{"id":5996,"date":"2010-01-06T12:51:58","date_gmt":"2010-01-06T12:51:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=5996"},"modified":"2010-01-06T12:51:58","modified_gmt":"2010-01-06T12:51:58","slug":"alteracoes-climaticas-de-combustiveis-sujos-a-tecnologia-impa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/01\/africa\/alteracoes-climaticas-de-combustiveis-sujos-a-tecnologia-impa\/","title":{"rendered":"ALTERA\u00c7\u00d5ES CLIM\u00c1TICAS: De combust\u00edveis sujos a tecnologia impa"},"content":{"rendered":"<p>WINDHOEK, 06\/01\/2010 &ndash; Os poluidores de amanh\u00e3 s\u00e3o as economias emergentes de hoje. O desenvolvimento sem voltar a percorrer os mesmos passos poluidores do Ocidente exige tecnologia verde, uma op\u00e7\u00e3o dispendiosa para \u00c1frica. <!--more--> Investiga\u00e7\u00e3o e desenvolvimento, aplica\u00e7\u00e3o da tenologia, pol\u00edticas energ\u00e9ticas, direitos de propriedade intelectual, os interesses adquiridos da ind\u00fastria de combust\u00edveis foss\u00e9is, e a difus\u00e3o de tecnologia verde constituem o pesadelo negocial que \u00e9 a tecnologia limpa. <\/p>\n<p>E, claro, como se vai pagar por tudo isto. <\/p>\n<p>\u201cO principal obst\u00e1culo para se chegar a um acordo \u00e9 o financiamento,\u201d diz John Nordbo, director do programa dinamarqu\u00eas para as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e porta-voz do WWF sobre a tecnologia limpa. \u201cNa melhor das hip\u00f3teses, os pa\u00edses desenvolvidos est\u00e3o muito relutantes em apresentarem somas substanciais de dinheiro que possam levar \u00e0 dissemina\u00e7\u00e3o de tecnologias destinadas a superar as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas nos pa\u00edses em desenvolvimento.\u201d <\/p>\n<p>O Banco Mundial calcula que 85 por cento do custo das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas recair\u00e3o sobre os pa\u00edses em desenvolvimento. \u00c9 necess\u00e1rio um total de 400 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares por ano para mitiga\u00e7\u00e3o, incluindo tecnologia verde. Presentemente, essas transfer\u00eancias ascendem, em m\u00e9dia, a 8 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares por ano, ao abrigo do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo de Quioto (MDL). Por\u00e9m, o processo MDL, cujo objectivo era ajudar a estimular os projectos dispendiosos da tecnologia verde, falhou na generalidade em \u00c1frica; dos 1.500 projectos MDL em todo o mundo, s\u00f3 duas dezenas est\u00e3o localizadas em \u00c1frica. <\/p>\n<p>N\u00e3o ajuda o facto de os diversos participantes se acusarem mutuamente sobre quem deve reduzir as emiss\u00f5es, quando \u00e9 que isso dever\u00e1 acontecer e quais ser\u00e3o as redu\u00e7\u00f5es. Enquanto que o mundo em desenvolvimento, no seu todo, j\u00e1 \u00e9 respons\u00e1vel por 48 por cento das emiss\u00f5es, a percentagem atribu\u00edda a \u00c1frica \u00e9 s\u00f3 3.6 por cento, com a \u00c1frica do Sul a emitir quase metade desse valor. <\/p>\n<p>Existe uma crise energ\u00e9tica em 25 pa\u00edses e as emiss\u00f5es causadas pelo uso da terra \u2013 que constitui 60 por cento do total das emiss\u00f5es em \u00c1frica \u2013 est\u00e3o directamente ligadas ao problema energ\u00e9tico, visto que os africanos obt\u00eam 80 por cento do seu consumo dom\u00e9stico da biomassa. <\/p>\n<p>De acordo com a Ag\u00eancia Internacional de Energia (AIE), s\u00f3 40 por cento dos 800 milh\u00f5es de pessoas na \u00c1frica subsariana \u00e9 que est\u00e3o ligados a uma rede de electricidade, esperando-se que esse n\u00famero diminua substancialmente nas pr\u00f3ximas duas d\u00e9cadas. <\/p>\n<p>Uma proposta de investimento em energia limpa pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) indica que a procura de materiais produtores de energia para consumo dom\u00e9stico absorve uma percentagem desproporcionada do tempo das mulheres e crian\u00e7as. \u201cOs problemas de sa\u00fade e uma elevada taxa de mortalidade inaceit\u00e1vel, na ordem das 400.000 mortes por ano causadas por doen\u00e7as respirat\u00f3rias, est\u00e3o ligados \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o a polui\u00e7\u00e3o dentro das habita\u00e7\u00f5es, causada por \u2018combust\u00edveis sujos\u2019 em casas com m\u00e1 ventila\u00e7\u00e3o,\u201d referiu o relat\u00f3rio. <\/p>\n<p>\u201cA escassez de energia tamb\u00e9m est\u00e1 associada \u00e0 falta de luz adequada para facilitar as tarefas do fim do dia e da noite e ainda as actividades dos tempos livres. Desse modo, por exemplo, as crian\u00e7as t\u00eam menos tempo para estudar em casa \u00e0 noite.\u201d<\/p>\n<p>Os especialistas acreditam que uma abordagem com dois components, que incluiriam solu\u00e7\u00f5es baseadas na descentraliza\u00e7\u00e3o das energias renov\u00e1veis para os lares e, por outro lado, na inicia\u00e7\u00e3o de importantes programas de energia verde visando abastecer centros de com\u00e9rcio emergentes, poderia conduzir a melhores resultados. <\/p>\n<p>\u201cUm exemplo da redu\u00e7\u00e3o de carbono centrada na preven\u00e7\u00e3o pode encontrar-se nas tecnologias para os lares, como turbinas de vento individuais ou tecnologias solares,\u201d disse Heath Naquin, que trabalha com a Alian\u00e7a para a Tecnologia Verde, cujo objectivo \u00e9 a difus\u00e3o de tecnologia limpa em todo o Sul. \u201cEstas solu\u00e7\u00f5es s\u00e3o suficientemente baratas para serem utilizadas por quase todos os agregados familiares.\u201d<\/p>\n<p>Por outro lado, os grandes projectos como o Grande Inga, na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, t\u00eam o potencial para integrar o desenvolvimento africano de forma limpa. \u201cS\u00f3 10 por cento do potencial hidroel\u00e9ctrico de \u00c1frica \u00e9 que est\u00e3o desenvolvidos,\u201d afirma Katai Kachasa, director geral da central de energia hidroel\u00e9ctrica de Lunsemfwa, na Z\u00e2mbia. \u201cIsto perfaz 20 gigawatts por ano, enquanto que s\u00f3 o Grande Inga pode fornecer 39.000.\u201d <\/p>\n<p>\u201cNa Nam\u00edbia, as condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o ideais para se construirem grandes parques de energia solar,\u201d disse \u00e0 IPS o principal negociador sobre altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, Teofilus Nghitila. \u201cTemos um clima seco e um n\u00famero recorde de dias de sol por ano. N\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o nenhuma que nos impe\u00e7a de copiar os grandes projectos planeados para o Sahara.\u201d <\/p>\n<p>Mas \u00e9 necess\u00e1rio ter acesso a fundos para construir estes projectos e distribuir a energia das regi\u00f5es remotas at\u00e9 onde ela \u00e9 necess\u00e1ria. Quase nenhum governo no continente tem dinheiro para tais projectos, sendo pouco realista estar \u00e0 espera dos fundos do MDL.<\/p>\n<p>Num recente relat\u00f3rio, o F\u00f3rum Econ\u00f3mico Mundial (FEM) prop\u00f4s uma s\u00e9rie de investimentos p\u00fablico-privados em seis regi\u00f5es em desenvolvimento ascendendo a quase 2.7 trili\u00f5es de d\u00f3lares at\u00e9 2030. <\/p>\n<p>O Quadro de Investimento em Energia Limpa do Banco Africano de Desenvolvimento (CEIF) \u00e9 um exemplo deste tipo de \u201cfundo de base regional para tecnologia de baixo carbono\u201d. Em Maio, juntamente com o Fundo de Tecnologia Limpa do Banco Mundial (CTF), o CEIF injectou 13 milh\u00f5es de d\u00f3lares no Evolution One, um fundo privado de participa\u00e7\u00f5es accion\u00e1rias especializado no investimento em tecnologia limpa, sediado na Cidade do Cabo. <\/p>\n<p>Mas, enquanto a \u00c1frica do Sul pode atrair fundos para o mercado da tecnologia de baixo carbono, os analistas receiam que os Pa\u00edses Menos Desenvolvidos (PMDs) v\u00e3o ser deixados para tr\u00e1s. Dos 49 PMDs, 33 s\u00e3o africanos. Para estes pa\u00edses, a importa\u00e7\u00e3o de tecnologia verde levanta o problema dos direitos de propriedade intelectual. <\/p>\n<p>Na reuni\u00e3o que teve lugar em Nova Deli no m\u00eas passado sobre transfer\u00eancia de tecnologia, um estudo de cinco pa\u00edses indicou que uma aplica\u00e7\u00e3o mais forte dos direitos de propriedade n\u00e3o conduz ao aumento da transfer\u00eancia de tecnologia. Em vez disso, pensa-se que os direitos de propriedade intelectual \u201crestringem a transfer\u00eancia de tecnologia atrav\u00e9s dos elevados custos das licen\u00e7as,\u201d conclu\u00edram os investigadores. Em rela\u00e7\u00e3o a Copenhaga, o fim n\u00e3o est\u00e1 \u00e0 vista. \u201cN\u00e3o regist\u00e1mos absolutamente progresso algum sobre a quest\u00e3o dos direitos de propriedade nas reuni\u00f5es anteriores ao COP.\u201d disse \u00e0 IPS Peter Acquah, Secret\u00e1rio da Confer\u00eancia Ministerial Africana sobre o Meio Ambiente (AMCEN) <\/p>\n<p>Enquanto que as na\u00e7\u00f5es industrializadas v\u00e3o promover as parcerias p\u00fablico-privadas em Copenhaga, os pa\u00edses africanos, no \u00e2mbito do G77 \/ China, v\u00e3o exigir um Fundo Multilateral de Tecnologia Clim\u00e1tica independente e incondicional controlado pela Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre as Altera\u00e7\u00f5es Clim\u00e1ticas (UNFCCC). <\/p>\n<p>\u201cProvavelmente os pa\u00edses desenvolvidos v\u00e3o aceitar esta exig\u00eancia no final, mas existe um enome risco que isto v\u00e1 apenas criar mais estruturas e burocracia,\u201d disse John Nordbo do WWF.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>WINDHOEK, 06\/01\/2010 &ndash; Os poluidores de amanh\u00e3 s\u00e3o as economias emergentes de hoje. 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