{"id":6067,"date":"2010-01-22T19:46:17","date_gmt":"2010-01-22T19:46:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=6067"},"modified":"2010-01-22T19:46:17","modified_gmt":"2010-01-22T19:46:17","slug":"mudanca-climatica-industrias-freiam-iniciativa-da-uniao-europeia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/01\/ambiente\/mudanca-climatica-industrias-freiam-iniciativa-da-uniao-europeia\/","title":{"rendered":"Mudan\u00e7a clim\u00e1tica: Ind\u00fastrias freiam iniciativa da Uni\u00e3o Europeia"},"content":{"rendered":"<p>Bruxelas, 22\/01\/2010 &ndash; Apenas um m\u00eas ap\u00f3s os l\u00edderes mundiais reunidos em Copenhague obterem um d\u00e9bil acordo para enfrentar a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, ind\u00fastrias dos pa\u00edses mais contaminadores da Uni\u00e3o Europeia tentam dissuadir as autoridades de tomarem medidas mais contundentes. O Conselho Europeu da Ind\u00fastria Qu\u00edmica (Cefic), uma das maiores associa\u00e7\u00f5es industriais estabelecidas em Bruxelas, sede da UE, come\u00e7ou o ano cobrando de institui\u00e7\u00f5es do bloco regional a se absterem de fixar objetivos mais ambiciosos do que os j\u00e1 acordados para reduzir as emiss\u00f5es de gases causadores do efeito estufa. <!--more--> E parece que seus esfor\u00e7os j\u00e1 deram fruto. A Espanha, presidente de turno da UE, prop\u00f4s ontem que a posi\u00e7\u00e3o negociadora do bloco depois da C\u00fapula sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica de Copenhague n\u00e3o seja diferente da anterior \u00e0 Confer\u00eancia. Essa posi\u00e7\u00e3o europeia comprometia a associa\u00e7\u00e3o regional de 27 membros a reduzir suas emiss\u00f5es contaminantes em 20% abaixo do n\u00edvel de 1990 at\u00e9 2020 e a aumentar esse objetivo para 30% unicamente se outros pa\u00edses industrializados realizarem cortes semelhantes.<\/p>\n<p>A Espanha fez esta proposta em uma reuni\u00e3o de diplomatas encarregados de desenvolver o acordo alcan\u00e7ado em Copenhague. Esta tarefa deve terminar no final do m\u00eas, quando os governos do mundo dever\u00e3o ter declarado formalmente seus compromissos de redu\u00e7\u00e3o para a pr\u00f3xima d\u00e9cada. O Cefic afirmou que se op\u00f5e a medidas unilaterais mais amplas da UE porque estas medidas colocariam as ind\u00fastrias europeias que exigem muita energia em desvantagem competitiva com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s de outras regi\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cPara n\u00f3s, a redu\u00e7\u00e3o da emiss\u00e3o de gases contaminantes n\u00e3o \u00e9 um concurso de beleza\u201d, disse \u00e0 IPS Philippe de Casablanca, especialista em clima do Cefic. \u201cDe nada serve ser a regi\u00e3o com melhor desempenho contra a mudan\u00e7a clim\u00e1tica se seu exemplo n\u00e3o \u00e9 imitado com redu\u00e7\u00f5es significativas em todo o mundo. Este concurso n\u00e3o \u00e9 vencido apenas por um, mas por todos trabalhando juntos\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Entretanto, grupos ambientalistas acreditam que a UE deveria procurar um objetivo de redu\u00e7\u00e3o dos 30% como m\u00ednimo nas emiss\u00f5es derivadas da queima de combust\u00edvel f\u00f3ssil, sem importar o que fazem os outros grandes atores da economia mundial. Acrescentam que a t\u00e1tica do bloco de incitar terceiros a imitar suas medidas n\u00e3o deu resultado e que \u00e9 hora de guiar com o exemplo. Matthias Duwe, diretor da rede ambientalista Climate Action Network Europe, afirmou que a Uni\u00e3o Europeia n\u00e3o demonstrou uma aut\u00eantica lideran\u00e7a na capital da Dinamarca e \u201cparece estar cometendo o mesmo erro agora. Cruzam-se os bra\u00e7os esperando pelos demais, quando deveria ter um senso renovado da urg\u00eancia\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O Cefic representa cerca de 29 mil empresas e tem sido um dos grupos industriais mais influentes na estrat\u00e9gia do bloco sobre mudan\u00e7a clim\u00e1tica nos \u00faltimos anos. O grupo uniu for\u00e7as com representantes de outros setores que usam energia de maneira intensiva, como f\u00e1bricas de cimento e a\u00e7o, para alertar sobre um fen\u00f4meno chamado \u201cfuga de carbono\u201d, pelo qual algumas empresas deixam a Europa para se instalarem em outras partes do mundo com controles menos r\u00edgidos da quantidade de di\u00f3xido de carbono que podem lan\u00e7ar na atmosfera.<\/p>\n<p>O conceito foi ridicularizado por um estudo de 2008 da rede de pesquisadores Climate Strategies, segundo o qual as empresas que amea\u00e7avam deixar a Europa se baseavam em fatores de investimentos e n\u00e3o de regulamenta\u00e7\u00e3o ambiental. Por\u00e9m, o Cefic continuou invocando o conceito, com a inten\u00e7\u00e3o de exigir autoriza\u00e7\u00f5es para seus membros contaminarem, dentro do plano de interc\u00e2mbio de emiss\u00f5es da UE, que concede licen\u00e7as pela quantidade de di\u00f3xido de carbono que suas ind\u00fastrias est\u00e3o autorizadas a emitir.<\/p>\n<p>A retic\u00eancia da Uni\u00e3o Europeia em estabelecer objetivos mais r\u00edgidos se choca com a opini\u00e3o de um de seus mais altos funcion\u00e1rios, de que as medidas previstas pelo acordo de Copenhague n\u00e3o correspondem ao que a maioria dos cientistas consideram necess\u00e1rio para evitar um aumento catastr\u00f3fico das temperaturas mundiais. Olli Rehn, membro da Comiss\u00e3o Europeia \u2013 \u00f3rg\u00e3o executivo da UE \u2013 declarou esta semana que o acordo \u201cest\u00e1 muito longe de chegar ao objetivo\u201d de evitar que as temperaturas n\u00e3o aumentem mais do que dois graus cent\u00edgrados acima do n\u00edvel pr\u00e9-industrial. De todo modo, \u201co acordo \u00e9 melhor do que nada, que teria sido o pior\u201d, disse.<\/p>\n<p>A ministra do Meio Ambiente da Espanha, Elena Espinosa, disse que \u00e9 vital que a resposta da UE ao acordo de Copenhague impulsione o uso inteligente da energia. \u201cQueremos ser o principal motor da inova\u00e7\u00e3o e competitividade\u201d, disse aos membros do Parlamento Europeu. Entretanto, o Fundo Mundial para a Natureza (WWF) queixou-se da falta de ambi\u00e7\u00e3o do bloco europeu, que a seu ver impede que seja pioneiro do desenvolvimento de tecnologias mais ecol\u00f3gicas do que as utilizadas atualmente.<\/p>\n<p>Se ficar preso ao seu objetivo de 20% de redu\u00e7\u00e3o, a Uni\u00e3o Europeia, na realidade, retardaria o ritmo de corte de emiss\u00f5es dos \u00faltimos tr\u00eas anos, disse Jason Anderson, do WWF. \u201cAo nos negarmos a adotar um objetivo de 30%, estamos renunciando \u00e0 enorme economia de energia que vai melhorar a economia da Europa e gerar mais emprego em ind\u00fastrias com um grande futuro\u201d, alertou o ambientalista. \u201cA Europa sempre foi pioneira no cen\u00e1rio mundial. N\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o agora para condicionar o futuro econ\u00f4mico da regi\u00e3o ao que se decidir em Washington ou Pequim\u201d, acrescentou. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bruxelas, 22\/01\/2010 &ndash; Apenas um m\u00eas ap\u00f3s os l\u00edderes mundiais reunidos em Copenhague obterem um d\u00e9bil acordo para enfrentar a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, ind\u00fastrias dos pa\u00edses mais contaminadores da Uni\u00e3o Europeia tentam dissuadir as autoridades de tomarem medidas mais contundentes. 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