{"id":6156,"date":"2010-02-16T12:45:21","date_gmt":"2010-02-16T12:45:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=6156"},"modified":"2010-02-16T12:45:21","modified_gmt":"2010-02-16T12:45:21","slug":"reportagem-foi-dada-a-partida-para-os-agrocombustiveis-argentinos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/02\/america-latina\/reportagem-foi-dada-a-partida-para-os-agrocombustiveis-argentinos\/","title":{"rendered":"REPORTAGEM: Foi dada a partida para os agrocombust\u00edveis argentinos"},"content":{"rendered":"<p>BUENOS AIRES, 16\/02\/2010 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- Tendo o biodiesel de soja como estrela, a Argentina inicia a introdu\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria de combust\u00edveis vegetais no transporte.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_6156\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/462_soja_argentina_greenpeace.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-6156\" class=\"size-medium wp-image-6156\" title=\"A grande produ\u00e7\u00e3o de soja na Argentina \u00e9 a base do neg\u00f3cio do biodiese - Cortesia Greenpeace\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/462_soja_argentina_greenpeace.jpg\" alt=\"A grande produ\u00e7\u00e3o de soja na Argentina \u00e9 a base do neg\u00f3cio do biodiese - Cortesia Greenpeace\" width=\"200\" height=\"132\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-6156\" class=\"wp-caption-text\">A grande produ\u00e7\u00e3o de soja na Argentina \u00e9 a base do neg\u00f3cio do biodiese - Cortesia Greenpeace<\/p><\/div>  Com atraso, devido a dificuldades de abastecimento, come\u00e7a, este ano, na Argentina a mistura obrigat\u00f3ria de etanol na gasolina e de biodiesel no \u00f3leo diesel, na propor\u00e7\u00e3o de 5%, que pode chegar a 20% em 2015. Os consumidores n\u00e3o notam a diferen\u00e7a. A gasolina e o diesel tradicionais, derivados do petr\u00f3leo, ser\u00e3o misturados com etanol e biodiesel respectivamente, na propor\u00e7\u00e3o exigida pela lei, embora tanto governo quanto empresas admitam que vai demorar um ano para que a medida seja implementada totalmente. A principal vantagem destes combust\u00edveis \u00e9 que emitem menos di\u00f3xido de carbono e outros gases respons\u00e1veis pelo aquecimento do planeta.<\/p>\n<p>Na Argentina, o etanol \u00e9 produzido a partir da cana-de-a\u00e7\u00facar. Para atender a demanda obrigat\u00f3ria gerada pela lei, s\u00e3o necess\u00e1rios 282 mil metros c\u00fabicos de etanol, mas no momento h\u00e1 apenas 202 mil metros c\u00fabicos para uso. Osvaldo Bakovic, coordenador de Biocombust\u00edveis da Secretaria de Energia, explicou ao Terram\u00e9rica que h\u00e1 centrais que ainda n\u00e3o come\u00e7aram a produzir. Por isso, a previs\u00e3o \u00e9 que o fornecimento de etanol estar\u00e1 completo no final do ano. A informa\u00e7\u00e3o foi ratificada pelo diretor-executivo da Associa\u00e7\u00e3o Argentina de Biocombust\u00edveis e Hidrog\u00eanio, Claudio Molina.<\/p>\n<p>\u201cO programa de redu\u00e7\u00e3o da gasolina com a mistura de etanol come\u00e7ou parcialmente em 1\u00b0 de janeiro\u201d, disse Molina ao Terram\u00e9rica. \u201cSegundo a disponibilidade e as facilidades log\u00edsticas, haver\u00e1 lugares do pa\u00eds com redu\u00e7\u00f5es de 5% ou 10% e em outros n\u00e3o haver\u00e1. Por\u00e9m, em 2011 o programa estar\u00e1 regularizado em todo o pa\u00eds\u201d, acrescentou. Molina informou sobre projetos de obten\u00e7\u00e3o de etanol vegetal de diferentes mat\u00e9rias-primas, como milho ou mandioca, \u201cmas, no momento, o governo concedeu licen\u00e7a apenas para produtores de etanol a partir da cana, cujas usinas j\u00e1 funcionam nas prov\u00edncias de Jujuy, Tucum\u00e1n e Salta, no norte\u201d, disse.<\/p>\n<p>Entretanto, a verdadeira estrela dos agrocombust\u00edveis na Argentina n\u00e3o \u00e9 o etanol, como ocorre no Brasil e nos Estados Unidos, mas o biodiesel. Desde que foi promulgada a Lei de Biocombust\u00edveis, em 2006, foram feitos fortes investimentos no setor, mas a produ\u00e7\u00e3o se destinava apenas a mercados externos, onde j\u00e1 vigoravam normas de misturas para restringir a queima de hidrocarbonos no transporte. Na Argentina, a nova lei criou um mercado interno que se expandir\u00e1 nos pr\u00f3ximos anos. Para Bakovic, j\u00e1 n\u00e3o ser\u00e1 preciso importar \u00f3leo diesel, como ocorre agora, o que consome cerca de US$ 1 bilh\u00e3o por ano para atender a demanda do transporte.<\/p>\n<p>Neste pa\u00eds, o combust\u00edvel mais usado \u00e9 o \u00f3leo diesel, com 12 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos anuais, segundo o Centro de Estudos da Situa\u00e7\u00e3o e Perspectivas da Argentina, 66% dos autom\u00f3veis, caminh\u00f5es e m\u00e1quinas agr\u00edcolas utilizam esse combust\u00edvel contaminante. O restante \u00e9 dividido entre gasolina (17%) e g\u00e1s natural comprimido (17%). Para cumprir a mistura inicial, faltam 860 mil toneladas de biodiesel. A oferta se apoia na imensa produ\u00e7\u00e3o de soja, que lidera as exporta\u00e7\u00f5es do pa\u00eds. Al\u00e9m de prover o mundo com gr\u00e3o e farelo, a Argentina \u00e9 a primeira exportadora mundial de \u00f3leo de soja.<\/p>\n<p>Isso explica o motivo de n\u00e3o prosperarem outros planos baseados em cultivos mais eficientes para obter biodiesel, como o pinh\u00e3o manso (Jatropha curcas) ou a mamona (Ricinus communis), que fornecem tr\u00eas vezes mais \u00f3leo do que a soja e crescem em terras marginais. \u201cCome\u00e7amos com o biodiesel de soja, at\u00e9 serem desenvolvidas outras fontes\u201d, admitiu Bakovic. Com a infraestrutura j\u00e1 montada, grandes ind\u00fastrias de \u00f3leo se lan\u00e7aram no neg\u00f3cio do biodiesel. No in\u00edcio, destinaram o novo combust\u00edvel ao mercado internacional, mas desde que a lei entrou em vigor, uma parte \u00e9 destinada a cobrir a cota. A lei exige que os fornecedores de agrocombust\u00edveis sejam empresas pequenas ou m\u00e9dias, vinculadas a produtores rurais ou com uma parte do capital p\u00fablico.<\/p>\n<p>Contudo, na hora de iniciar a mistura, os produtores com essas caracter\u00edsticas n\u00e3o podiam atender a demanda. O governo decidiu, nas \u00faltimas semanas, comprar todo o biodiesel produzido por essas pequenas empresas, cerca de 300 mil toneladas, e aceitou distribuir entre as grandes exportadoras as 560 mil toneladas restantes, at\u00e9 completar o volume necess\u00e1rio. \u201cPara os grandes produtores, a opera\u00e7\u00e3o no mercado interno \u00e9 marginal. O grosso fica com a exporta\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou Molina. Os principais mercados est\u00e3o na Uni\u00e3o Europeia e nos Estados Unidos, onde tamb\u00e9m vigora uma mistura obrigat\u00f3ria, cada vez com maior porcentagem e exig\u00eancias.<\/p>\n<p>Outro fator que justifica o protagonismo da soja \u00e9 que na Argentina a exporta\u00e7\u00e3o de \u00f3leo \u00e9 taxada com imposto de 32%. Por outro lado, se o \u00f3leo \u00e9 transformado em biodiesel, a taxa de exporta\u00e7\u00e3o \u00e9 de apenas 5%, e metade dela recuper\u00e1vel por meio de reintegra\u00e7\u00e3o de impostos. At\u00e9 2015, est\u00e1 previsto que o mercado interno vai operar com uma mistura de 20% de biodiesel, segundo a Secretaria de Energia. Nessa ocasi\u00e3o, a capacidade instalada ser\u00e1 de seis milh\u00f5es de toneladas, v\u00e1rias vezes o consumo interno previsto, disse Molina.<\/p>\n<p>A menor porcentagem de emiss\u00f5es contaminantes depende da efici\u00eancia do cultivo e do resto da cadeia produtiva e da log\u00edstica. O agrocombustivel de soja, \u201cnos c\u00e1lculos mais otimistas, permite redu\u00e7\u00e3o nas emiss\u00f5es de 31%, em m\u00e9dia\u201d, disse ao Terram\u00e9rica Juan Carlos Villalonga, diretor do Greenpeace Argentina. O n\u00famero varia muito segundo o rendimento da colheita, alertou. Mais cauteloso, Bakovic fala em redu\u00e7\u00e3o de 20%.<\/p>\n<p>\u201cPara alcan\u00e7ar um verdadeiro impacto, a redu\u00e7\u00e3o deveria ser de 50%\u201d, disse Villalonga. E alertou que se para produzir um combust\u00edvel verde h\u00e1 utiliza\u00e7\u00e3o em excesso de transporte, irriga\u00e7\u00e3o e energia nas centrais de produ\u00e7\u00e3o e remessa, as desvantagens podem ser maiores do que os benef\u00edcios. Segundo Villalonga, a poss\u00edvel competi\u00e7\u00e3o pelo uso do solo com a produ\u00e7\u00e3o de alimentos ficou atenuada pela nova Lei de Florestas, que det\u00e9m o avan\u00e7o da fronteira agropecu\u00e1ria para monoculturas como a soja.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o creio que haja press\u00e3o extra sobre a terra porque existe capacidade ociosa para produzir biocombust\u00edveis. Mas estes n\u00e3o fazem milagres. Se a Argentina quer que seu transporte contamine menos, melhor faria melhorando o servi\u00e7o de carga por ferrovia \u2013 substitu\u00eddo nos \u00faltimos anos por caminh\u00f5es \u2013 do que utilizando 100% de biocombust\u00edveis\u201d, assegurou.<\/p>\n<p>* A autora \u00e9 correspondente da IPS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BUENOS AIRES, 16\/02\/2010 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- Tendo o biodiesel de soja como estrela, a Argentina inicia a introdu\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria de combust\u00edveis vegetais no transporte. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/02\/america-latina\/reportagem-foi-dada-a-partida-para-os-agrocombustiveis-argentinos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,10,11],"tags":[21],"class_list":["post-6156","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-energia","category-politica","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6156","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6156"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6156\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6156"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6156"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6156"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}