\u00e3o deste medicamento e um outro pa\u00eds africano desistiu do seu plano de aquisi\u00e7\u00e3o do medicamento. <\/p>\n<p>IPS: A senhora \u00e9 membro da Rede Africana de Medicamentos e Inova\u00e7\u00f5es no Diagn\u00f3stico (ANDI). Qual \u00e9 a finalidade desta rede? <\/p>\n<p>SB: Quando inici\u00e1mos este trabalho, encontr\u00e1mos uma grande capacidade dispersa, sem articula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Posso estar a fazer um bom trabalho (sobre a esquistossom\u00edase) no Egipto, mas outra pessoa na \u00c1frica do Sul pode n\u00e3o saber nada sobre mim ou sbore aquilo que estou a fazer. Temos excelentes rela\u00e7\u00f5es de trabalho com pa\u00edses como a Nig\u00e9ria e a Guin\u00e9, especialmente sobre a mal\u00e1ria. Mas estes esfor\u00e7os n\u00e3o est\u00e3o harmonizados. <\/p>\n<p>Para os cientistas africanos, \u00e9 muito importante harmonizar estes esfor\u00e7os. <\/p>\n<p>IPS: Algumas pessoas dizem que a Uni\u00e3o Africana tem descurado a \u00e1rea da investiga\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e cient\u00edfica. Partilha dessa ideia?<\/p>\n<p>SB: Na verdade, acredito que essa atitude est\u00e1 a mudar bastante. Verifico que isso se passa ao n\u00edvel da ANDI. Estamos a trabalhar h\u00e1 perto de um ano e agora estamos em vias de formular um plano de neg\u00f3cios para implementa\u00e7\u00e3o. Posso dizer que h\u00e1 a percep\u00e7\u00e3o que, se n\u00e3o promovermos a ci\u00eancia e tecnologia ao n\u00edvel da Uni\u00e3o Africana, n\u00e3o vamos conseguir ter desenvolvimento. <\/p>\n<p>IPS: Na sua opini\u00e3o, quais foram as consequ\u00eancias da reduzida prioridade atribu\u00edda \u00e0 ci\u00eancia at\u00e9 agora? <\/p>\n<p>SB: N\u00e3o pode haver desenvolvimento se n\u00e3o se focar a investiga\u00e7\u00e3o, ci\u00eancia e tecnologia. <\/p>\n<p>IPS: Como \u00e9 que v\u00ea o papel das mulheres na \u00e1rea da investiga\u00e7\u00e3o cientifica em \u00c1frica? <\/p>\n<p>SB: No meu instituto, assim como no Egipto, temos uma elevada percentagem de mulheres cientistas. Mas isso n\u00e3o quer dizer que esteja tudo bem.<\/p>\n<p>Temos vereadoras, mulheres pol\u00edcia e mulheres a trabalhar em campos diferentes. Mas tamb\u00e9m temos problemas a n\u00edvel da representa\u00e7\u00e3o das mulheres no parlamento. <\/p>\n<p>A n\u00edvel africano, julgo que n\u00f3s, as mulheres, temos de envidar muito mais esfor\u00e7os para assegurar que o nosso papel aumente. Sei que muitas organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais trabalham em prol da autonomiza\u00e7\u00e3o das mulheres em \u00c1frica. Mas n\u00e3o temos criado articula\u00e7\u00f5es suficientes entre os diferentes pa\u00edses. <\/p>\n<p>IPS: Qual foi o per\u00edodo mais dif\u00edcil da sua carreira? <\/p>\n<p>SB: Quando iniciei a minha profiss\u00e3o como jovem cientista, depois de ter feito o meu doutoramento. As pessoas n\u00e3o me conheciam, e quando lhes pedia para patrocinarem a minha investiga\u00e7\u00e3o, rejeitavam-me, perguntando \u201cQuem \u00e9 a Sanaa Botros do Egipto?\u201d. <\/p>\n<p>Penso que o facto de ser africana e mulher contribuiu, em parte, para tal situa\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>IPS: O que \u00e9 que o pr\u00e9mio da Uni\u00e3o Africana significa para si? <\/p>\n<p>SB: Tem um enorme sigfnificado, porque a aprecia\u00e7\u00e3o e o reconhecimento do continente significa que \u00c1frica est\u00e1 a olhar para mim e isso motiva-me a fazer mais e ter a consci\u00eancia que o continente espera mais de mim. <\/p>\n<p>Quando trabalhamos como farmac\u00eauticos nos laborat\u00f3rios, n\u00e3o nos sentimos recompensados porque n\u00e3o vemos os doentes a serem curados, como acontece com os m\u00e9dicos. Isto representa uma recompensa. <\/p>\n<p>IPS: Se as raparigas das aldeias rurais ou de bairros pobres nas zonas urbanas algures em \u00c1frica lhe perguntarem como \u00e9 que podem seguir os seus passos, o que \u00e9 que lhes diria? <\/p>\n<p>SB: Fa\u00e7am tudo para terem educa\u00e7\u00e3o. Felizmente, quando era crian\u00e7a e jovem, tive excelentes professores, que incentivaram os meus interesses, o que me ajudou imenso a chegar \u00e0 situa\u00e7\u00e3o que actualmente tenho. <\/p>\n<p>Portanto, julgo que os professores s\u00e3o personalidades fundamentais que influenciam o futuro das raparigas africanas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ADIS ABEBA, 30\/11\/2009 &ndash; Cerca de 100 milh\u00f5es de pessoas em \u00c1frica sofrem de esquistossom\u00edase, uma doen\u00e7a cr\u00f3nica causada por um parasita associado a carac\u00f3is de \u00e1gua doce. 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