{"id":5887,"date":"2009-12-03T15:33:44","date_gmt":"2009-12-03T15:33:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5887"},"modified":"2009-12-03T15:33:44","modified_gmt":"2009-12-03T15:33:44","slug":"israel-palestina-barghouti-o-prisioneiro-decisivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/12\/direitos-humanos\/israel-palestina-barghouti-o-prisioneiro-decisivo\/","title":{"rendered":"ISRAEL-PALESTINA: Barghouti, o prisioneiro decisivo"},"content":{"rendered":"<p>Jerusal\u00e9m, 03\/12\/2009 &ndash; O destino de um prisioneiro palestino em Israel pode liberar o moribundo processo de paz de sua pr\u00f3pria pris\u00e3o, desde que seja o momento correto. Uma importante fonte residual de tens\u00f5es entre israelenses e palestinos pode estar a ponto de se resolver esta semana, se a media\u00e7\u00e3o alem\u00e3 finalmente superar as complica\u00e7\u00f5es de \u00faltimo minuto. <!--more--> Trata-se da troca de mil prisioneiros palestinos pelo soldado israelense Guilad Shalit, seq\u00fcestrado em 25 de junho de 2006 pelo Movimento de Resist\u00eancia Isl\u00e2mica (Hamas), que o mant\u00e9m cativo desde ent\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 certo que a troque prospere. Tampouco est\u00e1 claro quais dos 10 mil palestinos presos em Israel ser\u00e3o parte do acordo. E, certamente tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 definido que um deles seja Marwan Barghouti, l\u00edder das for\u00e7as militares do movimento palestino Fatah, condenado \u00e0 pris\u00e3o perp\u00e9tua por um tribunal israelense h\u00e1 cinco anos. Se a troca ocorrer sem Barghouti, \u00e9 improv\u00e1vel que tenha muito impacto para impulsionar a paz entre os dois povos. Nesse caso, o impacto pol\u00edtico se limitar\u00e1 aos assuntos internos palestinos, centrando-se na reafirma\u00e7\u00e3o do Hamas \u00e0 custa da Autoridade Nacional Palestina, liderada pelo presidente Mahmoud Abbas, do Fatah.<\/p>\n<p>Por outro lado, a liberta\u00e7\u00e3o de Barghouti pode ser um momento de defini\u00e7\u00e3o nas rela\u00e7\u00f5es palestino-israelenses. E uma prova da real inten\u00e7\u00e3o por tr\u00e1s do an\u00fancio feito na semana passada pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, de um congelamento limitado e tempor\u00e1rio da constru\u00e7\u00e3o de assentamentos na Cisjord\u00e2nia. At\u00e9 agora a dire\u00e7\u00e3o palestina evitou a morat\u00f3ria parcial dos assentamentos, por consider\u00e1-la um estratagema de Netanyahu projetado para aliviar a press\u00e3o dos Estados Unidos sobre Israel.<\/p>\n<p>Estes t\u00eam seus motivos: o congelamento anunciado n\u00e3o \u00e9 total. Exclui Jerusal\u00e9m oriental, e a constru\u00e7\u00e3o de col\u00f4nias j\u00e1 aprovadas continuar\u00e1. Al\u00e9m disso, h\u00e1 d\u00favidas, mesmo dentro de Israel, quanto ao governo de Netanyahu ter os meios t\u00e9cnicos para implementar esse congelamento. J\u00e1 em julho de 2000, apenas semanas antes da segunda intifada (levante palestino), Barghouti, em declara\u00e7\u00f5es feitas desde seu modesto escrit\u00f3rio em Ramala, expunha \u00e0 IPS sua estrat\u00e9gia alternativa contra a ocupa\u00e7\u00e3o israelense: \u201cLevaremos nosso povo \u00e0s linhas de 1967 e proclamaremos que estamos ali simplesmente defendendo nossas fronteiras contra a ocupa\u00e7\u00e3o israelenses: sem armas, sem pedras, simplesmente com nossos corpos\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Muitos palestinos veem Barghouti como o l\u00edder \u00f3timo para conduzi-los para um futuro Estado no caso de Abbas n\u00e3o se candidatar \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o nas elei\u00e7\u00f5es de janeiro, como j\u00e1 anunciou. Barghouti, de 50 anos, \u00e9 considerado o verdadeiro herdeiro de Yasser Arafat (l\u00edder palestino que morreu em 2004), precisamente, talvez, porque ele tamb\u00e9m namora com a ambiguidade. Seu estilo en\u00e9rgico com frequ\u00eancia o levou acima das pesquisas sobre quem os palestinos queriam para lider\u00e1-los contra Israel.<\/p>\n<p>Desde sua cela em uma pris\u00e3o israelense, nos \u00faltimos tempos Barghouti respondeu perguntas de um jornal \u00e1rabe nas quais exp\u00f4s sua estrat\u00e9gia: \u201cDepender apenas de nossas negocia\u00e7\u00f5es nunca foi nossa op\u00e7\u00e3o. Sempre defendi uma combina\u00e7\u00e3o construtiva de negocia\u00e7\u00f5es, resist\u00eancia e a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, diplom\u00e1tica e popular\u201d. Precisamente esta pode ser a fonte de receios israelenses. Mas agora, com a perspectiva de Abbas deixar o cen\u00e1rio, Israel tem outra preocupa\u00e7\u00e3o: um vazio de poder dentro da ANP.<\/p>\n<p>O futuro da ANP ser\u00e1 ainda mais prec\u00e1rio porque o Hamas conseguir\u00e1 uma enorme credibilidade a partir da troca de prisioneiros. H\u00e1 alguma oposi\u00e7\u00e3o, mas fato destac\u00e1vel \u00e9 que est\u00e1 silenciada e que os israelenses est\u00e3o esmagadoramente prontos para aceitar a troca de presos, at\u00e9 o ponto de entregar palestinos que participaram de alguns dos ataques mais sangrentos contra civis. Alon Liel, conferencista sobre ci\u00eancia pol\u00edtica na Universidade Hebreia de Jerusal\u00e9m e ex-alto diplomata de Israel, foi mais longe.<\/p>\n<p>\u201cA assombrosa disposi\u00e7\u00e3o p\u00fablica e pol\u00edtica de pagar um pre\u00e7o sem precedentes pode se converter na influ\u00eancia necess\u00e1ria para dar ao acordo uma dimens\u00e3o hist\u00f3rica\u201d, disse. \u201cN\u00e3o \u00e9 preciso ser um pol\u00edtico brilhante para ver que a linha que liga uma troca t\u00e9cnica de prisioneiros com um avan\u00e7o para um processo de paz passa por Marwan Barghouti\u201d, acrescentou. Por isso a pergunta-chave ser \u201cquando\u201d \u2013 e n\u00e3o \u201cse\u201d libertar Barghouti, desde que, naturalmente, Netanyahu tenha em mente uma real agenda de paz.<\/p>\n<p>Se estiver seriamente comprometido com a paz, Netanyahu poder\u00e1 usar o atual impulso p\u00fablico que a troca de prisioneiros cobra entre a popula\u00e7\u00e3o israelense para criar um impulso diplom\u00e1tico. Mas, isso lhe exigir\u00e1 desassociar o acordo da liberta\u00e7\u00e3o de Barghouti. Se Netanyahu tivesse decidido libert\u00e1-lo antes de um acordo mais amplo de interc\u00e2mbio de prisioneiros, provavelmente o Hamas o teria boicotado. E isto porque se sentiria em risco de ter roubada sua recompensa pol\u00edtica na luta de poder que enfrenta com a ANP.<\/p>\n<p>A ala direitista do governo de Netanyahu tamb\u00e9m teria sabotado a liberta\u00e7\u00e3o de Barghouti. Agora, por\u00e9m, muitos israelenses exigem sua liberta\u00e7\u00e3o. Netanyahu tem a oportunidade de tirar a primazia do Hamas, para m\u00fatuo benef\u00edcio de Israel e da ANP. Isto s\u00f3 pode funcionar se a troca com o Hamas j\u00e1 estiver organizada e implementada. Se for concretizada, a liberta\u00e7\u00e3o de Barghouti trar\u00e1 m\u00faltiplos benef\u00edcios para Netanyahu e a ANP. Israel ser\u00e1 aplaudido por Washington. Para a ANP ser\u00e1 uma maneira de sair de um vazio pol\u00edtico potencialmente perigoso. Al\u00e9m do mais, para a c\u00e9ptica dire\u00e7\u00e3o palestina isto ser\u00e1 uma prova do aut\u00eantico desejo de paz de Netanyahu. E para Washington, um Barghouti livre que reafirme Abbas ser\u00e1 o melhor in\u00edcio de uma paz futura, especialmente considerando os \u00faltimos nove meses de negocia\u00e7\u00f5es falidas. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jerusal\u00e9m, 03\/12\/2009 &ndash; O destino de um prisioneiro palestino em Israel pode liberar o moribundo processo de paz de sua pr\u00f3pria pris\u00e3o, desde que seja o momento correto. 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