{"id":5877,"date":"2009-12-01T14:22:24","date_gmt":"2009-12-01T14:22:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5877"},"modified":"2009-12-01T14:22:24","modified_gmt":"2009-12-01T14:22:24","slug":"energia-eua-o-verde-impulso-das-algas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/12\/economia\/energia-eua-o-verde-impulso-das-algas\/","title":{"rendered":"ENERG\u00cdA-EUA: O verde impulso das algas"},"content":{"rendered":"<p>San Diego, EUA, 01\/12\/2009 &ndash; Stephen Mayfield, novo diretor do Centro de San Diego para a Biotecnologia de Algas, da Universidade da Calif\u00f3rnia, lidera um enorme desafio: dar \u00e0 luz uma ind\u00fastria de energia alternativa. <!--more--> Alguns dizem que a magnitude hist\u00f3rica de extrair combust\u00edvel das algas equipara-se \u00e0 do Projeto Manhattan (tentativa dos aliados de fabricar uma bomba at\u00f4mica antes da Alemanha nazista, durante a Segunda Guerra Mundial \u2013 1939\/45) por sua promessa de satisfazer de modo sustent\u00e1vel a demanda mundial de combust\u00edvel para transporte. Ap\u00f3s anos de inatividade no setor dos biocarbonetos, a corrida se centra em produzir \u201cpetr\u00f3leo verde\u201d.<\/p>\n<p>Para conseguir este objetivo, um punhado de cientistas e investidores de risco est\u00e1 disposto a apostar nisto, na cren\u00e7a de que na sujeira dos tanques se esconde um brilhante futuro verde. Uma id\u00e9ia que h\u00e1 uma d\u00e9cada parecia absurda agora ganha cr\u00e9ditos, enquanto fica mais claro do que nunca que as fontes alternativas de combust\u00edveis ser\u00e3o necess\u00e1rias para mitigar os efeitos do aquecimento global e para atender as futuras demandas energ\u00e9ticas. Em 2008 os Estados Unidos consumiram 140 bilh\u00f5es de gal\u00f5es (530 bilh\u00f5es de litros) de combust\u00edvel para transporte. Em todo o mundo, esse n\u00famero passou dos 320 bilh\u00f5es de gal\u00f5es (1,2 trilh\u00e3o de litros).<\/p>\n<p>Mayfield vislumbra que um dia as algas produzir\u00e3o em grande escala, tanto nos Estados Unidos como em outros pa\u00edses. Embora \u00e0 capacidade das na\u00e7\u00f5es produtoras de petr\u00f3leo de atender as futuras demandas de energia seja alvo de disputa, os especialistas em energia reconhecem que h\u00e1 v\u00e1rios fatores que guiam o renovado interesse nos combust\u00edveis alternativos. Entre cientistas, corpora\u00e7\u00f5es e pol\u00edticos existe um amplo consenso quanto a conflito, mudan\u00e7a clim\u00e1tica e pol\u00edtica serem uma combina\u00e7\u00e3o vol\u00e1til. \u201cN\u00e3o estamos no Iraque porque Al Qaeda (a rede isl\u00e2mica extremista) esteve ali, mas porque o petr\u00f3leo est\u00e1 ali\u201d, disse Mayfield.<\/p>\n<p>O especialista explicou que ele e seus colegas perceberam que tinham de trabalhar quando o pre\u00e7o da gasolina aumentou para US$ 4,00 o gal\u00e3o (quase quatro litros) nos Estados Unidos. Isto coincidiu com a advert\u00eancia do Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre a Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica sobre o quanto era imperativo reduzir as emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono para impedir um colapso econ\u00f4mico e ambiental. Por n\u00e3o se querer desperdi\u00e7ar uma boa crise energ\u00e9tica, em 2008 foi criado o Centro de San Diego para a Biotecnologia de Algas. O laborat\u00f3rio foi projetado para aproveitar o potencial da ind\u00fastria das algas sob os ausp\u00edcios do Instituto Scripps de Oceanografia, Instituto Salk para os Estudos Biol\u00f3gicos e Universidade da Calif\u00f3rnia, em San Diego.<\/p>\n<p>\u201cO combust\u00edvel extra\u00eddo das algas \u00e9 muito semelhante ao petr\u00f3leo retirado do solo\u201d, disse Mayfield. Os acad\u00eamicos de San Diego n\u00e3o s\u00e3o distantes do setor empresarial. Junto com outros colegas da universidade, Mayfield entrou na ind\u00fastria dos biocombust\u00edveis h\u00e1 v\u00e1rios anos. \u00c9 um dos membros fundadores da Sapphire Energy, uma empresa com capital de US$ 100 milh\u00f5es procedentes da Funda\u00e7\u00e3o Bill e Melinda Gates, bem como de s\u00f3cios investidores. Aglomeradas em torno da universidade h\u00e1 15 incipientes empresas apostando em objetivos similares. \u201cPrecisamos estar todos dentro. O mundo consumir\u00e1 tanta energia como jamais processamos\u201d, afirmou Mayfield.<\/p>\n<p>Exemplificando a correla\u00e7\u00e3o entre o produto interno bruto e o consumo de energia, ilustrou o aumento da demanda por combust\u00edvel na medida em que as economias crescem. \u201cA competi\u00e7\u00e3o pela energia \u00e9 insaci\u00e1vel\u201d, afirmou o especialis5ta. A pesquisa sobre as algas atrai investidores por v\u00e1rios motivos. Onipresentes e de r\u00e1pido crescimento, estes organismos unicelulares transformam a luz solar em lip\u00eddios, que, por sua vez, podem ser convertidos em combust\u00edveis para transporte sem muita modifica\u00e7\u00e3o. O biocombust\u00edvel elaborado com algas desfere um forte golpe em seus rivais, j\u00e1 que rende 1.500 gal\u00f5es (cerca de 5,7 milh\u00f5es de litros) de combust\u00edvel por quase meio hectare, entre 50 e 70 vezes mais do que o etanol de milho.<\/p>\n<p>Outro atrativo \u00e9 que as algas se favorecem em \u00e1guas turvas e inclusive salgadas, bem como em condi\u00e7\u00f5es \u00e1ridas. Isto tem o potencial de que os desertos e outras terras marginalizadas, consideradas inadequadas para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos, sejam usadas para instalar unidades de processamento de algas. Al\u00e9m disso, as algas absorvem carbono durante a fotoss\u00edntese, compensado o di\u00f3xido de carbono liberado durante a queima de combust\u00edvel. Estudos preliminares sugerem que os combust\u00edveis \u00e0 base de algas produzem 60% menos di\u00f3xido de carbono do que o petr\u00f3leo, tomando como referencia o ciclo vital dos dois produtos.<\/p>\n<p>A desvantagem \u00e9 o custo. A ind\u00fastria do petr\u00f3leo e do g\u00e1s possui uma vantagem consider\u00e1vel em termos de economias de escala, no tocante \u00e0 descoberta, produ\u00e7\u00e3o e transporte de combust\u00edvel aos mercados mundiais. Extrair petr\u00f3leo do solo ainda \u00e9 barato, se comparado com reinventar um modelo empresarial baseado nas algas. Os Estados Unidos j\u00e1 percorreram esse caminho. Entre 1978 e 1996, seu governo financiou pesquisas sobre as algas, com resultados variados. O Departamento de Energia acabou determinando que n\u00e3o se poderia produzir algas em quantidade suficiente, a um pre\u00e7o suficientemente baixo para competir com o petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>Segundo Al Darzins, do Laborat\u00f3rio Nacional de Energia Renov\u00e1vel desse departamento, a redu\u00e7\u00e3o do financiamento teve mais a ver com a queda do pre\u00e7o do petr\u00f3leo do que com a viabilidade das algas. \u201cTeria sido poss\u00edvel produzir um barril de combust\u00edvel de algas durante esse per\u00edodo, custaria em torno de US$ 60 a US$ 80. Naturalmente, isso n\u00e3o podia competir com um barri de petr\u00f3leo de US$ 20\u201d, afirmou. Mas, devido \u00e0s advert\u00eancias sobre o aquecimento do planeta e \u00e0s preocupa\u00e7\u00f5es sobre seguran\u00e7a energ\u00e9tica, agora as algas s\u00e3o objeto de um segundo olhar.<\/p>\n<p>Os que defendem as energias limpas argumentam que no prazo de cinco a 10 anos existir\u00e1 a tecnologia para produzir combust\u00edvel \u00e0 base de algas em grande quantidade. O Laborat\u00f3rio Nacional de Energia Renov\u00e1vel reinstaurou seu programa de pesquisas sobre algas em 2006. Atualmente, h\u00e1 no mundo cerca de 150 companhias dedicadas a esse tema. \u201cSou otimista quanto a isto poder mudar o jogo. Mas, tamb\u00e9m sou realista em dizer que em mat\u00e9ria de engenharia e biologia h\u00e1 muitos desafios que temos de resolver\u201d, disse Darzins \u00e0 IPS\/IFEJ.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia do carbono da Calif\u00f3rnia talvez seja precursora da 15\u00aa Confer\u00eancia das Partes da Conven\u00e7\u00e3o Marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica (COP 15), que acontecer\u00e1 de 7 a 18 de dezembro em Copenhague. Existe um mandato estadual de reduzir as emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono, melhorar o rendimento do g\u00e1s e incentivar projetos que utilizem tecnologias verdes. A lei desse Estado exige que, at\u00e9 2010, as empresas privadas obtenham 20% de sua eletricidade a partir de fontes renov\u00e1veis. Tamb\u00e9m se prev\u00ea que essa porcentagem aumente para 33% at\u00e9 2020.<\/p>\n<p>O cumprimento desses objetivos estimulou o desenvolvimento e os investimentos para obter tecnologias limpas. Em San Diego h\u00e1 153 empresas dedicadas a cada aspecto do setor da energia renov\u00e1vel, desde a constru\u00e7\u00e3o de autom\u00f3veis el\u00e9tricos \u00e0 fabrica\u00e7\u00e3o de paineis solares residenciais de baixo custo. Quando os pol\u00edticos se reunirem na capital da Dinamarca no m\u00eas que vem buscar\u00e3o maneiras de aliviar a dor que representa a transi\u00e7\u00e3o para uma economia baixa em carbono. Pesquisar em tecnologias que possam cimentar o caminho para um futuro mais verde deveria ser uma delas. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p>* Este artigo \u00e9 parte integrante de uma s\u00e9rie produzida pela IPS (Inter Press Service) e pela IFEJ (Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Jornalistas Ambientais) para a Alian\u00e7a de Comunicadores para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (www.complusalliance.org).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>San Diego, EUA, 01\/12\/2009 &ndash; Stephen Mayfield, novo diretor do Centro de San Diego para a Biotecnologia de Algas, da Universidade da Calif\u00f3rnia, lidera um enorme desafio: dar \u00e0 luz uma ind\u00fastria de energia alternativa. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/12\/economia\/energia-eua-o-verde-impulso-das-algas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":67,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,5,10],"tags":[14,21],"class_list":["post-5877","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-economia","category-energia","tag-america-do-norte","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5877","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/67"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5877"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5877\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5877"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5877"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5877"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}