{"id":610,"date":"2005-05-19T00:00:00","date_gmt":"2005-05-19T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=610"},"modified":"2005-05-19T00:00:00","modified_gmt":"2005-05-19T00:00:00","slug":"uzbequisto-direitos-violados-so-a-origem-da-revolta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/05\/mundo\/uzbequisto-direitos-violados-so-a-origem-da-revolta\/","title":{"rendered":"Uzbequist&atilde;o: Direitos violados s&atilde;o a origem da revolta"},"content":{"rendered":"<p>Genebra, 19\/05\/2005 &ndash; A revolta popular e a repress&atilde;o por parte do governo com centenas de mortos na cidade de Andij&aacute;n, no leste do Uzbequist&atilde;o, confirmaram as preocupa&ccedil;&otilde;es da comunidade internacional pelas viola&ccedil;&otilde;es dos direitos humanos nesse pa&iacute;s da &Aacute;sia central. O Uzbequist&atilde;o vive sob uma ditadura, nas pris&otilde;es h&aacute; mais de seis mil presos pol&iacute;ticos e a situa&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos &eacute; deplor&aacute;vel, resumiu em Genebra a advogada Nozima Kamalova, presidente da organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental Sociedade de Assist&ecirc;ncia Legal, com sede em Tashkent, a capital uzbeka. A sociedade civil do Uzbequist&atilde;o reclama dos governos ocidentais que pressionem o governo para que respeite os direitos humanos, disse a ativista.<br \/> <!--more--> <br \/> Esse pa&iacute;s, que obteve a independ&ecirc;ncia em 1991 depois do desaparecimento da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, tem sido desde ent&atilde;o ferreamente governado pelo presidente Islam Karimov, que primeiro proibiu toda oposi&ccedil;&atilde;o e, depois, come&ccedil;ou a reprimir a religi&atilde;o, disse Kamalova, que integrou uma delega&ccedil;&atilde;o de ativistas humanit&aacute;rios uzbekos em visita a Genebra. Karimov contou com apoio ocidental, em particular do governo de George W. Bush, que necessitava de aliados nessa regi&atilde;o da &Aacute;sia central quando realizou, no final de 2001, a invas&atilde;o do Afeganist&atilde;o. Os epis&oacute;dios do final de semana em Andij&aacute;n, uma pr&oacute;spera cidade localizada na fronteira com o Kirguizt&atilde;o, deixaram uma quantidade de v&iacute;timas ainda incerta.<\/p>\n<p> Rolin Wavre, chefe da delega&ccedil;&atilde;o do Comit&ecirc; Internacional da Cruz Vermelha em Tashkent, afirmou que &eacute; extremamente dif&iacute;cil se ter uma id&eacute;ia precisa do n&uacute;mero de mortos ou mesmo conseguir informa&ccedil;&atilde;o sobre o que realmente aconteceu. Entretanto, as organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais do uzbekas que chegaram a Genebra, convidadas pela Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial contra a Tortura (OMCT), mencionaram um n&uacute;mero superior a 500 mortos. Muitas v&iacute;timas foram mulheres e crian&ccedil;as, porque os soldados do governo abriram fogo contra eles, afirmou Dilshad Tillamodjaev, do n&atilde;o-governamental Centro para as Iniciativas Democr&aacute;ticas, com sede em Adij&aacute;n. &quot;Karimov afirmou que n&atilde;o ordenou que os soldados disparassem contra os manifestantes, mas, isso n&atilde;o &eacute; certo&quot;, garantiu Tillamodjaev.<\/p>\n<p> O governo aumentou para 169 o n&uacute;mero oficial de mortes. Por outro lado, fontes jornal&iacute;sticas russas disseram que o partido de oposi&ccedil;&atilde;o, o Ozod Dekhoniar (Camponeses Livres) contou 745 v&iacute;timas, 542 em Andij&aacute;n e 203 entre a popula&ccedil;&atilde;o alde&atilde; de Pakhtaabad. A revolta popular de Andij&aacute;n tem ra&iacute;zes nas insurrei&ccedil;&otilde;es dos &uacute;ltimos tempos contra os governos de outras ex-rep&uacute;blicas sovi&eacute;ticas, como Ge&oacute;rgia, Ucr&acirc;nia e Kirguizt&atilde;o, disse Kamalova. Em Andij&aacute;n se vive um clima particular porque se trata da cidade de economia mais florescente do pa&iacute;s, sustentada principalmente por sua ind&uacute;stria automotriz e pelo surgimento de uma s&oacute;lida classe m&eacute;dia, desconhecida no resto do Uzbequist&atilde;o, explicou a advogada.<\/p>\n<p> Em Tashkent nunca se repetiria uma explos&atilde;o popular semelhante, porque a capital do pa&iacute;s de quase 26 milh&otilde;es de habitantes &quot;&eacute; muito conservadora&quot;, ressaltou Kamalova. Entretanto, Tillamodjaev disse que em qualquer regi&atilde;o do pa&iacute;s pode ocorrer um epis&oacute;dio semelhante por causa da crise pol&iacute;tica, econ&ocirc;mica e social existente o Uzbequist&atilde;o. Um estudo divulgado esta semana pelo Fundo Monet&aacute;rio Internacional diz que a pobreza afeta 27,5% da popula&ccedil;&atilde;o, cerca de 6,8 milh&otilde;es de pessoas. Laetitia S&eacute;dou, coordenadora para a Europa da OMCT, disse &agrave; IPS que uma das categorias de viola&ccedil;&otilde;es dos direitos humanos no Uzbequist&atilde;o &eacute; a que afeta os grandes grupos da popula&ccedil;&atilde;o, inclu&iacute;das mulheres e crian&ccedil;as, em particular nas prov&iacute;ncias do pa&iacute;s.<\/p>\n<p> A outra esfera principal de direitos humanos desconhecidos &eacute; a que inclui os abusos contra membros de organiza&ccedil;&otilde;es religiosas, especialmente mu&ccedil;ulmanas, consideradas como grupos terroristas. No mesmo contexto se situam os ataques contra defensores dos direitos humanos, a partidos pol&iacute;ticos e jornalistas de atividade mais destacada, afirmou Sedou. O clima de efervesc&ecirc;ncia em Andij&aacute;n come&ccedil;ou com a deten&ccedil;&atilde;o, no ano passado, de 23 empres&aacute;rios de sucesso, presos sob acusa&ccedil;&otilde;es relacionadas com sua f&eacute; religiosa, disse Kamalova. O protesto estourou na noite de 12 para 13 deste m&ecirc;s, quando um grupo de homens armados invadiu a pris&atilde;o de Andij&aacute;n para libertar os empres&aacute;rios mu&ccedil;ulmanos, acusados de &quot;extremismo isl&acirc;mico&quot; porque cumpriam o preceito da caridade estabelecido por sua religi&atilde;o, contou a advogada.<\/p>\n<p> Junto com os 23 empres&aacute;rios tamb&eacute;m foram soltos outros 1.200 presos, segundo um relat&oacute;rio da Anistia Internacional divulgado esta semana. Horas depois, houve o incidente mais grave, quando os soldados cercaram uma multid&atilde;o concentrada na pra&ccedil;a principal da cidade que reclamava justi&ccedil;a, liberdade e o fim da pobreza. A Anistia disse que os informes se referiram a uma troca de fogo entre civis armados e soldados e a tiros disparados contra a multid&atilde;o. Kamalova insistiu em que Karimov foi quem deu a ordem para os soldados atirarem. &quot;Creio que este &eacute; o come&ccedil;o do fim para o governo&quot;, ressaltou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Genebra, 19\/05\/2005 &ndash; A revolta popular e a repress&atilde;o por parte do governo com centenas de mortos na cidade de Andij&aacute;n, no leste do Uzbequist&atilde;o, confirmaram as preocupa&ccedil;&otilde;es da comunidade internacional pelas viola&ccedil;&otilde;es dos direitos humanos nesse pa&iacute;s da &Aacute;sia central. O Uzbequist&atilde;o vive sob uma ditadura, nas pris&otilde;es h&aacute; mais de seis mil presos pol&iacute;ticos e a situa&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos &eacute; deplor&aacute;vel, resumiu em Genebra a advogada Nozima Kamalova, presidente da organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental Sociedade de Assist&ecirc;ncia Legal, com sede em Tashkent, a capital uzbeka. A sociedade civil do Uzbequist&atilde;o reclama dos governos ocidentais que pressionem o governo para que respeite os direitos humanos, disse a ativista.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/05\/mundo\/uzbequisto-direitos-violados-so-a-origem-da-revolta\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-610","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/610","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=610"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/610\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=610"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=610"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=610"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}