{"id":6086,"date":"2010-02-02T12:38:31","date_gmt":"2010-02-02T12:38:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=6086"},"modified":"2010-02-02T12:38:31","modified_gmt":"2010-02-02T12:38:31","slug":"destaques-semeando-o-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/02\/america-latina\/destaques-semeando-o-futuro\/","title":{"rendered":"DESTAQUES: Semeando o futuro"},"content":{"rendered":"<p>BERLIM, 02\/02\/2010 &ndash; (Tierram\u00e9rica).-  A necessidade de reflorestar seu territ\u00f3rio levou as autoridades da Alemanha \u00e0 busca de esp\u00e9cies resistentes \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica em diferentes partes do planeta, entre elas o Altiplano boliviano.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_6086\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/460_1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-6086\" class=\"size-medium wp-image-6086\" title=\"A cicuta canadense (Tsuga canadensis), uma das esp\u00e9cies cultivadas em Laufen. - Scott Detwiler\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/460_1.jpg\" alt=\"A cicuta canadense (Tsuga canadensis), uma das esp\u00e9cies cultivadas em Laufen. - Scott Detwiler\" width=\"200\" height=\"132\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-6086\" class=\"wp-caption-text\">A cicuta canadense (Tsuga canadensis), uma das esp\u00e9cies cultivadas em Laufen. - Scott Detwiler<\/p><\/div>  Jovens \u00e1rvores importadas crescem junto a esp\u00e9cies nativas no povoado alem\u00e3o de Laufen, em um campo experimental para recompor as florestas perdidas devido ao aquecimento global. A floresta do futuro, formada por abetos b\u00falgaros (Abies borissi-regis), faias orientais (Fagus orientalis), t\u00edlias prateadas (T\u00edlia tomentosa), cedros do L\u00edbano (Cedrus libani) e cicutas canadenses (Tsuga canadensis), mant\u00e9m algumas caracter\u00edsticas dos velhos abetos, faias e carvalhos aut\u00f3ctones alem\u00e3es, como a resist\u00eancia \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>\u201cAqui estamos semeando o futuro\u201d, disse ao Terram\u00e9rica Randolf Schirmer, diretor do Escrit\u00f3rio de Bot\u00e2nica Experimental do Servi\u00e7o Florestal do Estado da Baviera, encarregado do campo de Laufen. Nos \u00faltimos 40 anos, a mudan\u00e7a clim\u00e1tica e seus fen\u00f4menos associados dizimaram as \u00e1rvores nativas na Alemanha, sobretudo o abeto vermelho (Picea abies), explicou. Esta \u00e9 uma esp\u00e9cie que lan\u00e7a ra\u00edzes pouco profundas, por isso precisa de chuvas regulares, al\u00e9m de n\u00e3o ser particularmente resistente \u00e0s tempestades.<\/p>\n<p>Os ver\u00f5es especialmente secos e com temperaturas mais altas da d\u00e9cada passada, e a crescente frequ\u00eancia e intensidade de tempestades e borrascas no centro da Europa fizeram estragos no abeto vermelho. Segundo o relat\u00f3rio florestal de 2009 do governo alem\u00e3o, mais de 60% destas \u00e1rvores do pa\u00eds sofreram devido \u00e0s secas e tempestades desde 1984. Os danos maiores, manifestados na secura e falta de crescimento das coroas das \u00e1rvores, ocorreram em 1992, 2002, 2003 e 2004. A debilidade que a mudan\u00e7a clim\u00e1tica provoca tamb\u00e9m deixa esse abeto propenso a doen\u00e7as e parasitas.<\/p>\n<p>V\u00e1rios especialistas florestais alem\u00e3es estimam que, at\u00e9 2100, pelo menos metade da floresta atual de abetos vermelhos ter\u00e1 desaparecido. O relat\u00f3rio florestal governamental confirma tamb\u00e9m danos semelhantes em faias, pinheiros e carvalhos. Por isso, as autoridades tentam criar uma nova floresta, que se adapte melhor \u00e0s novas condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Al\u00e9m disso, a floresta do futuro dever\u00e1 proteger a biodiversidade, garantir a continuidade do ciclo da \u00e1gua, evitar a eros\u00e3o e fornecer de maneira sustent\u00e1vel os recursos econ\u00f4micos que a sociedade precisa. A busca por novas \u00e1rvores para a floresta alem\u00e3, iniciada em 2008, seguiu as pistas estabelecidas pela mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>As \u00e1rvores a serem importadas devem j\u00e1 crescer em regi\u00f5es onde imperam as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas previstas para a segunda metade do s\u00e9culo XXI na Alemanha: temperaturas dois graus mais altas do que as atuais no centro da Europa, com 25% menos de chuva no ver\u00e3o, entre junho e setembro. As regi\u00f5es a serem exploradas na busca dessas esp\u00e9cies incluem o Altiplano boliviano, zonas montanhosas do Canad\u00e1, China, oeste dos Estados Unidos, sudeste europeu, especialmente os B\u00e1lc\u00e3s, e o litoral oriental do Mediterr\u00e2neo, Turquia, S\u00edria e L\u00edbano.<\/p>\n<p>As sementes das \u00e1rvores importadas foram plantadas em Laufen na primavera de 2009, mas algumas, como a esp\u00e9cie imperatriz (Paulownia tomentosa), n\u00e3o sobreviveram \u00e0 mudan\u00e7a de habitat. Origin\u00e1ria da China, esta \u00e1rvore cresceu normalmente em seu primeiro ver\u00e3o alem\u00e3o, alcan\u00e7ando quase um metro de altura. Mas, com a chegada do outono, e sobretudo do frio do inverno atual, morreram todos os exemplares plantados em Laufen. Seu r\u00e1pido crescimento foi uma das raz\u00f5es para import\u00e1-la como substitua dos abetos vermelhos, explicou Schirmer. Por outro lado, \u00e1rvores de pinheiro austr\u00edaco (Pinus nigra) e carvalho na puberdade (Quercus humilis), origin\u00e1rios da Turquia, bem como de pinheiro pesado (Pinus ponderosa), do oeste dos Estados Unidos, parecem ter se adaptado ao clima do lugar.<\/p>\n<p>As esp\u00e9cies que nos pr\u00f3ximos anos mostrarem resist\u00eancia ao clima regional ser\u00e3o transplantadas para outras regi\u00f5es do centro da Europa, onde reinem condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas semelhantes \u00e0s de Laufen, tanto na Alemanha como na \u00c1ustria e Su\u00ed\u00e7a, para supervisionar sua adapta\u00e7\u00e3o geral ao novo habitat, disse Schirmer ao Terram\u00e9rica. Mas, a importa\u00e7\u00e3o de \u00e1rvores pode ser um problema ecol\u00f3gico adicional, e n\u00e3o a solu\u00e7\u00e3o para os derivados da mudan\u00e7a clim\u00e1tica. As novas esp\u00e9cies podem destruir o equil\u00edbrio do habitat, ou introduzir parasitas e doen\u00e7as desconhecidas na regi\u00e3o. \u00c9 o caso do pinheiro de Oregon ou abeto de Douglas (Pseudotsuga menziesii), que por causa de sua madeira foi visto originalmente como o substituto ideal do abeto vermelho alem\u00e3o. Por\u00e9m, este pinheiro cresce muito rapidamente, chegando a at\u00e9 60 metros de altura. Por isso, \u00e9 considerado um invasor que desloca facilmente as esp\u00e9cies locais, menores.<\/p>\n<p>\u201cNas regi\u00f5es onde as previs\u00f5es clim\u00e1ticas de longo prazo s\u00e3o muito incertas, as autoridades devem adotar uma estrat\u00e9gia de poucos riscos\u201d em mat\u00e9ria de importa\u00e7\u00e3o de \u00e1rvores, disse ao Terram\u00e9rica Andr\u00e9as Bolte, do Instituto de Pesquisas Florestais, da Alemanha. O lento crescimento das florestas permitir\u00e1 estabelecer apenas dentro de 40 ou 50 anos se as decis\u00f5es de renova\u00e7\u00e3o florestal adotadas agora foram as corretas para mitigar a mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>* O autor \u00e9 correspondente da IPS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BERLIM, 02\/02\/2010 &ndash; (Tierram\u00e9rica).-  A necessidade de reflorestar seu territ\u00f3rio levou as autoridades da Alemanha \u00e0 busca de esp\u00e9cies resistentes \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica em diferentes partes do planeta, entre elas o Altiplano boliviano. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/02\/america-latina\/destaques-semeando-o-futuro\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":109,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2],"tags":[18,21],"class_list":["post-6086","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","tag-europa","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6086","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/109"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6086"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6086\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6086"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6086"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6086"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}