{"id":6027,"date":"2010-01-12T12:30:07","date_gmt":"2010-01-12T12:30:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=6027"},"modified":"2010-01-12T12:30:07","modified_gmt":"2010-01-12T12:30:07","slug":"argentina-indice-de-mortes-maternas-nao-cai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/01\/america-latina\/argentina-indice-de-mortes-maternas-nao-cai\/","title":{"rendered":"ARGENTINA: \u00edndice de mortes maternas n\u00e3o cai"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 12\/01\/2010 &ndash; Cerca de 300 mulheres morrem por ano na Argentina por causas que podem ser prevenidas vinculadas \u00e0 gravidez, ao parto ou ao puerp\u00e9rio.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_6027\" style=\"width: 143px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/maternidad1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-6027\" class=\"size-medium wp-image-6027\" title=\" - Carolina Camps\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/maternidad1.jpg\" alt=\" - Carolina Camps\/IPS\" width=\"133\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-6027\" class=\"wp-caption-text\"> - Carolina Camps\/IPS<\/p><\/div>  A maioria das mortes ocorre por aborto, uma pr\u00e1tica muito difundida no pa\u00eds, apesar de ser ilegal.<\/p>\n<p>Na Argentina s\u00e3o realizados entre 460 mil e 600 mil abortos por ano, afirmam diversas investiga\u00e7\u00f5es, o que equivale a quase um por nascimento. Estes procedimentos, feitos \u00e0 margem da lei, nem sempre o s\u00e3o com as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para evitar hemorragias e infec\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Dados oficiais divulgados no final do ano passado indicam que em 2008 houve 296 mortes maternas, 21% devido a abortos inseguros. Trata-se de um n\u00famero alto, embora inferior aos 306 casos de 2007, e entre as mortes h\u00e1 as de quatro meninas entre 10 e 14 anos e de 39 adolescentes com menos de 19 anos.<\/p>\n<p>O n\u00famero de falecimentos \u00e9 de quatro mulheres para cada 10 mil nascidos vivos, e pode gerar a ideia de que \u00e9 baixo. Mas, n\u00e3o se trata apenas de mortes que podem ser prevenidas, mas que a porcentagem \u00e9 duas vezes e meia superior \u00e0s do Chile e do Uruguai, que est\u00e3o apenas acima de uma morte para cada 10 mil nascimentos.<\/p>\n<p>Tanto o governo argentino como os especialistas independentes que trabalham nestes temas admitem que neste ritmo \u00e9 dif\u00edcil o pa\u00eds cumprir o n\u00edvel de redu\u00e7\u00e3o com o qual se comprometeu perante a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n<p>Trata-se de alcan\u00e7ar em 2015 a mesma porcentagem de mortes maternas que t\u00eam agora Chile e Uruguai, em um compromisso que faz parte dos Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio, acordados pelos governos em 2000 no contexto da ONU, com prazos e metas que vencem nesse ano, tomando por base \u00edndices de 1990.<\/p>\n<p>Entre essas metas est\u00e3o erradicar a pobreza extrema, alcan\u00e7ar a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica universal, promover a igualdade de g\u00eanero, reduzir a mortalidade infantil e melhorar a sa\u00fade materna, entre outros.<\/p>\n<p>Um estudo do Observat\u00f3rio de Sa\u00fade Sexual e Reprodutiva, formado por diversas organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais, indica que entre 1980 e 2006 a mortalidade infantil caiiu 61% na Argentina, enquanto as mortes maternas tiveram queda muito menor \u2013 32% &#8211; e quase n\u00e3o cedem nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>De fato, em 2001 as mortes maternas foram 2397, apenas uma a mais do que as registradas em 2008, e j\u00e1 em 2006 o Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia adveretia com alarme para a paralisa\u00e7\u00e3o do indicador materno, em contraste com a melhora do infantil.<\/p>\n<p>A morte materna, fora da agenda<\/p>\n<p>Em conversa com a IPS, a m\u00e9dica Mariana Romero, pesquisadora do Centro de Estudos do Estado e da Sociedade \u2013 integrante do Observat\u00f3rio \u2013 denunciou que, apesar de n\u00e3o exigir grandes investimentos para sua redu\u00e7\u00e3o, \u201ca morte materna n\u00e3o faz parte da agenda pol\u00edtica argentina\u201d.<\/p>\n<p>\u201cNo Chile o aborto n\u00e3o \u00e9 despenalizado, mas desde meados dos anos 60 existe nesse pa\u00eds uma pol\u00edtica de planejamento familiar que n\u00e3o foi interrompida com a ditadura (1973-1990) e uma rede de aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria que funciona integradamente na emerg\u00eancia\u201d, disse a especialista, autora do estudo \u201cPara que cada morte materna tenha import\u00e2ncia\u201d.<\/p>\n<p>No Uruguai, embora o presidente Tabar\u00e9 V\u00e1zquez tenha vetado em novembro de 2008 uma lei legalizando o aborto, a maioria da popula\u00e7\u00e3o tem acesso ao sistema de sa\u00fade, h\u00e1 conselheiras sobre anticoncep\u00e7\u00e3o e as mulheres ficaram mais conscientes sobre as pr\u00e1ticas de preven\u00e7\u00e3o da gravidez, explicou.<\/p>\n<p>Romero, como outras especialistas consultadas, qualifica de \u201cd\u00e9bil e pouco vis\u00edvel\u201d o Programa de Sa\u00fade Sexual e Procria\u00e7\u00e3o Respons\u00e1vel, posto em marcha na Argentina em 2003 para prevenir gravidez por meio do fornecimento gratuito de anticoncepcionais.<\/p>\n<p>Nos fatos, continua havendo alta porcentagem de abortos inseguros, em um pa\u00eds onde a interrup\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria da gravidez s\u00f3 \u00e9 permitida legalmente em casos de viola\u00e7\u00e3o ou quando a vida da m\u00e3e corre risco.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o existe uma pol\u00edtica p\u00fablica clara e explicita que tenha a quest\u00e3o das mortes maternas como prioridade\u201d, disse a m\u00e9dica. \u201cPara reduzir as mortes, o programa deve ser vis\u00edvel, deve contar com insumos, com recursos humanos capacitados, e deve ser monitorado. Se n\u00e3o h\u00e1 vontade pol\u00edtica, perde visibilidade\u201d, alertou.<\/p>\n<p>Devido \u00e0 publica\u00e7\u00e3o em dezembro dos novos n\u00fameros de morte materna, a ex-ministra da Sa\u00fade Gin\u00e9s Gonz\u00e1lez reconheceu que \u201c\u00e9 o indicador mais paralisado de todas as metas do mil\u00eanio\u201d, e que isso \u201cequivale ao fracasso. As estrat\u00e9gias para reduzi-las n\u00e3o s\u00e3o suficientes\u201d, criticou. Por sua vez, o atual subsecret\u00e1rio de Sa\u00fade Comunit\u00e1ria, Guillermo Gonz\u00e1lez, reconheceu que n\u00e3o se chegar\u00e1 \u00e0 meta de 2015 nessa \u00e1rea, mas afirmou que o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade pretende chegar a 2011 com uma taxa de morte materna reduzida em um ter\u00e7o, isto \u00e9, de 3,3 para cada mil nascimentos.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o se trabalha intensamente em quatro pontos fundamentais\u201d, admitiu em uma esp\u00e9cie de autocr\u00edtica. E mencionou a falta de bancos de sangue para atender hemorragias, a dificuldade para detectar com anteced\u00eancia casos de hipertens\u00e3o, a falta de tratamentos oportunos diante de infec\u00e7\u00f5es e a redu\u00e7\u00e3o de danos por aborto.<\/p>\n<p>\u201cSessenta por cento do n\u00famero de gravidez da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o desejados\u201d, revelou. Embora n\u00e3o o tenha mencionado, este dado est\u00e1 diretamente vinculado a falhas no Programa de Sa\u00fade Sexual e Procria\u00e7\u00e3o Respons\u00e1vel, que seria o encarregado de fornecer insumos e servi\u00e7os para evitar a gravidez n\u00e3o desejada.<\/p>\n<p>Em mat\u00e9ria de redu\u00e7\u00e3o de danos por abortos inseguros, existe um guia para a aten\u00e7\u00e3o dos casos em que as mulheres chegam ao hospital com a interrup\u00e7\u00e3o da gravidez j\u00e1 iniciada, mas, mesmo assim, a porcentagem de abortos que termina na morte das mulheres \u00e9 alto: quase 21% em 2008.<\/p>\n<p>Estudados os casos por prov\u00edncias, observa-se que em alguns distritos onde o acesso aos servi\u00e7os de sa\u00fade \u00e9 mais dif\u00edcil as pr\u00e1ticas de aborto mais do que duplicam em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e9dia nacional. Em Entre Rios, 44,4% das mortes maternas em 2008 foram por aborto e no Chaco 39%.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um esc\u00e2ndalo\u201d, disse \u00e0 IPS Marta Alanis, presidente do grupo Cat\u00f3licas pelo Direito de Decidir, que integra o conselho assessor que trabalha junto ao programa de Sa\u00fade Sexual do governo nacional.<\/p>\n<p>\u201cO programa tem grandes falhas\u201d, disse. \u201cDeve lidar com obst\u00e1culos como falta de insumos, dificuldades burocr\u00e1ticas ou administrativos que mascaram travas do tipo ideol\u00f3gico\u201d, explicou. \u201cMuitos funcion\u00e1rios pretendem governar ou legislar com base em suas cren\u00e7as religiosas e alguns m\u00e9dicos tamb\u00e9m agem dessa forma em seu trabalho\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Como exemplo, disse que em um centro de sa\u00fade de C\u00f3rdoba, sua prov\u00edncia, h\u00e1 um cartel que informa que n\u00e3o fornecer\u00e1 m\u00e9todos anticoncepcionais \u00e0s mulheres que n\u00e3o tenham feito uma citologia, um teste de controle para a preven\u00e7\u00e3o do c\u00e2ncer de colo de \u00fatero. \u201cSe as mulheres fossem atra\u00eddas de forma mais amig\u00e1vel para o programa, muitas destas mortes poderiam ser evitadas, mas, assim, as expulsam\u201d, denunciou.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso fazer um esfor\u00e7o de educa\u00e7\u00e3o sexual para evitar a gravidez indesejada, garantir a realiza\u00e7\u00e3o do aborto nos casos em que n\u00e3o \u00e9 crime e exigir a despenaliza\u00e7\u00e3o do aborto at\u00e9 as 12 semanas de gravidez\u201d, destacou Alanis. \u201cSomente assim diminuir\u00e3o as mortes maternas por abortos inseguros, que recaem sempre sobre as mulheres mais pobres\u201d, advertiu. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 12\/01\/2010 &ndash; Cerca de 300 mulheres morrem por ano na Argentina por causas que podem ser prevenidas vinculadas \u00e0 gravidez, ao parto ou ao puerp\u00e9rio. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/01\/america-latina\/argentina-indice-de-mortes-maternas-nao-cai\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,7],"tags":[21,24],"class_list":["post-6027","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-saude","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6027","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6027"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6027\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6027"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6027"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6027"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}