{"id":6020,"date":"2010-01-12T12:14:00","date_gmt":"2010-01-12T12:14:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=6020"},"modified":"2010-01-12T12:14:00","modified_gmt":"2010-01-12T12:14:00","slug":"analise-fronteiras-candentes-emergem-do-degelo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/01\/mundo\/analise-fronteiras-candentes-emergem-do-degelo\/","title":{"rendered":"AN\u00c1LISE: Fronteiras candentes emergem do degelo"},"content":{"rendered":"<p>BARCELONA, 12\/01\/2010 &ndash; (Tierram\u00e9rica).-  O degelo do \u00c1rtico est\u00e1 provocando uma corrida pelo controle dos recursos naturais dessa regi\u00e3o entre R\u00fassia, Noruega, Dinamarca, Gr\u00e3-Bretanha, Canad\u00e1 e Estados Unidos, afirma neste artigo Manuel Manonelles.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_6020\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/457_2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-6020\" class=\"size-medium wp-image-6020\" title=\" - Fabricio Vanden Broeck\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/457_2.jpg\" alt=\" - Fabricio Vanden Broeck\" width=\"200\" height=\"171\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-6020\" class=\"wp-caption-text\"> - Fabricio Vanden Broeck<\/p><\/div>  Pouco a pouco vai se confirmando que o degelo dos polos, tanto do \u00c1rtico quanto do Ant\u00e1rtico, est\u00e1 ocorrendo em um ritmo sensivelmente superior ao previsto. As consequ\u00eancias deste fen\u00f4meno sobre a paz s\u00e3o enormes. O degelo acontece tamb\u00e9m nos glaciais e zonas de alta montanha que at\u00e9 hoje eram consideradas de neves perp\u00e9tuas.<\/p>\n<p>Um caso exemplar \u00e9 o da fronteira alpina entre Su\u00ed\u00e7a e It\u00e1lia, onde nas \u00faltimas e rotineiras tarefas de revis\u00e3o fronteiri\u00e7a foi detectado o desaparecimento de v\u00e1rios trechos dessa linha que estava fixada desde 1861 acima de placas de gelo ou de neve perene. Neste caso, a l\u00f3gica de anos de rela\u00e7\u00f5es pac\u00edficas se imp\u00f4s e a quest\u00e3o seguir\u00e1 a via da solu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica mediante uma comiss\u00e3o entre os dois pa\u00edses.<\/p>\n<p>Contudo, as implica\u00e7\u00f5es que casos como estes podem ter em outros contextos geogr\u00e1ficos e pol\u00edticos s\u00e3o realmente preocupantes. \u00c9 enorme o potencial desestabilizador que poderia ter uma situa\u00e7\u00e3o semelhante na fronteira entre \u00cdndia e Paquist\u00e3o, principalmente na disputada zona da Caxemira ou, concretamente, na geleira de Siach\u00e9n, onde desde 1984 j\u00e1 morreram mais de tr\u00eas mil soldados dos dois pa\u00edses em opera\u00e7\u00f5es militares.<\/p>\n<p>O mesmo poderia ocorrer na tensa fronteira entre \u00cdndia e China, ou no mais do que problem\u00e1tico limite entre Afeganist\u00e3o e Paquist\u00e3o que, com o degelo, ser\u00e1 progressivamente ainda mais poroso, contribuindo para um aumento da desestabiliza\u00e7\u00e3o do que j\u00e1 s\u00e3o dois dos pa\u00edses mais inst\u00e1veis do mundo. Outro efeito de grande impacto \u00e9 a progressiva abertura, tamb\u00e9m pelo degelo, das chamadas passagens do Noroeste e do Nordeste: novas rotas mar\u00edtimas, at\u00e9 agora impratic\u00e1veis, que mudar\u00e3o radicalmente as din\u00e2micas comerciais em escala global, unindo os oceanos Atl\u00e2ntico e Pac\u00edfico.<\/p>\n<p>Com a passagem do Nordeste, recentemente usada pela primeira vez, a navega\u00e7\u00e3o pelo norte da R\u00fassia e pela Sib\u00e9ria reduzir\u00e1 em mais de quatro mil quil\u00f4metros a dist\u00e2ncia entre os portos de Jap\u00e3o, Cor\u00e9ia do Sul e China e os de Hamburgo, Rotterdam ou Southampton. Com a passagem do Noroeste, navegando pelo norte do Canad\u00e1, ocorrer\u00e1 algo semelhante entre os portos da \u201cf\u00e1brica do mundo\u201d, a China, e os da costa leste dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>A abertura dessas rotas pode tornar irrelevantes regi\u00f5es at\u00e9 ent\u00e3o consideradas chave do ponto de vista geoestrat\u00e9gico, como os canais de Suez e do Panam\u00e1. A isto se somam as expectativas de enormes reservas de mat\u00e9rias-primas no \u00c1rtico \u2013 s\u00f3 em petr\u00f3leo a ag\u00eancia russa TASS calcula mais de dez bilh\u00f5es de toneladas \u2013, cada vez mais acess\u00edveis em raz\u00e3o do degelo. Isto est\u00e1 provocando uma corrida pelo controle da regi\u00e3o, que fez aumentar a tens\u00e3o principalmente entre R\u00fassia, Noruega, Dinamarca, Gr\u00e3-Bretanha, Canad\u00e1 e Estados Unidos, e inclusive disparou a corrida armamentista na \u00e1rea.<\/p>\n<p>Em 2008, o Canad\u00e1 aprovou uma quantia extraordin\u00e1ria de US$ 6,9 bilh\u00f5es para refor\u00e7ar sua presen\u00e7a militar na zona \u00e1rtica deste pa\u00eds. E o rein\u00edcio russo dos voos t\u00e1ticos de bombardeiros nucleares nas \u00e1reas polares j\u00e1 provocou protestos de v\u00e1rios pa\u00edses. Isto tamb\u00e9m explica, em parte, a grande rapidez com que a Uni\u00e3o Europeia promove a ades\u00e3o da Isl\u00e2ndia, em bancarrota, ao bloco, para garantir uma boa posi\u00e7\u00e3o nas futuras negocia\u00e7\u00f5es e reclama\u00e7\u00f5es territoriais na regi\u00e3o, diante das potenciais possibilidades de acesso ao \u201cbanquete \u00e1rtico\u201d.<\/p>\n<p>O degelo dos polos tamb\u00e9m \u00e9 o principal causador da eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar, que tem outras consequ\u00eancias irrevers\u00edveis de car\u00e1ter territorial, social e econ\u00f4mico, como o desaparecimento f\u00edsico, total ou parcial, de v\u00e1rios Estados insulares do Pac\u00edfico em alguns anos (Maldivas, Samoa, Kiribati, etc.). Al\u00e9m dos dramas pessoais, ambientais, culturais e nacionais que isso representa, tamb\u00e9m leva, obviamente, a implica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e jur\u00eddicas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 viabilidade de futuros Estados sem territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>Como se n\u00e3o bastasse, o aumento do n\u00edvel do mar amea\u00e7a gravemente uma parte das principais infraestruturas em escala mundial, como portos, refinarias, aeroportos e centrais nucleares que, em muitos casos, est\u00e3o localizados bem pr\u00f3ximos ao mar.A isto devemos somar que grande parte da popula\u00e7\u00e3o mundial vive em \u00e1reas muito pr\u00f3ximas da costa, come\u00e7ando por megacidades como Mumbai, Londres, Nova York, Xangai, T\u00f3quio ou Buenos Aires, e seguindo por \u00e1reas densamente povoadas como o Delta do Ganges em Bangladesh, onde a eleva\u00e7\u00e3o do mar j\u00e1 causa estragos pela progressiva contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua e por outros efeitos derivados.<\/p>\n<p>Estudos recentes indicam que cerca de 200 milh\u00f5es de pessoas poder\u00e3o se converter em novos refugiados por causas ambientais nos pr\u00f3ximos anos, refugiados que s\u00f3 far\u00e3o aumentar a press\u00e3o humanit\u00e1ria e as tens\u00f5es nessas \u00e1reas, exacerbando conflitos existentes ou latentes. O F\u00f3rum Humanit\u00e1rio Global apresentou, em 2009, um informe demonstrando de maneira contundente que hoje em dia pode-se quantificar em 300 mil os mortos anuais por causa da mudan\u00e7a clim\u00e1tica. As perspectivas de m\u00e9dio e longo prazos s\u00e3o ainda maiores.<\/p>\n<p>Neste contexto, a luta contra a mudan\u00e7a clim\u00e1tica condiciona diretamente um futuro em paz. Por isso, a comunidade internacional tem a obriga\u00e7\u00e3o, especialmente depois do fiasco de Copenhague, de p\u00f4r m\u00e3os \u00e0 obra. Trata-se do clima, mas tamb\u00e9m da paz e de vidas humanas, de muitas vidas humanas.<\/p>\n<p>* Manuel Manonelles \u00e9 diretor da Funda\u00e7\u00e3o Cultura de Paz. Direitos exclusivos IPS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BARCELONA, 12\/01\/2010 &ndash; (Tierram\u00e9rica).-  O degelo do \u00c1rtico est\u00e1 provocando uma corrida pelo controle dos recursos naturais dessa regi\u00e3o entre R\u00fassia, Noruega, Dinamarca, Gr\u00e3-Bretanha, Canad\u00e1 e Estados Unidos, afirma neste artigo Manuel Manonelles. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/01\/mundo\/analise-fronteiras-candentes-emergem-do-degelo\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1013,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,4,11],"tags":[],"class_list":["post-6020","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-mundo","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6020","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1013"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6020"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6020\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6020"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6020"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6020"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}