{"id":603,"date":"2005-05-17T00:00:00","date_gmt":"2005-05-17T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=603"},"modified":"2005-05-17T00:00:00","modified_gmt":"2005-05-17T00:00:00","slug":"espanha-ecos-de-bombas-no-parlamento-basco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/05\/mundo\/espanha-ecos-de-bombas-no-parlamento-basco\/","title":{"rendered":"Espanha: Ecos de bombas no parlamento basco"},"content":{"rendered":"<p>Madri, 17\/05\/2005 &ndash; O nacionalismo moderado do Pa&iacute;s basco ficou na encruzilhada ao pactuar com os socialistas ou com os legisladores apoiados pelo bra&ccedil;o pol&iacute;tico do grupo terrorista ETA (Euskadi Ta Askatasuna &#8211; P&aacute;tria Basca e Liberdade, em basco), ap&oacute;s fracassar nesta segunda-feira a designa&ccedil;&atilde;o do presidente do parlamento aut&ocirc;nomo. Tanto esse fracasso quanto os atentados do ETA e a ruptura do pacto antiterrorista entre o Partido Socialista Oper&aacute;rio Espanhol (PSOE) e o centro-direitista Partido Popular (PP) colocam em risco a estrat&eacute;gia de paz exposta na semana passada no Congresso da Espanha pelo primeiro-ministro, o socialista Jos&eacute; Luis Rodr&iacute;guez Zapatero. Enquanto se realizava a sess&atilde;o de vota&ccedil;&otilde;es que conclu&iacute;ram com um empate reiterado entre o nacionalista moderado Juan Maria Atutxa e o socialista Miguel Buen, nos corredores da sede do Parlamento Basco ecoavam as explos&otilde;es em quatro atentados cometidos no domingo pelo ETA.<br \/> <!--more--> <br \/> As bombas explodiram em quatro empresas localizadas na prov&iacute;ncia basca de Guip&uacute;zcoa, sem causar mortes, mas deixando tr&ecirc;s feridos, dois deles agentes da pol&iacute;cia aut&ocirc;noma basca e um guarda de seguran&ccedil;a privada. Fontes dos governos central e aut&ocirc;nomo atribu&iacute;ram ao atentado o objetivo do ETA de amedrontar os empres&aacute;rios e obrig&aacute;-los &quot;a dar dinheiro em favor da liberta&ccedil;&atilde;o do Euskal Herr&iacute;a (Pa&iacute;s Basco, em basco)&quot;, como afirmou o grupo em um comunicado ap&oacute;s ter realizado a&ccedil;&otilde;es semelhantes no dia 8 de janeiro. O C&iacute;rculo de Empres&aacute;rios Bascos reagiu qualificando de &quot;puramente mafioso e criminoso&quot; o modo de agir do grupo e de &quot;seus c&uacute;mplices sociais e pol&iacute;ticos que o ap&oacute;iam&quot;.<\/p>\n<p> A Confebask, entidade que agrupa empresas do Pa&iacute;s Basco, afirmou em um comunicado que estes atentados &quot;fazem pairar nuvens sobre as esperan&ccedil;as que o conjunto dos cidad&atilde;os bascos est&aacute; depositando no fim da viol&ecirc;ncia&quot;. Esta advert&ecirc;ncia da Confebask aponta para um tema que preocupa todos os partidos pol&iacute;ticos, embora de diferentes pontos de vista: a resolu&ccedil;&atilde;o sobre a proposta para a luta contra o terrorismo, que prev&ecirc; uma negocia&ccedil;&atilde;o com o ETA, apresentada sexta-feira pelo governante PSOE e que seria votada nesta ter&ccedil;a-feira no Congresso dos Deputados, em Madri. Na vota&ccedil;&atilde;o para escolher o presidente do Parlamento Basco, o candidato &aacute; reelei&ccedil;&atilde;o, Atutxa, recebeu 33 votos, 32 deles da coaliz&atilde;o governante integrada pelo Partido Nacionalista Basco (PNV), sua cis&atilde;o Eusko Alkartasuna (EA) e Esquerda Unida, coaliz&atilde;o baseada no Partido Comunista. O outro voto para Atutxa foi do Aralar, uma cis&atilde;o do Batasuna, o bra&ccedil;o pol&iacute;tico ilegal do ETA, do qual se separou por n&atilde;o apoiar a viol&ecirc;ncia. <\/p>\n<p> Por sua vez, Buen, o candidato socialista, tamb&eacute;m obteve 33 votos, 18 dos quais de seu pr&oacute;prio partido e 15 do PP. A chave do empate est&aacute; nos votos em branco dos nove deputados do Partido Comunista das Terras Bascas (PCTGV), que segundo especialistas foram eleitos com os votos que no passado haviam sido do Batasuna. O PCTV, inscrito em 2002 mas que s&oacute; apareceu em 2005 depois que o Tribunal Constitucional o proibiu de apresentar candidatos pr&oacute;-ETA, coloca como condi&ccedil;&atilde;o para apoiar o nacionalismo moderado que n&atilde;o seja Atutxa o candidato e que se negocie a participa&ccedil;&atilde;o de seus representantes na Mesa do Congresso.<\/p>\n<p> Atutxa foi ministro do Interior do governo basco de 1998 a 2001, e a partir desse cargo se caracterizou pela preven&ccedil;&atilde;o e investiga&ccedil;&atilde;o dos atentados do ETA e a repress&atilde;o dos autores desses crimes. Essa atividade foi reconhecida, inclusive com pr&ecirc;mios concedidos conjuntamente a ele e ao ent&atilde;o ministro do Interior da Espanha, Jaime Mayor Oreja, do PP. O PNV esclareceu nesta segunda-feira que manter&aacute; a candidatura de Atutxa, apesar de o PCTV reiterar que n&atilde;o votar&aacute; a seu favor e que o far&aacute; em branco. Se forem mantidas essas posi&ccedil;&otilde;es, os dois candidatos voltariam a empatar, com um grande problema pela frente, j&aacute; que o regulamento do Parlamento n&atilde;o prev&ecirc; uma solu&ccedil;&atilde;o para casos de empate, a n&atilde;o ser votar.<\/p>\n<p> Diante dessa situa&ccedil;&atilde;o, o secret&aacute;rio de Organiza&ccedil;&atilde;o do PSOE, Jos&eacute; Blanco, destacou &quot;a necessidade de se chegar a um consenso&quot;, enquanto o porta-voz desse partido no Pa&iacute;s Basco, Rodolfo Ares, pediu &quot;solenemente&quot; ao PNV que dialogue &quot;em busca de uma Mesa que represente a todos e seja fruto do consenso&quot;. Sobre os atentados, a posi&ccedil;&atilde;o do PP se centrou em criticar o governo por ter &quot;abandonado a via da derrota policial do ETA&quot;, afirma&ccedil;&atilde;o que seu secret&aacute;rio-geral, Angel Acebes, sustentou que Zapatero ao falar no domingo em um ato pr&eacute;-eleitoral na Gal&iacute;cia n&atilde;o se referiu aos atentados. &quot;Nem mesmo condenou o grupo terrorista&quot;, afirmou o dirigente do PP.<\/p>\n<p> Entretanto, o ministro do Interior, Jos&eacute; Antonio Alonso, condenou os atentados e destacou que &quot;n&atilde;o se ceder&aacute; diante dos que tentam impor seus objetivos fazendo uso da viol&ecirc;ncia e do terror&quot;. Por outro lado, o porta-voz parlamentar socialista, Alfredo P&eacute;rez Rubalcaba, tamb&eacute;m condenou e esclareceu que esses atentados &quot;n&atilde;o jogam por terra&quot; a resolu&ccedil;&atilde;o sobre a luta contra o terrorismo marcada para ser votada nesta ter&ccedil;a-feira no Congresso, e que cria a possibilidade de dialogar com o ETA se este grupo abandonar antes a viol&ecirc;ncia. Porque, destacou, &quot;somente se poder&aacute; falar com quem deixar as armas&quot;. Essa resolu&ccedil;&atilde;o conta com o apoio de todos os grupos parlamentares, com exce&ccedil;&atilde;o do PP, o que faz prever uma grande vit&oacute;ria do PSOE.<\/p>\n<p> A possibilidade de negociar depois de o ETA aceitar o fim da viol&ecirc;ncia foi sugerido ao governo atrav&eacute;s da comprovada debilidade operacional do grupo, evidenciada na cont&iacute;nua deten&ccedil;&atilde;o de seus dirigentes, descoberta de dep&oacute;sitos clandestinos de explosivos e documentos, bem como na redu&ccedil;&atilde;o de seus atentados. De fato, os de domingo foram os &uacute;nicos nos &uacute;ltimos tr&ecirc;s meses. Mas estes atentados e a posi&ccedil;&atilde;o do PCTV fizeram trazer &agrave; mem&oacute;ria dos pol&iacute;ticos uma entrevista da dire&ccedil;&atilde;o do ETA publicada no jornal Barria de 2 de abril. Nessa mat&eacute;ria o grupo apresentou a exig&ecirc;ncia de compensa&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas para renunciar ao terrorismo e, entre outras, a autodetermina&ccedil;&atilde;o do Pa&iacute;s Basco, a incorpora&ccedil;&atilde;o do mesmo &agrave; Navarra e a sa&iacute;da de todas as for&ccedil;as de seguran&ccedil;a dessa regi&atilde;o, entre elas a militarizada Guarda Civil e a Pol&iacute;cia Nacional Espanhola.<\/p>\n<p> Um dos entrevistados se referiu a conversa&ccedil;&otilde;es &quot;a duas mesas&quot;. Em uma seriam discutidos acordos pol&iacute;ticos e, caso se chegasse a um final satisfat&oacute;rio, discutiriam depois com o governo de Zapatero sobre a ren&uacute;ncia &agrave;s armas. No caso do ETA manter essa posi&ccedil;&atilde;o, o governo reiterou que n&atilde;o haver&aacute; nenhuma negocia&ccedil;&atilde;o, j&aacute; que a primeira condi&ccedil;&atilde;o que imp&otilde;e &eacute; uma ren&uacute;ncia expressa e concreta ao uso da viol&ecirc;ncia. A n&atilde;o ilegalidade do PCTV permitiria aos partid&aacute;rios do ETA agir livremente no campo pol&iacute;tico e na eventual negocia&ccedil;&atilde;o com o governo de Madri.O que se colocaria sobre a mesa &eacute; a situa&ccedil;&atilde;o dos presos e exilados etarras. Fontes socialistas admitiram que se estudaria a liberdade e a volta escalonada dos mesmos, mas &quot;sempre partindo do abandono total e definitivo da viol&ecirc;ncia&quot;. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Madri, 17\/05\/2005 &ndash; O nacionalismo moderado do Pa&iacute;s basco ficou na encruzilhada ao pactuar com os socialistas ou com os legisladores apoiados pelo bra&ccedil;o pol&iacute;tico do grupo terrorista ETA (Euskadi Ta Askatasuna &#8211; P&aacute;tria Basca e Liberdade, em basco), ap&oacute;s fracassar nesta segunda-feira a designa&ccedil;&atilde;o do presidente do parlamento aut&ocirc;nomo. Tanto esse fracasso quanto os atentados do ETA e a ruptura do pacto antiterrorista entre o Partido Socialista Oper&aacute;rio Espanhol (PSOE) e o centro-direitista Partido Popular (PP) colocam em risco a estrat&eacute;gia de paz exposta na semana passada no Congresso da Espanha pelo primeiro-ministro, o socialista Jos&eacute; Luis Rodr&iacute;guez Zapatero. Enquanto se realizava a sess&atilde;o de vota&ccedil;&otilde;es que conclu&iacute;ram com um empate reiterado entre o nacionalista moderado Juan Maria Atutxa e o socialista Miguel Buen, nos corredores da sede do Parlamento Basco ecoavam as explos&otilde;es em quatro atentados cometidos no domingo pelo ETA.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/05\/mundo\/espanha-ecos-de-bombas-no-parlamento-basco\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":205,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-603","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/603","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/205"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=603"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/603\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=603"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=603"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=603"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}