{"id":5917,"date":"2009-12-09T12:09:37","date_gmt":"2009-12-09T12:09:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5917"},"modified":"2009-12-09T12:09:37","modified_gmt":"2009-12-09T12:09:37","slug":"mudanca-climatica-desmatamento-pode-causar-menos-dano-ao-clima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/12\/mundo\/mudanca-climatica-desmatamento-pode-causar-menos-dano-ao-clima\/","title":{"rendered":"MUDAN\u00c7A CLIM\u00c1TICA: Desmatamento pode causar menos dano ao clima"},"content":{"rendered":"<p>Windhoek, Nam\u00edbia, 09\/12\/2009 &ndash; Enquanto se intensifica o debate para se chegar a um acordo clim\u00e1tico em Copenhague, um estudo holand\u00eas indica que os danos na atmosfera em raz\u00e3o do desmatamento e da degrada\u00e7\u00e3o dos solos s\u00e3o muito menores do que se presumia. <!--more--> As partes da Conven\u00e7\u00e3o Marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, cuja 15\u00aa confer\u00eancia acontece na capital dinamarquesa, supunham que as emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono como resultado do corte de \u00e1rvores representavam cerca de 20% do total mundial. Mas, Guido van de Werf e seus colegas da Universidade Vrije calcularam que a porcentagem real gira em torno dos 12%.<\/p>\n<p>Os resultados de recalcular esta fra\u00e7\u00e3o usando os mesmos m\u00e9todos, mas estimativas atualizadas, sugerem que em 2008 o aporte relativo de emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono a partir do desmatamento e da degrada\u00e7\u00e3o das florestas \u201cfoi substancialmente menor, de aproximadamente 12%\u201d, afirmam os cientistas. \u201cAssim, \u00e9 prov\u00e1vel que as economias m\u00e1ximas de carbono a partir das redu\u00e7\u00f5es no desmatamento sejam menores do que se esperava\u201d, acrescentam. O corte de \u00e1rvores e a transforma\u00e7\u00e3o de florestas em terras de cultivo emitem gases-estufa, ao liberar o carbono armazenado. Depois da queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis, \u00e9 a maior fonte de emiss\u00f5es casadas pela a\u00e7\u00e3o do homem.<\/p>\n<p>E tamb\u00e9m \u00e9 a mais f\u00e1cil de combater. \u201cMesmo com menos emiss\u00f5es, evitar o desmatamento \u00e9 a maneira mais barata e r\u00e1pida de concretizar enormes redu\u00e7\u00f5es\u201d, disse Herbert Christ, da Associa\u00e7\u00e3o Florestal da Bacia do Congo, que re\u00fane 10 pa\u00edses. A Redu\u00e7\u00e3o de Emiss\u00f5es por Desmatamento e Degrada\u00e7\u00e3o (REDD), mecanismo pelo qual ser\u00e3o destinados fundos a pa\u00edses em desenvolvimento em troca de prote\u00e7\u00e3o florestal, esteve na mesa de negocia\u00e7\u00f5es por um tempo. Espera-se que seja formalizado em Copenhague. Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Agricultura e a Alimenta\u00e7\u00e3o (FAO), os pa\u00edses africanos abrigam 16% (635 milh\u00f5es de hectares) de florestas do mundo.<\/p>\n<p>Em Z\u00e2mbia, a degrada\u00e7\u00e3o florestal \u00e9 a maior fonte de emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono, e o REDD promete dezenas de milhares de d\u00f3lares anuais para a mitiga\u00e7\u00e3o. Em sua forma mais reduzida, o REDD beneficiar\u00e1 principalmente a bacia do Congo, que \u00e9 o maior sumidouro de carbono depois do Amazonas. Mas, cientistas e negociadores pressionam para que se concretize um acordo estendido, chamado REDD+, que idealmente inclua manejo de florestas, reflorestamento e captura de carbono em outras paisagens. Na \u00c1frica, 70% da popula\u00e7\u00e3o dependem da agricultura e 80% obt\u00eam seu combust\u00edvel de uso dom\u00e9stico a partir de biomassa. Assim, o continente \u00e9 um importante agente do desmatamento.<\/p>\n<p>Mas, ter\u00e3o as \u00faltimas cifras um impacto negativo nas negocia\u00e7\u00f5es do REDD os cientistas e as organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil parecem esperan\u00e7osos. \u201cInicialmente, isto pode fazer com que alguns percam o entusiasmo pelo REDD, mas em uma reflex\u00e3o mais profunda 12% ainda \u00e9 uma quantidade enorme para um setor\u201d, disse o pesquisador Rodel Lasco, do Centro Mundial de Agrosilvicultura em Nair\u00f3bi. \u201cIsto n\u00e3o enfraquece realmente nossa posi\u00e7\u00e3o negociadora. Na verdade, indica a necessidade de um acordo REDD+, que \u00e9 mais amplo\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Segundo Doug Boucher, diretor da iniciativa de Florestas Tropicais e Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica na Union of Concerned Scientists, \u201cainda \u00e9 uma grande quantidade, compar\u00e1vel \u00e0s emiss\u00f5es totais da Uni\u00e3o Europeia, e superior \u00e0 do transporte mundial\u201d. Por esse motivo, \u00e9 muito urgente concretizar o REDD+, ressaltou. \u201cN\u00e3o creio que a posi\u00e7\u00e3o negociadora dos pa\u00edses florestais mude muito devido aos novos n\u00fameros\u201d, prosseguiu.<\/p>\n<p>O estudo da Universidade Vrije indica que as emiss\u00f5es derivadas das turbas, antes sem calcular, representam 3% das emiss\u00f5es mundiais, mais do que as geradas pelo tr\u00e1fego a\u00e9reo internacional. Inclu\u00ed-las em um acordo REDD+ pode fazer com que as economias totais voltem a 15%. \u201cA desvantagem \u00e9 que as turbas ocupam maiores espa\u00e7os em pa\u00edses como Indon\u00e9sia\u201d, disse Godwin Kowero, diretor do F\u00f3rum Florestal Africano. Mas, o mais importante \u00e9 que este tema destaca a necessidade de um acordo REDD+ inclusive e que se defina melhor a palavra \u201cfloresta\u201d, j\u00e1 que atualmente se exclui a maior parte da cobertura vegetal africana por ser \u201cfloresta seca\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p>Com o tempo, o debate deveria incluir cada vez mais todos os setores-chave baseados na terra. N\u00e3o se trata apenas de reduzir as emiss\u00f5es, mas tamb\u00e9m de aumentar a capacidade de capturar carbono. \u201cPara a \u00c1frica, isto significa envolver nossas florestas naturais, planta\u00e7\u00f5es, \u00e1rvores em estabelecimentos rurais e \u00e1rvores fora das florestas\u201d, disse Kowero. As v\u00e1rias constela\u00e7\u00f5es regionais do Grupo Africano do Grupo dos 77 (integrado por 130 pa\u00edses em desenvolvimento) mais a China enfatizam reiteradamente a import\u00e2ncia de um enfoque de agricultura, silvicultura e outros usos da terra (Afolu) em conex\u00e3o com o REDD.<\/p>\n<p>\u201cPrecisamos ter um acordo do tipo do Afolu que salvaguarde o REDD+ e agregue \u00e1rvores mediante o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) do Protocolo de Kyoto. A \u00c1frica pode manejar e beneficiar-se das duas coisas\u201d, disse Kowero, que acredita que em Copenhague se decidir\u00e1 um mecanismo REDD+. Previsto no Protocolo de Kyoto, o MDL \u00e9 um instrumento que permite aos pa\u00edses ricos extrapolar suas cotas de emiss\u00f5es de g\u00e1s-estufa caso financiem projetos para reduzi-los nas na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento.<\/p>\n<p>Segundo Christ, \u201cas necessidades dos pa\u00edses africanos t\u00eam de ser reconhecidas em Copenhague\u201d. Na bacia do Congo, a propor\u00e7\u00e3o do desmatamento \u00e9 baixa, comparada com a do Amazonas. Como se refletir\u00e3o em um acordo estes hist\u00f3ricos esfor\u00e7os de conserva\u00e7\u00e3o? Mas, tamb\u00e9m preocupa que o relativo otimismo que cerca o REDD seja usado para dissimular um fracasso mais amplo da COP-15. \u201cO fato de o REDD ser visto como uma quest\u00e3o \u2018n\u00e3o controversa\u2019 enquanto a maioria das negocia\u00e7\u00f5es ficaram paralisadas em Bangcoc e Barcelona deveria nos alertar\u201d, disse Simone Lovera, da Coaliz\u00e3o Mundial pelas Florestas.<\/p>\n<p>\u201cEstas \u00faltimas rodadas de negocia\u00e7\u00f5es deixaram claro que o REDD \u00e9 visto como uma maneira potencial de criar uma fachada verde para o fracasso de Copenhague, por parte de uma quantidade cada vez maior de pa\u00edses dispostos a aceitar qualquer tipo de acordo brando\u201d na capital dinamarquesa, acrescentou Lovera. Esta especialista teme que seja o estado de \u00e2nimo dominante. \u201cN\u00e3o tornemos isso muito controverso. Fa\u00e7amos do modo simples. No final, todos queremos chegar a um acordo em Copenhague, n\u00e3o \u00e9 mesmo?\u201d, disse.<\/p>\n<p>A maioria dos especialistas acredita que o REDD avan\u00e7ar\u00e1 na capital da Dinamarca, mas, tamb\u00e9m h\u00e1 preocupa\u00e7\u00e3o a respeito. \u201cNos preocupa principalmente que o texto da negocia\u00e7\u00e3o do REDD n\u00e3o inclua explicitamente linguagem que proteja as florestas naturais intactas apesar de se compreender amplamente que esta \u00e9 uma aspira\u00e7\u00e3o do mecanismo\u201d, disse Peg Putt, da Alian\u00e7a para o Clima e os Ecossistemas, que re\u00fane organiza\u00e7\u00f5es florestais internacionais. \u201cEste ser\u00e1 um tema importante em Copenhague. O REDD substituir\u00e1 a introdu\u00e7\u00e3o do corte de florestas naturais intactas ou pagar\u00e1 para proteg\u00ea-las?\u201d, perguntou.<\/p>\n<p>O estudo holand\u00eas parece dar cr\u00e9dito a esta linha de racioc\u00ednio. \u201cPor exemplo, substituir as florestas de turba por planta\u00e7\u00f5es de palma pode n\u00e3o mudar a densidade da cobertura florestal, mas levar a um grande impulso das emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono, devido \u00e0s redu\u00e7\u00f5es tanto na biomassa de \u00e1rvores como no carbono do solo\u201d, segundo os cientistas da Universidade de Vrije. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Windhoek, Nam\u00edbia, 09\/12\/2009 &ndash; Enquanto se intensifica o debate para se chegar a um acordo clim\u00e1tico em Copenhague, um estudo holand\u00eas indica que os danos na atmosfera em raz\u00e3o do desmatamento e da degrada\u00e7\u00e3o dos solos s\u00e3o muito menores do que se presumia. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/12\/mundo\/mudanca-climatica-desmatamento-pode-causar-menos-dano-ao-clima\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":186,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,12,5,4],"tags":[],"class_list":["post-5917","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-desenvolvimento","category-economia","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5917","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/186"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5917"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5917\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5917"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5917"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5917"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}