{"id":5868,"date":"2009-11-30T15:05:02","date_gmt":"2009-11-30T15:05:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5868"},"modified":"2009-11-30T15:05:02","modified_gmt":"2009-11-30T15:05:02","slug":"mulheres-america-latina-a-batalha-cotidiana-na-imprensa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/11\/america-latina\/mulheres-america-latina-a-batalha-cotidiana-na-imprensa\/","title":{"rendered":"MULHERES-AM\u00c9RICA LATINA: A batalha cotidiana na imprensa"},"content":{"rendered":"<p>Lima, 30\/11\/2009 &ndash; \u201cA imprensa mudar\u00e1 quando deixar de informar apenas em masculino\u201d, disse a vice-ministra da Mulher do Peru, Norma A\u00f1a\u00f1os, diante dos presentes no semin\u00e1rio internacional para jornalistas \u201cMulheres trabalhando, mulheres liderando\u201d, encerrado s\u00e1bado na capital peruana.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_5868\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/SeminarioPeruLuisGamero_IPS1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5868\" class=\"size-medium wp-image-5868\" title=\" - Luis Gamero\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/SeminarioPeruLuisGamero_IPS1.jpg\" alt=\" - Luis Gamero\/IPS\" width=\"200\" height=\"134\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-5868\" class=\"wp-caption-text\"> - Luis Gamero\/IPS<\/p><\/div>  A dura reprova\u00e7\u00e3o de A\u00f1a\u00f1os teve como especial refer\u00eancia o modo como os meios de comunica\u00e7\u00e3o informaram sobre os 116 feminic\u00eddios \u2013 como s\u00e3o chamados os assassinatos de mulheres por raz\u00f5es de g\u00eanero \u2013, cometidos entre janeiro e outubro no Peru pelos companheiros das vitimas, na maioria dos casos em espa\u00e7os \u00edntimos. \u201cQuase todos esses crimes foram not\u00edcia nas se\u00e7\u00f5es policiais, o que j\u00e1 \u00e9 uma forma de discrimina\u00e7\u00e3o\u201d, disse A\u00f1a\u00f1os. \u201cParece que, para a imprensa, as mulheres s\u00e3o importantes e acabam na primeira p\u00e1gina quando s\u00e3o mortas. Isso deve mudar\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O semin\u00e1rio foi organizado pela ag\u00eancia de not\u00edcias IPS (Inter Press Service), pelo Comit\u00ea da Am\u00e9rica Latina e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher (Cladem) e pela Associa\u00e7\u00e3o de Comunicadores Sociais Calandria, com patroc\u00ednio do MDG3 Fund (Fundo para os Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio N\u00famero Tr\u00eas), do governo da Holanda. A atividade foi convocada pelas organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais Demus, Associa\u00e7\u00e3o de Desenvolvimento Comunit\u00e1rio (ADC) e Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Jornalistas, com participa\u00e7\u00e3o da Comunidade Andina de Na\u00e7\u00f5es, Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Mulher (Unifem) e Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho.<\/p>\n<p>O encontro constituiu-se em um espa\u00e7o para onde conflu\u00edram representantes da sociedade civil e de institui\u00e7\u00f5es do Estado, aproximadamente cem jornalistas e comunicadores especializados em igualdade de g\u00eanero e trabalhista, bem como mulheres que participam da pol\u00edtica. Na agenda foi apresentada uma quest\u00e3o concreta: o que fazer para que estes temas sejam atraentes para os meios de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Durante o semin\u00e1rio, a IPS lan\u00e7ou seu manual \u201cAs rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero no trabalho produtivo e reprodutivo\u201d, escrito pelas especialistas uruguaias L\u00edlian Celiberti e Serrana Mesa. A antrop\u00f3loga Mesa esteve presente na cerim\u00f4nia e referiu-se ao conte\u00fado do texto como um trabalho destinado a colaborar com a \u201cgera\u00e7\u00e3o dessas pequenas varia\u00e7\u00f5es\u201d\u2019 na forma como os jornalistas e os meios de comunica\u00e7\u00e3o abordam estes temas que, com o passar do tempo, contribuem para a mudan\u00e7a cultural. Na sexta-feira, a legisladora peruana Hil\u00e1ria Supa saudou o p\u00fablico em sua l\u00edngua, o qu\u00e9chua, e fez uma resenha sobre sua vida de explora\u00e7\u00e3o, luta e reivindica\u00e7\u00e3o das causas das mulheres de seu povo.<\/p>\n<p>Lola Valladares, respons\u00e1vel para a \u00e1rea andina de Governabilidade e Viol\u00eancia do Unifem, disse que \u201ca mulher, que representa metade da ra\u00e7a humana, n\u00e3o pode ser agredida violentamente e, entretanto, a imprensa n\u00e3o repercute esses fatos, e, se o faz, os trata como cr\u00f4nica marrom\u201d. Representantes de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais somaram-se \u00e0 chuva de cr\u00edticas \u00e0 m\u00eddia, porque, em lugar de promover uma cobertura equitativa da not\u00edcia com atores masculinos e femininos, reproduz agressivos estere\u00f3tipos sobre a mulher.<\/p>\n<p>Uma camponesa interveio com uma not\u00e1vel experi\u00eancia pr\u00f3pria. Rosa Palomino Chahuares, natural da localidade de Puno, no altiplano \u2013 que se definiu como comunicadora do povo aymara \u2013, contou que, h\u00e1 21 anos, apresenta um programa de r\u00e1dio, com dura\u00e7\u00e3o de uma hora, transmitido uma vez por semana e que se chama \u201cWi\u00f1ay Pankiara\u201d (Sempre Florescendo, em aymara) e que continuar\u00e1 apresentando at\u00e9 o \u00faltimo dia de sua vida. Ao contr\u00e1rio da grande maioria, esta vizinha do Lago Titicaca n\u00e3o se queixou.<\/p>\n<p>\u201cComo nenhuma emissora informava sobre as mulheres, e muito menos em aymara, ent\u00e3o fiz o trabalho de produ\u00e7\u00e3o do programa\u201d, disse. \u201cEu n\u00e3o traduzo os jornais nem o que dizem as outras r\u00e1dios ou a televis\u00e3o. Vou at\u00e9 as comunidades para que as mulheres contem seus problemas, suas tristezas, suas esperan\u00e7as. E depois, na r\u00e1dio, divulgo o que dizem. \u00c0s vezes, n\u00e3o querem falar, ent\u00e3o lhes digo para contarem cantando. E assim o fazem, e se sentem melhor\u201d, contou Pankiara.<\/p>\n<p>A diretora-executiva da Associa\u00e7\u00e3o de Comunicadores Sociais Calandria, Mirtha Correa \u00c1lamo, deu raz\u00e3o \u00e0 jornalista aymara quando disse que havia muitas not\u00edcias que a m\u00eddia passava por cima, como a cada vez mais reduzida participa\u00e7\u00e3o feminina na pol\u00edtica. \u201cVivemos em um pa\u00eds onde as estat\u00edsticas registram importante crescimento do produto interno bruto e redu\u00e7\u00e3o da pobreza, apesar da crise econ\u00f4mica, mas \u00e9 exatamente o fator econ\u00f4mico que limita a participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das mulheres\u201d, afirmou. Como exemplo, disse que, enquanto mais de 5% das prefeituras eram lideradas, \u201centre 1999 e 2002, por mulheres, hoje chegam a apenas 2%. Entre 2003 e 2006, havia tr\u00eas presidentes de governos regionais, agora n\u00e3o h\u00e1 nenhuma. Isto deveria ser noticia, mas n\u00e3o \u00e9\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O semin\u00e1rio tamb\u00e9m serviu para que Mariela Jar\u00e1, da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental Estudo para a Defesa dos Direitos da Mulher (Demus), apresentasse o Observat\u00f3rio Regional das Mulheres na M\u00eddia, projeto do qual participam organiza\u00e7\u00f5es da Argentina, Bol\u00edvia, Chile, Col\u00f4mbia, Equador e Peru, e cuja finalidade \u00e9 registrar e analisar a cobertura que os meios de comunica\u00e7\u00e3o d\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia de g\u00eanero. \u201cO objetivo \u00e9 promover um jornalismo pela igualdade e n\u00e3o pela viol\u00eancia de g\u00eanero\u201d, disse. \u201cO Observat\u00f3rio dar\u00e1 indicadores para alertar os ve\u00edculos sobre os n\u00edveis de difus\u00e3o de mensagens que legitimam a viol\u00eancia de g\u00eanero, e tentaremos fazer com que a imprensa se pergunte se em suas pr\u00f3prias reda\u00e7\u00f5es h\u00e1 igualdade\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A editora regional para a Am\u00e9rica Latina da IPS, Diana Cariboni, demonstrou, a partir da experi\u00eancia desta ag\u00eancia de not\u00edcias, que \u00e9 poss\u00edvel fazer coberturas com a perspectiva de g\u00eanero. Entretanto, ressaltou que depende muito dos pr\u00f3prios jornalistas, mais do que dos meios de comunica\u00e7\u00e3o em si. Citando cifras do informe de 2005 do Monitoramento Global de M\u00eddia, ressaltou que as mulheres representavam apenas 21% das fontes consultadas pela imprensa.<\/p>\n<p>Contou que, para os assuntos de economia chegam a apenas 20%, e em pol\u00edtica e governo, somente a 14%. Acrescentou que 86% dos porta-vozes citados pela imprensa s\u00e3o homens e 83% no caso de especialistas consultados. E, quando se trata de experi\u00eancias pessoais, 31% s\u00e3o mulheres. \u201cO monitoramento reflete uma evidente discrimina\u00e7\u00e3o da mulher na cobertura jornal\u00edstica, portanto, n\u00e3o h\u00e1 equil\u00edbrio, e assim sendo, n\u00e3o se est\u00e1 fazendo bom jornalismo\u201d, disse Cariboni.<\/p>\n<p>\u201cMas, como equilibrar a balan\u00e7a? Primeiro, deixando de lado a busca estereotipada de fontes. E comecemos agora, invertendo os papeis. Por exemplo, quando se trata de abordar a crise econ\u00f4mica, que o especialista seja uma mulher e, em lugar de entrevistar uma dona de casa queixosa, busquemos um homem da rua\u201d. Cariboni, mostrando exemplos da cobertura noticiosa realizada pela IPS no mundo, tamb\u00e9m desafiou os jornalistas a investigarem. \u201cA not\u00edcia n\u00e3o cai do c\u00e9u, \u00e9 preciso ir busc\u00e1-la porque esse \u00e9 nosso trabalho e \u00e9 isso que esperam de n\u00f3s\u201d, ressaltou. \u201cDeve-se falar com as pessoas, frequentar as comunidades, informar a partir do local dos fatos. Ningu\u00e9m vai fazer por n\u00f3s\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A editora da IPS tamb\u00e9m afirmou que deve ser desenvolvida uma rede de fontes n\u00e3o tradicionais, ouvir as mulheres n\u00e3o apenas como vitimas ou sujeitos passivos, mas como protagonistas. \u201cSe queremos deixar de trat\u00e1-las de maneira discriminat\u00f3ria em nossas mat\u00e9rias, devemos cit\u00e1-las com seus nomes e sobrenomes, e evitar chamar pelo nome de batismo as mulheres pobres\u201d.<\/p>\n<p>Cariboni apresentou v\u00e1rias reportagens de jornalistas da IPS caracterizadas por sua profundidade, variedade de fontes, por investiga\u00e7\u00f5es no local dos fatos e, especialmente, porque se apresentava a voz dos que frequentemente n\u00e3o aparecem nas not\u00edcias. \u201cNosso trabalho n\u00e3o consiste em reproduzir as notas de imprensa e as declara\u00e7\u00f5es oficiais, mas em ir buscar e publicar as not\u00edcias que as pessoas necessitam\u201d, concluiu. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lima, 30\/11\/2009 &ndash; \u201cA imprensa mudar\u00e1 quando deixar de informar apenas em masculino\u201d, disse a vice-ministra da Mulher do Peru, Norma A\u00f1a\u00f1os, diante dos presentes no semin\u00e1rio internacional para jornalistas \u201cMulheres trabalhando, mulheres liderando\u201d, encerrado s\u00e1bado na capital peruana. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/11\/america-latina\/mulheres-america-latina-a-batalha-cotidiana-na-imprensa\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":16,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,11],"tags":[21,24],"class_list":["post-5868","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-politica","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5868","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/16"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5868"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5868\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5868"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5868"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5868"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}