{"id":598,"date":"2005-05-16T00:00:00","date_gmt":"2005-05-16T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=598"},"modified":"2005-05-16T00:00:00","modified_gmt":"2005-05-16T00:00:00","slug":"direitos-humanos-refugiados-esperam-por-aes-no-nepal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/05\/mundo\/direitos-humanos-refugiados-esperam-por-aes-no-nepal\/","title":{"rendered":"Direitos Humanos: Refugiados esperam por a&ccedil;&otilde;es no Nepal"},"content":{"rendered":"<p>Katmandu, 16\/05\/2005 &ndash; A Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas considera que o Nepal est&aacute; a ponto de sofrer uma crise devido &agrave;s milhares de pessoas obrigadas a abandonar suas casas por causa da guerra civil, mas ningu&eacute;m nesse pa&iacute;s parecer saber o que fazer a respeito. H&aacute; um m&ecirc;s, uma equipe da ONU analisou durante 10 dias no terreno as condi&ccedil;&otilde;es em que vivem os refugiados, legado de uma d&eacute;cada de combates entre as for&ccedil;as do governo e rebeldes mao&iacute;stas no qual morreram 11 mil pessoas. A miss&atilde;o conclui que &quot;a maioria&quot; desse setor da popula&ccedil;&atilde;o &quot;foi ignorada&quot;.<br \/> <!--more--> <br \/> &quot;N&atilde;o houve assist&ecirc;ncia nem uma resposta de prote&ccedil;&atilde;o coerentes, seja por parte do governo ou de organiza&ccedil;&otilde;es nacionais ou internacionais&quot;, informou o representante das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre direitos dos refugiados, Walter Kalin, durante entrevista coletiva ao t&eacute;rmino da miss&atilde;o. &quot;O problema pode ser atendido enquanto a situa&ccedil;&atilde;o estiver sob controle&quot;, acrescentou. Nenhuma ag&ecirc;ncia da ONU, nem as organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais internacionais radicadas em Katmandu, nem o governo parecem preparados para tomar a iniciativa e ajudar pessoas como Ram Gopal Tamoli. H&aacute; tr&ecirc;s anos, Tamoli fugiu com sua fam&iacute;lia para Katmandu, procedente do distrito de Bank, basti&atilde;o da guerrilha mao&iacute;sta.<\/p>\n<p> As for&ccedil;as de seguran&ccedil;a de Banke foram muito eficazes, pois conseguiram impedir a maioria dos atentados com explosivos e os tiroteios durante a guerra civil. Mas mesmo assim Tamoli teme por sua seguran&ccedil;a. No escrit&oacute;rio da Associa&ccedil;&atilde;o de V&iacute;timas do Mao&iacute;smo, no centro de Katmandu, Tamoli disse &agrave; IPS que os 25 mil membros da organiza&ccedil;&atilde;o sobreviviam gra&ccedil;as &agrave; ajuda de amigos e familiares e inclusive de desconhecidos que lhes davam dinheiro quando batiam de porta em porta. Funcion&aacute;rios da ONU &quot;vieram aqui e nos entrevistaram&quot; mas isso, acrescentou, n&atilde;o serviu de ajuda. Tampouco o governo ajuda os membros do grupo, que viram o saque de suas casas, o assassinato de seus c&ocirc;njuges, a mutila&ccedil;&atilde;o de seus familiares, afirmou.<\/p>\n<p> Meia d&uacute;zia de homens e mulheres de meia idade o ouvem na sala do escrit&oacute;rio. O governo do Nepal criou em 2001 um fundo para v&iacute;timas da a&ccedil;&atilde;o da guerrilha mao&iacute;sta &#8211; n&atilde;o para os afetados por opera&ccedil;&otilde;es de for&ccedil;as governamentais &#8211; mas deixou de distribuir dinheiro entre eles em 2002. O governo que caiu no golpe de Estado de fevereiro havia prometido em outubro passado US$ 20.086 a cada v&iacute;tima dos mao&iacute;stas, sem previs&otilde;es para as v&iacute;timas das for&ccedil;as oficiais, informou o F&oacute;rum da &Aacute;sia Meridional para os Direitos Humanos (SAFHR). &quot;Defini&ccedil;&otilde;es estreitas como esta desestimulam as v&iacute;timas de a&ccedil;&otilde;es estatais, justificadas ou n&atilde;o&quot;, indica o relat&oacute;rio do f&oacute;rum, concentrado nos refugiados nas cidades de Katmandu e Birendranagar.<\/p>\n<p> A miss&atilde;o de Kalin descobriu que &quot;a grande maioria dos refugiados n&atilde;o foi registrada pelas autoridades, pois temem se declarar como tais e por outros fatores, como a quantidade de pessoas que cruzam a fronteira para a &Iacute;ndia&quot;. O Nepal tem fronteiras ao sul, leste e oeste com a &Iacute;ndia, e ao norte com a China, inclu&iacute;do o Tibet. No dia 1&ordm; de fevereiro, o rei Gyanendra Bir Bikram Shah derrubou o governo, acusando-o de corrup&ccedil;&atilde;o e incompet&ecirc;ncia na luta contra a guerrilha mao&iacute;sta. O soberano imp&ocirc;s o estado de emerg&ecirc;ncia e suspendeu a maioria dos direitos constitucionais. Gyanendra depois levantou o estado de emerg&ecirc;ncia, mas manteve as r&eacute;deas do poder e a deten&ccedil;&atilde;o de muitos dissidentes.<\/p>\n<p> Segundo o relat&oacute;rio da SAFHA, as refugiadas necessitam de ajuda espec&iacute;fica. &quot;Muitas mulheres com as quais nos reunimos se converteram em chefes de fam&iacute;lia e est&atilde;o totalmente desorientadas sobre as responsabilidades que tiveram de assumir repentinamente&quot;. Os jovens tamb&eacute;m requerem aten&ccedil;&atilde;o especial, segundo o documento, intitulado &quot;Informe-piloto sobre refugiados internos em Katmandu e Birendranagar&quot;. As &quot;jovens com as quais conversamos nos disseram que muitas abandonaram seus povoados, e continuam a fugir. A maioria n&atilde;o pode regressar para suas casas por medo de serem pressionadas para se unirem aos mao&iacute;stas, ou temendo que sua visita represente problemas para suas fam&iacute;lias&quot;, acrescentaram.<\/p>\n<p> A miss&atilde;o da ONU concluiu que alguns povoados perderam 80% de seus jovens. A autora do relat&oacute;rio, Deep Ranjani Ra&iacute;, disse acreditar que o escrit&oacute;rio da ONU no Nepal tome a dianteira na tarefa de atender as necessidades dos refugiados. Mas &quot;n&atilde;o estou t&atilde;o certa de que ser&aacute; muito r&aacute;pido&quot;, acrescentou. A filial do Escrit&oacute;rio de Coordena&ccedil;&atilde;o de Assuntos Humanit&aacute;rios das Na&ccedil;&otilde;es Unidas em Katmandu n&atilde;o respondeu aos pedidos de uma entrevista feitos pela IPS. O presidente-executivo do n&atilde;o-governamental Centro de Estudos e Bem-Estar Comunit&aacute;rio, Dili Raman Dhakal, considerou que depois da miss&atilde;o de Kalin &quot;as ag&ecirc;ncias da ONU em Katmandu come&ccedil;ar&atilde;o a escutar&quot;. Mas Dhakal disse &aacute; IPS que as Na&ccedil;&otilde;es Unidas subestimaram a quantidade de refugiados ao situ&aacute;-la entre 100 mil e 200 mil. A cifra real, garantiu, fica entre um milh&atilde;o e 1,2 milh&atilde;o.<\/p>\n<p> Entretanto um funcion&aacute;rio do governo, que pediu para n&atilde;o ser identificado, disse que &quot;n&atilde;o podem ser mais de 15 mil&quot;, embora apenas a metade dessa quantidade tenha se registrado em &oacute;rg&atilde;os oficiais. As conversa&ccedil;&otilde;es entre o governo e a miss&atilde;o de Kalin foram tensas. &quot;Tinham uma no&ccedil;&atilde;o pr&eacute;-concebida dos refugiados e de tudo&#8230; Acreditavam que a situa&ccedil;&atilde;o era muito ca&oacute;tica e que as pessoas sofriam muito&quot;, afirmou. O rebelde Partido Comunista Mao&iacute;sta, inspirado no grupo guerrilheiro peruano Sendero Luminoso, atua desde 1996 em distritos rurais com a finalidade de acabar com a monarquia. Por causa dos combates entre for&ccedil;as do governo e rebeldes, 11 mil pessoas morreram.<\/p>\n<p> A guerrilha reclama a convoca&ccedil;&atilde;o de uma assembl&eacute;ia nacional constituinte com vistas &agrave; instaura&ccedil;&atilde;o de uma rep&uacute;blica. O atraso econ&ocirc;mico e social, a injusti&ccedil;a e os governos ineficientes foram prop&iacute;cios para que nepaleses pobres se incorporassem &aacute; guerrilha mao&iacute;sta. A renda m&eacute;dia por habitante no Nepal &eacute; de US$ 240 anuais, e 42% da popula&ccedil;&atilde;o vivem abaixo da linha de pobreza. A guerrilha come&ccedil;ou em fevereiro de 1996 nos remotos distritos montanhosos do meio-oeste do Nepal, na forma de protestos contra o aprofundamento da brecha entre ricos e pobres e pela marginaliza&ccedil;&atilde;o das castas inferiores determinadas pela religi&atilde;o hindu. As manifesta&ccedil;&otilde;es se converteram, pouco a pouco, em uma &quot;guerra popular&quot; que j&aacute; est&aacute; no d&eacute;cimo ano. Hoje, os rebeldes t&ecirc;m importante presen&ccedil;a em todos os distritos. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p> Foto: Li Onesto<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Katmandu, 16\/05\/2005 &ndash; A Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas considera que o Nepal est&aacute; a ponto de sofrer uma crise devido &agrave;s milhares de pessoas obrigadas a abandonar suas casas por causa da guerra civil, mas ningu&eacute;m nesse pa&iacute;s parecer saber o que fazer a respeito. H&aacute; um m&ecirc;s, uma equipe da ONU analisou durante 10 dias no terreno as condi&ccedil;&otilde;es em que vivem os refugiados, legado de uma d&eacute;cada de combates entre as for&ccedil;as do governo e rebeldes mao&iacute;stas no qual morreram 11 mil pessoas. 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