{"id":5871,"date":"2009-12-01T11:21:41","date_gmt":"2009-12-01T11:21:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5871"},"modified":"2009-12-01T11:21:41","modified_gmt":"2009-12-01T11:21:41","slug":"grandes-nomes-chegaremos-a-tempo-a-copenhague","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/12\/mundo\/grandes-nomes-chegaremos-a-tempo-a-copenhague\/","title":{"rendered":"GRANDES NOMES: Chegaremos a tempo a Copenhague?"},"content":{"rendered":"<p>HAVANA, 01\/12\/2009 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- S\u00f3 a consci\u00eancia de que deve haver uma colabora\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel e profunda entre pa\u00edses ricos e pobres poder\u00e1 deter uma tend\u00eancia suicida que afetar\u00e1 por igual uns e outros, afirma neste artigo exclusivo o escritor cubano Leonardo Padura.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_5871\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/450_2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5871\" class=\"size-medium wp-image-5871\" title=\" - Fabricio Vanden Broeck\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/450_2.jpg\" alt=\" - Fabricio Vanden Broeck\" width=\"200\" height=\"171\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-5871\" class=\"wp-caption-text\"> - Fabricio Vanden Broeck<\/p><\/div>  Talvez, a mais importante li\u00e7\u00e3o que a crise econ\u00f4mica e financeira global est\u00e1 nos deixando seja as propor\u00e7\u00f5es que seu nome envolve. Ao apresentar dimens\u00f5es globais, ficou mais evidente para n\u00f3s como uma f\u00e1brica que fecha suas portas em Detroit pode levar seus efeitos catastr\u00f3ficos at\u00e9 Lagos ou S\u00e3o Paulo, ou como a perda do emprego de um oper\u00e1rio na Espanha faz com que aconte\u00e7a o mesmo a outro na China.<\/p>\n<p>A evid\u00eancia de que a economia global, as tecnologias de ponta e a interdepend\u00eancia comercial fazem do mundo moderno um sistema de conex\u00f5es no qual todas as suas partes influem, tamb\u00e9m serviu para ressaltar que essa rela\u00e7\u00e3o da \u201caldeia global\u201d poder\u00e1 se manter somente com a instrumenta\u00e7\u00e3o de uma mudan\u00e7a bastante radical de estruturas sist\u00eamicas. Por\u00e9m, esta mudan\u00e7a, que para tantos resulta inquestion\u00e1vel se a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 sustentar o modelo econ\u00f4mico, implica estabelecer uma vis\u00e3o diferente do consumo dos recursos naturais e a consequente necessidade de adotar uma rela\u00e7\u00e3o mais harm\u00f4nica com o meio ambiente.<\/p>\n<p>Desde muito antes de ser desatada a crise econ\u00f4mica que percorre o mundo, sab\u00edamos que a fuma\u00e7a lan\u00e7ada na China tamb\u00e9m \u00e9 respirada pelos europeus, e que uma f\u00e1brica de ve\u00edculos consumidores de combust\u00edvel de Detroit provoca uma contamina\u00e7\u00e3o na atmosfera e um aceleramento no esgotamento das fontes energ\u00e9ticas tradicionais capaz de afetar todo o planeta e comprometer seu futuro.<\/p>\n<p>Entretanto, a plena consci\u00eancia de que a economia especulativa e sem regulamenta\u00e7\u00f5es, e a consequente deteriora\u00e7\u00e3o de um ambiente que \u00e9 visto somente como fonte de lucro, estava tocando os limites de sua capacidade de resist\u00eancia, n\u00e3o conseguiu deter, com a seriedade exigida, os modos de produ\u00e7\u00e3o e de consumo existentes e nem as agress\u00f5es contra a natureza.<\/p>\n<p>Entre as certezas que t\u00ednhamos antes da crise \u2013 e que esta serviu para destacar \u2013, est\u00e1 o fato de as economias das na\u00e7\u00f5es mais industrializadas, respons\u00e1veis protagonistas da quebra econ\u00f4mica, s\u00e3o as principais consumidoras de recursos naturais e, muitas vezes, as maiores agressoras do meio ambiente. Algumas delas, v\u00e1rias na Europa e muito golpeadas pela crise, demonstraram vontade pol\u00edtica de come\u00e7ar a mudar pol\u00edticas econ\u00f4micas, e inclusive impulsionam com renovada \u00eanfase a aplica\u00e7\u00e3o das tecnologias \u201cverdes\u201d. Outras, entretanto, muito preocupadas com as solu\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas imediatas, ou presas na contradi\u00e7\u00e3o mercantilista e desenvolvimentista do sistema, ainda n\u00e3o d\u00e3o o passo para marcar a dist\u00e2ncia entre as inten\u00e7\u00f5es e as a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Talvez, a pr\u00f3pria sa\u00edda (presumivelmente tempor\u00e1ria) da crise econ\u00f4mica e financeira provoque um sentimento triunfalista que, por sua vez, impedir\u00e1 esses pa\u00edses de darem o salto necess\u00e1rio&#8230; E, ent\u00e3o, n\u00e3o estariam fazendo mais do que abrir o caminho para a pr\u00f3xima crise e para um desastre ecol\u00f3gico mais devastador. A esta altura do conhecimento dos resultados que trouxeram para a natureza os modelos econ\u00f4micos neoliberais e, sobretudo, das catastr\u00f3ficas consequ\u00eancias que sofreremos se n\u00e3o se der um giro imediato na rela\u00e7\u00e3o entre economia e recursos naturais, pode parecer loucura n\u00e3o adotar as medidas necess\u00e1rias.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida, um dos temas mais \u00e1lgidos desta problem\u00e1tica resida na responsabilidade (ou melhor, na capacidade de estabelecer pol\u00edticas efetivas) dos pa\u00edses que levaram a sa\u00fade econ\u00f4mica e f\u00edsica do planeta ao seu estado atual. Tamb\u00e9m est\u00e1 a necessidade \u2013 e at\u00e9 o direito \u2013 de outros pa\u00edses apararem suas lament\u00e1veis condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, acudindo a tecnologias tradicionais mais baratas ou a novas propostas de consequ\u00eancias imprevis\u00edveis, entre as quais os pol\u00eamicos biocombust\u00edveis.<\/p>\n<p>Somente a consci\u00eancia de que deve haver uma colabora\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel e profunda entre pa\u00edses ricos e pobres, capaz de expandir o desfrute de certos n\u00edveis de desenvolvimento a estes \u00faltimos e uma redefini\u00e7\u00e3o do consumo \u2013 inclu\u00eddo o de combust\u00edveis renov\u00e1veis \u2013 poder\u00e1 deter uma tend\u00eancia suicida que, em seu desenlace, afetar\u00e1 por igual uns e outros, precisamente porque vivemos em um mundo global. A confer\u00eancia mundial sobre mudan\u00e7a clim\u00e1tica, convocada pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas para 7 a 18 de dezembro em Copenhague, chega bem a tempo somente se as li\u00e7\u00f5es da crise estiverem assimiladas, sobretudo pelos que a provocaram.<\/p>\n<p>O que est\u00e1 em jogo hoje n\u00e3o \u00e9 a sa\u00edda de uma crise ou o exorcismo da pr\u00f3xima, mas o futuro imediato da civiliza\u00e7\u00e3o humana. J\u00e1 se viu as sequelas que o af\u00e3 por lucro provocou nos neg\u00f3cios, nas finan\u00e7as e at\u00e9 na vida cotidiana da quase totalidade dos habitantes do planeta.<\/p>\n<p>Se depreende como li\u00e7\u00e3o a necessidade de uma racionalidade econ\u00f4mica que alguns chamam de \u201crevolu\u00e7\u00e3o dos modelos\u201d, para a qual \u00e9 inevit\u00e1vel a interven\u00e7\u00e3o dos Estados e, com ela, a f\u00e9rrea aplica\u00e7\u00e3o de concep\u00e7\u00f5es produtivas e de consumo que aliviem a tens\u00e3o do ambiente, para o que \u00e9 necess\u00e1ria a interven\u00e7\u00e3o de cada cidad\u00e3o, promovendo outra revolu\u00e7\u00e3o, neste caso dos costumes.<\/p>\n<p>Somente com esta vontade e, mais ainda, com essa pol\u00edtica, a confer\u00eancia de Copenhague n\u00e3o ter\u00e1 chegado muito tarde.<\/p>\n<p>* Leonardo Padura \u00e9 escritor e jornalista cubano. Suas novelas foram traduzidas para mais de 15 idiomas e sua obra mais recente, \u201cO homem que amava os c\u00e3es\u201d, tem como personagens centrais Leon Trotsky e seu assassino, Ramon Mercader. Direitos exclusivos IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>HAVANA, 01\/12\/2009 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- S\u00f3 a consci\u00eancia de que deve haver uma colabora\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel e profunda entre pa\u00edses ricos e pobres poder\u00e1 deter uma tend\u00eancia suicida que afetar\u00e1 por igual uns e outros, afirma neste artigo exclusivo o escritor cubano Leonardo Padura. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/12\/mundo\/grandes-nomes-chegaremos-a-tempo-a-copenhague\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1001,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,5,4],"tags":[],"class_list":["post-5871","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-economia","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5871","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1001"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5871"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5871\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5871"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5871"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5871"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}