{"id":5915,"date":"2009-12-09T11:45:38","date_gmt":"2009-12-09T11:45:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5915"},"modified":"2009-12-09T11:45:38","modified_gmt":"2009-12-09T11:45:38","slug":"reportagem-america-latina-entre-o-desejo-e-o-realismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/12\/america-latina\/reportagem-america-latina-entre-o-desejo-e-o-realismo\/","title":{"rendered":"REPORTAGEM: Am\u00e9rica Latina entre o desejo e o realismo"},"content":{"rendered":"<p>COPENHAGUE, 09\/12\/2009 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- Os governos da Am\u00e9rica Latina chegam a Copenhague reclamando um pacto agressivo e obrigat\u00f3rio para lutar contra a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, e com poucas diferen\u00e7as em outras prioridades.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_5915\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/452_Trigo_3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5915\" class=\"size-medium wp-image-5915\" title=\"O trigo \u00e9 um dos cultivos latino-americanos que mais poder\u00e3o sofrer com a mudan\u00e7a clim\u00e1tica. - Mauricio Ramos\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/452_Trigo_3.jpg\" alt=\"O trigo \u00e9 um dos cultivos latino-americanos que mais poder\u00e3o sofrer com a mudan\u00e7a clim\u00e1tica. - Mauricio Ramos\/IPS\" width=\"200\" height=\"132\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-5915\" class=\"wp-caption-text\">O trigo \u00e9 um dos cultivos latino-americanos que mais poder\u00e3o sofrer com a mudan\u00e7a clim\u00e1tica. - Mauricio Ramos\/IPS<\/p><\/div>  A Am\u00e9rica Latina chega a Copenhague com a inten\u00e7\u00e3o de que o Norte rico pague sua d\u00edvida assumindo como obriga\u00e7\u00e3o a redu\u00e7\u00e3o de gases contaminantes e a provis\u00e3o de recursos para o Sul em desenvolvimento. Por\u00e9m, diante dos riscos de um fracasso desta estrat\u00e9gia, n\u00e3o descarta aceitar pelo menos compromissos pol\u00edticos. O prop\u00f3sito latino-americano \u00e9 que na capital dinamarquesa seja adotado um acordo legalmente vinculante, mas a regi\u00e3o recha\u00e7a a ideia de somar-se a um eventual pacto pol\u00edtico que estabele\u00e7a redu\u00e7\u00f5es volunt\u00e1rias de gases de efeito estufa, respons\u00e1veis pelo aquecimento do planeta.<\/p>\n<p>Tudo ser\u00e1 decidido na 15\u00aa Confer\u00eancia das Partes da Conven\u00e7\u00e3o Marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica (COP-15), que acontece entre os dias 7 e 18 deste m\u00eas, na capital da Dinamarca. Na \u201cc\u00fapula do clima\u201d deveria ser adotado um novo regime de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es para depois de 2012, quando vence o primeiro per\u00edodo de compromissos do Protocolo de Kyoto, \u00fanico instrumento internacional contra este problema ambiental. Em vigor desde 2005, o Protocolo n\u00e3o estabelece redu\u00e7\u00f5es obrigat\u00f3rias de gases estufa para os pa\u00edses em desenvolvimento.<\/p>\n<p>A Am\u00e9rica Latina em seu conjunto \u00e9 respons\u00e1vel por 5% das emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono, um dos principais gases causadores do aquecimento global, mas \u00e9 uma das regi\u00f5es mais vulner\u00e1veis \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica. A regi\u00e3o j\u00e1 experimenta secas, inunda\u00e7\u00f5es, derretimento de geleiras, aumento de temperatura, novas pragas agr\u00edcolas e enfermidades, como detalha o Primeiro Informe Regional sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica, publicado em novembro pelo Terram\u00e9rica, elaborado com base em consultas feitas com 23 especialistas latino-americanos.<\/p>\n<p>\u201cTodas as na\u00e7\u00f5es da Am\u00e9rica Latina e do Caribe, inclu\u00eddo o Chile, buscam um acordo vinculante\u201d, disse ao Terram\u00e9rica o diretor-executivo da Comiss\u00e3o Nacional do Meio Ambiente do Chile, \u00c1lvaro Sapag, que integra a delega\u00e7\u00e3o desse pa\u00eds na reuni\u00e3o de Copenhague. \u201cNo estado atual da discuss\u00e3o, pesando que estes acordos devem ser constru\u00eddos por consenso, provavelmente n\u00e3o sairemos da capital dinamarquesa com um texto juridicamente vinculante que possa ser assinado pelos chefes de Estado\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O ministro do Meio Ambiente do M\u00e9xico, Juan Elvira, compartilha dessa percep\u00e7\u00e3o. \u201cIremos por um acordo legal, com metas muito bem definidas, mas n\u00e3o descartamos como \u00faltima linha de negocia\u00e7\u00e3o um acordo pol\u00edtico\u201d, disse ao Terram\u00e9rica. \u201cN\u00e3o perco as esperan\u00e7as, mas n\u00e3o \u00e9 um assunto f\u00e1cil\u201d, disse Sapag, que espera, em \u00faltimo caso, \u201cum acordo pol\u00edtico forte, que permita em um curto per\u00edodo afinar os detalhes para ter outro juridicamente vinculante\u201d, possivelmente na COP-16, em dezembro de 2010, no M\u00e9xico.<\/p>\n<p>As esperan\u00e7as mundiais, de que em Copenhague seja adotado um firme e ambicioso acordo, se reacenderam quando China e Estados Unidos, os dois maiores poluidores, anunciaram redu\u00e7\u00f5es volunt\u00e1rias de gases estufa at\u00e9 2020, tomando por refer\u00eancia os n\u00edveis de 2005. Segundo a leitura do presidente brasileiro, Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, a decis\u00e3o do Brasil de diminuir voluntariamente entre 36,1% e 38,9% suas emiss\u00f5es de gases estufa at\u00e9 2020, em boa parte detendo o desmatamento da Amaz\u00f4nia, mobilizou as na\u00e7\u00f5es que \u201cresistiam a apresentar n\u00fameros\u201d.<\/p>\n<p>V\u00e1rios pa\u00edses latino-americanos adiantaram que na COP-15 ser\u00e3o mantidas as posturas do Grupo dos 77 mais China (G-77), integrado por 130 na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento. O G-77 insiste na primazia do princ\u00edpio das \u201cresponsabilidades comuns, mas diferenciadas\u201d, consagrada na Conven\u00e7\u00e3o e no Protocolo, e que implica em deixar o maior peso da mitiga\u00e7\u00e3o para os pa\u00edses ricos, principais emissores de gases estufa na era industrial. Al\u00e9m disso, este grupo negociador exige do Norte que contribua financeiramente e com tecnologia para que as na\u00e7\u00f5es pobres possam enfrentar os perniciosos efeitos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica e buscar formas de desenvolvimento que emitam menos gases estufa. Mas a posi\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina n\u00e3o \u00e9 monol\u00edtica.<\/p>\n<p>\u201cEu diria que h\u00e1 uma opini\u00e3o \u00fanica em certos temas, como o das \u2018responsabilidades comuns, mas diferenciadas\u2019, o da necessidade de muitos recursos para mitiga\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o nos pa\u00edses em desenvolvimento e o da responsabilidade hist\u00f3rica\u201d das na\u00e7\u00f5es industrializadas, resumiu Sapag. Os governos da regi\u00e3o est\u00e3o em alerta para o risco de, por conta da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, serem erguidas barreiras \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o de seus produtos. \u201cH\u00e1 na\u00e7\u00f5es da Am\u00e9rica Latina que n\u00e3o aceitam instrumentos de mercado como uma ferramenta que contribua para a redu\u00e7\u00e3o de gases estufa, enquanto outros aceitam. Alguns querem que todas as a\u00e7\u00f5es possam ser comunicadas, medidas e verificadas, e outros que desejam que sejam volunt\u00e1rias apenas para os pa\u00edses em desenvolvimento\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O M\u00e9xico, que lan\u00e7a na atmosfera 715 milh\u00f5es de toneladas anuais de di\u00f3xido de carbono, pretende diminuir voluntariamente 50 milh\u00f5es de toneladas at\u00e9 2012, embora esclare\u00e7a que s\u00f3 assumiria uma redu\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria de longo prazo se recebesse fundos e tecnologia. Na C\u00fapula Ibero-Americana, que terminou no dia 1\u00ba deste m\u00eas em Estoril, Portugal, o presidente mexicano, Felipe Calder\u00f3n, afirmou que os pa\u00edses ricos t\u00eam a principal responsabilidade, mas acrescentou que a tarefa n\u00e3o pode recair apenas sobre eles, porque cedo ou tarde \u201ctodos pagaremos pela falta de a\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Calder\u00f3n reiterou, na oportunidade, sua proposta de criar um Fundo Mundial contra a Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica (Fundo Verde), de US$ 14 bilh\u00f5es, com o qual cada pa\u00eds contribuiria de acordo com sua economia e sua responsabilidade ambiental. Embora j\u00e1 exista um Fundo de Adapta\u00e7\u00e3o do Protocolo de Kyoto, o M\u00e9xico considera que sua proposta garantiria maior dinamismo aos esfor\u00e7os de adapta\u00e7\u00e3o e mitiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A Argentina prop\u00f4s duas juntas executivas que tenham associados fundos p\u00fablicos de na\u00e7\u00f5es industrializadas no \u00e2mbito da Conven\u00e7\u00e3o sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica \u2013 n\u00e3o do Protocolo \u2013 que se integrem com uma porcentagem do produto interno bruto, que pode oscilar entre 0,5% e 1%. Buenos Aires tamb\u00e9m insistiu na necessidade de \u201cuma transi\u00e7\u00e3o justa\u201d no desenvolvimento sustent\u00e1vel para que a redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es n\u00e3o cause impacto no emprego.<\/p>\n<p>Por sua vez, a Venezuela parece mostrar uma postura definida: o Norte industrial tem a responsabilidade hist\u00f3rica e tem de agir primeiro. \u201cNos movemos sobre a base de responsabilidades comuns, mas diferenciadas. Se sou um grande emissor de gases estufa, minha responsabilidade \u00e9 diferente da de quem n\u00e3o emite ou come\u00e7a a emitir\u201d, afirmou o vice-ministro de Ordena\u00e7\u00e3o e Administra\u00e7\u00e3o Ambiental do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente da Venezuela, Sergio Rodr\u00edguez.<\/p>\n<p>\u201cOs Estados Unidos s\u00e3o o pa\u00eds que historicamente lan\u00e7ou maior quantidade de di\u00f3xido de carbono na atmosfera. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que tenha ajudado os bancos e as grandes montadoras e n\u00e3o possa dispor de recursos para atender a mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d, afirmou Rodr\u00edguez em uma reuni\u00e3o sobre o tema com outros funcion\u00e1rios. Segundo o vice-ministro, o governo de Hugo Ch\u00e1vez defender\u00e1 a posi\u00e7\u00e3o do G-77 em Copenhague, da mesma forma que a Argentina.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o temos um peso pr\u00f3prio como pa\u00eds emissor e tampouco pisamos forte nesta negocia\u00e7\u00e3o\u201d, disse ao Terram\u00e9rica o diretor de Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica da Secretaria de Meio Ambiente da Argentina, Nazareno Castillo. Outros pa\u00edses, como Uruguai e Chile, n\u00e3o anunciaram metas concretas de redu\u00e7\u00f5es de emiss\u00f5es de gases estufa, mas apoiaram as A\u00e7\u00f5es de Mitiga\u00e7\u00e3o Nacionais Apropriadas (NAMAs, na sigla em ingl\u00eas), entre as quais constam programas de efici\u00eancia energ\u00e9tica e a introdu\u00e7\u00e3o de energias renov\u00e1veis n\u00e3o convencionais.<\/p>\n<p>Para o ministro da Habita\u00e7\u00e3o, Ordenamento Territorial e Meio Ambiente do Uruguai, Carlos Colacce, este pequeno pa\u00eds de 3,3 milh\u00f5es de habitantes adotou uma \u201cposi\u00e7\u00e3o nova\u201d diante da c\u00fapula de Copenhague, porque, embora apoie a posi\u00e7\u00e3o do G-77, est\u00e1 tomando medidas pr\u00f3prias para reduzir suas emiss\u00f5es de gases estufa, \u201cmesmo sem receber fundos dos pa\u00edses desenvolvidos para realizar esta tarefa\u201d.<\/p>\n<p>* Com as colabora\u00e7\u00f5es de Marcela Valente (Buenos Aires), Mario Osava (Rio de Janeiro), Emilio Godoy (M\u00e9xico) e Humberto M\u00e1rquez (Caracas).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>COPENHAGUE, 09\/12\/2009 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- Os governos da Am\u00e9rica Latina chegam a Copenhague reclamando um pacto agressivo e obrigat\u00f3rio para lutar contra a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, e com poucas diferen\u00e7as em outras prioridades. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/12\/america-latina\/reportagem-america-latina-entre-o-desejo-e-o-realismo\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":50,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,11],"tags":[21],"class_list":["post-5915","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-politica","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5915","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/50"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5915"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5915\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5915"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5915"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5915"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}