{"id":589,"date":"2005-05-12T00:00:00","date_gmt":"2005-05-12T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=589"},"modified":"2005-05-12T00:00:00","modified_gmt":"2005-05-12T00:00:00","slug":"trabalho-mais-de-12-milhes-de-escravos-no-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/05\/mundo\/trabalho-mais-de-12-milhes-de-escravos-no-mundo\/","title":{"rendered":"Trabalho: Mais de 12 milh&otilde;es de escravos no mundo"},"content":{"rendered":"<p>Londres, 12\/05\/2005 &ndash; Pelo menos 12,3 milh&otilde;es de pessoas est&atilde;o submetidas ao trabalho for&ccedil;ado em todo o mundo, e quase a metade &eacute; de meninos e meninas, disse nesta quarta-feira a Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional do Trabalho. &quot;O tr&aacute;fico de pessoas e o trabalho for&ccedil;ado se espalham entre as fendas&quot; legais, disse &agrave; imprensa o chefe do programa especial de a&ccedil;&atilde;o da OIT contra o trabalho for&ccedil;ado, Roger Plant, ao apresentar em Londres o relat&oacute;rio &quot;Uma alian&ccedil;a mundial contra o trabalho for&ccedil;ado&quot;. A OIT define o trabalho for&ccedil;ado como &quot;todo trabalho ou servi&ccedil;o exigido de qualquer pessoa sob a amea&ccedil;a de um castigo e ou que n&atilde;o tenha sido aceito por vontade pr&oacute;pria&quot;.<br \/> <!--more--> <br \/> Embora esteja vinculado ao crescente problema do tr&aacute;fico de pessoas, a maior parte do trabalho escravo no mundo envolve cidad&atilde;os em seus lugares de origem, presos, em geral, por falsos sistemas de contrata&ccedil;&atilde;o de empregados, por d&iacute;vidas e pela pr&oacute;pria desregulamenta&ccedil;&atilde;o do mercado de trabalho. A OIT calcula que das 12,3 milh&otilde;es de pessoas submetidas a situa&ccedil;&otilde;es de escravid&atilde;o, cerca de 9,8 milh&otilde;es s&atilde;o exploradas pelo setor privado e destas, mais de 2,4 milh&otilde;es em decorr&ecirc;ncia do tr&aacute;fico humano. Quarenta e tr&ecirc;s por cento destas v&iacute;timas tamb&eacute;m s&atilde;o escravizadas sexualmente.<\/p>\n<p> Os 2,5 milh&otilde;es de v&iacute;timas restantes s&atilde;o explorados pelo pr&oacute;prio Estado ou por grupos militares rebeldes. Os mais afetados s&atilde;o os menores de 18 anos, que representam entre 40% e 50% do total das v&iacute;timas, informou a OIT. &Aacute;sia-Pac&iacute;fico &eacute; a regi&atilde;o onde h&aacute; mais casos de trabalho for&ccedil;ado, 77% do total, seguida da Am&eacute;rica Latina e do Caribe, com 11%. Nos pa&iacute;ses industrializados ocorrem apenas 3% dos casos. Plant destacou que o trabalho escravo prospera gra&ccedil;as &agrave; debilidade das leis nacionais. &quot;&Eacute; preciso que as legisla&ccedil;&otilde;es nacionais sobre trabalho for&ccedil;ado claramente encerrem todos os aspectos vinculados ao problema. Mas os governos n&atilde;o parecem decididos a tomar medidas dr&aacute;sticas. &Eacute; necess&aacute;rio encarar o problema e ter uma lei baseada em nossas conven&ccedil;&otilde;es&quot;, afirmou.<\/p>\n<p> O Brasil tem uma nova lei espec&iacute;fica contra o trabalho for&ccedil;ado. Pa&iacute;ses asi&aacute;ticos como &Iacute;ndia, Paquist&atilde;o e Nepal tamb&eacute;m adotaram recentemente legisla&ccedil;&otilde;es detalhadas que o pro&iacute;bem, e a Gr&atilde;-Bretanha aprovou uma lei contra o tr&aacute;fico de pessoas. Os demais pa&iacute;ses t&ecirc;m leis muito gerais, indicou a OIT. O relat&oacute;rio assinala que a explora&ccedil;&atilde;o de homens, mulheres e crian&ccedil;as no mundo gera cerca de US$ 32 bilh&otilde;es por ano, o que equivale a uma m&eacute;dia de US$ 13 mil por pessoa escravizada. &quot;O trabalho for&ccedil;ado representa a outra face da globaliza&ccedil;&atilde;o, a que nega &agrave;s pessoas seus direitos fundamentais e sua dignidade. Para conseguir uma globaliza&ccedil;&atilde;o justa e um trabalho decente para todos, &eacute; essencial erradicar o trabalho for&ccedil;ado&quot;, disse o diretor-geral da organiza&ccedil;&atilde;o, Juan Somav&iacute;a.<\/p>\n<p> O estudo foi preparado no contexto do processo de acompanhamento da Declara&ccedil;&atilde;o sobre os Princ&iacute;pios e Direitos Fundamentais do Trabalho, adotada pela OIT em 1998, e que ser&aacute; objeto de debates na pr&oacute;xima Confer&ecirc;ncia Internacional do Trabalho da organiza&ccedil;&atilde;o, marcada para junho, em Genebra. Nos setores da agricultura, constru&ccedil;&atilde;o, fabrica&ccedil;&atilde;o de tijolo e oficinas de manufatura informais, o trabalho for&ccedil;ado afeta em propor&ccedil;&atilde;o semelhante homens e mulheres, mas no setor do com&eacute;rcio s&atilde;o as mulheres e as meninas as principais v&iacute;timas. &quot;O trabalho for&ccedil;ado &eacute; a verdadeira ant&iacute;tese do trabalho decente, que &eacute; a meta da OIT&quot;, disse Somav&iacute;a.<\/p>\n<p> &quot;&Eacute; urgente projetar estrat&eacute;gias efetivas para combater o trabalho for&ccedil;ado no mundo atual. &Eacute; necess&aacute;rio contar tanto com a aplica&ccedil;&atilde;o das leis quanto com formas de abordar as raz&otilde;es estruturais do trabalho for&ccedil;ado, seja de sistemas agr&iacute;colas antiquados ou de mercados trabalhistas que funcionam de forma deficiente&quot;, acrescentou. A pesquisa indica que quase um quinto de todos os trabalhadores for&ccedil;ados tamb&eacute;m s&atilde;o v&iacute;timas do tr&aacute;fico de pessoas, mas a propor&ccedil;&atilde;o varia entre as diferentes regi&otilde;es. Na &Aacute;sia, Am&eacute;rica Latina e &Aacute;frica subsaariana a propor&ccedil;&atilde;o de v&iacute;timas do tr&aacute;fico de pessoas e, por sua vez, do trabalho escravo, &eacute; 20% menor, enquanto nos pa&iacute;ses industrializados, bem como no Oriente M&eacute;dio e no norte da &Aacute;frica, &eacute; superior a 75%.<\/p>\n<p> A maioria dos casos de trabalho for&ccedil;ado ocorre nos pa&iacute;ses em desenvolvimento, onde &quot;formas antigas desta pr&aacute;tica s&atilde;o adaptadas aos tempos atuais, especialmente em uma s&eacute;rie de atividades no setor informal&quot;, diz o relat&oacute;rio. &quot;A escravid&atilde;o por d&iacute;vidas com freq&uuml;&ecirc;ncia afeta grupos minorit&aacute;rios que sofrem discrimina&ccedil;&atilde;o no mercado de trabalho, incluindo os grupos ind&iacute;genas. Em geral, ficam presos em um c&iacute;rculo vicioso de pobreza do qual lhes &eacute; cada vez mais dif&iacute;cil escapar. Muitas das v&iacute;timas trabalham em zonas afastadas, onde a inspe&ccedil;&atilde;o do trabalho constitui um desafio&quot;, acrescenta.<\/p>\n<p> Somav&iacute;a afirmou que, &quot;apesar de se tratar de uma grande quantidade de pessoas, n&atilde;o s&atilde;o tantas a ponto de ser imposs&iacute;vel conseguir a aboli&ccedil;&atilde;o do trabalho for&ccedil;ado. Por isso, a OIT defende a necessidade de uma alian&ccedil;a mundial contra o trabalho escravo que envolve governos, organiza&ccedil;&otilde;es de empregadores e trabalhadores, ag&ecirc;ncias para o desenvolvimento e institui&ccedil;&otilde;es financeiras internacionais comprometidas com a redu&ccedil;&atilde;o da pobreza, e a sociedade civil, incluindo institui&ccedil;&otilde;es acad&ecirc;micas e de pesquisa&quot;, ressaltou. &quot;A vontade pol&iacute;tica e o compromisso global nos permitiriam alcan&ccedil;ar durante a pr&oacute;xima d&eacute;cada a meta de relegar o trabalho for&ccedil;ado &agrave; hist&oacute;ria&quot;, afirmou Somav&iacute;a. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Londres, 12\/05\/2005 &ndash; Pelo menos 12,3 milh&otilde;es de pessoas est&atilde;o submetidas ao trabalho for&ccedil;ado em todo o mundo, e quase a metade &eacute; de meninos e meninas, disse nesta quarta-feira a Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional do Trabalho. &quot;O tr&aacute;fico de pessoas e o trabalho for&ccedil;ado se espalham entre as fendas&quot; legais, disse &agrave; imprensa o chefe do programa especial de a&ccedil;&atilde;o da OIT contra o trabalho for&ccedil;ado, Roger Plant, ao apresentar em Londres o relat&oacute;rio &quot;Uma alian&ccedil;a mundial contra o trabalho for&ccedil;ado&quot;. A OIT define o trabalho for&ccedil;ado como &quot;todo trabalho ou servi&ccedil;o exigido de qualquer pessoa sob a amea&ccedil;a de um castigo e ou que n&atilde;o tenha sido aceito por vontade pr&oacute;pria&quot;.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/05\/mundo\/trabalho-mais-de-12-milhes-de-escravos-no-mundo\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":185,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-589","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/589","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/185"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=589"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/589\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=589"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=589"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=589"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}