{"id":5989,"date":"2010-01-05T11:54:45","date_gmt":"2010-01-05T11:54:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5989"},"modified":"2010-01-05T11:54:45","modified_gmt":"2010-01-05T11:54:45","slug":"energia-tanzania-alternativas-de-barro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/01\/africa\/energia-tanzania-alternativas-de-barro\/","title":{"rendered":"ENERG\u00cdA-TANZ\u00c2NIA: Alternativas de barro"},"content":{"rendered":"<p>Dar es Salaam, 05\/01\/2010 &ndash; A rede el\u00e9trica da Tanz\u00e2nia \u00e9 alimentada por g\u00e1s, diesel e energia hidr\u00e1ulica. Mas, nos \u00faltimos anos este pa\u00eds sofreu severos apag\u00f5es e medidas de racionamento de energia em \u00e1reas urbanas devido \u00e0s secas.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_5989\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/carbonvegetal_Jessie_Boylan_IPS1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5989\" class=\"size-medium wp-image-5989\" title=\"Fog\u00e3o a carv\u00e3o vegetal - Jessie Boylan\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/carbonvegetal_Jessie_Boylan_IPS1.jpg\" alt=\"Fog\u00e3o a carv\u00e3o vegetal - Jessie Boylan\/IPS\" width=\"200\" height=\"134\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-5989\" class=\"wp-caption-text\">Fog\u00e3o a carv\u00e3o vegetal - Jessie Boylan\/IPS<\/p><\/div>  Vendo como os rios secavam em sua regi\u00e3o natal de Kilimanjaro, Estomih Sawe decidiu buscar alternativas para os tanzanianos. \u201cApenas 10% dos moradores do pa\u00eds t\u00eam acesso \u00e0 eletricidade. As pessoas como n\u00f3s s\u00e3o afortunadas\u201d, disse Sawe, sentado em seu escrit\u00f3rio com ar-condicionado na capital da Tanz\u00e2nia. \u201cEm \u00e1reas rurais, onde vivem mais de 80% das pessoas, apenas 5% t\u00eam acesso \u00e0 eletricidade. Assim, pode-se imaginar a grande tarefa que temos pela frente\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Na Tanz\u00e2nia queima-se um milh\u00e3o de toneladas de carv\u00e3o vegetal por ano, o equivalente a eliminar 300 hectares de floresta por dia. \u201cLamentavelmente, o ritmo de desmatamento n\u00e3o \u00e9 proporcional aos esfor\u00e7os com reflorestamento\u201d, afirmou Sawe. \u201cSe fizermos o c\u00e1lculo, 300 hectares por dia, em 365 dias, \u00e9 igual a 109.500 hectares anuais. Somos capazes de plantar apenas 25 mil hectares anuais. Assim, \u00e9 realmente um grave problema para nosso meio ambiente\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Sawe criou em 199 a Tatedo (Organiza\u00e7\u00e3o da Tanz\u00e2nia pela Energia Tradicional, pelo Desenvolvimento e Meio Ambiente) para colocar em pr\u00e1tica os conhecimentos que adquiriu sobre fontes renov\u00e1veis ao trabalhar para o Minist\u00e9rio da Energia. \u201cUm dos principais problemas \u00e9 a utiliza\u00e7\u00e3o da biocombust\u00edveis s\u00f3lidos, entre os quais lenha e carv\u00e3o vegetal. A tecnologia e o uso destes s\u00e3o muito ineficientes\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Os fog\u00f5es mais usados na Tanz\u00e2nia perdem mais de 85% da energia potencial desses combust\u00edveis. \u201cO n\u00famero de pessoas que morre, particularmente mulheres e crian\u00e7as, pela inala\u00e7\u00e3o da fuma\u00e7a est\u00e1 aumentando\u201d, disse Sawe. \u201cA Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade afirma que mais de 75 pessoas morrem diariamente neste pa\u00eds por inalar fuma\u00e7a com estas tecnologias deficientes\u201d, acrescentou. Mas, fazer mudan\u00e7as \u00e9 complicado por diversos fatores, incluindo g\u00eanero e pobreza, segundo a Rede de Energia Domiciliar (Hedon).<\/p>\n<p>A divis\u00e3o do trabalho por g\u00eanero normalmente faz com que as mulheres sejam respons\u00e1veis pela maior parte do trabalho dom\u00e9stico, e, junto com as crian\u00e7as, elas s\u00e3o as mais afetadas pela inala\u00e7\u00e3o de fuma\u00e7a. Por outro lado, a influ\u00eancia das mulheres na tomada de decis\u00f5es no lar est\u00e1 limitada por sua depend\u00eancia econ\u00f4mica em rela\u00e7\u00e3o aos homens. Segundo a ONU-Habitat, nos lugares onde \u00e9 potencializado o papel das mulheres, estas t\u00eam mais probabilidade de adotar melhores tecnologias para mudar pr\u00e1ticas energ\u00e9ticas prejudiciais e melhorar as condi\u00e7\u00f5es de vida de suas fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Na aldeia de Igunhwa, na regi\u00e3o de Mwanza, foram formados v\u00e1rios grupos de mulheres que aproveitam sistemas de microfinan\u00e7as e constroem fog\u00f5es de barro mais eficientes desenhados pela Tatedo. \u201cAntes que nos trouxessem fog\u00f5es de barro, us\u00e1vamos os tradicionais de tr\u00eas pedras para cozinhar\u201d, disse Florence Ngembwe, do grupo de mulheres Upendo. \u201cUm dos problemas para usar o fog\u00e3o de tr\u00eas pedras \u00e9 a necessidade de muita lenha para cozinhar, e s\u00e3o as mulheres e as meninas que v\u00e3o em busca da lenha\u201d, contou Florence.<\/p>\n<p>\u201cTamb\u00e9m h\u00e1 muitos impactos na sa\u00fade das mulheres, devido \u00e0 fuma\u00e7a que inalam enquanto cozinham. Gastar\u00edamos muito tempo buscando madeira em lugar de fazer outras atividades produtivas, e, em geral, as meninas tamb\u00e9m fariam este trabalho, deixando de ir \u00e0 escola\u201d, explicou Florence. Muitas das mulheres envolvidas no projeto disseram que a constru\u00e7\u00e3o de fog\u00f5es melhores as ajudou de maneira significativa. Agora diminuiu a carga de seu trabalho. Precisam coletar menos lenha e os novos fog\u00f5es t\u00eam chamin\u00e9, o que significa menos fuma\u00e7a na cozinha.<\/p>\n<p>Segundo Sawe, mais de 80% dos moradores urbanos da Tanz\u00e2nia usam carv\u00e3o para cozinhar. A Tatedo diz que em Dar es Salaam, cerca de 60% das casas receberam ajuda para melhorar seus fog\u00f5es. \u201c\u00c9 um grande desafio. Primeiro \u00e9 preciso tratar com pessoas com meios limitados, baixa renda. Aqui falamos de tecnologias nas quais os custos iniciais s\u00e3o altos\u201d, explicou Sawe. A Tatedo tamb\u00e9m prepara combust\u00edveis alternativos com dejetos do corte de \u00e1rvores e res\u00edduos agr\u00edcolas. \u201cN\u00e3o \u00e9 preciso cortar uma \u00e1rvore para fazer carv\u00e3o\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o usa casca de arroz e de coco, bem como serragem, para criar blocos. Com a introdu\u00e7\u00e3o dos novos fog\u00f5es, a TaTEDO assegura ter salvo mais de 4.500 hectares de \u00e1rvores. Mas a mudan\u00e7a ainda \u00e9 lenta. \u201cNaturalmente, h\u00e1 problemas estruturais. Se tratamos com pessoas que usam fog\u00e3o de tr\u00eas pedras h\u00e1 muito tempo, existe todo um esfor\u00e7o para mudar a nova tecnologia, mesmo esta sendo muito boa\u201d, disse Sawe. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dar es Salaam, 05\/01\/2010 &ndash; A rede el\u00e9trica da Tanz\u00e2nia \u00e9 alimentada por g\u00e1s, diesel e energia hidr\u00e1ulica. 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