{"id":5921,"date":"2009-12-09T12:20:42","date_gmt":"2009-12-09T12:20:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5921"},"modified":"2009-12-09T12:20:42","modified_gmt":"2009-12-09T12:20:42","slug":"peru-trabalhadoras-forcadas-a-informalidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/12\/america-latina\/peru-trabalhadoras-forcadas-a-informalidade\/","title":{"rendered":"PERU: Trabalhadoras for\u00e7adas \u00e0 informalidade"},"content":{"rendered":"<p>Lima, 09\/12\/2009 &ndash; No Peru, 51% dos empregos s\u00e3o gerados pela economia informal, setor que tem rosto feminino, porque mais de 60% das trabalhadoras do pa\u00eds s\u00e3o for\u00e7adas a ir para a informalidade, o que significa que apenas 15% delas t\u00eam seguro sa\u00fade e 4% t\u00eam direito a aposentadoria.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_5921\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/trabajadorasperu.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5921\" class=\"size-medium wp-image-5921\" title=\" - Cortes\u00eda de la Asociaci\u00f3n de Desarrollo Comunal\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/trabajadorasperu.jpg\" alt=\" - Cortes\u00eda de la Asociaci\u00f3n de Desarrollo Comunal\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-5921\" class=\"wp-caption-text\"> - Cortes\u00eda de la Asociaci\u00f3n de Desarrollo Comunal<\/p><\/div>  S\u00e3o dados da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT), cuja coordenadora de g\u00eanero para a sub-regi\u00e3o andina, Mar\u00eda Bastidas, explicou \u00e0 IPS que os nichos informais onde trabalham mais mulheres s\u00e3o os aut\u00f4nomos (ambulantes e dom\u00e9sticas), microempresas, trabalhos agr\u00edcolas tempor\u00e1rios e servi\u00e7os para familiares n\u00e3o remunerados.<\/p>\n<p>Bastidas, autora do estudo \u201cA trabalhadora informal no Peru\u201d, explicou que entre as raz\u00f5es para o predom\u00ednio da economia informam se destacam o desajuste entre legalidade e realidade, d\u00e9ficit do emprego formal, queda no investimento e sequelas da crise dos anos 80 e 90, que propiciou o desenvolvimento das chamadas economias de desenvolvimento.<\/p>\n<p>A isso se deve acrescentar as migra\u00e7\u00f5es rurais para as cidades e um problema cultural e educativo que impediria a incorpora\u00e7\u00e3o \u00e0 economia moderna, disse a especialista da OIT, cuja sede latino-americana fica na capital peruana.<\/p>\n<p>O certo \u00e9 que esse pa\u00eds teve longos per\u00edodos de n\u00e3o-investimento produtivo e demanda quase nula de novos trabalhadores, enquanto nas fases em que houve aumento do investimento o mesmo n\u00e3o foi igual no emprego formal, devido \u00e0s atividades \u00e0s quais se orienta o capital.<\/p>\n<p>A esse modelo estrutural somou-se na d\u00e9cada de 80 uma crise econ\u00f4mica que eliminou dezenas de milhares de postos de trabalho, fechou numerosas empresas e for\u00e7ou os peruanos a irem para a o trabalho informal.<\/p>\n<p>O Peru, com 28,7 milh\u00f5es de habitantes e praticamente a metade mulheres, tem uma popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa de 10,6 milh\u00f5es de pessoas, dos quais 35,4% s\u00e3o mulheres, segundo os dados mais recentes.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 20 anos trabalhei em um hospital, mas como tinha duas filhas e n\u00e3o havia onde deix\u00e1-las fui demitida e nem mesmo servi\u00e7o de dom\u00e9stica encontrava, por ter filhas pequenas\u201d, contou \u00e0 IPS Gloria Sol\u00f3rzano, secret\u00e1ria da Mulher da Central Unit\u00e1ria de Trabalhadores (CUT).<\/p>\n<p>\u201cAgora digo com muito orgulho que sou ambulante: trabalho h\u00e1 15 anos em La Victoria, ao lado do mercado atacadista\u201d da capital peruana, contou. \u201cPor seus encargos familiares, as mulheres precisam de emprego. Por isso recorrem ao trabalho informal. S\u00e3o recicladoras, taxistas, moto-taxistas ou fazem servi\u00e7os m\u00faltiplos, trabalhos dom\u00e9sticos\u201d, disse a dirigente sindical.<\/p>\n<p>No com\u00e9rcio ambulante \u2013 contou \u2013 se v\u00ea desde idosas at\u00e9 jovens m\u00e3es com os filhos do lado. \u201cN\u00e3o est\u00e3o na rua porque querem: n\u00e3o tem trabalho e precisam responder pela educa\u00e7\u00e3o e alimenta\u00e7\u00e3o de seus filhos\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Consci\u00eancia para mudar<\/p>\n<p>Para Sol\u00f3rzano, \u00e9 fundamental criar consci\u00eancia na sociedade, no governo, nos meios de comunica\u00e7\u00e3o e nas organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais e governamentais sobre as mudan\u00e7as urgentes e necess\u00e1rias no mercado de trabalho, se a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 proporcionar trabalho decente no pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cDeve haver uma decis\u00e3o do governo de implementar mais empregos, mas dignos\u201d, destacou, antes de considerar que possivelmente isso s\u00f3 poder\u00e1 ser conseguido com uma nova Constitui\u00e7\u00e3o, porque a atual, heran\u00e7a do governo direitista de Alberto Fujimori (1990-2000), \u00e9 uma barreira para uma mudan\u00e7a no mercado de trabalho.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da falta de emprego, as mulheres optam pela informalidade porque muitas empresas obrigam os empregados a trabalharem 12 ou mais horas ou pagam menos do que o sal\u00e1rio m\u00ednimo, apesar de ser ilegal, assim as mulheres conseguem maior renda e flexibilidade para conciliar trabalho e fam\u00edlia dentro desse setor.<\/p>\n<p>\u201cSe esses direitos fossem respeitados, muitas mulheres se inclinariam por um trabalho formal. Mas, mesmo se quis\u00e9ssemos n\u00e3o h\u00e1 trabalho, pois no pa\u00eds s\u00e3o violadas as leis trabalhistas, n\u00e3o s\u00e3o cumpridas\u201d, argumentou Sol\u00f3rzano.<\/p>\n<p>Um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento apresentado em outubro corrobora com a posi\u00e7\u00e3o da ativista sindical: no Peru a brecha salarial entre homens e mulheres da mesma idade e mesmo n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o se mant\u00e9m em 19,4%, quando a m\u00e9dia latino-americana \u00e9 de 17,2%.<\/p>\n<p>\u201cO trabalho decente para a mulher n\u00e3o existe, menos ainda no Peru. O trabalho da mulher n\u00e3o \u00e9 vis\u00edvel, ainda pensam que n\u00e3o existimos como trabalhadoras\u201d, disse Sol\u00f3rznao.<\/p>\n<p>Para a dire\u00e7\u00e3o da CUT, formalizar a informalidade tamb\u00e9m exige capacita\u00e7\u00e3o para que as mulheres se organizem em pequenas empresas e consigam apoio no mercado de seus produtos.<\/p>\n<p>Segundo o economista Edgar Galv\u00e1n, ex-diretor geral da PME (pequena e m\u00e9dia empresa) e da Cooperativas do Minist\u00e9rio da Produ\u00e7\u00e3o, \u201ch\u00e1 uma tend\u00eancia crescente de mulheres condutoras de PME, por elementos que a refor\u00e7am, como a gest\u00e3o e a confiabilidade em termos de cr\u00e9dito. Ser mulher tem uma conota\u00e7\u00e3o subjetiva de maior acesso ao microcr\u00e9dito\u201d.<\/p>\n<p>Detalhou que 70% das PMEs peruanas s\u00e3o informais e, assim, seu emprego \u00e9 informal na mesma porcentagem. Trata-se de empresas de alto componente familiar de trabalhadores n\u00e3o remunerados, onde a maioria \u00e9 de mulheres. As PMEs dirigidas por mulheres atuam majoritariamente nos setores dos servi\u00e7os e do com\u00e9rcio (60%) e h\u00e1 pouqu\u00edssimas nas \u00e1reas de transforma\u00e7\u00e3o e ind\u00fastria.<\/p>\n<p>Para o especialista, \u00e9 essencial capacitar as respons\u00e1veis por essas unidades econ\u00f4micas para que adquiram uma vis\u00e3o empresarial, porque n\u00e3o surgiram como uma oportunidade de negocio, mas como uma via de salva\u00e7\u00e3o para a sobreviv\u00eancia familiar.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o uma resposta \u00e0 falta de emprego formal, mas tamb\u00e9m expressam uma distor\u00e7\u00e3o de nossa educa\u00e7\u00e3o, pois nos educam para sermos empregados e n\u00e3o empres\u00e1rios, por isso nosso empreendedorismo \u00e9 baixo\u201d, disse Galv\u00e1n.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 necess\u00e1rio que a mulher empreendedora ou dirigente de PMEs assuma que tem de gerar espa\u00e7os de capacita\u00e7\u00e3o, de assist\u00eancia t\u00e9cnica, e busca rum n\u00edvel empresarial forte\u201d, concluiu.<\/p>\n<p>Do dom\u00ednio \u00e0 lideran\u00e7a<\/p>\n<p>Se um fator trabalhista domina a mulher peruana, esse \u00e9 o do com\u00e9rcio informal, que tem 80% em m\u00e3os femininas, a grande maioria chefes de fam\u00edlia e de toda idade e condi\u00e7\u00e3o civil.<\/p>\n<p>A descoberta levou Sol\u00f3rzano a criar h\u00e1 seis anos, junto com outras 11 comerciantes de diversos distritos de Limam, a Rede de Mulheres Trabalhadoras Ambulantes de Mercados, Pontos de \u00f4nibus e Feiras. Atualmente, t\u00eam 16 redes na capital e seu entorno e mais quatro em diferentes departamentos do pa\u00eds, n\u00famero que duplicar\u00e1 em breve.<\/p>\n<p>A Rede come\u00e7ou no Cone Industrial Norte de Lima, e algumas de suas integrantes passaram a dirigir suas associa\u00e7\u00f5es, como Rita Magui\u00f1a, atual presidente da confedera\u00e7\u00e3o de trabalhadores ambulantes e secret\u00e1ria de organiza\u00e7\u00e3o da Rede. \u201cN\u00e3o pensei em ser l\u00edder, mas ao ver os abusos das autoridades e dos pr\u00f3prios dirigentes decidi participar, apoiar e mudar a estrutura. Falei para mim mesma: se as mulheres s\u00e3o a maioria dos trabalhadores ambulantes, por que somos dirigidas por homens\u201d, contou Sol\u00f3rzano.<\/p>\n<p>\u201cA mulher tem na consci\u00eancia buscar uma mudan\u00e7a. Se h\u00e1 muitas vendendo na rua, tenho de buscar uma mudan\u00e7a no pa\u00eds, n\u00e3o para n\u00f3s porque, possivelmente, n\u00e3o iremos aproveitar, mas ser\u00e1 para nossos filhos\u201d, disse. \u201cPor tr\u00e1s de uma mulher existe um lar. Quer\u00edamos ter um lar com emprego digno, onde os filhos tivessem paz para o desenvolvimento, para o futuro de nosso pa\u00eds. Porque um parque cheio de flores n\u00e3o matar\u00e1 a fome do pa\u00eds\u201d, ressaltou Sol\u00f3rzano. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lima, 09\/12\/2009 &ndash; No Peru, 51% dos empregos s\u00e3o gerados pela economia informal, setor que tem rosto feminino, porque mais de 60% das trabalhadoras do pa\u00eds s\u00e3o for\u00e7adas a ir para a informalidade, o que significa que apenas 15% delas t\u00eam seguro sa\u00fade e 4% t\u00eam direito a aposentadoria. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/12\/america-latina\/peru-trabalhadoras-forcadas-a-informalidade\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":858,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[21,24],"class_list":["post-5921","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5921","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/858"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5921"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5921\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5921"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5921"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5921"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}