{"id":6076,"date":"2010-01-26T19:10:03","date_gmt":"2010-01-26T19:10:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=6076"},"modified":"2010-01-26T19:10:03","modified_gmt":"2010-01-26T19:10:03","slug":"ambiente-tim-jackson-e-sua-furia-ambiental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/01\/mundo\/ambiente-tim-jackson-e-sua-furia-ambiental\/","title":{"rendered":"Ambiente: Tim Jackson e sua f\u00faria ambiental"},"content":{"rendered":"<p>Toronto, Canad\u00e1, 26\/01\/2010 &ndash; \u201cA f\u00faria \u00e0s vezes \u00e9 a resposta adequada\u201d, afirma Tim Jackson, referindo-se \u00e0 falta de compromisso dos l\u00edderes mundiais que n\u00e3o conseguiram articular um novo tratado clim\u00e1tico na c\u00fapula de Copenhague. Jackson entende que o Acordo de Copenhague, resultante da 15\u00aa Confer\u00eancia das Partes da Conven\u00e7\u00e3o Marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica (COP-15), revelou n\u00e3o apenas que a governabilidade ambiental global \u00e9 uma fic\u00e7\u00e3o como tamb\u00e9m demonstrou um apego cego ao mantra do crescimento econ\u00f4mico. <!--more--> Professor de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel e diretor do Grupo de Pesquisas sobre Estilos de Vida, Valores e Meio Ambiente na brit\u00e2nica Universidade de Surrey, tamb\u00e9m \u00e9 encarregado da dire\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da Comiss\u00e3o de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel da Gr\u00e3-Bretanha. E \u00e9 assessor do governo nessa \u00e1rea. Al\u00e9m disso, \u00e9 dramaturgo e produziu numerosos roteiros de r\u00e1dio para a rede BBC, com sede em Londres.<\/p>\n<p>O Terram\u00e9rica entrevistou Jackson por telefone sobre seu novo e controvertido livro, \u201cProspertiy without Growth &#8211; Economics for a Finite Planet\u201d (Prosperidade sem Crescimento: Economia para um Planeta Finito), assunto sobre o qual j\u00e1 havia dado uma entrevista na capital dinamarquesa. Tamb\u00e9m abordou o Acordo de Copenhague e as perspectivas de um tratado clim\u00e1tico real.<\/p>\n<p>TERRAM\u00c9RICA: Em seu livro, voc\u00ea afirma que o crescimento econ\u00f4mico nos pa\u00edses industrializados est\u00e1 deixando as pessoas menos felizes e destruindo a terra.<\/p>\n<p>TIM JACKSON: A cont\u00ednua busca pelo crescimento coloca em risco os ecossistemas dos quais dependemos para uma sobreviv\u00eancia de longo prazo. Tamb\u00e9m h\u00e1 ampla evid\u00eancia de que uma riqueza material maior nos pa\u00edses industrializados n\u00e3o faz seus habitantes felizes, muito pelo contr\u00e1rio. Al\u00e9m de determinado n\u00edvel de renda, n\u00e3o existe uma correla\u00e7\u00e3o de que isso seja diretamente proporcional \u00e0 felicidade.<\/p>\n<p>TERRAM\u00c9RICA: Se a era do crescimento terminou, o que ocupar\u00e1 seu lugar?<\/p>\n<p>TJ: \u00c9 necess\u00e1rio redefinir a riqueza e a prosperidade com base nos par\u00e2metros de \u201ccapacidade de florescimento\u201d de Amartya Sem (ganhador do Nobel de Economia em 1998). O florescimento se define como ter o suficiente para comer, ser parte de uma comunidade, ter um emprego que valha a pena, uma moradia decente, acesso a educa\u00e7\u00e3o e servi\u00e7os m\u00e9dicos.<\/p>\n<p>TERRAM\u00c9RICA: E o que acontece com os pa\u00edses em desenvolvimento?<\/p>\n<p>TJ: As na\u00e7\u00f5es industrializadas precisam dar essa virada para criar um espa\u00e7o que permita ao mundo em desenvolvimento melhorar o desempenho de sua economia. Este crescimento tem de ser sustent\u00e1vel e estar dentro dos limites ecol\u00f3gicos. A atual desigualdade entre na\u00e7\u00f5es ricas e pobres \u00e9 uma raz\u00e3o primordial para que o mundo industrializado necessite fazer esta corre\u00e7\u00e3o de rumo.<\/p>\n<p>TERRAM\u00c9RICA: Por que o desagrada tanto a COP-15 ter acabado em um acordo de dez p\u00e1ginas em lugar de um tratado internacional vinculante?<\/p>\n<p>TJ: \u00c9 um documento cheio de ar quente e promessas vazias, cozinhado pelas duas grandes superpot\u00eancias mundiais. Realmente, isso \u00e9 o melhor que temos para mostrar ap\u00f3s 17 anos de negocia\u00e7\u00f5es? \u00c9 uma pol\u00edtica clim\u00e1tica dos canh\u00f5es. O tratado clim\u00e1tico n\u00e3o foi o \u00fanico fracasso em Copenhague. A governabilidade mundial foi ao fundo do po\u00e7o.<\/p>\n<p>TERRAM\u00c9RICA: Quais temas essenciais n\u00e3o fizeram parte das negocia\u00e7\u00f5es da COP-15?<\/p>\n<p>TJ: O debate sobre o crescimento n\u00e3o figurou. Tanto esta quest\u00e3o como uma distribui\u00e7\u00e3o justa do espa\u00e7o ecol\u00f3gico t\u00eam de estar na mesa. De outro modo, as negocia\u00e7\u00f5es n\u00e3o saem do lugar.<\/p>\n<p>TERRAM\u00c9RICA: O que pensa dos atuais esfor\u00e7os para reduzir as emiss\u00f5es de carbono usando mecanismos como a limita\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es contaminantes e o com\u00e9rcio de cr\u00e9ditos?<\/p>\n<p>TJ: N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel conseguir uma economia baixa em carbono sem uma mudan\u00e7a importante na pr\u00f3pria economia. Pequenos ajustes n\u00e3o funcionar\u00e3o. As corpora\u00e7\u00f5es veem o clima como a nova oportunidade de neg\u00f3cios. Os mecanismos de mercado agora s\u00e3o as ferramentas predominantes percebidas como uma mudan\u00e7a e que s\u00e3o boas para as empresas, mas s\u00e3o ruins para o p\u00fablico. Consideremos a bastante divulgada ideia de que o crescimento pode continuar desde que suas emiss\u00f5es de carbono (e outros impactos ambientais) diminuam em grande propor\u00e7\u00e3o. Em 2050, em um mundo de nove bilh\u00f5es de habitantes, onde todos v\u00e3o querer um estilo de vida ocidental, a intensidade do carbono de cada d\u00f3lar de produ\u00e7\u00e3o dever\u00e1 ser, pelo menos, 130 vezes menor do que agora. Isso \u00e9 simplesmente imposs\u00edvel.<\/p>\n<p>TERRAM\u00c9RICA: O que acontecer\u00e1 at\u00e9 as negocia\u00e7\u00f5es da COP-16, em dezembro, no M\u00e9xico?<\/p>\n<p>TJ: Penso que deve haver maior press\u00e3o internacional e um impulso em rela\u00e7\u00e3o a quest\u00f5es pol\u00edticas fundamentais, como a regula\u00e7\u00e3o dos mercados financeiros, os sistemas de contas nacionais e a \u00f3bvia press\u00e3o para criar um f\u00f3rum vi\u00e1vel para a governabilidade clim\u00e1tica, bem como a medi\u00e7\u00e3o do progresso social (no estilo do informe da Comiss\u00e3o de Medida do Desempenho Econ\u00f4mico e do Progresso Social da Fran\u00e7a, encomendado em 2009 a Sem e ao tamb\u00e9m Nobel de Economia Joseph Stiglitz). \u00c9 necess\u00e1rio que Estados Unidos e China participem dos debates mais amplos sobre crescimento e justi\u00e7a. \u00c9 interessante que neste momento haja, por exemplo, um pouco mais de humildade e abertura no F\u00f3rum Econ\u00f4mico Social, como n\u00e3o ocorreu at\u00e9 agora. Sinais de esperan\u00e7a? Possivelmente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Toronto, Canad\u00e1, 26\/01\/2010 &ndash; \u201cA f\u00faria \u00e0s vezes \u00e9 a resposta adequada\u201d, afirma Tim Jackson, referindo-se \u00e0 falta de compromisso dos l\u00edderes mundiais que n\u00e3o conseguiram articular um novo tratado clim\u00e1tico na c\u00fapula de Copenhague. 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