{"id":5875,"date":"2009-12-01T11:35:31","date_gmt":"2009-12-01T11:35:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5875"},"modified":"2009-12-01T11:35:31","modified_gmt":"2009-12-01T11:35:31","slug":"reportagem-em-marcha-o-etanol-de-algas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/12\/america-latina\/reportagem-em-marcha-o-etanol-de-algas\/","title":{"rendered":"REPORTAGEM: Em marcha o etanol de algas"},"content":{"rendered":"<p>M\u00c9XICO, 01\/12\/2009 &ndash; (Tierram\u00e9rica). Um processo biol\u00f3gico no qual certo tipo de alga gera etanol ser\u00e1 a base da produ\u00e7\u00e3o deste combust\u00edvel que uma empresa mexicana iniciar\u00e1 no pr\u00f3ximo ano.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_5875\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/450_1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5875\" class=\"size-medium wp-image-5875\" title=\"Assim ficar\u00e3o os tanques de produ\u00e7\u00e3o de algas verde-azuladas - BioFields\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/450_1.jpg\" alt=\"Assim ficar\u00e3o os tanques de produ\u00e7\u00e3o de algas verde-azuladas - BioFields\" width=\"200\" height=\"121\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-5875\" class=\"wp-caption-text\">Assim ficar\u00e3o os tanques de produ\u00e7\u00e3o de algas verde-azuladas - BioFields<\/p><\/div>  A empresa mexicana BioFields vai produzir em grande escala, a partir de 2014, biocombust\u00edvel a partir de algas, em uma f\u00e1brica localizada a 300 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia dos Estados Unidos, que ser\u00e1 seu principal cliente. Os escrit\u00f3rios corporativos da BioFields ficam no 12\u00ba andar de um luxuoso edif\u00edcio em Lomas de Chapultepec, uma exclusiva regi\u00e3o da capital mexicana. No momento, nada vende, mas planeja revolucionar o mercado de biocombust\u00edveis.<\/p>\n<p>Antes do fim do ano, a companhia come\u00e7ar\u00e1 a construir uma central-piloto para obter etanol a partir de algas em Puerto Libertad, povoado de quase tr\u00eas mil habitantes que fica no munic\u00edpio de Pitiquito, no Estado de Sonora (norte), disse ao Terram\u00e9rica Sergio Ram\u00edrez, diretor de Assuntos Corporativos. A f\u00e1brica deve estar pronta no segundo semestre de 2010, acrescentou Ram\u00edrez, que tamb\u00e9m foi o primeiro empregado recrutado pela empresa, em fevereiro de 2007.<\/p>\n<p>A BioFields possui os direitos de uso, no M\u00e9xico, da tecnologia \u201cDirect to Ethanol\u201d (Direto ao Etanol), desenvolvida pela empresa Algenol, que permite produzir biocombust\u00edvel a partir de algas verde-azuladas h\u00edbridas, explicou Ram\u00edrez. As algas geram etanol naturalmente, e a t\u00e9cnica aplicada otimiza o processo para que a produ\u00e7\u00e3o seja direta e em escala industrial. O etanol resultante poder\u00e1 ser misturado \u00e0 gasolina em diferentes propor\u00e7\u00f5es, reduzindo as emiss\u00f5es de gases que provocam o efeito estufa lan\u00e7ados pelo setor do transporte.<\/p>\n<p>\u201cO grande \u00eaxito desta tecnologia \u00e9 que encontramos uma alga que secreta o etanol naturalmente, economizando dois processos industriais: fermenta\u00e7\u00e3o e s\u00edntese em etanol. Isso faz com que cada microorganismo seja uma minif\u00e1brica\u201d, afirmou Ram\u00edrez. Para que as algas cres\u00e7am e se reproduzam, elas ser\u00e3o colocadas em tanques com sacos pl\u00e1sticos cheios de \u00e1gua salgada, que ser\u00e1 bombeada do Mar de Cort\u00e9s, distante alguns metros da f\u00e1brica, explicou.<\/p>\n<p>As algas se alimentar\u00e3o de radia\u00e7\u00e3o solar, nitratos e di\u00f3xido de carbono lan\u00e7ado por uma das termoel\u00e9tricas mais poluentes do M\u00e9xico, localizada em Puerto Libertad. Para absorver esse di\u00f3xido de carbono, a f\u00e1brica-piloto ser\u00e1 constru\u00edda em um terreno de 1,5 hectare dentro da termoel\u00e9trica, propriedade da Comiss\u00e3o Federal de Eletricidade (CFE), entidade geradora paraestatal do M\u00e9xico. Se o projeto caminhar como se espera, a CFE ficar\u00e1 com os recursos gerados pela capta\u00e7\u00e3o de di\u00f3xido de carbono por meio do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo previsto no Protocolo de Kyoto sobre mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>O MDL permite que as na\u00e7\u00f5es ricas obrigadas a reduzir suas emiss\u00f5es de gases estufa compensem parte dessas emiss\u00f5es com o financiamento de projetos que as reduzem nos pa\u00edses em desenvolvimento. Uma vez provada a f\u00f3rmula, ser\u00e1 constru\u00edda uma grande f\u00e1brica industrial junto \u00e0s instala\u00e7\u00f5es da CFE, em um terreno des\u00e9rtico de 22 mil hectares. O objetivo \u00e9 produzir mais de 946 milh\u00f5es de litros at\u00e9 2014, e cerca de 3,8 bilh\u00f5es de litros em 2020. O investimento ser\u00e1 de US$ 850 milh\u00f5es, provenientes do fundador e diretor-geral da BioFields, Alejandro Gonz\u00e1lez, propriet\u00e1rio do Grupo Gondi, um dos maiores do setor de reciclagem de papel\u00e3o no M\u00e9xico.<\/p>\n<p>O primeiro cliente da BioFields ser\u00e1 o M\u00e9xico, j\u00e1 que, a partir de 2012, a Petr\u00f3leos Mexicanos (Pemex) prev\u00ea a substitui\u00e7\u00e3o dos oxigenantes da gasolina (que representam 5% de cada litro) por etanol, e por isso necessitar\u00e1 mais de tr\u00eas bilh\u00f5es de litros por ano. Mas a BioFields tamb\u00e9m pretende exportar. \u201cEstamos a menos de 300 quil\u00f4metros dos Estados norte-americanos da Calif\u00f3rnia, Arizona e Novo M\u00e9xico, que s\u00e3o os tr\u00eas principais mercados consumidores de etanol do mundo\u201d, contou Ram\u00edrez. A empresa tamb\u00e9m aposta no Jap\u00e3o e na Europa, com os quais o M\u00e9xico tem assinado acordos comerciais que reduziriam as tarifas de importa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entretanto, Ram\u00edrez reconhece que a BioFields enfrentar\u00e1 grandes desafios antes de se converter em empresa rent\u00e1vel. Primeiro, o mercado de biocombust\u00edvel dever\u00e1 se consolidar. Se nos pr\u00f3ximos anos for desenvolvida uma t\u00e9cnica que permite extrair petr\u00f3leo de \u00e1guas profundas a baixo custo, de tal forma que as reservas mundiais aumentem, o mercado dos agrocombust\u00edveis n\u00e3o ter\u00e1 o argumento da abund\u00e2ncia energ\u00e9tica para consolidar-se.<\/p>\n<p>A pesquisadora Michelle Chauvet, da Universidade Aut\u00f4noma Metropolitana, disse ao Terram\u00e9rica que os biocombust\u00edveis s\u00e3o rent\u00e1veis apenas se o pre\u00e7o do petr\u00f3leo supera os US$ 50. O outro desafio que a empresa deve enfrentar \u00e9 a consolida\u00e7\u00e3o do mercado de carbono. A BioFields precisa saber se poder\u00e1 capturar o di\u00f3xido de carbono da atmosfera de forma gratuita, se receber\u00e1 algum est\u00edmulo para elimin\u00e1-lo do meio ambiente, e a quanto ser\u00e1 cotada cada tonelada.<\/p>\n<p>Segundo Rodolfo Quintero, pesquisador do Departamento de Processos e Tecnologia da Universidade Aut\u00f4noma Metropolitana, \u201ch\u00e1 um grande interesse no desenvolvimento de combust\u00edveis renov\u00e1veis e baratos que n\u00e3o provenham dos hidrocarbonos. O petr\u00f3leo barato acabou, e, apesar de continuar existindo, ser\u00e1 mais caro e escasso\u201d, continuou. Somente no M\u00e9xico, as reservas provadas s\u00e3o para nove anos, acrescentou ao Terram\u00e9rica.<\/p>\n<p>O outro lado da moeda \u00e9 que os biocombust\u00edveis de primeira gera\u00e7\u00e3o (etanol e biodiesel feitos a partir de milho, cana-de-a\u00e7\u00facar, soja e trigo) s\u00e3o criticados porque procedem de cultivos aliment\u00edcios, o que encarece os alimentos. Al\u00e9m disso, n\u00e3o sofrem grandes vantagens ambientais frente aos combust\u00edveis f\u00f3sseis, sobretudo se for considerado seu impacto ambiental, desde a semeadura da biomassa at\u00e9 seu consumo final, disse o pesquisador. A ideia da BioFields \u201cn\u00e3o \u00e9 m\u00e1, mas tem de provar que funciona em escala industrial\u201d, disse Quintero.<\/p>\n<p>Para Chauvet, que estuda os impactos sociais dos biocombust\u00edveis, al\u00e9m do projeto da BioFields, \u00e9 necess\u00e1rio ter claras as experi\u00eancias de outras na\u00e7\u00f5es. Mal\u00e1sia, Indon\u00e9sia, Sumatra e Born\u00e9u desmataram suas selvas para abastecer a Europa de biocombust\u00edvel. A Argentina deslocou popula\u00e7\u00e3o para criar monoculturas de soja transg\u00eanica, gerando desertifica\u00e7\u00e3o que, por sua vez, piora as consequ\u00eancias do aquecimento global.<\/p>\n<p>Para esta doutora em economia, a possibilidade de incursionar na produ\u00e7\u00e3o de etanol a partir de algas \u00e9 a mais aceit\u00e1vel para o M\u00e9xico, embora seja necess\u00e1rio dar aten\u00e7\u00e3o \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de trabalho oferecidas pelas empresas, j\u00e1 que se viu \u201cem alguns lugares que o tratamento \u00e9 quase o de escravos\u201d. A BioFields diz que a constru\u00e7\u00e3o de suas f\u00e1bricas criar\u00e1 1.500 empregos tempor\u00e1rios, e uma vez que estejam em funcionamento, 350 postos permanentes. Os moradores de Puerto Libertad \u201cdedicam-se \u00e0 pesca tempor\u00e1ria\u201d e t\u00eam esperan\u00e7a de que o projeto os beneficie, segundo Lauro Urial, secret\u00e1rio do munic\u00edpio de Pitiquito.<\/p>\n<p>* Este artigo \u00e9 parte integrante de uma s\u00e9rie produzida pela IPS (Inter Press Service) e pela IFEJ (Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Jornalistas Ambientais) para a Alian\u00e7a de Comunicadores para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (http:\/\/www.complusalliance.org).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00c9XICO, 01\/12\/2009 &ndash; (Tierram\u00e9rica). 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